My Tragedy
1 Capítulo 1
Notas iniciais
I'm back. Depois de arrancar xingamentos e juras de morte de vocês para Peeta Mellark nos spoilers, aqui está MT. Violento, triste, dramático e revoltante. Leram bem os avisos lá na página inicial da fic, né? Se não, por favor vão ler porque... A coisa está pesada aqui.
Sem mais mimimi, deixo que Katniss apresente sua história.
Why did you feel the need to
Prove that everyone was,
Was right?
No I... won't fight
Ohh, your, my Tragedy... Tragedy...
Your, my Tragedy ohh...
Tragedy — Christina Perri
Dor. É tudo o que sinto agora. Dor por estar abandonando a pessoa a qual mais amo, dor ao saber que além da minha vida tenho mais uma que agora precisa inteiramente de mim e dor por saber que eu não vou ter o apoio dele para cuidar dessa vida. Não terei mais Peeta, não o terei mais para cuidar de mim e do nosso bebê.
Infelizmente é preciso relembrar de tudo. Nenhuma decisão pode ser tomada se não pararmos para pensar e ver todos os lados da história. Nada dá certo se não pensarmos e revivermos os opostos.
Casei-me com Peeta Mellark, o cara pelo qual me apaixonei na faculdade, que me pediu em namoro quando eu tinha vinte um anos e em casamento aos vinte e cinco. Agora que beiro os trinta, a nossa vida de casados só vai de mal a pior.
O porquê? Digamos que Peeta não seja aquele marido fofo, gentil e romântico que está nos contos de fadas de muitas adolescentes que querem um final feliz. Ele hoje está mais para a pessoa que te atormenta em seus piores pesadelos. Não, ele não era assim. Ele já foi o meu príncipe encantado, aquele que traz flores e chocolates no dia dos namorados, aquele que te leva para um passeio no parque, aquele que é capaz de fazer uma serenata à sua janela com direito a violões, violinos e cantores de fundo, porém tudo pode mudar. Casar-me com ele foi como um raio na praia. Perigoso e atormentador.
Peeta, uns meses depois do nosso casamento, o momento mais feliz de toda a minha vida, começou a ficar mais agressivo, mal me dava um beijo, um bom dia ou me chamava com aqueles apelidos fofos que só ele sabia me dar. Peeta começou virar um marido monstruoso, um marido que aprendeu a bater em meu corpo como quem gosta de agressões. Foi uma surpresa a primeira vez que aconteceu.
Vendo um filme qualquer em casa, espero que Peeta chegue. Depois de umas horas andando pelo shopping com minha amiga Madge, vim para casa para poder jantar. Peeta faz questão de que façamos alguma refeição do dia juntos, já que o trabalho exige muito de nós dois.
Passados alguns minutos ele chega em casa, mesmo estando em nosso quarto consigo ouvir o barulho dos pneus de seu carro derrapando e em seguia o motor sendo desligado. Peeta não é daqueles que costuma correr, então apenas espero que ele chegue ao quarto para conseguir explicações de tamanha pressa.
Quando o vejo, paraliso. Seus olhos estão vermelhos, parece irritado e mais inquieto que o normal. Levanto da cama, chego perto e não me contenho em pergunta-lhe:
— Peeta? O que aconteceu?
— Não te interessa, Katniss. — responde agressivo.
Katniss... Ele não me chama assim há anos.
Logo sinto o cheiro de bebida, mas álcool, mesmo que em numa dose super grande jamais havia o deixado assim. Questiono-me se ele havia usado maconha, cocaína ou qualquer tipo de droga.
— Peeta você... Está drogado? — pergunto e ele revira os olhos debochado. — Você bebeu também não foi? Sabe que isso não te faz bem.
— Porra, Katniss, já falei pra parar de encher o caralho do meu saco!
