My Sweet Demon
1 Coração de inverno.
Notas iniciais
Era o inverno mais frio do Japão, Umehito Haruka esperava seus pais acordarem para ter permissão de ir brincar na neve, como era de costume em todos os invernos desde que ela completou seus oito anos de idade.Embora sua mãe fosse receosa com o frio, pois Haruka era portadora de uma saúde frágil e complicada, ela quase sempre a deixava ir brincar na neve. Haruka não tinha muitos amigos e passava a maior parte do tempo brincando sozinha em seu quarto totalmente enfeitado com brinquedos caros e luxos que crianças "normais" da idade dela não tinham. Ela tinha apenas dez anos, quando tudo aconteceu.
Assim que seus pais acordaram,Haruka correu até eles e pisoteou a cama inteira até que eles dessem a permissão que ela precisava. De alguma forma, sua mãe estava relutante em deixar. Sentia um peso no ar muito diferente dos outros dias de sábado comuns. Haruka saiu e foi aproveitar aquele inverno perfeito, a neve cobria tudo o que a visão dela alcançava.Em sua imaginação fértil, ela imaginava tudo como sorvete de creme e que ela poderia se jogar naquela imensidão clara e seria feliz lá. Ela amava o inverno mais do que qualquer estação. Nenhuma delas, nem o outono com seu tom alaranjado e a primavera com suas belas margaridas ,eram suficientemente bonitas para o inverno. Apaixonada pelo branco da neve,ela aproveitava como qualquer criança.
Mal sabia a pobre menina que naquela mesma noite,algo aconteceria.E aquele inverno congelaria de uma vez por todas seu coração.
Então naquela noite uma tragédia aconteceu,seus pais morreram,sem explicação alguma,apenas queimaram dentro daquela mansão e ela não podia fazer nada. Afinal, qual criança poderia fazer alguma coisa? Haruka apenas sentou-se na neve e abraçou a si mesma com medo de tudo. Sabia que perdera seus pais, e que se não estivesse do lado de fora, perderia também sua vida. Mas,isso seria o paraíso comparado a ficar sem as pessoas que fazem seu mundo girar. No entanto...Se isso tivesse realmente se tornado fato, ao invés de ser apenas um pensamento desnorteado, ela não teria conhecido a pessoa que seguraria seu mundo agora.
Seis anos se passaram...
A menina havia se tornado uma bela jovem com longos cabelos pretos e olhos azulados,seca,fria como o inverno que vivera à anos...
E o pior, o fato que mais consumia seu coração... Haruka era uma moça sem ninguém,apenas sua tia que não sentia nada por ela,a não ser pena e ambição pela herança deixada por seus pais. Herança que Haruka preservava, não por ganância, mas por injúria por ela (talvez) ter matado sua família. Ela deduziu, com sua pequena mente barulhenta, que a casa tivera sido incendiada por bandidos que queriam assaltar a família. No entanto, nada fora roubado. Eles não guardavam dinheiro em casa, e quem sabe, esse tivera sido o motivo principal.
–Que dia frio. Eu odeio o inverno. -ela disse,ao abrir a janela e ver as madeixas da estação que amou a muitos anos atrás. Ela não ama mais.
Suas empregadas estavam arrumando suas coisas,para que ela naquele mesmo dia fosse para sua nova escola. Haruka olhava as malas e não imaginava o porquê de tantas. Ela mexia sem parar em seus cabelos enormes e ajeitava seu vestido negro, o nervoso era tanto que ela poderia desorbitar rapidamente para um lugar confortável. Ela nunca havia ido para uma escola antes... Ela sempre teve aula sem casa. Sem pessoas. Sem relacionamentos... Totalmente, sem vida.
– Maldito dia. -murmurou ela para si mesma. -Escola pobre.
Ela bateu o salto e bufou. Cruzou os braços e jogou o cabelo. Logo Cynthia, sua empregada, bateu na porta e adentrou o local.
–Haruka-sama,seu motorista está te esperando lá em baixo.
–Não vejo o porquê de tanta pressa. -ela disse. -Estou descendo.
–Sim,senhora. -Cynthia respondeu, fechando a porta do quarto e torcendo o rosto para cada palavra rude que saia de sua patroa de dezesseis anos.
