My Songs, My Life

7 Say it, Sing it


Notas iniciais
Bem pessoas, aqui vai o capítulo mais longo da história até agora. Muitas coisas acontecem nele, por isso ficou meio grande. E também, eu finalmente coloquei uma música nesse capítulo, vou deixar o link aqui na nota para caso vocês quiserem ouvir antes de ler ou durante o momento em que a música aparece na história.(https://www.youtube.com/watch?v=O0TtDeDiHcE). Boa leitura!

Meu despertador costuma tocar normalmente às sete da manhã, mas hoje é um dia atípico demais para que eu seja acordada num horário típico. Sou acordada uma hora mais cedo pelo meu aparelho celular. Não dormi muito bem essa noite, na verdade, eu não consegui.

Quando fico nervosa ou ansiosa para algum evento ou apresentação do clube, eu não consigo dormir. Mas outra coisa tirou meu sono essa noite. Como devo me declarar para Len? No meu antigo relacionamento, não fui eu quem se declarou, eu apenas respondi à declaração. Logo, declarar meus sentimentos para alguém abertamente é algo que eu nunca fiz.

Jogo-me na banheira de água morna, limpo todas as impurezas do meu corpo e tento relaxar. Visto meu uniforme, já que vamos nos apresentar com essa típica roupa do colégio. Penteio meu cabelo de forma tradicional e observo minha escrivaninha. Papéis de caderno com letras das músicas, lápis de cor espalhados por razões desconhecidas, prendedores de cabelo e por fim, um batom rosa.

Não gosto muito de maquiagens, mas gosto de usar batom. Não uso diariamente, apenas quando saio com minha família para alguma ocasião especial ou algo do tipo. A razão pela qual gosto dessa parte da maquiagem é que geralmente ela tem sabor, então passar a língua nos lábios enquanto usa um batom com sabor de frutas é até gostosinho. Minha pele também é muito branca e meus lábios, apesarem de serem rosados, quase não aprecem. Então passar batom é uma forma de torna-los visíveis.

E eu quero que Len repare neles. Eu quero que ele repare em mim como um todo. Particularmente, odeio o fato de ficar toda preocupada com a aparência por causa de um garoto, mas não posso fazer nada em relação a isso. Sou apenas uma garotinha apaixonada. E idiota também, mas a paixão faz isso com a gente.

Já que reparo tudo em Len, também quero que ele repare tudo em mim também. Eu amo o cheiro do perfume dele, então eu quero que ele goste do meu cheiro também, então acabo experimentando um perfume extremamente doce que ganhei de uma tia faz um tempo e capricho nas borrifadas.

Pego minha guitarra e saio correndo de casa. No caminho, encontro Gakupo e vamos juntos para o colégio. Boa parte do caminho é feita em silêncio ou vamos conversando sobre coisas banais, mas nenhum dos dois esqueceu-se da aposta.

–Então, você está pronta? –Gakupo me pergunta.

–Para me confessar?

–Sim.

–Eu sinto que estou, mas estou nervosa. Você sabe que quando eu estou nervosa minhas pernas travam e tudo. E você, está confiante?

–Sim, tenho ficado mais próximo da Miku nesses últimos dias. Posso dizer que pode dar certo.

–Bem, eu acho que um “não” é difícil.

–Ainda bem que acha isso. É a melhor amiga dela, então a fonte é confiável.

–Tomara que ela não nos surpreenda. Enfim, boa sorte, Gakupo!

–Para você também, Rin.

Entramos no colégio e reparamos uma agitação grande. Não tão grande quanto em Setembro, quando temos o festival cultural e toda aquela pompa, cheio de barracas e apresentações, salas com temas diferentes e tudo. Esse evento é para promover os trabalhos curriculares e extracurriculares das turmas de dos clubes, para o próprio colégio.