Daí concluo: Ele está mesmo drogado. Em toda nossa convivência, Peeta jamais me dirigiu um palavrão, quanto mais dois na mesma frase. Não posso deixá-lo assim, tenho que pelo menos dar-lhe um banho e colocá-lo para deitar. Alguém sob o efeito dessas drogas nunca raciocina bem.
— Peeta, vem cá. — chamo me aproximando dele.
Assim que seguro seu braço direto ele se contém para não gritar.
— Me larga, Katniss. — manda respirando com força. Isso é um monstro, não o meu Peeta.
Não entendo muito bem como ou quando acontece, só vejo sua mão se chocar contra meu rosto com toda a força presente no braço musculoso e saliente do loiro. Apesar da dor, apenas a ardência se concentra ali. Com toda a certeza a marca de seus dedos está naquela área e, mais tarde, meu rosto ficará completamente inchado. Não foi o suficiente para fazer com que eu caísse no chão, mas dei uma boa cambaleada.
— Peeta! Por que você...? — não consigo terminar já que mais uma sequência de tapas e socos vem em minha direção e não só pelo rosto, mas por todo o corpo. Curvo-me de dor assim que ele acerta minha barriga, porém nada parece bastar para ele. Gritar já não adianta mais e mesmo que Cato, o irmão de Peeta, esteja em algum lugar da casa, já deveria ter escutado meus gritos, gemidos de dor e lágrimas.
Por hora Peeta para de me bater, penso que a tortura acabou finalmente. Ajoelho-me no piso frio de nosso quarto tossindo e tentando puxar ar que agora me falta. O barulho que faço para conseguir oxigênio assustaria qualquer um. Talvez pensassem que é uma crise asmática ou até alguém com câncer de pulmão, mas que eu havia apanhado do meu próprio marido? Isso nunca. Sinto-me infeliz quando percebo que estou enganada, Peeta tira-me do chão e gruda meu corpo na parede branca do quarto com suas mãos em torno de meu pescoço. Meus pés deixam de tocar a superfície. O ar que já faltava? Deve ter parado de existir.
— Pe-ee-eta para po-or favor. — sussurro já em meus últimos resquícios de voz.
Mas ele não para, ele não vai parar. Quando já começo a ver um borrão preto, o barulho da porta sendo aberta é a única coisa que eu consigo escutar antes de ter Cato aos berros:
— Peeta! Solta a Katniss! — manda ele puxando o irmão para trás.
Já é tarde demais. O preto da visão mistura-se ao vermelho do sangue em meu coração. A dor me pega por completo. Quando caio no chão sinto apenas minha cabeça e meu corpo chocando-se fortemente no piso frio. O quarto estará amaldiçoado para sempre.
Naquela noite eu havia desmaiado. Fiquei no quarto de hóspedes que tinha em casa enquanto Cato e sua esposa, Clove, cuidavam de mim. Foram quatro dias de rejeição até que eu me sentisse melhor. Acabei ficando com várias marcas vermelhas pelas pernas, barriga e rosto, já em meu pescoço marcas arroxeadas permaneceram em minha pele por semanas.
Fiquei sem ver Peeta pela mesma quantidade de dias que cuidaram de mim. Havia ficado trancafiada naquele quarto, não queria que ninguém entrasse e me visse naquele estado. Nem eu mesma. Cato não deixava Peeta chegar perto da porta que separava-me dele dizendo que eu precisava ficar sozinha e que ele precisava de um tempo para pensar.
— Você tem que sair dessa casa, Katniss. — aconselha Mad.
Ela e Clove são minhas companheiras de confinamento. Elas conseguem arrancar algumas risadinhas e sorrisos de mim. Eu enlouqueceria sem elas. Sinto inveja da beleza das duas pela primeira vez na vida. O cabelo loiro ouro e liso de Madge junto do charme das sardas pelo rosto de Clove apenas fazem-me pensar o quão destruída e acabada devo estar.
— Eu não tenho para onde ir... — sussurro em seus braços.
— Você pode ir pra minha casa ou ficar num hotel. — diz ela.
