My Sweet Illusion
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Cheguei em casa e tranquei no quarto ainda em choque. Aquilo não podia ser real... Eu sonhei tanto tempo em falar com Aaron pessoalmente, isso acontece, ele até se aproxima de mim e em menos de dois dias descubro que ele, na verdade, está apaixonado pela Chloe. Ou pelo menos, ao que minha intuição indica...
Mais tenso que isso é que eu realmente gostava da pessoa deles. Estava apaixonada por Aaron. Já Chloe era uma pessoa que, mesmo sendo distante, eu considerava como uma amiga de valor.
Se os dois se tornassem realidade não poderia lhes desejar o mal. Nunca.
Me jogo na cama e olho para o teto. De modo inevitável, flashes de um anos atrás se passam na minha mente.
FLASHBACK ON

— Mãe. -Cheguei em casa com um buraco no estômago. Fui direto para a cozinha e a encontrei cortando os legumes.
— Como foi o treino?- pergunta me olhando.
—Foi bom. Jessica fez uma bicicleta hoje e eu marquei um gol de meio de campo.-digo eufórica sentando no balcão vazio.- Quer ajuda para o almoço?
—Quero.
— Só vou tomar um banho e volto.- pego minha mochila e levo até o quarto. Sinto meu celular vibrar pela chegada de uma mensagem.
Há uma foto de Chloe caída do lado de uma lata de lixo. No mínimo, foi empurrada. Tinha um líquido escuro escorrendo por sua roupa e a idiota da Madison colocou uma legenda: " a ratazana em seu habitat natural."
Em baixo há quase 100 comentários zoando a pobre coitada.
...
— Você está muito calada. Aconteceu alguma coisa?-Minha mãe questiona enquanto eu termino a salada para ela.
Hesito um instante até falar.
— Estou triste por uma menina da minha sala. Chloe não é bem minha amiga, na verdade, não é amiga de ninguém que eu saiba. Sempre foi tímida demais e veste umas roupas um tanto surradas.-Suspiro- Umas garotas mimadas da minha sala vivem enchendo ela desde sempre com piadinhas e agora elas estão partindo para o Cyberbullying.
Minha mãe ouviu atentamente minhas palavras e no final fechou os olhos suspirando.
—Essa garota precisa da ajuda algum aluno.
—Verdade, eu gostaria de ajudar, mas...
— Por que não? -cruza os braços.
— Acho que não sou a pessoa adequada pra isso. Teria que ser alguém mais popular para não se tornar um segundo alvo da piada.
Ao terminar de dizer isso, me arrependi.
—Ai, nossa, isso é egoísmo né?
Fico com a consciência pesada. Ela dá em ombros.
—Talvez. No fundo, é um pouco de medo e eu entendo. Mas é pior para quem sofre o bullying. Acredite em mim.
Ergo as sobrancelhas.
— Você já...- Ela afirma com a cabeça- Como assim, mãe. Como não me contou?
— Não sei.- balança a cabeça- Não é algo que eu goste de lembrar. Mas uma coisa eu te ensinei: não importa quem te entristece, o que importa é a sua luta para passar por cima da situação. E essa menina, Clove, ...
—Chloe.-corrijo.
— Ela precisa aprender a lutar.
...
As palavras de mamãe rondavam na minha mente enquanto eu entrava escola no dia seguinte. Eu tinha 15 anos. Minhas aulas eram praticamente as mesma de Chloe e sempre que eu chegav(em cima da hora) avistava a morena no fundo da sala com um fone de ouvido escrevendo em seu caderno. Naquele dia, ela estava dormindo. Ou apenas de cabeça baixa. Uns alunos ao redor dela estavam cochichando e rindo dela,com certeza.
— Caroline, onde você está indo?- Jessica pergunta assim que dou bom dia para ela e Peter, que tinham reservado um lugar na frente para mim, e continuo meu caminho até o fundo da sala.
—Depois eu explico.- Falo e vejo meus amigos fazerem uma cara confusa para mim. As pessoas param de cochichar quando me aproximo e sento bem na frente de Chloe, afinal sempre fui de sentar lá no início da sala. A professora entra e eu rasgo um pedaço de papel. Passo o bilhete para trás e percebo que Chloe se sobressaltou de susto.
/ NÃO IMPORTA O QUE TE FIZERAM ONTEM: ISSO NÃO MUDA A SUA EXISTÊNCIA, TAMPOUCO SEU DIREITO DE VIVER FELIZ. /
Ela não responde ou dirige uma palavra a mim durante a aula inteira. Fico com a expectativa de esclarecer o bilhete assim que o sinal tocar. Entretanto, quando isso ocorre, me viro para ver uma Chloe juntando os materiais com pressa e saindo da sala sem olhar para mim.
