My Sweet Valentine

1 My Sweet Valentine


Notas iniciais
Então, Giu, como eu te falei, fazer fic de fandom é difícil demais pra mim, rsrsrs, mas comecei a fazer uma sci-fi original meio Frankestein, que morreu no meio do caminho por motivos de porque sim. Então resolvi me aventurar e assistir alguns episódios do Steven Universo, e fiz essa coisa fofa ♥ Eu sei que não tá perfeita, mas foi feita com todo meu amor.

Steven puxou um pouco a camiseta para cima e olhou novamente para sua Gem. A melhor herança que poderia ter recebido da mãe — era uma pena que Rose tivesse perdido sua forma física para que ele nascesse. Mas Steven gostava de pensar no lado bom da vida. Ele era um dos Crystal Gem’s. Ele capturava monstros, salvava a cidade e todas essas coisas perigosas.

Ficou repetindo isso para si mesmo enquanto tentava criar coragem para falar com Connie. Não a via há quanto tempo? Bastante. Mas ainda lembrava do dia em que falara com ela pela primeira vez. Bem, ele meio que salvara a vida dela, pensando bem, embora tenha feito isso de uma maneira quase inconsciente — naquela época, ainda sabia pouco sobre o poder de sua Gem e estava aprendendo a dominar sua magia. Aquele fora um dos dias mais perfeitos de toda sua vida — apesar do pequeno sufoco por que passara. Desde então, Connie havia viajado por várias partes do mundo e visitado várias cidades. Ela voltava frequentemente a Beach City, mas geralmente era Steven quem estava fora nestas ocasiões, em alguma missão com as Gem’s.

Ficava imaginando se Connie havia mudado muito. Talvez ela tivesse se transformado numa daquelas garotas comuns, como as da escola, que andavam de nariz para cima e não davam atenção a garotos como ele — ainda que ele fosse uma espécie de herói e tudo o mais.

Ele a viu na areia da praia, sentada sobre uma toalha. À medida que se aproximava, sentia suas mãos cada vez mais frias e suadas ao mesmo tempo. Que sensação estranha, pensava. Então ele começou a ensaiar o que dizer.

— Oi, lembra de mim, eu sou Steven. Hm, não. Eh, hey, Connie! Steven, lembra de mim?

Connie estava lendo. Não exatamente diferente de quando era criança. Steven sentiu uma certa dose de alívio ao reparar nisso. Ainda não havia decidido sobre a melhor maneira de cumprimentá-la, mas não teve mais tempo para se preparar. Steven tropeçou numa pedra, perdeu o equilíbrio e caiu com a cara na areia. Foi uma queda tão improvável que ele demorou alguns segundos para entender direito o que estava se passando, até sentir areia querendo entrar em sua boca.

Steven? — Ele levantou a cabeça devagar, sentindo-se só um pouquinho idiota por estar no chão, literalmente. — É você mesmo! Está tudo bem? — Connie demonstrou preocupação ao notá-lo meio que paralisado. Steven piscou várias vezes e se obrigou a sair do transe. Connie lembrava-se dele! Seus olhos até brilharam diante dessa constatação.

— Isso? Hm, eu estou bem, não foi nada — sorriu, nervoso.

Levantou-se e bateu um pouco a areia da roupa, depois voltou a sentar perto de Connie — mas não perto demais, para não assustá-la.

— É ótimo te ver, Connie — foi sincero.

— É ótimo ver você também, Steven.

Ambos retornaram ao silêncio inicial. Connie olhou para o livro, Steven baixou os olhos para o quartzo incorporado em seu umbigo, buscando, talvez, uma ajudinha.

— Eu não te vejo há muito tempo — comentou, ainda de cabeça baixa.

Queria olhar para Connie porque a achava linda, com aquela pele morena e os olhos grandes e espertos. Mas sentia que tinha as maçãs do rosto excessivamente coradas para fazer isso. Connie encolheu os ombros.

— Meu pai continua trabalhando de praia em praia, você sabe, nós não ficamos muito tempo em um lugar. — Steven assentiu. — E você, o que tem feito?

— Hm, nada demais, você sabe, capturar alguns monstros e salvar o mundo.

Connie sorriu e Steven encantou-se ainda mais com o rosto dela. O aparente desconforto inicial entre eles foi diminuindo à medida que ela demonstrava um interesse genuíno em ouvi-lo contar sobre suas aventuras. Logo os dois pareciam tão amigos quanto eram quando crianças, como se todo o tempo em que estiveram separados nunca tivesse existido.

O tempo passou sem que nenhum dos dois ao menos percebesse, tão envolvidos estavam na conversa. O sol já descia no horizonte, banhando o mar com tons alaranjados. Parecia tudo tão poético — o fim de tarde, os dois sentados na areia, os sorrisos — que Steven pegou-se desejando que aquele dia não chegasse ao fim, que ele pudesse ter mais momentos assim com Connie.

— Eu tenho que ir... — Connie falou e levantou-se, enquanto arrumava um pouco o vestido florido. Ele também ficou de pé.

— Eu gostaria que você ficasse — Steven surpreendeu a si mesmo ao dizer isso, mas ficou feliz por fazê-lo. Ela sorriu, visivelmente tentada a aceitar a proposta.

— Hm, prometi a minha mãe que voltaria antes de escurecer, Steven.

— Em Beach City, eu quero dizer. Eu gostaria que você não tivesse que ir embora, nunca mais. — Depois de dizer isso, Steven sentiu-se ligeiramente envergonhado, embora não se arrependesse de ter falado, afinal, fora sincero. Coçou a cabeça, meio confuso, dividido entre esperar pela reação dela ou sair correndo e se esconder em algum buraco.

— Eu também, Steven. — Ouviu quando ela disse, e sua voz parecia igualmente tímida. — Mas eu não sei se isso será possível. O trabalho do meu pai é muito importante, você sabe...

— Aham, eu sei. Mas você poderia ficar. Você poderia morar na minha casa, as Gem’s são muito legais, elas não iriam se incomodar.

Era uma proposta tão absurda e sem sentido que Connie conseguiu apenas sorrir. Embora a ideia de ficar em Beach City parecesse atraente demais para ela, por isso — e porque não queria ferir os sentimentos de Steven — não deu um não definitivo a ele.

— Eu não sei, Steven, teria que falar com os meus pais. — Ele ficou calado novamente, como que pensando no que fazer a seguir.

— Bom, enquanto você pensa sobre isso, gostaria de ir comer um donut no Big Donut? — Connie deu uma risada. — Quer dizer, você pode comê-los agora, certo?

— Certo, sim, eu adoraria, Steven. Mas não agora, eu realmente preciso ir. Amanhã, tudo bem?

— Ok, combinado. — Ele quase deu um soco no ar de tanta felicidade.

— Ok, vejo você amanhã então — Connie falou, e ainda o surpreendeu um beijo na bochecha. — Tchau, Steven.

Ele ainda estava paralisado e sem palavras enquanto a via se afastar. Mas seu coração parecia disputar uma corrida dentro do seu peito. Estava acontecendo de verdade. Ele teria um encontro.

Um encontro com Connie.

Steven conseguiu, finalmente, se mover, e começou a caminhar em direção de casa. Nada poderia deixá-lo mais feliz — exceto capturar algum monstro, salvar o mundo ou algo do tipo, talvez.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!