Vou para a sala de música e ainda não tem ninguém lá. Começo a imaginar que cheguei cedo demais, mas de cima vejo Len no pátio. Meu coração bate mais forte, comprimo os lábios e começo a pensar. Não é uma boa falar agora. Não é a melhor coisa para se dizer no início do dia assim, sem mais nem menos. O certo seria esperar, até passar esse festival ao lado dele, assim poderia até criar um clima que desse certo contar meus sentimentos para ele. Qualquer momento, menos agora.

Desço desesperadamente e corro para o pátio para encontrar-me com Len e tenho certa surpresa. Len está conversando com uma menina. Nunca o vi conversando com outra garota além de Neru, sua prima. Só que essa garota não é qualquer uma, é Gumi, da banda da escola, da aula de educação física. A garota com quem fiz amizade recentemente.

Ciúmes? Claro. Imagino que Gumi seja apenas uma amiga das quais Len me disse que tem. Ela não deve sentir nada por ele. Mas...E se sentir? Eu não quero sentir ciúmes dela. Tento então me aproximar dos dois, que conversam naturalmente, rindo também de forma natural.

–B-Bom dia pessoal. –digo tentando um sorriso.

–Ah, Bom dia Rin. –Len responde meu comprimento.

–Rin-san, bom dia!- Gumi diz sorrindo. –Tudo pronto para a apresentação do clube de música?

–Claro que sim, e você, tudo pronto para a banda?

–Sim! Faremos nossa apresentação logo depois da de vocês. Estou esperando o pessoal do clube chegar para ensaiar.

–Eu também.

–Ei, vocês duas. –Len chama nossa atenção. –Parem de se gabar com suas atividades do clube com um desocupado por perto.

–Você só não está num clube porque não quer. –digo brincando.

–Desculpa aí se eu não sou tão brilhante quanto vocês.

Ele disse que Gumi e eu somos brilhantes. Lembro de Len dizer que sente atração por alguém brilhante. Ele já disse que me acha brilhante. Então, eu ou Gumi? Tento afastar esse pensamento e continuar com a conversa, mas Gumi é logo chamada pelos seus colegas de clube e eu fico finalmente sozinha com Len.

–Gumi-san é uma boa pessoa, é sua amiga? –pergunto.

–É sim. –ele responde- Ela mora na minha rua já faz uns cinco anos eu acho. Você precisava ver o quanto ela era dependente do irmão.

–Imagino, falam muito bem do irmão dela. Enfim, como pretende aproveitar esse festival, descoupado-san?

–Eu vou ver o pessoal do clube de basquete. Parece vão fazer umas partidas três contra três.

–Ah, o Rinto está no clube de basquete. Então você vai vê-lo e?

–Pretendo ver as demonstrações dos outros clubes esportivos e depois ir pro ginásio esperar as apresentações de vocês.

–Ah sim.

Olho ao redor do pátio e do colégio. Depois olho para cima e vejo o terraço, o lugar onde escutamos músicas e aconteceu aquele acidente todo. Penso que apesar de ser clichê, é um bom lugar para tentar se confessar.

–Ei Len...

–O quê?

–Antes de ir para o ginásio, pode me encontrar no terraço?

–Posso, mas o que foi?

–Tenho uma coisa para te mostrar, comprei ontem, mas agora não dá. Invejosos irão invejar.- invento uma mentira.

–Ah, tudo bem, então quando você estiver lá em cima, me manda uma mensagem, certo?

–Certo. Bem, agora eu vou ver se o pessoal do clube já chegou.

–Ei Rin, você hoje está diferente.

–O quê? Como assim?- pergunto assustada ao vê-lo se aproximar.

–Você pintou seus lábios. –ele fala corado.

–Ah, você notou... É para a apresentação. –sinto meu corpo queimar. –O que você acha?

–Ah er... Fica bem em você. É uma cor que combina.

–Obrigada. Bem, então te vejo mais tarde.