—Ei, Chloe, espera um pouco!- Tento arrumar meus materiais depressa ao vê-la sair pela porta. Passo por meus amigos correndo sem falar com eles e consigo ver Chloe virando o corredor.
Ela era rápida.
Ando mais devagar quando essa chega em seu armário. Ela me encara de longe bem séria e a primeira coisa que reparo é que está sem seus habituais óculos.
— O que você quer?- sua voz está fria e áspera. Talvez ela se saiba se defender, mãe. Penso.
— Olha, eu não estou contra você. Acho que tudo que as meninas fizeram foi uma injustiça sem tamanho e eu estou aqui como uma amiga. Uma ajuda. Se você quiser.- digo tudo de uma vez. Seus olhos analisam meu rosto por um tempo procurando pela mentira. Vejo-os encherem de água e ela desviar para dentro do armário.
— Por favor, me deixa em paz. Isso não vai funcionar comigo. Só vai perder seu tempo.
— Eu estou falando a verdade. Não fui mandada por ninguém aqui.- ela continua trocar seu livros.— Por que está sem seus óculos?-pergunto e mais silêncio.
Tento tocar no seu braço e ela se se vira bruscamente para mim.
—Vai embora! Se você que mesmo me ajudar , fique longe de mim. E, para sua informação, elas quebraram meus óculos!.- As lágrimas caem por seus olhos.
Engulo o seco.
—Desculpe te incomodar. Se você precisar de uma amiga, eu estou aqui.- digo sem graça e viro de costas.
— Não vou te procurar. Amigos não existem em minha vida.
...
— Quer dizer que a nerd maluca não quis a ajuda da fada madrinha.-Peter diz bebendo seu suco.
— Peter, agora não.-Jessica diz.-O que você pretende fazer para ajudar Chloe?
— Estou meio sem ideias. -Dou de ombros- Eu ofereci minha amizade e ia até convidar Chloe para sentar com a gente, mas, você sabe, ela se afastou.
—Tem que dar um tempo para ela-Peet comenta.-A coitada ainda tá absorvendo o mico que pagou na frente da escola toda e qualquer pessoa que se aproxima já é uma ameaça.
Assinto com a cabeça e conversamos sobre outras coisas.
Minha mãe disse o mesmo que Peter em casa. Ela também abriu o jogo comigo. Disse que na época também era desprezada por suas roupas e ela ficou tão obcecada por mudar de visual que pesquisou muito sobre moda. Por esse motivo, acabou gostando do assunto e seguiu a carreira.
...
Eu estava atrasada para a aula de literatura, porque tinha entornado café na minha roupa durante o intervalo e demorado muito tempo para limpar no banheiro. Estou quase na sala quando lembro que deixei minha agenda em cima da pia. Lá vou eu de novo. Chegando, ouço uma voz abafada de choro, estalos de batidas e umas risadas.
— Parem, por favor.- Reconheço a voz e entro em pânico pensando no que fazer.
Eu não podia entrar somente e impedir aquilo. Precisava de uma prova concreta para a diretoria, mas não podia somente correr para chamar uma inspetor e deixar isso acontecer por mais tempo. Uso celular e entro respiro fundo antes de entrar no banheiro. Acho que nem horas de preparação teria me ajudado a não me escandalizar com a cena.
Chloe estava toda marcada de vermelho nos braços e no rosto.
— O que você faz aqui?- uma garota loira do último ano está segurando um cinto enquanto Madison e Lindsay assistem a chicoteada.
Abro a boca para responder, mas as palavras não saem.
—Saia daqui e esqueça o que viu, caso não queira se dar mal também.- Estou com um arrepio no corpo só de pensar o que pode acontecer a mim.
— Não- Minha resposta firme e decidida surpreende mais a mim do que a elas.
Vejo pelo canto do olho Chloe balançar a cabeça em negação antes do cinto pousar no meu braço esquerdo.
Urro de dor.
— Eu vou dar mais uma chance, pirralha. SAIA DAQUI. Esse assunto não é seu.
Minha atitude é correr dali. Paro no meio do corredor com lágrimas nos olhos. Não posso deixar Chloe. Tento controlar o choro antes de voltar.
— ELA VOLTOU-Madison grita assim que me vê. Eu desvio do chicote da loira brava e me posicionou na frente de Madison e Lindsay.
Assim que o chicote vem de novo eu abaixo e o inevitável acontece: as duas gritam de dor.
—Desculpa, irmãzinha!-a loira grita e vai ver o estrago em Madison. É o tempo perfeito para eu puxar Chloe dali e começarmos a correr como doidas. As três, é claro, vem atrás de nós. Elas desistem no meio do caminho ao perceberem meu destino final: a diretoria. Os olhos da secretária quase saltam para fora quando entramos. Explico o que aconteceu ofegante e somos encaminhadas para falar com a diretora.
