My Sweet Demon
2 Minhas emoções não tem lugar para despertar.
Eles assistiram as aulas juntos, sempre driblando o olhar um do outro. Ela o observara por bastante tempo, e já conhecia seus detalhes. E ele a olhava tão descaradamente, que ela se sentia constrangida. Mas,não demonstrava.
– Haruka-san,quer se sentar comigo no almoço ? Vai ficar sozinha mesmo...Então... -ela o interrompeu.
–''Vou ficar sozinha mesmo...'' Sim,eu iria. Mas não vejo diferença. -sempre com sua língua afiada. Quando seu coração dizia qualquer coisa positiva, sua mente dizia que era fraqueza demais expor isso.
–Aposto que foi um sim. -ele sorriu,fazendo-a corar levemente.
Então,o sinal do almoço soou e eles desceram juntos.
Eles se sentaram em uma mesa reservada do resto da multidão. Olhares espectadores eram lançados e ela se sentia incomodada com isso. As perguntas eram curiosas, como:"Quem é ela?"; "Ela não sabe quem ele é?"; "Poxa,eles já estão saindo?"; "Eles se conhecem? De onde?"
Ela suspirou e ajeitou seu almoço. Realmente não estava preparada para comer assim. Empurrou o prato e revirou os olhos.
–Haruka-san. -Ren chamou em tom baixo.
–O que? -ela respondeu o olhando.
–Não se incomoda de ficar perto de mim?
–Qual o problema com você? -ela perguntou com semblante confuso. -Não é doente. Que eu saiba.
–Hm... -Ren sibilou, calando-se.
Ren terminou de comer e sorriu para Haruka enquanto subiam as escadas. Haruka nem conseguia sorrir para ele...Ele era bonito demais pra ser real, e ela não cairia no erro de se apaixonar por ele tão facilmente. Eles foram para seus quartos, depois das aulas e Haruka colocou a mão na maçaneta para abrir a porta e entrar, sem ao menos desejar "Boa noite" para Ren. Mas ele não deixaria ser vencido tão fácil.
–Eu te vejo amanhã,não é? Com certeza? -ele perguntou parado atrás dela. A observando atentamente.
–É claro,não tenho como fugir dessa escola mesmo...Ou tenho? -ela falou torcendo a expressão. -Se eu tiver como, me avise. -piscou.
Ren riu da naturalidade da menina ao querer fugir.
–Tudo bem. Até amanhã, então...Haru-sama. -ele disse sorrindo.
–Haru-sama?! -ela perguntou notando que não dera tanta intimidade assim pra ele. -Haru?
–Posso chama-la assim? -ele perguntou seriamente.
–Se eu disse que não, vai chamar mesmo assim? -ela bufou.
–Vou. -ele respondeu imediatamente.
–Então,pra que a pergunta tão idiota? -ela perguntou revirando os olhos e abrindo a porta.
–Ora... Não sei. -ele pareceu confuso. -Me chame somente de Ren,tudo bem?
–Tudo bem, Ren.
–Tenha uma boa noite. -ele sorriu.
Haruka adentrou seu quarto e estava ofegante por ter que ficar tão perto de Ren por tanto tempo em seu dia. Ela jogou-se na cama e dormiu, cansada.
No outro dia,Haruka acordou sem entender onde estava,ainda não tinha se acostumado com o ambiente. Entrou no banheiro e fez sua higiene, tomou um banho e arrumou seus cabelos soltos. Ainda era inverno,para desespero mental de Haruka, que todas as vezes que via a neve se lembrava do passado. Ela abriu a porta e lançou um olhar para o quarto da frente,Ren estava saindo também,ela ficou nervosa e hesitou em fechar a porta. Mas, não fechou. Ren foi rápido e sorriu para ela.
–Bom dia, Haru-sama.
–Bom dia. -ela disse seriamente.
–Vamos? — ele perguntou sorrindo de canto.
–Para onde? -ela deu três passos para trás e bateu com as costas na porta, que estava fechada.
–Vamos ficar juntos. -ele disse chegando perto.
Ela corou na mesma hora e começou a ficar ofegante. A mente de Haruka estava trabalhando algumas palavras para a situação: ''O que ele está pensando? Nos conhecemos ontem!Ele não pode sair dizendo isso para garotas desconhecidas''.
–O que está dizendo? -ela perguntou o olhando fixamente.-Como assim ficar juntos?