Ao me despedir do loiro, corro igual a uma tonta para o terraço da escola, mas a porta está trancada. Logo sinto um tapinha no meu ombro. Ao virar-me vejo uma garota de longos cabelos loiros e um belo sorriso. Lily-senpai, a presidente do conselho estudantil. Ela é uma boa pessoa, a conheço desde o ano passado, quando ainda era apenas vice-presidente. Ela é o tipo de pessoa que conversa com qualquer um e sobre qualquer assunto.

–Lily-senpai, bom dia!

–Bom dia, Kagamine-san. Eu não quero parecer rígida mas, essa não é hora de ficar andando no terraço.

–É, eu sei, mas eu queria ficar aqui um pouquinho. É um bom lugar para ficar sozinha e eu estou meio nervosa com a apresentação de hoje.

–Ah, o Kaito-kun também está, ele estava de pernas bambas ontem.

–É mesmo, você e o Kaito são colegas de classe. Ele demonstra as fraquezas dele na sala?

–Não, isso é bem raro. Ele só demonstra entre amigos mesmo.

–Imaginei isso.

–Bem, Kagamine-san, a partir das nove, o terraço estará aberto. Por enquanto, eu sugiro que relaxe em outro lugar enquanto espera seus colegas de clube. Boa sorte com a apresentação.

–Obrigada Senpai! Venha nos assistir.

–Pode contar com minha presença.

Desço as escadas novamente e começo a perambular pelo colégio. Vou para o clube de literatura ver o que as meninas estão aprontando, vou ao clube de Kendo, Judô, passo pela sala dos professores, vou ao ginásio ver se Len ainda está vendo o clube de basquete e nada. Dou uma e duas voltas e volto para o prédio das salas dos clubes.

Ao chegar ao corredor perto da sala de música, escuto sussurros pequenos. A voz abafada de Lily-senpai e um suspiro masculino. Imagino que ela esteja com um garoto. Não quero aparecer agora, não gosto de ver pessoas demonstrando afeto em público. Ainda mais a presidente do concelho estudantil, quebrando a regra contra ficar com pessoas dentro da escola. Mesmo que eu não veja que ela está beijando alguém, escuto sons que dão a entender que ela está experimentando dos lábios alheios, até que finalmente ouço-a dizer algo:

–Por favor, pare! Kaito-kun!

Meu Deus ...Kaito está com ela...

Por que eu me sinto estranha?

Ela o mandou parar. Ele está forçando-a a algo?

Sento-me no primeiro degrau da escada próxima ao corredor. Ponho um fone no ouvido esquerdo e tento ouvir o resto da conversa com o direito. Depois do pedido de Lily, ouço Kaito dizer:

–Você sempre me pedia por isso Lily. O que houve agora?

–Isso foi há dois anos! Não quero nada com você!

–Não precisa ter nada! Eu só quero um beijo. Eu quero um abraço. Quero chorar no seu ombro.

–O que houve? Não parece você!

–Eu não aguento mais ser rejeitado. Até você que gostava de mim...

–Kaito-kun... Você nunca esteve assim. Tem certeza que está bem?

–Eu estarei melhor se você ficar a sós comigo na sala do clube.

–Eu não posso fazer isso. Desculpa.

Sinto alguém se aproximar, então ponho o outro fone, encosto a cabeça na parede e fecho os olhos. Finjo que estou viajando ou cochilando para enfatizar que não ouvi nada, nem vi nada. Logo sinto Lily descer as escadas correndo. Depois disso, abro os olhos, espero a música acabar e vou para o corredor, Kaito já não está mais lá.

Tenho receio de ir até a sala, eu nunca vi Kaito demonstrar fraquezas. Talvez ele esteja se sentindo solitário por ter meses que não encosta o dedo em uma garota. Ou talvez ele esteja eufórico por conta da apresentação. Pode ser a pressão por ser um formando, mas ele tem as melhores notas do colégio. Eu simplesmente não consigo entender.

Termino minhas reflexões e resolvo entrar na sala. Encontro Kaito sentado à sua bateria, folgando os parafusos, já que logo teremos que levar o instrumento para o auditório.