— E ele vai atrás de mim. Não tenho para onde fugir e nem sei se quero.
— Porque?
— Peeta não estava em si ontem. Parecia chapado e sob o efeito de alguma droga, Mad. Talvez meu marido ainda esteja lá, mas... — suspiro evitando as lágrimas que machucariam meus ferimentos. — Algo soltou o demônio de dentro dele. Literalmente.
Cato não me dá informações sobre ele. As poucas vezes em que eu ouço sua voz é quando ele tenta entrar no quarto a força. Ele nunca consegue. Terríveis pesadelos me assombram noite após noite e saber que ele não estaria lá para me consolar no momento em que eu acordo suada e chorando só me fazem sentir mais falta dele. O medo é o sentimento mais forte agora.
Quando eu finalmente o encontrei acabei por me surpreender. Ele parecia submisso à mim e às minhas vontades. Foi gentil, fofo e até quando eu tive medo de senti-lo me abraçar, o arrependimento estampou todo o seu ser. Optou por fazer um jantar à luz de velas para nós dois como fazia constantemente na época do nosso namoro, deu-me presentes e uma boa noite de amor. Beijou todos os machucados que ainda não haviam sarado por completo, acariciou minhas bochechas, secou as lágrimas que caíram sem permissão e apertou-me em seus braços quando estávamos cansados do exercício depois de passar seus dedos por meus cabelos e entrelaçar minha mão na sua.
Estava indo tudo às mil maravilhas até que... Alcançamos o estopim.
Ao término do jantar nos juntamos na sala de estar parar assistir um filme que passa na televisão. Peeta permanece ao meu lado com os braços por cima de meus ombros, seu cheiro de bebida ficado cada vez mais forte. Claro, cerveja com amendoim é seu preferido.
No início de sua seção beijos comigo tudo está calmo e lento, apaixonante. Sua língua pede passagem e eu cedo. Peeta se separa só para colocar sua bebida na mesa de centro e volta a olhar para mim. Sorri, beija-me de novo e inclina seu corpo sobre o meu no sofá. Ele arrasta suas mãos por meu corpo devagar e chega aos fios ralos de meu cabelo na área da nunca, sobe um pouco mais e segura meus fios com força. A brutalidade começa aí.
Seu beijo já não é mais o mesmo, romântico, é forte, pesado, bruto e amargo. Ele morde meu lábio com força o suficiente para arrancar-me filetes de sangue. Fecho minha boca para que isso não aconteça, mas ele consegue entreabri-los novamente. Seus dedos apertam a carne de minhas coxas e suas unhas quase inexistentes me machucam. Tento empurrá-lo, mas minha força não pode ser comparada a dele.
Peeta senta em suas panturrilhas ainda em cima de minhas pernas e, segurando meu corpo pela blusa que uso, puxa-me para ele.
— Peeta... — chamo quando ele morde meu pescoço. Seguro seus ombros. — Eu não... Para.
— Relaxa, esposinha. Não vai doer nada.
Puxo minhas pernas de baixo dele e caio no tapete felpudo. Sua risada estranha e maníaca faz-se presente. Quando levanto do chão, ele também já está de pé. Segura rapidamente meus cabelos e puxa-me para seu peito.
— Peeta, sai de perto de mim. — crio um peso extra em meus braços quando ele tenta tirar minha blusa.
— Tire a blusa, Katniss. — manda ele fazendo-me negar com a cabeça. — Eu falei para tirar!
Quase gritando, ele vira meu corpo, aperta meus braços, os levanta e arranca a blusa de mim.
— Como eu consigo resistir à você? — indaga ele para si mesmo. Peeta encara meus seios cobertos pelo sutiã vermelho. Uma péssima ideia usar essa cor hoje. — Gostosa.
