My Sky Angel

34 Capítulo 32 - Jack


Os dias passavam impetuosos. A inquietação fazia-se presente em todos nós. Estávamos a tentar lutar contra uma contagem regressiva, contra o tempo. Ninguém estava ansioso para a guerra. Principalmente agora que sabíamos que um de nós ia morrer. Era a primeira vez que ninguém queria ser o herói da história. Os versos da profecia ainda ressoavam na minha mente.

– Hey – ouvi e virei-me para ver quem era.

– Hey – respondi à Rapunzel.

Abracei-a e beijei o topo da testa. Sentamo-nos num banco ali perto ainda abraçados.

– Em que estás a pensar? – Ela perguntou-me.

– No futuro – disse suspirando.

– Nunca me disseste, qual a profissão que querias se continuasses em Dufins?

– Nunca perguntaste – expus sorrindo – Talvez membro da Guarda Real. Embora agora que vamos enfrentar uma guerra seja tremendamente assustador. E tu?

– Médica. – Ela sorriu – Desde pequena que gosto de pegar em ervas e ver as coisas incríveis que elas podem fazer e curar. Onde eu vivia tinha uma senhora idosa que me ensinava esse tipo de coisas. Todos os dias depois das aulas eu ia visitá-la para aprender um pouco mais.

Paramos de falar e reparei que ela estava apreensiva. Virei-me para ela e segurei-lhe em ambas as mãos.

– Vai correr tudo bem, vais ver – eu falei tentando dar um sorriso encorajador.

– Acreditas nisso? – ela perguntou com um respingo de esperança no olhar.

– Claro – menti – se não tivermos esperança então não valerá a pena lutar. A batalha já se perdeu.

Ela sorriu e eu sorri de volta. Eu queria acreditar, a sério que queria. Parte de mim tentava manter a esperança mas a outra parte, a mais cética, sabia que as probabilidades de darem tudo certo eram escassas.

Ela abraçou-me e ficamos ali um tempo. A certa altura Owen chamou-nos para fazermos um jogo de caça à bandeira.

Havia duas equipas, a equipa vermelha e a equipa azul. Para nos identificarmos usamos elmos com plumas com a cor respetiva à equipa. As guerras eram simples: tínhamos que apanhar a bandeira da equipa adversária e leva-la para o nosso território e não podíamos matar ninguém. Para a pessoa ficar fora de jogo tínhamos de lhe tirar o lenço preso à cintura também azul ou vermelho. Também não podíamos voar mais alto que a altura máxima das árvores.

Podíamos escolher as armas que quiséssemos embora quando mais tivéssemos mais difícil era a deslocação.

Fizemos as equipas. Eu fiquei na azul com o Owen, a Merida, a Anna e o Kristoff. Na vermelha ficaram o Hans, a Elsa, a Rapunzel, a Astrid e o Hiccup.

A nossa tática era simples. Eu e Owen íamos atrás da bandeira inimiga enquanto Anna, Merida e Astrid ficavam a defender a nossa bandeira. Eu levava uma espada e uma faca no caso de me desarmarem. Todos nós tínhamos uma espécie de armadura à volta do tronco almofadada para não nos magoarmos nessa zona numa luta corpo a corpo ou no caso de levarmos com uma flecha. Caso nos acertassem nessa zona nós dizíamos que estávamos “mortos” e o adversário tinha a autorização de tirar o lenço.

Depois de termos plantado a nossa bandeira num sítio que nós achamos seguros e Hiccup, Astrid e Anna se posicionarem eu e Owen fomos atrás da bandeira inimiga.

Corríamos como predadores: silenciosamente. James, o meu hiddick, voava silenciosamente em cima de mim. Um pequeno cão, um golden retriever dourado, o hiddick do Owen, acompanhava-nos farejando o ar e ouvindo o que os nossos ouvidos não eram capazes de ouvir.

