My Soul
1 Unico.
E novamente eu estava ali, sentada naquele velho banco de madeira pintado de branco. Era duro e desconfortável, mas eu me sentia em casa como nunca mais senti em qualquer lugar. Aquele banco, aquele parque foi tudo o que me restou, desde o dia em que ele se fora por causa de um terrível acidente, um estúpido e irresponsável acidente de carro.
Fechei os olhos e me lembrei da última vez que o vi:
“_Alô? – Perguntei mesmo já sabendo quem era.
_Eu tenho uma surpresa para você – foi direto, ouvi sua voz rouca e forte do outro lado da linha – Se arrume e me encontre no parque daqui à uma hora – Ele desligou sem dizer mais nada. O que planejava? Ele não era disso. Geralmente eu sempre descobria o que ele queria e fingia surpresa, mas dessa vez [...].
Estava a caminho do parque, como era perto decidi ir andando. Quando cheguei já o encontrei, era difícil não nota-lo. Aqueles cabelos negros e bagunçados por causa da brisa que estava naquela tarde, a camiseta azul marinho deixava seus músculos avantajados aparente, mostrando o quanto era forte. E aqueles olho... Ah... Olhos tão pretos quanto os cabelos, parecia duas ônix que eu não me cansava de admirar. Ele era perfeito... Para mim.
_Finalmente, achei que me deixaria plantado aqui – ele disse dando um sorriso de lado que só ele tinha e a voz que me arrepiava a cada silaba.
_Não – eu disse corando e olhando para baixo, mesmo depois de três anos ele me deixava nervosa – Nunca!
_Eu quero te pedir uma coisa – ele disse segurando minha mão e me sentando no banco atrás dele, em baixo de uma árvore de sakuras. – Feche os olhos – fiz o que ele pediu aproveitando para sentir o aroma daquelas flores majestosas se misturarem com o cheiro dele, era tão envolvente. Senti que ele beijou minha mão, fazendo com que eu abrisse os olhos e o visse com uma caixinha vermelha de veludo na mão. – Case-se comigo?
Meus olhos se encheram de lágrimas não contidas, a felicidade parecia que iria transbordar de mim e meu coração batia tão rápido que talvez até ele pudesse ouvir. Eu não respondi, só o beijei com toda vontade. Nós nos levantamos lentamente... Como se não pertencêssemos mais ao mundo exterior... Como nadadores em um sonho nebuloso... Que não precisassem mais respirar. E eu sabia, ele era só meu, e eu era somente dele.”
Então ele me levou para casa, e foi dirigindo até a sua para contar as novidades, mas no caminho se distraiu e acabou sendo pego por um caminhão desgovernado. Recebi a notícia logo de manhã. Ele se fora, e junto minha alma e todo amor que eu poderia ter por uma vida inteira.
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