Lá estava Haruka, encarando as dificuldades de descer as escadas para entrar de cabeça em uma nova vida. Ela, como sempre, estava relutante a entrar naquela escola que passaria todo o seu ano. Ela tinha certeza de que não precisava se despedir de sua tia e que naquela escola, ela não encontraria nenhuma paz. A escola possuía dormitórios, e isso significara que ela não precisaria voltar para sua empoeirada mansão.
Ela suspirou ao entrar no carro e ver seu motorista fazer o mesmo. Ela cruzou suas pernas e olhou pela janela do carro. Mirando seus belos olhos para mansão que viveu desde então. A mansão tinha sido reformada, logo depois que foi destruída pelas chamas. Fizeram questão de fazer com que ela ficasse exatamente igual a antiga... E ela até podia sentir que seus pais andavam pelos corredores a noite. Tudo o que ela queria era que as coisas melhorassem.
–Está esperando o que? -ela perguntou ao motorista, que num susto acelerou o carro para que chegassem rapidamente na escola.
O que ela realmente queria,era sair daquela casa e não arrastar as memórias assombrosas que ela tinha consigo. Era uma tortura, todos os dias.
–Sim,Haruka-sama. -disse o motorista com expressão fechada.
Após ouvir a resposta imediata do motorista, Haruka decidiu que seria melhor ouvir Mozart, e não Chopin durante o caminho para escola. Ela era distante, e demorariam longos minutos. Talvez, até uma hora. Então, ao som do violino ela cochilou. Mas não demorou muito para ser acordada pelo motorista, que já estava com o carro parado.
–Haruka-sama,chegamos.
Haruka levantou a cabeça e olhou para fora da janela do carro. Lá estava ela. A enorme escola com um azul repugnante era parcialmente escura. E era o que Haruka estranhou, pois ainda era manhã.
Seu motorista abriu a porta do carro e vários olhares eram dirigidos até ela,uma menina rica,bonita,poderosa numa escola tão pobre. Era normal, ela esperava essa reação das pessoas.
Ela saiu do carro e foi recebida calorosamente pela diretora, que possuia cabelos negros presos em um coque e vestia um vestido simples. Ela tinha um sorriso doce e olhar meigo. Haruka gostou dela logo de primeira,mas achou que não deveria demonstrar.
–Bem-vinda,Umehito Haruka-san. Esta é Karuta,ela é Presidente do Conselho Estudantil e vai lhe ajudar à encontrar seus aposentos. -ela disse olhando para a simpática menina de cabelos loiros levemente cacheados a seu lado.
-Ótimo. -disse ironicamente ao notar as vestes da menina. O uniforme era realmente um "trapo", como em sua mente dizia.
–Prazer em conhecê-la,Haru-chan. Espero que sejamos amigas.
Embora sua forma de falar fosse infantil, Haruka sabia que Karuta deveria ter a mesma idade que ela. Porém, Haruka sempre fora mais astuta.
-O seu nome ela já disse. -Haruka falou bocejando. -Agora, quero saber onde está meu maldito quarto.
A diretora se espantou com o comentário de Haruka e deu um passo para trás. Ela suspirou e disse ao pé do ouvido de Karuta que deveria ser breve.
Pobre Haruka, incompreendida e sub-julgada. Haruka era tão seca por fora e tão ferida por dentro... Realmente,a tragédia na mansão Umehito atravessou seu coração de tal forma que nem todos poderiam compreender.
Karuta, num gesto de gentileza, sorriu e levou Haruka até seus aposentos. Durante o caminho, nenhuma palavra, gesto ou sorriso surgiu de Haruka... Era clichê.
–Quarto 402.-ela disse balançando as chaves numeradas na frente dos olhos da menina. -Aqui que você vai ficar,Haru-chan. Qualquer coisa,eu estou no quarto 306,pode ir me chamar lá... -ela disse pousando o dedo indicador em seu queixo, com semblante pensativo. -Ah,sim,suas coisas chegaram antes,já estão nos seus devidos lugares,você pode arrumar como preferir,é claro.
–Ok. -Haruka disse pegando as chaves e bufando.
–De nada. -Karuta falou corajosamente. -As aulas começam amanhã,então terá tempo de você socializar com alguns colegas dos quartos ao lado.
–Claro...Socializar. — Disse com sarcasmo. Com quem ela se "socializaria" se cada palavra que saia de sua boca era pior que uma facada?