–Bom dia. –digo naturalmente como se não tivesse visto nada.

–Bom dia. Eu sei que quer ensaiar, mas eu tenho que desparafusar isso logo. –ele responde concentrado.

–Eu entendo. Eu queria afinar minha guitarra, mas elas estão demorando.

–Tem razão.

–Você está diferente hoje. –digo tentando puxar alguma coisa dele. –Aliás, desde ontem.

–E você está usando batom.

–Você está vermelho Kaito. Está com febre? –pergunto me aproximando dele.

–Está preocupada comigo?

–Me preocupo com meus amigos.

–Eu estou bem. Fica tranquila.

Logo após ouvir a resposta de Kaito, Luka abre a porta da sala violentamente. Ela está com os cabelos bagunçados, suada, ofegante e com o rosto vermelho. Seus olhos demonstram desespero. Ela para um pouco para respirar e nos diz:

–Gente, problemas. A Miku está sem voz.

Nos levantamos rapidamente e corremos com Luka para a enfermaria. Segundo a rosada, Miku tomou banho tarde da noite, lavou seu cabelo e foi dormir sem secá-lo. O resultado foi um baita resfriado e inflamação na garganta.

Ao chegar à enfermaria, vemos Hatsune Miku com seu rosto avermelhado, principalmente seu nariz. Ao invés de dois rabos de cavalo, seu cabelo está solto. Ficamos surpresos quando ela se atreve a falar para explicar a situação. Sua voz está extremamente danificada.

–Por favor Miku, não force, não diga nada, deve estar doendo muito. –digo desesperada.

–Eu... Ainda consigo... Tocar a guitarra... –ela se esforça para dizer.

–Mas tem certeza que não quer descansar? A gente tenta se virar. –Luka diz preocupada- Você deve estar com febre, não é bom se esforçar muito.

–Eu...Consigo...

–Se ela quer tocar, a deixa tocar. –Kaito diz estressado. –Ela não é incapaz de fazer algo assim, só porque está doente. Além do mais, eu sei que você quer tocar conosco mais do que qualquer coisa, não é Miku?

–Sim. –ela diz sorrindo.

–Mas quem vai cantar? –Luka pergunta- Eu não ensaiei nenhuma letra e temos cinco músicas para tocar.

–Só resta a Rin-chan. –Kaito aponta para mim.

–Bem, eu já havia pensado em dividir com a Miku, mas todas as músicas?

–Você quer que tiremos alguma? –Luka pergunta.

–Não, não precisa. Vamos fazer isso.

Fico mais nervosa. Não só porque ficarei responsável pelas músicas, mas também por Miku estar doente. Ela é muito forte e saudável e raramente fica doente. Tentamos seguir em frente com todo o alvoroço. Voltamos à sala de música e começamos a ensaiar gradativamente. Mesmo com a bateria de Kaito quase desmontada, tocamos nossos instrumentos de corda normalmente, e o azulado usa o banco e a mesa da sala para fazer uma batida e acompanhar o ritmo do nosso ensaio improvisado. Estava tentado repassar a letra de uma das músicas com Luka, quando Meiko entrou em nossa sala dizendo:

–Olá infantes. Soube que uma de vocês está doente.

–É a Miku. –Luka diz. –Suponho que tenha recebido minha mensagem, Sensei.

–Sim, recebi. Também soube que já tomou remédios na enfermaria. Trouxe gengibre, é bom para garganta. Vou fazer um chá para você. Mas Rin, você ainda está a cargo do vocal.

–Sim, eu sei, não vou voltar atrás disso.

–Imaginei que não voltaria. –Meiko diz colocando uma sacola gigante na mesa- Ah, e lembrando que estou devendo uma coisa a vocês desde a apresentação dos calouros, eu os trouxe.

–Ei, não vai dizer que... –pergunto.

–Sim, eu trouxe os casacos personalizados que estou devendo a vocês.