— Quem fez isso com vocês? — ela pergunta ao ver o nosso estado principalmente de Chloe.
Lembro- me da gravação de celular e o coloco sobre a mesa.
—Está tudo aí.
...
Chloe e eu nos encaramos pela primeira vez na tarde inteira.
Após a diretora ouvir o áudio, ela mandou Chloe para a enfermaria e eu fiquei ali para contar os detalhes. Uma inspetora me trouxe a agenda que ficou no banheiro.Os meus pais e os das outras quatro foram chamados. Permaneci ali na coordenação lendo um livro até minha mãe aparecer acompanhada de um homem de meia idade.
—Foi você que defendeu Chloe?-o homem se aproxima e segura minha mão. Afirmo com a cabeça e ele me abraça agradecendo umas mil vezes.–Vou precisar mudar minha filha do colégio depois disso, mas gostaria que soubesse eu não poderia encontrar amiga melhor para a minha filha em nenhuma escola. Sua garota é de ouro, dona Emily.
Minha mãe assente sorrindo. Resolvo ir até a enfermaria e é quando encontro Chloe. Ela me abraça após me encarar.
—Obrigada.- diz com voz embargada.-Eu não sei nem como te retribuir isso. Desculpa pela grosseria daquele dia- diz ainda me abraçando.
—Seja minha amiga e estamos quites.- Ela afasta a cabeça e me olha. Trocamos um sorriso sincero.
...
Chloe saiu da escola de imediato e só voltou no último ano. Nora, irmã de Madison, foi expulsa por ser a agressora. Madison e Lindsay ganharam uma grande suspensão. Não consegui entender o porquê de toda aquela cena.... A única certeza que tinha era que era um alvo cheio para as duas víboras que permaneceram no colégio. Nunca andei muito por corredores desertos e meus amigos nem deixavam. A diretora me disse que qualquer problema era só contactar. Madison e Lindsay continuaram com as provocações rotineiras...Agora dirigidas somente a mim, já que Chloe não estava mais por aqui.
O bullying era algo bem comum na minha escola. Naquele mesmo ano, uma cena no refeitório me chamou a atenção. Frederick, um garoto ruivo meio caladão e solitário estava comendo seu hambúrguer quando um garoto do último ano parou ao seu lado de braços cruzados. Seu nome era Jimmy, capitão do time de basquete. Ele, primeiro, jogou a bandeja de Fred no chão e depois com a força de seus braços ergueu o garoto no ar.
—Estão vendo esse garoto aqui? Ele disse que queria fazer teste para o basquete, mas pesa menos que saco de algodão.
Era verdade que Fred era bem magrinho a vista, mas o que isso importava na hora do basquete? Meu coração para na hora que Jimmy o joga no chão com força. O garoto bate a cabeça tão forte no apoio da mesa que algumas garotas gritam. Olho para Jessica angustiada. Alguém tinha que intervir nisso. Meu punho se fecha no instante em que Jimmy começa a chutar Fred. Muitos gritam apoiando tal ato, outros estão apenas estáticos assistindo. Jessica me segura quando tento me levantar.
— Me larga.
— Ele vai acabar contigo também!- ela adverte.
—PARA COM ISSO.- Jimmy é empurrado com força e se vira pra ver quem lhe interrompeu. Todos os olhos ficam postos no garoto que interrompeu a agressão.
— QUEM É VOCÊ, MOLEQUE?
Eu já tinha visto ele milhares de vezes desde pequena. Estudamos na mesma sala nos primeiros anos e agora, no ensino Médio, fazíamos várias matérias juntos. Aaron White era um pouco menor que Jimmy. Tinha menos músculos na época, porém isso não impediu que desse um golpe na cara do mais velho.
Jimmy quis revidar e quase acertou a cara de Aaron com um murro, só que esse era muito rápido e bom no que fazia. Eles trocaram muitos socos, cotoveladas e chutes e caíram rolando no chão. A multidão de alunos foi a loucura quando Aaron ganhou a luta, deixando Jimmy desacordado. Um sorriso automaticamente se formou no meu rosto quando ele ajudou Fred a se levantar.
No outro dia após a briga ele se sentou na mesa de Fred para conversar. Acabou por ajudá-lo a entrar para o time de basquete e trazê-lo por um tempo para sua roda de amigos. Fred se mudou para outra cidade no outro ano, mas sempre que viajava para visitar familiares aqui, fazia questão de aparecer na saída do colégio para cumprimentar os amigos.
Aquela briga deu suspensão para Aaron e Jimmy e, mais tarde, esse foi obrigado a trocar de escola por conta da zoação nos corredores. Afinal, não é comum um valentão levar a surra de alguém três anos mais novo. Já Aaron, conseguiu popularidade antes do último ano. Quase todo mundo o conhecia e sua entrada para o time de futebol aconteceu naquele mesmo ano.