Ela briu a porta de seu quarto, lentamente, observando o cômodo do lado de fora. Ela hesitou e quando estava pondo seu pé dentro do cômodo foi interrompida por uma voz masculina, que vinha do outro lado do corredor.
–Você deve ser Umehito Haruka,não é?
–Não vejo necessidade de me apresentar.
Haruka adentrou o cômodo e bateu a porta com força. Assim que a fechou, suspirou e jogou-se na enorme cama que lá estava.
Solitária com seus pensamentos incompreensíveis, Haruka se perguntara como ele sabia seu nome. E o porquê de não ter sido gentil com ele, já que sua voz parecia tão convidativa.
Habilidosamente, ela arrumou suas coisas e não desceu para jantar. Tinha nojo de qualquer coisa que pudesse sair da cozinha daquela escola. E realmente, demoraria para ela se acostumar com a comida do subúrbio.
No outro dia, Haruka levantou-se rapidamente da cama sendo atormentada por um pesadelo. Era seu primeiro dia de aula. Ela vestiu-se com seu uniforme de "trapos" e prendeu seus cabelos negros. Suspirou e desceu as escadas até a sala de aula indicada por um aviso na parede. Sentou-se no final da sala, sozinha. E ela só percebeu isso quando viu que todos em sua volta estavam organizados em pares. Menos ela e... Mais um.
–Senhorita Umehito-san. — a professora chamou. Retirando Haruka de seu transe comum.
–Sim? -ela respondeu em tom baixo.
–A senhora pode se sentar ao lado de Takumi-kun?
Mentalmente, Haruka se perguntou se seria pedir de mais que ficasse sozinha. E disse um NÃO redondamente grande para professora. Mas, isso somente mentalmente.
Ela ficou imóvel pensando em um resposta para o professora. Então, ouviu uma voz do canto esquerdo da sala, perto da janela que dava para um lindo campo com um planetário enorme.
–Eu me sento com ela,Momoya-sensei. -a voz não era desconhecida, mas Haruka ignorou o fato.
Ele se levantou de sentou ao lado dela. Haruka nunca havia sentado tão perto de um menino antes,ele cheirava bem,estava arrumado,mas parecia...Diferente.
Seus olhos eram rubros e sua pele era extravagantemente clara. Ele tinha cabelos grandes demais para um rapaz e seus lábios traziam um sorriso sedutor. Haruka ficou envergonhada e se segurou para não corar. Mas,sentia seu rosto queimar.
–Umehito...Haruka... -ela viu seu nome deslizar naqueles belos lábios e gritou por dentro. -Não é?
–Sim. -ela disse friamente.
–Me chamo Takumi Ren. -ele falou sorrindo gentilmente. -Prazer em conhecê-la.
–O mesmo. -ela disse bocejando.
–Hmm, então você sabe conversar... -ele disse com semblante forçadamente interessado. -Ontem não havia sido tão comunicativa.
–Então era você quem estava me chamando ontem. -ela disse o olhando fixamente.
–Sim,queria saber qual a menina que estava no quarto que ninguém ousa a entrar. -ele disse abrindo os cadernos e suspirando.
–Fala como se somente eu tivesse sido dona daquele quarto. -ela falou sem prestar atenção na aula.
–Sim. -ele disse sem hesitar. -Somente você. E porquê eu fico no quarto da frente.
–E qual o problema nisso? -perguntou curiosa.
–Não sou muito popular aqui. -ele riu internamente e pegou uma caneta.
–Entendi. -na verdade,ela não entendia,mas Momoya-sensei chamou atenção deles por estarem conversando ao invés de prestar atenção na aula que era importante.
–Já vi que terei problemas com vocês dois...Tamuki e Umehito. -disse a professora irritada, cruzando os braços.
Assistiram a aula juntos, Haruka e Ren... Ele era diferente, não que ela tivesse conhecido vários rapazes, mas ele tinha algo estranho. Ele ficava olhando pra algum lugar acima da cabeça de Haruka, para algum ponto nem um pouco interessante. E ela não achava certo olha-lo nos olhos, quando ele se esforçava tanto para evitava tanto os dela. Ele era um rapaz qualquer e ela não sabia se isso era real ou coisa da sua cabeça por nunca ter conversado diretamente com um menino mais velho...
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