Às vezes levantávamos voo pois não se ouvia nada para além dos nossos passos. Estava demasiado calmo para o meu gosto. Quando decidimos fazer uma pequena pausa para ver se avistávamos algo vimos a bandeira. Corremos para lá e para nossa surpresa a bandeira estava abandonada. Pegamos nela e começamos a correr de volta ao nosso ponto de partida.

Íamos ganhar o jogo. Corríamos alegres fazendo o trajeto de volta. Quando estávamos quase a chegar Owen mandou-me parar.

– Espera – ele disse – escuta.

Apontou para o seu ouvido e depois para as árvores. Só ouvia o farfalhar das folhas.

– Que foi? – perguntei, nada parecia anormal.

– Shush – ele tocou com o indicador para me mandar calar. – Cuidado.

Um som cortou o ar e vi Owen vir na minha direção. A sua espada ficou há minha frente impedindo que eu fosse acertado com uma flecha.

– Obrigado – sussurrei.

Olhamos à nossa volta. James voou para uma árvore com as garras apontadas. Alguém gemeu de dor e eu reconheci-o.

– Haddock – exclamei.

– Jack. Owen. – Ele disse sorrindo zombeteiramente.

Ele voltou a disparar outra flecha com a sua besta mas eu consegui esquivar. Hiccup estava num lugar elevado e nós num lugar baixo. Podíamos voar até lá mas não deixava de ser bastante arriscado.

De repente ouvimos um rugido. Algo parecido com um urso e vinha do lado de onde estava a nossa bandeira. Olhei para Owen e ele concordou. Enquanto nos desviávamos das flechas corremos em direção ao som.

– Ei! – Hiccup gritou – Não fujam…

Quando chegamos lá Anna estava transformada num urso a defender a bandeira. Era um urso pardo enorme. Tinha algumas madeixas ruivas e arreganhava os dentes a quem tentasse aproximar-se da bandeira.

Tinha a bandeira às costas e não sabia como é que ia fazer chegar à bandeira da minha equipa. Ignorando tudo e todos corri em direção à bandeira. Mas quando estava prestes a chegar Hans barrou-me a passagem.

– Não vais passar – ele sorriu.

– É o que vamos ver.

As nossas espadas tiniram quando chocaram. Movimentávamo-nos sincronizadamente. Passos para a frente, passos para trás. Quando vi uma brecha ataquei e acertei na proteção.

– Consegui. Ganhei – disse triunfante mas Hans também sorria.

– Também eu.

Não percebi de momento mas quando olhei para baixo a minha proteção também tinha um corte.

– Não – gemi de frustração.

Olhei para os lados. Anna já não estava transformada. Íamos perder. Mas Elsa ergueu uma parede de gelo tentando proteger a bandeira. Todos olhamos para ela surpreendidos. Menos Merida. Ela olhou para Elsa a sorrir. Ergueu a mão e uma bola de fogo surgiu na palma da mão dela. Ela atirou a bola fazendo o gelo derreter. Elsa continuava a fazer paredes de gelo e Merida continuava a criar bolas de fogo. Enquanto estávamos distraídos Rapunzel pegou na nossa bandeira e começou a correr em direção à vitória da sua equipa.

– Owen – gritei pois era o mais próximo que estava de mim.

Ele olhou e eu apontei para a bandeira que ainda tinha às costas. Ele pegou nela e correu para onde estava a nossa antiga bandeira. Lá pousou a bandeira vermelha e exclamou.

– Ganhamos!

Notas finais
Desculpem a demora... Este foi o capítulo que mais me demorou escrever até agora. Acho que é por ser um dos últimos e eu não quero que a história acabe. Sim a fic vai ter mais 3 capítulos, não quero prolongar mais do que isso. Vou tentar não demorar tanto nos próximos. Aviso já que na próxima semana não vou poder postar nada ou responder pois vou para um lugar sem Internet. Enfim, espero que tenham gostado. Vejo-vos no próximo capítulo ou nos comentários. ~-...-~ Terras Dufins - Rei Lufhins - Asas Azuis Terras Weerfins - Rei Adnis - Asas Amarelas ~-...-~ ❄Abraços, Snowflake❄