O que me chamou a atenção foi sua atitude. Nunca vi ele se gabando por ai pelo que fez, e Aaron usou sua fama para atrapalhar outras tentativas parecidas de bullying. Os garotos tinham "medo" de enfrentá-lo, os professores o tratavam com um verdadeiro heroi e as garotas suspiravam por ele como se fosse um príncipe encantado.
Até Jessica teve uma pequena queda por ele. Só que não durou muito, pois minha amiga logo trocou a paixão para Oliver, depois para Henri e aí eu perdi as contas de quantos ela admirou... Não tiro, porém, a ideia da cabeça de que ela gosta muito de Peter. Durante dois namoros mal sucedidos de indiano, ela andou de mal humor e ambas meninas terminaram com Peet por acharem que a proximidade dele e Jessica era demais. Ela não me engana e nem ele, porque o mesmo fica calado toda vez que Jessica conta sobre um garoto que ficou ou que gosta.
Quanto a mim, não entendia muito o porque de tanto exagero das garotas em relação a Aaron. Ele era lindo? Era. Era valente? Sim. Jogava futebol como ninguém? Com certeza. Mas outra pessoa estava sob minha atenção. Tratava-se do meu vizinho Ethan Sullivan. Loiro de olhos cinza-azulados. Ele fazia parte do meu grupo de amigos, jogava futebol comigo e Jess e fazia maratona de videogames com Peter. Ele foi o primeiro garoto que beijei e quase namoramos se não fosse por sua mudança repentina para Austrália.
Achei que fosse o fim do mundo. Chorei noites seguidas dizendo o "garoto da minha vida" tinha partido para sempre. Só que isso durou apenas duas semanas. Eu me perguntei o que tinha me feito curar tão rápido o coração se o que eu sentia era intenso. Minha resposta veio assim que me peguei distraída numa aula de francês (que amava) notando o novo corte de cabelo de Aaron junto com metade das garotas da sala.
Ele tinha cortado a franja grande que caia sobre o rosto e isso o deixava muito mais atraente. Censurei esse pensamento na hora. Eu gostava de Ethan, não de Aaron. Depois disso, mais coisas estranhas começaram a acontecer.
Sua pessoa atraia meus olhos através das grades entre as quadras dos nossos treinos e aulas de educação física. Minha ansiedade pelos jogos oficiais do seu time aumentaram; Eu andava pelos corredores checando sua presença sem perceber e quando ele entrava no mesmo ambiente que eu, meu coração disparava.
Não contei para ninguém o que sentia, até o dia em que fui até a biblioteca trocar um livro. De trás da prateleira de livros, fiquei observando-o ensinar um aluno do ano anterior. Sim, Aaron mandava bem em exatas e era um dos melhores monitores da escola.
— Que sorriso é esse na sua cara?- Peter diz do meu lado me fazendo, como sempre, pular de susto.- Aaron , sério? Achei que você fosse menos óbvia.- ri olhando para a cena também.
—Peter, fala baixo. Melhor: cala a boca.
Seu sorriso alarga.
—Tudo bem. Vou te deixar sua STALKER. -e ele se vai. Começo a segui-lo pelos corredor.
—Peet,espera onde você vai? Desculpa pela grosseria.
— Desculpa?- ele vira a cabeça para me olhar- ISSO é a notícia DO ANO!- diz acelerando o passo.
—PETER!-Eu corria atrás dele atropelando umas pessoas no caminho. A risada dele parecia cada vez maior.
— JESSICA, EU GANHEI A APOSTA!- o indiano para em frente da minha amiga que lia um livro no banco do pátio.
Jess me encara de sobrancelhas erguidas.
— Isso é sério? E o Ethan? Você não gostava dele?
— Do que vocês estão falando?
—A gente apostou sobre você gostar do Aaron. Eu sabia que era por alguém diferente, mas não imaginei que fosse ele, porque que quando eu gostei de Aaron , você disse que não o achava grande coisa e me recriminou- Ela responde e Peter conta sobre a cena na biblioteca sob meus protestos e tentativas de negar.
—20 libras pra mim porque está confirmado.- ele estende a mão para a Jessica que bufa.
—Mas eu não estou afim dele!-Reclamo outra vez.
—Tá sim! É O AMOOOORRRR.-Peter grita no meu ouvido e aperta minha bochecha. Ficamos numa guerra de empurrões.
—Vocês estão errados- digo por fim. Minha amiga levanta põe as mãos nos meu ombros.
—Somos seus amigos desde quando Caroline?- Ela sorri.-Desde sempre. Nós sabemos quando você mais distraída, vaidosa e muda de humor na presença de um garoto. Você está apaixonada. Apenas aceite e deixe rolar.
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