Casacos personalizados. Algo que Meiko promete desde o festival cultural passado. Ela nos conseguiu roupas sensacionais para apresentações, mas não conseguia simples casacos coloridos para que usássemos em apresentações que usaríamos uniformes.

Quatro simples casacos nas cores rosa escuro, azul marinho, amarelo e verde aqua. Dá para perceber para quem vai cada casaco. Meiko tira as roupas do saco e temos uma surpresa. Não é um simples casaco. Nele temos o nome do dono nas costas em romaji e na frente, no canto esquerdo, temos o logotipo da banda. Logotipo esse que Kaito criou quando eles reabriram o clube em seu primeiro ano.

O desenho não é uma coisa muito complicada. É apenas uma estrela e cinco ondas por cima da estrela. Essas ondas representam as linhas de um pentagrama de uma partitura. A estrela é algo fofo que Miku escolheu. O desenho até que é legal, o que dá um pouco de vergonha é o nome da nossa banda. “#1 Melody”, logo, há o sustenido e o número um em nosso logo. Isso pode ser traduzido como “ichiban no melody”, que segundo Miku, quer dizer que somos melhores, somos únicos, somos os primeiros a fazer música ao nesse modo, ao nosso modo. Ela quer dizer que somos o número um no mundo.

O casaco é algo bem simples e ficamos bastante contentes com o presente. É quase que um abraço em grupo que damos em Meiko. Logo depois, uma garota do comitê de organização de eventos da escola vai à nossa sala e nós começamos a mover nosso equipamento. Gakupo aparece para ver Miku e ajuda Kaito a levar as coisas mais pesadas para o auditório.

Com toda essa agitação, acabo esquecendo de todo o compromisso que tinha com Len. Vejo que nossa apresentação foi adiantada para as nove horas, visto que o festival durará apenas pela manhã por ser um evento pequeno. Resolvo pegar o celular para avisá-lo isso, mas quando pego o aparelho, percebo que já está quase sem carga.

Droga, eu juro que deixei carregando durante a noite.

Droga, acho que esqueci.

Peço à Luka um momento para ir ao banheiro, quando na verdade vou atrás do loiro. Apareço no clube de literatura e pergunto à Neru, ela diz que não sabe, mas eu aproveito para contar que a apresentação do nosso clube não demorará para começar. Passo no clube de basquete e em todos os clubes esportivos que Len disse que visitaria e não o encontro em lugar algum.

Começo a me desesperar, a apresentação está para começar. Por acaso chego na cantina e começo a perder as esperanças, quando esbarro em alguém no refeitório.

–Len! Estava procurando você!- digo feliz.

–Oi Rin! Eu vim pegar um sanduíche, quer comer alguma coisa? Você me parece cansada.

–E estou, mas não quero comer nada. Só quero avisar umas coisas, estive te procurando pela escola inteira, meu celular descarregou.

–Ah se é isso então fala. –ele fala de boca cheia.

–Não vá ao terraço como eu lhe pedi. A apresentação do clube será às nove. Esteja no auditório em...

–Vinte minutos?

–Isso!

–Mas você não deveria estar lá agora? Passando o som?

–É verdade, mas eu estava lhe procurando.

–Você vai se atrasar! Ainda tem que montar todo o equipamento! Droga, eu sou tão importante assim?

–É sim, mais do que imagina.

Depois dessa frase, ele desvia o olhar com o rosto um pouco rosado. Sinceramente, estou me acostumando a dizer essas coisas sem ter vergonha. E vê-lo todo envergonhadinho é algo que não tem preço.

–Droga. –digo- Eu tenho que estar lá em quinze minutos.

–Espera, eu te levo lá mais rápido. Há um jeito mais rápido de chegar ao auditório. Vem comigo! –ele pega minha mão e começa a correr por trás da cantina.