Inclinando minha cabeça para o lado em busca de afastar seu contado, juto-lhe os joelhos. Ele agacha o corpo numa dor suave, mas ainda o suficiente para dar à mim uma brecha de fugir. Subo as escadas correndo enquanto ele tropeça e cai rindo como se fosse a coisa mais engraçada de todo o universo. O loiro percebe que estou fugindo dele então, rapidamente, segue-me pelos degraus.
— Vem cá, Katniss. Não negue sexo ao seu marido. — diz ele rindo.
Entro em nosso quarto e tento trancar a porta, mas a chave não está no lugar. Merda! Já não tenho mais tempo de ir para o quarto de hóspedes e, quando tomo a decisão de correr para o banheiro Peeta já está no quarto, me segurando e jogando-me na cama.
— Oh amorzinho, porque está fugindo de mim? Sabe que não vou te fazer nenhum mal, eu lhe prometi isso não foi? — indaga segurando meus braços. — Não foi?! — grita.
Apenas confirmo com a cabeça assustada demais para responder. Peeta realmente me prometeu.
— Já disse que você é deliciosa demais de se olhar? Imagine de sentir. — diz passando as mãos por minha cintura.
— Me solta, Peeta! — peço, mas ele não o faz. — Me solta!
Como resposta recebo um tapa um pouco acima da bochecha que é seguido de um baque mudo logo que meu rosto bate no travesseiro.
— Não grita! Se gritar vai ser pior... — fala apontando para o meu rosto. — Qual é baby? Para que todo esse showzinho?
Porque eu não sei no que você se tornou.
Não tem como eu escapar. Suas mãos prendem meus braços, suas pernas estão uma em cada lado do meu corpo. Gitar de nada adiantará. Só estamos nós dois em casa. Cato não mora conosco, estava aqui naquele dia porque precisava pegar um relatório. A sorte não bate na sua porta duas vezes assim tão fácil!
Peeta começa a beijar e chupar meu pescoço, passa por meu colo e segue para os meus seios, de repente ele para, encara meus olhos e diz:
— Hoje, vamos fazer diferente... Você nunca vai esquecerá esta noite, Katniss.
Peeta levanta-se da cama e, do bolso da bermuda, tira a chave da porta, a que eu procurava minutos atrás. Em seguida a tranca, rodeia a cama e enquanto ele procura algo no criado mudo desperto-me, levanto em seguindo indo em direção à porta. Eu sei que está trancada, mas o desespero é tão grande que eu começo a puxar a maçaneta freneticamente.
— Peeta, me dê a chave desta porta. — falo, mas ele continua vasculhando o armário ao lado da cama. — Me dá essa chave!
— Já disse que se gritar vai ser pior. — ele fala como se estivesse contendo algo dentro de si.
Neste momento eu choro de desespero, de medo, mas tudo piora quando ele acha o que quer. Duas algemas e dos pedaços de corda. Peeta já devia ter preparado aquilo há muito tempo.
— Vem cá, minha princesa. Está noite será inesquecível. — diz depois de colocar tudo em cima da cama.
Não movo um músculo, não pisco e não respiro. Não faço nada a não ser ficar parada encarando aquele ser que se denomina meu marido. Quando ele percebe que fico quieta e ainda com as mãos na maçaneta, ele vem em minha direção e segura meus pulsos. Eu devo estar em choque, com medo do que ele pode fazer.
— Agora vamos preparar você. — sugere.
Peeta tira tudo de cima do colchão deixando apenas o lençol que o cobre. Depois percebo que ele prende uma algema em cada canto da cabeceira e, na parte solta, ele coloca meus pulsos. Com a corda prende cada um dos meus pés no ferro que fica no fim da cama. Meu corpo todo preso, tendo um X como forma.