Ele a olhou e riu baixinho.
–Sim,nas aulas,a Momoya-sensei não te falou? Ela está usando sistema de duplas,como ninguém chega perto de mim e nem de você,ficaremos juntos. -ele disse naturalmente.
–Ah, sim... -disse ela soltando um suspiro aliviado e se ajeitando.
–Vamos,estamos atrasados. -ele falou sinalizando com a cabeça.
–Eu sei. -ela disse andando seriamente e descendo as escadas.
Andaram por aqueles corredores e abriram a porta da sala de biologia,logo os comentários começaram. ''Ele e ela de novo?'';'' Ela não sabe quem ele é?'';''Será que...eles estão namorando?Poxa,logo agora que ia começar a me chegar pro Ren''.
Eles se sentaram e se olharam,ela ainda não entendia o porquê de tantos ''Ela não sabe quem ele é ?";isso a preocupava mais que tudo. Quem sabe ele fosse um assassino fugido? Ou alguma coisa bem pior? Como...Um...Tarado?!
Ela tento esquecer isso,afinal,era primeiro amigo que ela tinha. Ela, embora não quisesse falar e nem por em atos, não queria se afastar dele tão facilmente.
A aula passou rapidamente sem que ela notasse. Eles caminharam pelos corredores que davam até o pátio da escola, onde havia um enorme chafariz e bancos debaixo das árvores para alunos que gostavam de natureza... Mas, a neve cobrira tudo, e nada poderia ser usado.
–Onde vamos? -ela perguntou irritada pelo silêncio de seu companheiro.
–Bom,agora que somos amigos posso lhe mostrar algo. -ele disse passando sua mão em seus cabelos negros.
–Somos o que? -ela perguntou parando e colocando uma mão na cintura. -Nunca disse isso. -ela fechou os olhos irritada e cruzou os braços.
–Venha logo, não seja tão chata. -ele segurou a mão dela e ela se assustou.
–Sou o que? -ela berrou, acompanhando os passos dele e ainda segurando sua mão pálida.
Ele a arrastou para um campo,com árvores cobertas de neve,parecia abandonado. Ela não conseguia ver nada de escola, nem de qualquer pessoa agasalhada ou se quer uma alma perdida. Eles estavam a sós. E isso preocupa ela, quando se coloca em prática a teoria de que ele poderia ser um tarado. Ah, TARADO!
–Haru-sama,você confia em mim? -Ah,claro. É perfeitamente normal confiar em alguém que não tem amigos e nem vida social. Que é extremamente sedutor. Que conhece a apenas algumas horas. E principalmente, confiar em alguém que te leva pra uma imensidão de neve,onde tem algo enorme e que realmente, é abandonado.
–Ah, não sei. -ela respondeu.
–Vou considerar. -ele disse. -Feche os olhos. -ele colocou suas mãos frias e delicadas em seu rosto,fechando os olhos dela calmamente. Conduziu ela até a porta grande e suspirou.
–Tudo bem. Confie em mim...Pode abrir os olhos. -ele disse.
–Nossa,uma porta! Que surpresa. -ela foi irônica. -Que lugar é esse ?
Ele abriu a porta e lá dentro havia um lindo céu negro estrelado,ele a mostrou um planetário abandonado. Ele sorriu e se gabou internamente por ter tirado uma expressão surpresa da menina.
–Que...bonito. -ela disse ainda boquiaberta.
–Tem razão.Fico a maior parte do tempo quando não tenho aula... -ele disse sentando-se no chão.
–Sozinho? -perguntou ela o olhando.
–Sempre sozinho. Mas agora... -ele sorriu gentilmente. -Eu acho que posso dividir esse lugar contigo.
–Pode?
–Sim. Dividiremos esse segredo
–Tudo bem. -ela sorriu fechado, timidamente.
–Um sorriso? No segundo dia? Que evolução. -ele disse brincando.
–Ha ha ha,você é muito engraçado.-ela disse séria e irônica. -Veja,estou me contorcendo de rir.
Ela se sentou junto a ele, deixando o orgulho de lado e se ajeitando no chão frio, ficaram olhando aquele céu estrelado.Depois,voltaram aos seus quartos. Ele a olhou e suspirou.
–Vou ver você amanhã,não é?
–Não posso fugir, Ren.
–Que bom. -ele respirou fundo. -Tenha uma boa noite...
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