Notas iniciais
Tipo, eu tinha outra conta, a Aninha_Kagamine, mas por algum motivo eu não consigo mais entrar nela, então tive que criar essa T-T

Triste, em uma escuridão profunda. Anos de uma depressão disfarçada, de sorrisos falsos. Há quanto tempo eu estou sozinha? Há quanto tempo eu estou assim? Já perdi as contas.

Deitada no sofá de minha sala, estou lendo um livro, como sempre. Ler é uma das coisas que eu mais gosto de fazer. Parece que os livros me levam, mesmo que somente por alguns minutos, a um mundo diferente deste, mais colorido e alegre. Infelizmente, a vida é diferente das histórias, nem tudo termina bem. Mesmo assim, às vezes gosto de fantasiar e fingir, montando o meu final feliz e perfeito. Mas isso não muda a minha realidade, meu passado. Não muda o que realmente sinto, nunca mudará.

‘’Um anjo caído, quebrado e maltratado, num mundo de futilidade e mentiras’’

Escuto a chave girar na porta. Rapidamente, quase em uma reação automática, fecho o livro e subo quase correndo as escadas, na esperança de minha mãe não me ver.

— Garota! Desça aqui agora e lave os pratos! Eu já não tinha mandado você fazer isto?! É surda por acaso?! Você não me ajuda com nada, menina imprestável! Você só atrapalha a minha vida, só me traz prejuízo! – Minha mãe falava com raiva

Suspiro, enquanto sem poder contrariar, desço as escadas novamente, desanimada. Era sempre assim. Provavelmente, ela nunca vai notar que a própria filha ficou muda. Sim, eu havia perdido a voz. Há dois anos, eu acordei e minha voz havia simplesmente sumido. Não conseguia sequer pronunciar um ‘’a’’ desde então. Talvez seja por causa do que passo aqui, não sei. Vou para a cozinha e começo a lavar a louça calmamente. Ouço minha mãe murmurar mais algumas ofensas e ir para seu quarto. Eu estou doente disso. Odeio essa casa, quero sair daqui, ser como aquelas mocinhas corajosas dos filmes e fugir para bem longe e, como em um livro de romance, encontrar o meu príncipe e poder viver bem e feliz.

Mas isso está longe de ser possível, não é mesmo?

‘’Um anjo preso por grossas correntes de ferro, impossibilitado de fugir’’

Talvez você esteja se perguntando como eu faço pra me comunicar com outras pessoas, na verdade, é bem simples...

Eu não falo com ninguém.

Eu não tenho amigos. As pessoas do meu colégio me ignoram, me tratam como uma aberração. De certa forma é bom, pelo menos eu tenho paz. Gasto o meu tempo no colégio desenhando ou lendo, coisas que eu só consigo fazer em casa quando minha mãe sai. Não que eu não me sinta sozinha. Mas...Uma hora, você acaba se acostumando.

‘’...Mal compreendido, abandonado. Mas ainda com a esperança de que alguém, algum dia, consiga devolver sua voz’’

Meu nome é Megurine Luka, uma garota muda do 2° ano do ensino médio.

Notas finais
Mereço reviews?