Peeta fica por cima de mim, fixa seu olhar bem no fundo dos meus olhos como se pudesse enxergar a minha alma e, então, ele sorri. Remexe novamente no criado-mudo e de lá, tira uma tesoura. Com ela corta meu sutiã, short e logo minha calcinha. Pega a mesma e a cheira. Como se o odor fosse o veneno mais amado por ele. Fica de pé na cama e tira sua bermuda. Seu membro parece explodir dentro da cueca como se todo o ar aterrorizante e medonho da situação o excitasse. Ele deita-se por cima de mim novamente e dá chupões em meu pescoço. Tento me debater, mas as algemas fazem com que meus pulsos fiquem super machucados e as cordas raspam em minhas pernas fazendo-as queimarem.
— Por favor... — soluço erguendo a cabeça. — Para.
Sem ligar para o que eu digo, Peeta, cega-se com toda a luxúria de sua vontade. Sem pensar duas vezes ele retira sua cueca e coloca-se dentro de mim. Não é sensual, não é gostoso e muito menos prazeroso para mim. Seu corpo vai e volta em meu interior. Dói. Estou seca e privada de qualquer vontade de tê-lo.
— Não! — choro. Minhas pernas contraem-se e meus dedos agarram a corrente curta da algema.
— Porra. — Peeta geme empurrando-se com mais força. — É tão gostoso, querida.
Ele tapa minha boca quando grito de dor. Sua mão livre dá um tapa em minha perna e ele fecha os olhos de prazer. É doentio demais.
Mais uma ou duas investidas e ele se faz por completo. Goza dentro de mim e todo seu corpo treme. Ele encara-me em segundos e estala sua boca na minha. As lágrimas escorrem de meu rosto para o pescoço e não duvido de ter minha parte íntima sangrando pela brutalidade.
Escorregando-se para fora de mim, Peeta solta minhas algemas como quem diz: ‘’Te usei. Agora sai da minha frente.’’
— Você gostou? — indaga cínico. — Para mim foi incrível.
O loiro levanta-se e vai para o banheiro. O barulho do chuveiro preenche o ambiente e resisto à vontade de encolher-me no colchão. Sinto-me pesada, suja, imunda e podre. Meu ser está contaminado pela violência e agressão.
Desamarro minhas pernas e, correndo os olhos pelo quarto, acho meu roupão de seda. Visto apenas ele e destranco a porta. Sem conseguir segurar as lágrimas, escoro meu corpo pelo corrimão da escada de madeira e seguro a chave de meu carro sem nada mais como opção. Não sei como o ligo, nem se tranquei as portas ou, até mesmo, se infringi uma lei de trânsito, mas sinto-me um por cento mais aliviada ao parar na porta da casa de Madge. Apoio minha cabeça no volante e sei que aciono a buzina.
— Katniss! — grita Madge correndo até meu carro. Ela abre a porta com Clove atrás dela e encosta em mim.
— Socorro... — sussurro.
Não foi fácil.
Madge e Clove tentaram convencer-me de denunciá-lo, de tentar colocar ele na cadeia, mas tudo que eu consiga fazer era me encolher no canto do quarto, na cama, na parede e chorar. Porque tudo me fazia sofrer. Respirar doía, dormir causava pesadelos além dos quais as pessoas possuem normalmente, piscar trazia imagens daquela noite, fechava minha boca para não gritar e me sentia um animal por viver isolada. Eu vivia numa gaiola escura e sombria.
Fiquei na casa da loira por dois meses. Uma de suas amigas era psicóloga e ajudava-me em casa. Não cobrava nada por sentir pena de mim. Eu não podia reclamar. Até eu sentia pena de mim mesma.
Depois desse tempo notamos que algo estava errado comigo. Muito, muito errado. Eu estava grávida. Peeta plantou uma sementinha dentro de mim no pior dia da minha vida. Eu entrei em pânico. Não tinha uma casa própria, não trabalhava por não conseguir, assustava-me com qualquer coisa não me aparentasse seguro. Eu não podia ser mãe. Não naquelas condições.
Duas semanas depois eu tomei uma decisão. Precisava enfrentar os problemas e resolver minha vida. Sem Peeta e qualquer outro que me conectasse à ele.
