My Sweet Hell
6 Five - Sweet Dreams
Notas iniciais
“My dear friends,
I hope that this letter arrives beforeme...The things are all right here. I found one of them. She’s with me now, and you will can see her in a few time.
Thank you,
Derek Weiland”
Alguns dias passaram como uma brisa. A rotina era sempre a mesma. Acordar. Caminhar. Caminhar. Caminhar. Não falar. Caminhar. Comer. Caminhar. Caminhar. Descansar. Derek finalmente tomara conta que a garota tinha obrigações para com ele. Não poderia fugir dali. Portanto, depositou alguma confiança nesta, aplicando um sistema de turnos que prevenisse quaisquer acontecimentos.
Haviam dias que ela não enviava nenhuma carta. Mas ela as escrevia, mais para si mesma do que para destinatários que jamais as receberiam. Suas palavras ficavam cada vez mais tristes. Ela se sentia um animal selvagem, enjaulado. Havia perdido tudo o que tinha, sua liberdade.
Naquela noite o fogo dançava sua dança sensual, prendendo os olhos do humano. Ela, porém, mantinha os ouvidos atentos. Qualquer ruído lhe parecia alarmante. A lua brilhava linda no céu salpicado de estrelas. Se o deserto tinha algum benefício era o fato de permitir que elas fossem vistas com clareza. Ele pode identificar algumas delas. Sorriu.
Olhando em volta após desprender-se do fogo por um momento, imaginou como seria aquele lugar antes das terríveis guerras que o destruíram. Guerras dos homens. Guerras dos anjos.
O clima já estava bem mais frio. Eles já haviam chegado até a Dakota do Sul em pouquíssimos dias, mesmo com todo o cansaço, o inverno fazia necessário o uso de pesados casacos.
Especialmente naquela madrugada, ele estava sonolento. Seus olhos fecharam por apenas um segundo, mas fora o bastante.
“O fogo engole a tudo. As casas. Os humanos. A colônia do Texas inteira era consumida em chamas, vigas caindo e derrubando as casas. O lugar era propício ao incêndio. E agora eles estavam ali.
O medo tomava conta dele. Precisava encontra-lo. Os olhinhos castanhos de Alec eram sua lembrança principal. O pobre garoto, tão pequeno...
Aproximando-se mais, ele pode ver o fogo tomar conta do que um dia fora sua casa. Corpos caídos na rua impediam sua passagem. Ele deveria saber que era tarde demais. Sempre fora tarde demais. Mas ele continuara, vencendo as labaredas que já diminuíam de intensidade.”
Com os ouvidos atentos, como sempre, ele ouviu o movimento às suas costas. Cassie abaixou-se, tocando seu ombro.
– Está na hora de trocar. – declarou e ele assentiu, dirigindo-se para a cabana.
– Pesadelos? – sua voz me o parar.
– Não... – respondeu. – São só... Lembranças.
Ela abriu um sorriso compreensivo. Para ele era estranha a sensação de alívio que um demônio poderia causar.
– Quem é ele? – perguntou, apanhando o retrato do garotinho, que caíra no chão.
– É só o Alec. – respondeu o rapaz de forma breve antes de entrar na tenda. E desta vez seu sono foi pesado, limpo, sem pesadelos. Ou pelo menos com um pesadelo diferente, que não envolvesse lembranças, o que já era realmente bem melhor.
***
Era de manhã cedo quando Derek, mas os raios de sol já iluminavam a neve que caía, criando um espetáculo furta-cor. Ele sabia que não deveria estar acordando àquela hora. Ela devia ter chamado-lhe para o próximo turno. Foi com esse pensamento que se iniciaram as preocupações. Apesar de todas as contradições, ela parecia ter fugido.
Com um brusco movimento, ele afastou o pano que cobria a barraca, a arma na mão, pronto para sair na caçada a seu prêmio. Então, sua maior surpresa.
A garota estava deitada no chão, mais precisamente, caída, desmaiada e branca de frio, apesar do enorme casaco. Seus lábios estavam roxos, os olhos eram fendas entreabertas e as mãos tentavam tocar o fogo que a muito já se havia apagado.
Após um segundo paralisado, Derek pôs a mão em seu peito, sentindo o palpitar do coração se ela ainda estava viva. “Demônios não têm coração, seu idiota! Estão mortos!”, o pensamento correu e ele estranhou o uso da palavrademônio para tão doce criatura. Porém, mesmo assim, começou com uma massagem cardíaca. Os impulsos não pareciam fazer efeito.
Ele tentava descobrir o motivo do desmaio. Ela parecia estar morta, mas ele sabia que ainda não estava. Algo lhe dizia que alguma centelha de vida ainda restava por ali, talvez o fato de ela já ter morrido, ou talvez o fato de ela não ter pago sua dívida.
Sem qualquer esforço, o rapaz pegou-a no colo e a levou para dentro da barraca. Seu rosto pálido parecia pertencer a uma boneca de louça, branca como a lua. Suas mãos não resistiram a toca-lo. Parecia mais gelado do que a neve lá fora.
Um impulso mais o obrigou a levantar-se, deitando seu corpo sobre uma das peles quentes, o que não pareceu fazer efeito. Ele saiu da tenda à procura de quaisquer galhos, toras ou varetas. Estavam todos úmidos por causa da neve, de nada lhe serviam.
Já sentindo sua pressão aumentar, entrou novamente na cabana. Ela permanecia imóvel, os olhos em desfoque. Ele se preocupou de não poder fazer nada para melhorar a situação, sentindo um medo tomar conta de seu peito. Ela era sua esperança. A esperança dos humanos de vencerem a guerra.
O frio pareceu invadir ainda mais o lugar, mas ele apenas ignorou, imerso em seus pensamentos, procurando uma solução. Ela precisava de calor. Ele precisava obtê-lo. E sabia a solução, só não podia aceita-la.
Seus olhos baixaram até seu rosto. Ela era tão serena, tão sutil assim, dormindo.
Sentindo o sangue correr tão rápido que ameaçava romper os vasos de seu corpo, envolveu-a em um abraço. Esperava que o calor de seu corpo fosse o suficiente. Manteve-se ali por alguns minutos, que se tornaram uma hora. Ele não devia ter perdido todo esse tempo em um ato tão desesperado e nada duradouro.
Porém, o fogo e a cor nas fendas que eram seus olhos parecia estar voltando. A pele parecia ficar mais rosada a cada instante. Ela estava viva.
Mas não ficaria assim por muito tempo, e ele não poderia permanecer ali por muito mais tempo. Mas conhecia uma solução permanente. Só era perigosa demais.
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