My Tragedy
5 Bônus
Notas iniciais
When I leave this world, I'll leave no regrets
Leave something to remember, so they won't forget
I was here
I lived, I loved
I Was Here — Beyoncé
— Papa! — Jasmine grita ao ver o pai. Apesar de já ter quatro anos e meio, minha Borboletinha ainda chama o pai como um bebê. Deve ser porque Peeta sempre faz tudo que nossa menina quer quando ela o chama deste jeito. É babão demais.
Enquanto Peeta tomava banho, acabei arrumando nossa cama e tirando Jass da sua. Ela fazia questão de dormir envolta de três travesseiros de fronhas roxas e um grande cobertor fofo de borboletas estampadas. Minha menina se sentia confortável entre esses desenhos e eu mal podia esperar por seu aniversário de cinco anos onde ela faria uma sessão de fotos num lindo borboletário com belas assas amarelas acompanhadas de um vestido de tule da mesma cor.
— Borboletinha. — ele a chama agachando-se o suficiente para tê-la jogada em seus braços fortes.
— Feliz aniversário. — ela deseja abraçando seu pescoço. Jogo o pano de prato em qualquer lugar da bancada da cozinha aproveitando o momento para encarar o sorriso dos dois. — Presente.
— Sou eu? — pergunta indicando o desenho feito no papel branco. Jasmine não tem um grande potencial para pintura, mas mesmo os rabiscos primares são uma graça.
— Papa e Tatá. — avisa apontando para si mesma.
Tatá é sinônimo de borboletinha e Borboletinha é como chamamos Jasmine.
Deuses, filha. Como você é inteligente.
— Ficou lindo. Vou pendurar na geladeira.
Vejo-o colocar a filha na cadeira mais alta que compramos para que Jass pudesse nos acompanhar a altura nos jantares em que fazemos juntos. Conforme ela crescer, a cadeira deixará de ser utilizada.
Volto a trabalhar nas panquecas para o café da manhã enquanto Peeta coloca alguns imãs sobre o desenho verde, amarelo, azul e preto na geladeira. Logo seus braços estão meu redor, sua colônia fresca de sabonete inundando meus sentidos e singelos beijos arrepiando meu corpo quando depositados em meu pescoço.
— Você e sua mania de acordar cedo. — sussurra em minha orelha tomando minhas mãos para sua quando retiro a frigideira de cima da chama do fogão.
— Jass me chamou. Ela queria fazer um café especial para você.
— Só ela?
— Sim. Seu presente de aniversário vem apenas pela noite.
Seu sorriso malicioso me faz rir. Beijo seus lábios e enfim ele me libera para terminar minha tarefa. Em pouco tempo estamos compartilhando caldas, chantilly, mel e frutas.
Lembro-me da noite em que Peeta e eu tivemos nossa primeira noite juntos. Foi logo após a morte repentina de tia Paylor. Jasmine estava na casa de Madge brincando com sua priminha que ainda estava na barriga da madrinha. Peeta decidiu preparar um jantar romântico para nós dois, com direito a velas e vinho.
Ele preparou tudo enquanto eu estava na rua com Clove, quando cheguei em casa ele recebeu-me de camisa social e tudo mais. Puxou a cadeira para que eu me sentasse e serviu-me enquanto contávamos sobre nosso dia e descontraíamos dos problemas do trabalho. Ao final, ele deixou tudo que sujamos na pia alegando que pela manhã daria um jeito na bagunça e pegou-me em seus braços e subiu as escadas até chegarmos ao seu quarto. Delicadamente ele deitou-me em sua cama e em juras de amor retornamos aos tempos de faculdade onde tudo que sentíamos era a paixão correndo em nossas veias.
Peeta parecia mais assustado e receoso que eu. Ele sabia que o lugar guardava péssimas lembranças de nós dois, mas eu precisava fazê-lo se concentrar para que toda a maravilhosa noite não fosse esquecida com um possível surto dele. Precisei beijá-lo e sussurrar o quanto o amava para mostrar-lhe que não havíamos perdido tempo em tentar nos reconstruir como uma família. Porém ele recobrou seu interior e sorriu antes de me agradecer por não ter desistido dele. Agradeceu-me por aceitar tudo de ruim que havia acontecido.
A partir daquela noite, Peeta e eu dividíamos a mesma cama e não havia razão para ser diferente.
...
Na hora do almoço um grande churrasco foi feito em nosso quintal. Todos riam, comiam e brincavam com o atraso das carnes que Gale, marido de Mad, fazia. Estávamos num clima bem leve. A filha de minha melhor amiga tentava correr junto de Jasmine e o bebê de Cato estava em seu braço musculoso enquanto a outra mão fazia o trabalho de levar a garrafa de cerveja em sua boca e coloca-la na mesa mais uma vez.
— Sente para comer. Se quiser a mamãe corta a carne. — disse para Jasmine que segurava o garfo de plástico branco com a mão esquerda. Canhota recém-descoberta, ela não sabia medir forças e acaba por quebrar o utensílio algumas vezes enquanto comia.
Peeta vez ou outro vinha me dar beijos e abraçar-me. Eu sabia que quando muitas pessoas estavam ao seu redor, ele precisa se isolar por alguns segundos e se ficar ao meu lado era a solução, que passássemos a ser siameses por um tempo.
Quando estava para escurecer cantamos o famoso parabéns junto de uma torta de doce de leite e uma vela em forma de interrogação em cima. Uma boa gargalhada saiu do loiro ao ver.
Enquanto comíamos e nos servíamos de refrigerante, os presentes começaram a ser distribuídos. Gale e Mad o presentearam com uma dupla de vinho tinto para colocarmos na adega portátil que compramos dois meses atrás. Já Cato e Clove lhe deram um conjunto de cinco camisas das marcas preferidas de Peeta.
Logo depois Jasmine correu até o pai com uma embalagem de remédio. Peeta deu uma olhada no relógio em seu pulso depois de colocar a filha sentada em suas pernas.
— Ainda não está na hora, Borboletinha. — comentou ele confuso vendo Jass ainda estendendo a caixa branca para o pai.
— Não é seu. É da mamãe.
— Leve para ela. — instruiu ele vendo sua miniatura negar com a cabeça.
— Abre.
Meu coração saltou no peito enquanto Peeta abria a caixa e retira um papel branco que estava no lugar da bula. Abrindo o papel ele arregalou os olhos ao ver o que estava escrito nele. Logo lágrimas enchiam meus olhos juntamente dos seus. O loiro apertou Jasmine em seus braços antes dela correr para perto do padrinho do jeitinho que tínhamos combinado.
Abracei meu corpo enquanto Peeta levantava da cadeira e corria até mim que até pouco me escondia atrás dos convidamos, mas ao senti-lo tremer em choro apenas consegui abraça-lo com mais força.
— Eu te amo. — disse ele. Suas lágrimas caindo em meu pescoço. — Eu vou fazer tudo certo desta vez. Prometo.
— Você já faz tudo certo. Não se preocupe.
Num longo beijo molhado apenas pude ter a certeza de que estávamos completos finalmente. Os pedaços quebrados de nossos corações pareciam finalmente colados com a mais forte das colas: o amor. Não havia nada no planeta que fizesse-me arrepender de todas as decisões que tomei em minha vida.
Naquela hora a menor de nossas preocupações era o pedaço de papel jogado ao chão perdendo-se pelo vento.
Éramos uma família. Sempre seríamos e os dizeres ‘’Estou grávida mais uma vez’’ apenas comprovavam isso.
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