Cato já está na porta. Não consegue olhar em meus olhos desde a burrada que o irmão fez.
— Está certa do que vai fazer? — pergunta ele nervoso quando estamos chegando na casa de Peeta. Não nossa, de Peeta.
— Muito. — respondi-lhe certa.
Abrimos a porta da casa. Está silenciosa, fria e intacta. Do mesmo jeito de meses atrás. Respiro fundo e começamos a subir as escadas. Já em meu antigo quarto vejo Peeta deitada na cama. Não o olho e não interrompo seu sono, mas ao derrubar uma das malas que pego no armário, ele acorda.
— O que está acontecendo? — pergunta confuso levantando-se com o rosto amassado e apenas de cuecas samba canção. Não perco tempo em escapar de seu toque e sair em direção do closet. Duas malas em minhas mãos. É tudo que preciso. — Katniss, para!
— Não encosta em mim. — mando quando ele faz menção de interromper o meu trabalho. Jogo na mala a maioria das roupas que encontro, não há tempo para dobrar e deixar tudo arrumado.
— Para que essas malas? — pergunta afastando-se do irmão que puxa seu corpo para trás. — Onde é que você vai?
— Não é de seu interesse. — confirmo. Não é mesmo. — O que faço de agora em diante não é de interesse de ninguém além do meu.
Fecho as malas pratas e arrasto-as até o cofre. Não posso sair daqui de mãos vazias. Precisarei me estabelecer antes de conseguir um emprego. Cuidar de uma criança não é nada barato.
— Você vai levar dinheiro? Para que?
— Eu preciso viver, não? — ironizo.
— Mas você trabalha.
— Eu vou embora desse estado. Ainda não consegui trabalho em outro lugar.
Aviso depois de guardar uma quantia considerável de dinheiro em minha mochila. Vejo minha passagem de ida e repreendo-me por ainda estar nesta casa. Quanto mais cedo chegar no aeroporto, melhor.
— Outro estado?! — grita puxando meu braço quando já estou no primeiro andar com Cato.
— Solta! — bato em suas mãos.
Saia rápido, Katniss. Rápido!
— Você não pode ir embora.
— Posso sim.
— Katniss, você é minha esposa!
— E você não faz ideia da vergonha que tenho disso.
— Katniss... — ele suspira passando a mão pelos cabelos. Dou uma das malas para Cato levar e ele já vai para a porta. — Se foi pelo o que eu fiz, juro que estou arrependido. Me desculpe.
— Desculpas? — rio. — Você acha que desculpas concertam alguma coisa? Você devia estar preso agora. Definhando numa prisão, mas eu sou burra e medrosa demais para isso e prefiro sair desse lugar para não ter que olhar na sua cara!
— Você vai... pedir o divórcio? — ele respira.
— Pode ter certeza disso. Fique atento que assim que o advogado bater nesta porta, você vai assinar. Quero que isso saia o mais rápido possível.
Virando as costas deixo-o sozinho. Desço as escadas da varandinha da frente com Cato e colocamos minhas coisas no porta malas.
— Você não vai!
Peeta me puxa e, em reação, viro-me para dar-lhe um tapa em seu rosto. Consigo.
— Peeta, deixe-a ir. — manda o irmão empurrando-o para longe.
Me tranco no carro e sinto as lágrimas escorrerem. Porque comigo?
— Calma. — sussurra Cato quando consegue se afastar de Peeta e entrar no carro.
Ele dirige rapidamente e para numa esquina próxima. Faz-me respirar e pede para que eu relaxe. Colocamos nossas mãos sobre minha barriga pequena e quase oval.
— Vai ficar tudo bem. — sussurra ele.
— Vamos embora. — peço.
Ele não pensa duas vezes e dirigi até o aeroporto. Nada mais importa além do meu bebê. Está na hora de recomeçar e viverei com apenas um Mellark. Meu filho.
Notas finais
Deixarei para vocês. Um big big beijo no coração de vocês e até a próxima.
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