Atravessamos os fundos da cantina e o depósito dos ingredientes, lanches e almoços prontos. Passamos por um pequeno corredor que confesso desconhecer. Há uma pequena porta que leva aos fundos do auditório do ginásio. Essa porta leva direto aos bastidores. Len abre essa porta naturalmente e damos de cara com o pessoal do clube.

–Pronto, chegamos. – o loiro diz.

–Como conhecia isso? –pergunto espantada.

–Às vezes um desocupado precisa conhecer os ambientes para passar um tempo, sabe? –ele responde piscando para mim.

Por favor, não faz isso. Não usa esse charme. Eu vou acabar me apaixonando ainda mais.

–Beleza, obrigada.- agradeço.

–Não tem de quê. –ele diz soltando levemente a minha mão. –Então, eu vou estar na plateia. A gente se vê depois da apresentação?

–Depois da apresentação da Gumi-san. Você vai assistir, não vai?

–Sim. Então tá, depois da apresentação da orquestra.

Afirmo e o deixo para trás. Tento suportar toda a perturbação dos membros do clube. Mas focamos em nossa apresentação que está bem próxima.

Vestimos nossos casacos, mas não chegamos a fechá-los. Já está esquentando e logo será verão, ninguém aguentaria o calor de um lugar fechado com casaco como esses fechados. Afinamos os instrumentos, plugamos nos amplificadores, fazemos testes de voz, umas preces. Kaito ajeita o cachecol, Miku regula a alça da guitarra, Luka arruma seu cabelo e eu aperto meu laço.

–Um minuto pessoal. –a garota do comitê nos avisa e sentimos os nossos corações baterem mais rápido.

–Lembrem-se pessoal. –Luka começa um discurso- É só uma apresentação como todas as que já fizemos. Vamos dar o nosso melhor, porque nós somos a banda número um no mundo!

Olho para todos gradativamente. Uma mão na guitarra e outra no microfone. As cortinas sobem. Eu já vi isso várias vezes, mas a moleza nas minhas pernas demonstram que, não importa quantas vezes a gente toque, a pressão sempre será a mesma.

Relaxa Rin. Você é a número um!

Dou uma boa olhada na plateia. Logo vejo Neru nos ombros cansado de Rinto. Ela está em cima de seus ombros, filmando tudo com seu celular. Teto e Haku estão logo ao lado. Gakupo, Lily e Len também. Todos parecem um pouco surpresos em me verem logo de primeira no vocal. Sempre canto, mas nunca começo e nunca canto a maioria das músicas.

–Bom dia pessoal! –digo- Somos a #1 Melody, o clube de música popular! Hoje nós vamos apresentar os nossos trabalhos durante esse primeiro bimestre. Mal começou o ano e já aconteceram várias coisas. Produzimos bastante. E queremos que vocês ouçam nossas músicas. Eu sou Kagamine Rin. Primeira guitarrista e segunda vocalista. Hoje estou como primeira por conta da nossa primeira vocalista ter perdido a voz. Eu me refiro à Hatusne Miku, primeira vocalista e segunda guitarrista à minha direita. Na minha esquerda temos Megurine Luka, nossa presidente e baixista. Cantora e tecladista nas horas vagas.

–E cozinheira também. –Luka brinca no microfone.

–Isso. –respondo rápido à brincadeira. –Atrás de mim, temos o nosso baterista Shion Kaito. Ele também toca violão e canta, sem contar que é um idiota muito útil.

–Que cruel, Rin-chan! –Kaito grita de trás da bateria.

–Bem, sem mais delongas, vamos apresentar músicas que todos nós compomos. Gostaria de começar com uma que comecei a compor com a ajuda desses meus colegas maravilhosos. Ainda é um trabalho recente que precisa ser aprimorado, mas vamos dar o nosso melhor. E com vocês, The Lost One’s Weeping!

