My Way is You

6 Confrontando o Passado


Cap. 6

Confrontando o Passado

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- Katrina, você está bem? – da porta consigo ouvir o que parece ser o Korapaika conversando com a Katrina, que deve ter acordado, mas fica difícil quando Killua, Gon e Gene também estão encima.

- Korapaika?... – ela responde; é um bom sinal – Onde... Onde é que eu estou?

- No seu quarto. – abro a porta um pouquinho e começo a olhar pela pequena fresta junto dos outros. Ele está sorrindo.

- Mas como foi que eu vim parar aqui?

- Eu te carreguei. – a Katri cora bem depressa.

- Você me carregou? – tenta levantar. Ele segura os seus ombros e a impulsiona para trás devagar.

- Calma, não pode levantar ainda. Precisa descansar mais um pouco pelo que o médico disse.

- O que houve comigo? – ele tira o sorriso da cara – Ah não, aconteceu outra vez, não foi?... – vira o rosto – Eu não acredito que agi daquele jeito na frente de todo mundo...

- Se te faz sentir melhor, as famílias do Killua e da Kelly não viram nada antes dela te golpear.

- Sei... – suspira – Korapaika, eu te fiz alguma coisa?

- Não, não fez... – ela olha para ele desconfiada – Mas, eu nunca te vi daquele jeito e eu queria saber o que aconteceu.

- Nada. – ela responde quase na mesma hora que ele – Não precisa se incomodar comigo, eu já disse isso faz tempo.

- E eu também já disse a você o que eu sinto. – Killua, Gon e Gene, que até então estavam discutindo sobre quem ficaria com a melhor visão encima de mim, se calaram.

- Por favor, eu não quero ter que falar sobre isso...

- Katrina, eu pedi que você me dissesse alguma coisa àquele dia; se não gosta de mim eu vou entender.

- Não... – ela murmura, e, com as bochechas vermelhas, suspira e aumenta o tom de voz – Não é que eu não goste.

- Então o que é? Não precisa mais se preocupar com a aranha que guardava em Tive!

- Sim, mas mesmo assim eu não posso ficar com você.

- Por quê? – ele levanta e começa a se alterar – Eu... Eu só não entendo por que você se recusa a me dar uma resposta.

- Korapaika... – dá para notar que ela está tentando ao máximo engolir o choro – É por gostar de você que eu não posso me deixar trair assim, entende? – ele fica mudo e bem surpreso, então em um encarar, nós nos intrometemos.

- Licença... – abro a porta, carregando a bandeja que já devia ter deixado no quarto com o café – Ah, Katrina, você acordou? Que bom, parece ótima!

- Ah, é... – ela tenta esconder as lágrimas – Estou sim.

- Korapaika, vem ajudar a gente com o jardim.

- Mas Gon, é que... – Killua agarra o outro braço dele.

- O Leório está ocupado, então vamos! – quando os dois o arrastam para fora a Gene fecha e tranca a porta e nós duas sentamos na cama ao lado dela.

- Por que arranjaram esse pretexto?

- E por que você acha que era um pretexto? – rio.

- A sopa está totalmente fria. – nós nos olhamos e ela ri.

- Ah Katrina, desculpa, mas a gente escutou a conversa.

- Tudo bem Gene. Achei estranhas aquelas sombras...

- Você gosta mesmo do Korapaika, certo? – ela não me responde – Então por que está botando obstáculo?

- Não quero que contem para ninguém... Mas eu só não consigo ficar perto dele.

- Como assim? – a Gene está mais confusa do que eu.

- É que, quando eu olhei para a aranha e logo depois ele, senti uma forte pontada no peito. Todas as lembranças do massacre na minha tribo voltaram à minha mente, mas foi diferente de antes... Acho que, perto dele, eu fico pior.

- Quer dizer que a esquizofrenia piora só de você olhar para o Korapaika? E como não teve esse problema antes?

- Não sei Gene, acho que foi porque eu vi aquela aranha.

- É mesmo, você detesta qualquer tipo de aracnídeo.

- Kelly, melhor a gente não deixar a Katrina ver outra aranha de novo! – rimos.

- Mas Katri... – continuo – Você fez a mesma coisa com aquela tal de Neon, que era namorada do Korapaika antes. Não pode deixar que tudo vença e passe por cima de você!

- É sim Katrina, senão você não vai ser feliz!

- Mas o que eu posso fazer se eu tenho medo?...

- Katri, você vivia me dizendo que eu devia perder o medo de enfrentar os meus pais e eu fiz isto ontem; quando você desmaiou, eles começaram a reclamar que eu não devia te ajudar, mas eu disse que não ia mais aturar ordens deles!

