Notas iniciais
Bom, aqui vai o primeiro capítulo. ~ Pretendo postar a cada 3 dias :3
Espero que gostem >u

Sou Sakurai Akihiro, e tenho quinze anos. Posso ser considerado um garoto normal, que vive na província de Kyoto, estudante de um bom colégio, notas aceitáveis, uma família carinhosa, com minhas duas irmãs menores, Momoe e Momoka Sakurai, meus dois anjinhos e pestinhas. Meus pais são ambos atenciosos, e nossa família pode ser considerada alegre e unida. E esse parecia ser mais um ano, mais uma fase da minha vida. Adentrara o colegial este ano, e neste momento, me dirigia rumo à escola, para mais um dia torturante de aula. Como eu queria estar na minha cama agora!

– Yooo, Aki-kuuuun! – gritou Atsushi, meu amigo de infância. Atsushi era um garoto um tanto diferente. Como descendia de alemães, possuía um invejável cabelo loiro, que escorria delicadamente pelo rosto, este alvo e macio. Seus olhos eram de um azul piscina hipnotizante. E ele era a maior bicha que eu conhecia.

– Ohayou, Tsu-kun. – murmurei, afastando o loiro de cima de mim. Deslizei as mãos sobre meus cabelos negros, e logo que botei meus olhos castanhos na figura do maior, um enorme bico formou-se em meu rosto:

– Você está mais alto.

– Ah ha ha! Aki-kun percebeu, huh? Bom, eu me alimento bem, ao contrário de certo nanico. – ele disse, afagando meus cabelos, bagunçando-os ainda mais. Apenas o ignorei:

– Noooooossa, Aki-kun! Você está horrível hoje! Está na cara que nem se arrumou apropriadamente para a cerimônia do nosso primeiro ano!

– Cala a boca. Eu não dormi direito.

– Ui, ui…. Que coisinha brava! – ele apertava as minhas bochechas. Como sempre. Afastei a mão dele com um tapa, o que o fez rir, saltitando até o portão do nosso novo colégio. É sério, eu não sou homofóbico nem nada, mas a minha vontade de bater no Atsushi quando ele fazia esse tipo de coisa era grande!

Atsushi e eu nos dirigimos até o quadro de alunos, e procuramos saber em que sala ficaríamos. Por sorte, ou azar, ficamos na mesma. Como sempre. Ele em comemoração deu alguns pulinhos e gritinhos, e eu apenas acenei, tentando me esconder. A cerimônia de boas-vindas fora tediosa, então eu nem prestei atenção no que os professores e diretor disseram. Percorri meu olhar pelo ginásio, procurando por alguma figura interessante, e nada. Ninguém bonito o suficiente.

Eu devo admitir, faço sucesso com as garotas. Apesar de ter apenas 1.65 de altura, tenho cabelos negros como a noite, com um brilho de causar inveja. Meus olhos são de um castanho mel, emoldurados de cílios negros. Meu corpo era magro e até um pouco esquelético, porém, eu tinha a minha musculatura. Não sou metido nem nada, mas eu realmente faço sucesso, como Tsu-kun diz. E com todas essas qualidades, podendo ter a garota que eu quisesse, eu infelizmente… Ah, como posso dizer isso? Gosto de homens. Isso mesmo. Sou igual ao Tsu-kun, quer dizer, não afeminado que nem ele, é lógico. Eu tenho a minha honra, apesar de tudo.

Atsushi viu que eu observava o local com certa cautela, e aproximou-se de mim, sussurrando em meu ouvido:

– Encontrou alguém interessante, Aki-kun?

– Vá para lá, bicha louca.

– Não faça isso! Eu fico realmente chateado! – choramingou o loiro, dramático como sempre. Desviei o olhar para encará-lo, arregalando os olhos na mesma hora:

– Você está… Usando b-batom?

– Isso não é batom, é protetor labial. – resmungou ele, arqueando ambas as sobrancelhas:

– Isso aí parece batom.

– Ai, você não sabe de nada, Aki-kun! – finalmente ele se afastara de mim. Não queria que os outros nos vissem juntos. Todos sempre nos bulinaram…. Culpa do maldito Atsushi! Se ele não fosse tão escandaloso e espalhafatoso, ninguém saberia que é gay, como ainda não sabem de mim. Ainda.


Assim que a reunião acabou, fomos dirigidos até nossa sala. Me sentei em qualquer lugar, e obriguei Atsushi sentar longe de mim. Ele, com um beiço enorme obedeceu, sentando mais à frente, já que gostava de prestar atenção nas aulas. Encostei a cabeça na carteira por alguns minutos, ao ponto de dormir. Rolei o olhar pela sala, ficando desapontado rapidamente. Todos os meninos eram horrorosamente masculinos. Fechei por fim, os olhos novamente, acordando com gritinhos histéricos das meninas –e alguns de Atsushi, mas não é o caso- com a chegada de um novo aluno. Abri vagarosamente os olhos, e senti meu coração palpitar como nunca na minha vida inteira.

O garoto que entrara tinha os cabelos castanhos claros, com os olhos mais esverdeados que eu já presensiara. Era alto, magro e tinha uma musculatura esbelta, sem muitos músculos, mas ainda sim, muito bonita. A pele era levemente bronzeada, o que indicava que era do litoral. Utilizava o uniforme de um jeito debochado, com a camisa branca aperta dois botões, o que dava para ver uma pequena cruz em seu pescoço. Não havia palavras para descrevê-lo, ele era simplesmente lindo. Mas que droga estou pensando? Pare imediatamente com isso, Akihiro!