Dou sinal e Kaito dá início aos toques na bateria. Assim, a música começa:

Uma faca de alguns centímetros de desconfiança
Finalmente atravessa uma veia
Por este fraco amor que apareceu de repente
Uma Les Paul é transformada numa arma letal

Não é ficção

Eu gosto de matemática e de ciências
Já que sou inútil em letras, não gosto
Mas se continuar a preocupar-me sobre qual delas é correta
Sinto que vão ambas tornar-se em erradas

O trabalho de casa de hoje é sobre mim que não tem personalidade
Apenas o suficiente, sem compromissos, é assim que tenho vivido
Mas porque é que nós, às vezes, não, sempre
Dizemos que estamos tristes, dizemos que estamos sozinhos?

Consegues ler o kanji no quadro negro?
Consegues ler a imaginação daquela criança?
Quem estava a manchar o coração dele de negro
Hey, quem foi? Hey, quem era?

Consegues resolver a equação no ábaco?
Consegues alargar a corda à volta do pescoço daquela criança?
Podemos nós continuar assim?
Hey, o que é que eu devo fazer? Já não importa mais.

Não importa quanto tempo passe, nós temos
Estado a ser intoxicados descuidadamente por hipnotismo
A arrogância do poder que não tenho
Sempre a esconder-me desesperadamente atrás dela

O trabalho de casa de ontem como sempre não o consegui resolver
Apenas o suficiente, sem compromissos, é assim que tenho vivido
Mas porque é que o mal dentro do nosso peito
Diz que queremos desaparecer, diz que queremos morrer?

Consegues ler o kanji do quadro negro?
Consegues ler a imaginação daquela criança?
Quem estava a manchar o coração dele de negro?
Hey, quem era? Hey,quem era?

Consegues resolver a equação no ábaco?
Consegues alargar a corda à volta do pescoço daquela criança?
Podemos nós continuar assim?
Hey, o que é que eu devo fazer? Hey , o que é que eu devo fazer?

Consegues recitar a fórmula da relação de áreas?
Consegues recitar teus sonhos de criança?
Quem atirou esses sonhos por água abaixo
Hey, quem é que foi? Mas eu já sei.

Quando é que eu vou crescer?
Mas o que é crescer em primeiro lugar?
A quem é que eu devia perguntar?
Hey, o que é que eu devo fazer? Já não importa mais.

Essa música nasceu da melodia que criei na banheira. Nasceu da revolta de um estudante entediado. Nasceu do suicídio de um garoto, nasceu das inseguranças de uma garota confusa. Essa música resume bem tudo por uns tempos.

Depois dessa, mais outras quatro músicas são tocadas e quando tudo acaba, estamos um caco. Cansados e acabados. A apresentação foi um sucesso. Não erramos sequer um acorde. Meiko trás bolinhos e refrigerante para trás do palco e brindamos com Coca-Cola, mais uma apresentação.

Só uma coisa não parece bem. Miku está cada vez vermelha. E apesar de ter se saído bem nessa apresentação, ela aparenta estar bem cansada. Gakupo chega para nos dar os parabéns e quando Miku o vê, levanta-se para falar com ele.

–Gakupo-kun...-ela sibila o nome do rapaz e depois cai.

Miku desmaia nos braços de Luka e todos ficamos atônitos. O que fazer numa situação dessas? Os olhos de Gakupo estão opacos. Mesmo desesperado, ele pega a garota em seus braços e corre para a enfermaria. Enquanto uns garotos da sala de Kaito levam os instrumentos e equipamentos para a nossa sala, nós corremos para a enfermaria com Miku.

Lá, deixamo-la deitada em uma das camas e Luka começa a chorar. Estamos todos muito assustados. A enfermeira mede a pressão arterial de Miku e descobre que está muito baixa. Ela não devia ter se esforçado tanto.

–O que a gente faz?-Kaito pergunta preocupado.

–Se ela não acordar logo, devemos leva-la para um hospital. – a enfermeira nos conta calma.

–Eu acho que vou ligar logo. –Gakupo tira o celular do bolso –Não sabemos o que pode ter levado a isso acontecer.