- Verdade? Disse assim, com esta frieza?

- É sim, a Kelly mandou os seus pais pararem de tentar controlar a vida dela e disse que não ia casar com ninguém a menos que ela mesma escolhesse.

- E o que os pais do Killua disseram disto?

- Killua também reclamou e nós dois chutamos o balde!

- Estou surpresa! – ela ri – E também muito orgulhosa.

- Pois é... Então, viu só? É isso que eu quero dizer. Se eu, que sempre fui a mais medrosa do grupo, consigo, por que você não? E se é do seu passado que está se escondendo, pode contar ao Korapaika que ele vai te entender.

- Eu não sei; mesmo ele já tendo passado por isto eu acho que estaria o envolvendo nos meus problemas e já basta que vocês estejam se preocupando comigo.

- Mas se ele gosta de você, ele tem que se preocupar!

- Viu? Até Gene concorda! – nós levantamos – Não tem mais ninguém que te ama como ele, eu tenho certeza.

- Obrigada meninas... E podem levar isso?

- Certo, eu vou pedir para a Liana fazer outra, ok?

- Obrigada Gene. – ela sai na frente – E obrigada Kelly.

- Os amigos não são para essas coisas? – paro na porta.

- Kelly, de quem é aquele livro? – olhamos para uma poltrona encostada na curva da parede onde está a cama dela, ao lado da janela – Não me lembro de ter lido nada.

- E não leu! – rio e pego o livro – É do Korapaika. – aparentemente, eu a surpreendo – Ele passou a noite aqui.

- Ah...! – dou o livro e ela segura – Eu devolvo depois.

- Certo. Mais tarde nós vamos passar na reserva para ver a Excuser e os outros. Quer vir com a gente?

- Vou tentar me recuperar antes de saírem.

- Então vai logo! – rimos antes de eu fechar a porta – E a Liana ainda dizia que eu era problemática... – suspiro.

Mesmo com nossa união ontem, Killua e eu continuamos na relação de capacho e dona. Ainda sim, apesar da cara de tédio e das reclamações, ele me obedece. No instante em que volto do banheiro e ele do jardim com o Gon e o Korapaika, pára no caminho e fica me encarando em pé nas escadas.

- O que foi? – faço uma cara feia – Algum problema?

- Não... – é o que ele sempre responde.

- Você anda me olhando desse jeito faz um tempão e toda vez que eu pergunto por que você nunca diz nada!

- É porque eu não tenho nada para dizer! – ele entra na cozinha e pega uma maçã.

- Você é tão diferente do Gon, como podem ser amigos?

- E o que diz de você e da Gene? Não é a mesma coisa?

- Não! Gene e eu somos... Somos ligadas desde crianças!

- Então eu não preciso falar de mim e do Gon.

- Só porque eles são parecidos não quer dizer nada. Alías, a Gene é até mais madura do que o Gon.

- E também mais do que você! – ri. Em um ranger de dentes, seguro sua blusa e começo a sacudi-lo.

- Você está mesmo com vontade de me irritar?

- Não tenho culpa se você é tão sensível. – só nesta frase o meu corpo se arrepia e perco força nos braços, soltando ele.

- O que foi que disse? – ele estranha a minha expressão, mas não se preocupa muito.

- Que você deveria pelo menos fingir ser mais severa. Por isso que os caras daquela vez tentaram se aproveitar.

- E como reparou que eu só finjo ser má?

- Em uma coisa nós concordamos: somos parecidos, não?

- É... – abro um pequeno sorriso – Killua, eu... – ele joga o talo da maçã no lixo e volta a me encarar – Não tem mais que ser meu escravo. Eu te deixo livre.

- Sério? Mas por que mudou de idéia agora?

- Não interessa! – cruzo os braços e me viro – Eu vou chamar o Gon e a Gene para irmos logo visitar a Bosom e os outros. – saio andando o mais rápido que posso, aí esbarro com Gene perto dos copos-de-leite – Ai Gene, desculpa.

- O que aconteceu, por que tanta pressa? – ela me ajuda a levantar – Está fugindo de alguém?

- Do Ki... – pauso e sacudo a cabeça – Não, de ninguém!

- Então tudo bem. Quer me ajudar a regar as flores?

- Sem problema. – seguro o regador – E cadê o Gon?

- Ele me disse que ia procurar algo e não voltou.

- Pessoal, venham aqui! – grita e leva todos para a sala.

- O que foi Gon? – Leório ainda estava fazendo a barba.

- Eu tenho uma surpresa. – ele sorri e balança um papel.

Continua...