– Oh, Hajimemashite. Sou Kouga Hirose… Posso me sentar aqui? – meu coração doeu, de tão rápido que batia. Com toda a certeza estava vermelho. Observei o novo garoto sorrir para mim, indicando o acento ao meu lado. Apenas balancei a cabeça positivamente, esboçando um sorriso. Droga Akihiro! Não é hora de bancar a princesinha apaixonada!

– C-Claro… A propósito, sou Sakurai Akihiro… Espero que possamos nos dar bem esse ano…!

– É claro! – o sorriso que ele retribuiu me deixou sem ar, literalmente. De tanta emoção que sentia, acabei me engasgando com a própria vergonha. Sim, eu sou mesmo uma anta. Acabo de conhecer o amor da minha vida, e já saio engasgando na frente dele… Muito bem, Akihiro, seu idiota!

– Aki-kun… — ele disse meu primeiro nome, assim, tão facilmente. – Você está bem?

– E-Estou… Juro! N-Não precisa se preocupar! –sorri, fazendo um positivo com a mão direita. As coisas ficariam perigosas, isso é verdade. Ótimo!

As aulas passaram depressa, pois agora, tinha uma nova diversão. Observar Hirose. Ele bocejou exatamente seis vezes, e piscou cerca de 12587 vezes… Ok. Eu pareço um perseguidor psicopata falando dessa forma, mas acredite, eu não sou. Tudo que ele fazia parecia perfeito. E é lógico que eu não era o único a observá-lo. Praticamente todas as garotas o olhava, suspirando pelos cantos. Vadias… Isso realmente me deixou com ciúmes. Vontade a minha de jogar uma bomba nessa sala tediosa e matar todas elas! Legal, eu estou novamente pensando como um verdadeiro sociopata. Minha diversão secreta estava tão divertida, que mal percebi o sinal tocar, anunciando a hora do almoço, assim como o moreno me encarando, levemente assustado:

– Ettoo… Aki-kun?

– A-Ah! Me perdoe! Me perdoe! – guaguejei, fazendo sinais exagerados com as mãos. Meu rosto ficara vermelho de novo… Cara, o dia vai ser longo mesmo. Ele sorriu novamente para mim, aquele jeito encantador dele… Que vontade de arremessá-lo da janela e depois beijá-lo várias vezes, por ter um sorriso tão perfeito!

– Ne, neeeee! Aki-kuuuuuuuuuuun! – Atsushi, seu imbecil! Saia de cima de mim!

– O que foi, Atsu-kun? – murmurei, tentando me livrar do abraço do loiro. Hirose podia pensar merda!

– Vamos lanchar juntos, mon amour! – ele riu, percebendo meu rosto ficar cada vez mais corado.

– A-Atsushi, seu babaca! N-Não fale b-besteiras!

– Vocês parecem muito amigos… -disse Hirose, observando os dois, sorrindo de modo um tanto abobado. Atsushi vira o modo como eu olhava o outro, e daquele jeito impulsivo que era, iria perguntar milhões de coisas para o pobre Hirose:

– Doooooomo, aluno que eu não tinha percebido! – sorriu o loiro, com evidente sarcasmo. Algo que Hirose pareceu não notar:

– Ora, mas eu notei você! É o único loiro aqui!

– Hu hu hu! Pois é… Diga-me, Hiro-kun… Você gosta de mulheres? – Anta desprovida de cérebro! Por que infernos tinha que ser tão direto assim?! Idiota! Eu sinceramente vou te matar!

– C-Como assim…? – murmurou o moreno, completamente sem jeito.

– Atsushi! Não faça esse tipo de pergunta! – exclamou uma nova voz feminina. Todos nós viramos para olhar quem disse palavras tão sensatas. Foi aí que eu a vi. Kurumi Teito, minha eterna vilã e ladra de namorados! Essa garota, com seus cabelos longos e perfeitamente penteados, de uma cor mel, e com seus, nem tanto, doces olhos azuis, sempre, seeeempre, roubou os garotos que eu me apaixonei! Desde a escola primária, e ao que parecia, até mesmo no colegial.

– O que faz aqui, Kurumi-san? – murmurei, tentando esconder o ódio que sentia. Ela me devolveu o cumprimento “gentil” abraçando o braço do MEU Hirose:

– Vim aqui para convidar o Kouga-kun para o almoço! O que é que você tem haver com isso, nanico? – cerrou os olhos azuis dela, maldita naja.

– Mas EU iria convidá-lo para almoçar!

– E pra quê ele ia querer almoçar com você e com seu amigo Rei-da-parada-gay, se ele pode comer COMIGO?

– Porque você é uma garotinha mimada e sem assunto!

– E-Er… Por favor, acalmem-se. – intrometeu-se Hirose, que já se afastava da garota. Sorriu torto, coçando a nuca de leve. Empurrou Kurumi para fora da sala, indo em seguida ao encontro dela. Mas antes, respondeu à pergunta de Atsushi:

– Sim. Eu gosto de mulheres…


Aquela simples frase fez meu frágil mundo desmoronar mais uma vez. Então Kurumi teria o que queria. É lógico. Quais esperanças eu tinha, afinal? Eu era apenas um adolescente idiota, com a cabeça cheia de sonhos, e mais uma vez meu coração havia sido pisoteado. Me diga, Deus. Qual é essa do amor? O que ele tem de bom, se só nos faz sofrer? Não pude conter uma lágrima, que escorria solitariamente o meu rosto pálido, o que fez Atsushi afagar meus cabelos, sorrindo ternamente para mim:


– Aki-kun, ainda há um jeito de ganhar.


Notas finais
E aí, gostaram? Espero que sim! ;u;
Aceito numa boa reviews com melhoras e talz... QQ
Beijos, até o próximo capítulo! >3