My Sweet Maestro
1 Bitter Sweet Life
Notas iniciais
“Eu queria tanto um menino,Ranmaru...mas me veio você no lugar.Não fica feliz com isso?”
....
“Viu só...por sua causa seu pai foi embora.Ele odeia você.Você é algo estranho.”
....
“Suma da minha frente.Se quiser algo,peça para sua avó.”
Tem muita gente que não sabe,mas eu moro sozinho.Mesmo tendo só catorze anos.
Mas tudo bem,eu me viro bem com as tarefas de casa.Só não cozinho tão bem assim...
Parece esquisito dizer isso na minha idade também,mas a escola é meu paraíso.
Ao menos desde que ele entrou na minha vida,há oito anos.
É tão bom ler em paz...comer algo decente...jogar futebol com todos...estar com ele.
Ouvir suas doces notas no piano.Me dá uma paz tão grande.
Eu adoro a escola.Porque...fora dela tudo é muito solitário.
Eu chego em casa,falo com a vovó pelo telefone e vou fazer meu dever.
Tomo banho,como e me deito.
Só isso.
E no dia seguinte,felizmente meu paraíso recomeça.Especialmente se o meu maestro amado estiver lá.
Esses garotos...essas garotas...ele...
São tudo pra mim.
São minha família.
Me aceitam pelo que sou.
Pois tenho rosto delicado.
Corpo esguio e pouco muscular.
Cabelos longos e rosados.
Andrógino.
Quando minha mãe estava grávida,mesmo no ultrasom,meu sexo não era visível.
Então meus pais decidiram que se fosse menina,seria Ran.Se fosse menino,bastava acrescentar o “maru”.Assim ficava nome de menino.
Quando eu nasci,os médicos ficaram assustados.Viram que eu era um menino,mas que eu era diferente.Não parecia.Todos que viam meu rosto apenas achavam que se tratava de uma garotinha.
Meu pai não gostava disso.
Com três anos,ainda me confundiam.Tanto que deram o vestido do uniforme do jardim da infância para a minha mãe.Ela ficou bem irritada.
Quando os amigos dos meus pais vinham na nossa casa,eles me trancavam no quarto com comida e bebida e meus brinquedos.Um dia,eu aprendi a prender meu cabelo em duas partes.E achei muito legal.Fui mostrar para meus pais,que estavam com alguns familiares.Eu fiquei muito feliz de fazer aquele estilo no cabelo.
Mas meus parentes começaram a rir de mim.E então eu levei uma baita surra.Não fiz idéia do porquê.Mas minha mãe também cortou meu cabelo.
Com cinco anos,meus pais brigavam cada vez mais.Até lá meu cabelo já tinha crescido de novo,pois sempre me escondia quando a mãe tentava cortar.Mas em um desses dias que o pai foi embora.Nunca mais ouvi falar dele.
No jardim,todo mundo pensava que eu era menina.Mexiam muito comigo,puxavam meu cabelo,baixavam minhas calças...mas eu sempre ganhava deles no futebol!
Aliás eu descobri que sabia fazer uma coisa engraçada pra evitar que a mãe ou os valentões me achassem pra me bater,pois ela descontava em mim o fato do papai ter ido embora.Eu comecei a criar uma névoa...e me escondia nela.Logo eu comecei a usar ela no futebol também.Só que ficavam brabos comigo,diziam que eu trapaceava.Nada a ver,eu via que todos os jogadores mais velhos sabiam fazer truques assim.
Enfim...aí entrei pra primeira série.Quando viram que eu era garoto,ninguém quis ser meu amigo,pois me achavam estranho.O primeiro dia me irritou muito com aquelas provocações de todo mundo,aí eu fui jogar perto do rio.Eu dei um chute tão forte que atingiu um garoto franzino que passava ali perto.
Eu me desculpei,mas ele não parava de chorar.Era um moreninho carregando um caderno com partituras.Eu fiz umas caretas pra animá-lo.Ele parou.Aí chamei ele pra jogar.Ele era desajeitado,mas pegou o jeito.
Assim fiquei amigo do Shindou.Daquele dia em diante,as coisas desagradáveis em casa e na escola já não me incomodavam tanto.Pois eu tinha ele.Meu amigo pianista.Eu adorava ouvir ele tocar desde cedo.Me sentia muito mais calmo.
Quando fizemos dez anos,decidimos que iríamos juntos para a Raimon.Estudamos bastante e caprichamos no futebol.Eu estava bem mais animado!
Só que minha mãe arranjou um homem e um filho novo.
E por isso,eu fui expulso.O homem disse que eu seria um mau exemplo para o filho dele.
E fui morar só nessa casa perto de onde a vovó mora.Só ela que gosta de mim na família.
Mas apesar disso,o Shindou me deu muito apoio.Eu dormia e jantava na casa dele quando era preciso.Os pais dele gostavam de mim também.
E então,aqui estamos,na Raimon.
Apesar da luta difícil contra o Quinto Setor,eu estou feliz.Aqui é meu pedaço de paraíso.Onde posso ser quem sou,sem me reprimirem.
Não quero ficar dependendo da vovó,ela já está velhinha.Quero ajudá-la quando crescer mais um pouco.E melhorar minhas habilidades na cozinha.
O Shindou veio comer aqui em casa hoje.
-Uau!Kirino,isso aqui está ótimo!Você fez mesmo sozinho?
-Lógico.A vó só me passou a receita.Li tudo direitinho.
-Que gostoso!Casa comigo?
-Shindou,deixa de ser bobo!-Eu ri.
-Uh...é sério.
Meu coração falhou uma batida.
-Meninos não podem se casar.
-Então...só me deixa ficar junto de você?
Eu sorri sem jeito.
-Seu bobo...como se já não estivesse faz tempo...
Obrigado,Shindou...você é a melodia que adocicou a minha vida tão dura.
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