–Não... Precisa...- Miku abre lentamente os olhos e abre um pequeno sorriso. Ela parece tão cansada.

–Miku-chan! –Luka grita abraçando a garota e logo depois é repreendida pela enfermeira por fazer isso.

–Estou bem. –Miku diz gradativamente – Só... Um pouco... Cansada... Eu não me sentia bem...Nem tomei café...Só quero ir para casa.

–Graças a Deus você está bem, Hatsune. –Gakupo fala com a mão direita na têmpora.

–Eu disse... Me chame por Miku... Gakupo-kun... –Miku tenta dizer – Obrigada por estarem aqui... Pessoal. Eu só... Quero que me...Levem para casa.

–Eu levo você.-Meiko diz ao aparecer na porta. –Está melhor?

–Sim... Mas...Meiko-sensei... Poderia esperar um pouco lá fora? – a garota pede se esforçando para falar.

–Ah sim. Todos vocês para fora. Deixem a garota se arrumar. Ela precisa de um tempo. –Meiko nos ordena.

–Gakupo-kun... Você pode ficar... Tenho algo para lhe falar... –Miku pede.

Depois disso eu me lembro do que tenho que fazer. Despeço-me de minha amiga e corro feito louca pelos quatro cantos da escola e procuro por Len. Não o encontro em lugar nenhum. Tento a quadra de basquete, quando vou pelos fundos acabo esbarrando em alguém.

–Rin, você está bem? –Len pergunta estendendo a mão para que eu levante.

–Len! Ah estou sim! Estava lhe procurando. –digo estabanada.

–Eu também, mas acabei sabendo que a Hatsune-senpai acabou passando mal. Como ela está?

–Melhor, ela desmaiou, mas já está bem.

–Ela estava indo tão bem agora pouco. Espero que ela fique bem

–Todos nós esperamos.

–Então, desde cedo quer falar comigo, me mostrar algo você disse. Ainda tem tempo para isso?

–Ah claro. –digo um pouco nervosa.

Imagino se deveria realmente tentar. Tantas coisas aconteceram hoje. Talvez todos esses contratempos tenham me mostrado que seja melhor eu não falar nada agora. Eu sequer sei como falar, nem treinei isso...

Agora é muito tarde para voltar atrás. É agora ou nunca.

Meus ossos das mãos ficam rígidos, minhas pernas amolecem. Giro minha cabeça a procura de respostas. Começo a suar e, apesar de sentir meu corpo tão quente, meu suor é frio.

–Rin, vai falar ou não?

Reúno toda a coragem do meu ser e me aproximo a passos lentos do loiro. Minhas mãos trêmulas alcançam seus ombros. Deveria eu beija-lo? Agora? Não, essa seria a coisa mais burra a fazer. Recuso-me a olhar para seu rosto, a partir desse ato, as coisas começam a ficar estranhas.

Ainda segurando seus ombros, fico na ponta dos pés, alcanço seu ouvido esquerdo e me atrevo a sussurrar:

–É que... Eu gosto de você.

Meu coração não bate tão rápido já faz séculos. Não saio dessa posição, não me atrevo a ver seu rosto, sequer a deixa-lo ver o meu. Os segundos passam e os ventos sopram...

E nenhuma palavra sai da boca de Len...

...

Continua...

Notas finais
Estou feliz por ter colocado um capítulo novo antes de duas semanas de diferença, parece que finalmente estou conseguindo conciliar as coisas (yay!) Também estou feliz por meu computador estar bom o suficiente para parar de travar quando tento responder os comentários de vocês. Fiquei muito feliz quando vi o comentário carinhoso da Sofhi Chan, isso me motivou a postar mais rápido. Então galera, se vocês gostaram do que leram, não gostaram, querem dar dicas, palpites ou falar qualquer coisa sobre a história, por favor comentem, eu fico feliz quando comentários aparecem. Bem pessoal, obrigada por lerem até aqui. Beijos!