My Sky Angel
29 Capítulo 27 - Hiccup
Notas iniciais
Começava a ficar nervoso. Estávamos todos apreensivos. Onde é que elas estariam? Fora engraçado ver a Anna transformar-se num rato mas agora aparecia a preocupação.
De longe avistei-as a conversarem e a andarem na nossa direção. Chamei os outros e fomos a correr na direção delas. Mal cheguei perto delas abracei-as: Elsa, alguém que eu tratava como uma irmã, Anna, a irmã de Elsa, e Merida, a irmã da irmã de Elsa.
Elas pareceram confusas e surpreendidas com o meu abraço mas logo trataram de o retribuir.
– Começamos a ficar preocupados – disse quando me afastei.
– Foi só um pequeno teste – tentou sossegar-me Merida.
– Então Anna como é que correu tentar deixar de ser um rato? – Jack perguntou com o seu típico sorriso zombeteiro.
Ela virou-se para ele e fez uma cara de desagrado.
– Não era um rato – disse calmamente e indignada – era um hamster.
Todos nos rimos perante aquela afirmação. Não havia como não rir.
– Então como correu deixar de ser um hamster? – Hans reformulou a pergunta.
– Não muito difícil – ela respondeu – foi só concentração.
Thootless, que andava a esvoaçar por aí veio pousar na minha cabeça.
– Então rapaz – falei afagando-lhe a cabeça – por onde andaste?
Como resposta ele mostrou-me o seu sorriso desdentado. Depois olhou para os lados enquanto cheirava o ar. O seu olhar parou em Angus, o hiddick de Merida.
Saltou da minha cabeça e pôs-se em frente ao pequeno urso. Sentou-se e mostrou mais uma vez o sorriso desdentado. Despois levantou-se nas patas traseiras e estofou o peito. Vi Angus fazer o mesmo ficando poucos centímetros mais baixo que o meu hiddick. Angus suspirou derrotado e Thootless agarrou-lhe nas costas.
– Eu acho que ele quer levar o teu hiddick a voar – falei para Merida ao sentir uma onda de felicidade, agitação e liberdade a preencher-me o corpo. Merida olhou para mim assustada.
– Não acho que seja uma boa ideia – exclamou mas pareceu repensar – Desde que tenha cuidado.
Olhei para o dragão que pareceu entender o recado sorrindo. Olhamos todos expectantes. Ele estendeu as asas muito calmamente e sorriu mostrando os dentes. Quando ninguém estava à espera ele deu um impulso com as asas lançando-se vários metros no ar. Vi Merida a tremer mas um sorriso brincava-lhe nos lábios. Conseguimos ouvir um assobio no ar enquanto os hiddicks faziam uma pirueta. Angus fora lançado no ar e passava por uma onda roxa. Thootless tinha disparado a sua singular chama. Merida tremeu ao meu lado e todos aplaudiram e antes do fogo atingir o urso, o dragão agarrou-o pousando-o suavemente no chão. Todos voltaram a aplaudir fazendo o pequeno dragão curvar-se em agradecimento.
– Isto foi – exclamou Merida – espetacular!
Uma onda de orgulho inflamou o meu corpo mas não soube a origem: se era o meu hiddick ou eu.
O dia foi passando calmamente. Merida incendiou a sua mão e acendeu uma pequena fogueira. Elsa criou um pequeno ringue de patinagem e um pequeno monte de neve. No final Merida e Elsa andaram a provocar-se e acabou num pequeno lago onde uma pequena foca, denominada Anna, andou a deslizar.
Estávamos todos esgotados quando fomos para os nossos dormitórios.
– Então – comecei olhando para Jack – como estão tu e Punzie?
– Bem – ele respondeu.
– Só isso? Não vais deixá-la quando te cansares como fizeste a todas as outras, pois não? – perguntei arqueando as sobrancelhas.
Ele olhou para mim desconfortavelmente.
– Eu… — começou mas logo calou-se.
– Jack! – falei eu surpreendido – Eu não acredito nisto! Ela é amiga da irmã da tua irmã!
Ele deu um pequeno sorriso perante à forma como eu tratei Rapunzel.
– Não – ele disse e eu consegui suspirar de alívio – ela… Ela é diferente.
Nesse momento consegui ver o meu amigo corado, algo raro de assistir.
– Diferente? – perguntei pressionando-o.
– Sim, diferente Hiccup! – ele olhou para mim. Sabia o que eu estava a fazer – ela é suave, frágil mas forte ao mesmo tempo. Faz-me querer ser o mais romântico possível. Ela lembra-me lírios e eu quero fazê-la feliz. Não é como as outras.
Achei interessante o facto de ele ter dito lírios já que o seu significado era casamento, doçura, inocência, majestade e pureza.
– Quem diria que o pequeno Jack está apaixonado! – sorri recebendo um suspiro de volta.
– Boa noite Hiccup – falou dando a conversa como encerrada.
– Boa noite Romeu – falei provocando uma última vez.
Acordei antes do sol nascer. Recentemente acordava mais cedo para ir treinar. Vesti-me rapidamente e fui acordar o meu hiddick que já estava há minha espera com o seu sorriso desdentado.
Peguei na minha besta e fui para o campo de treino. Quando cheguei engatilhei-a e mirei-a para o alvo. Cliquei no gatilho e ouvi um zunido. Quando olhei, a seta ficara um pouco afastada do centro. Suspirei e engatilhei-a novamente. Quando ia mirar ouço outro zunido perto do meu ouvido e uma seta estava espetada no centro do meu alvo.
Olhei para trás e vi Merida sorrindo vitoriosa.
– Ias-me acertando. – respondi mal-humorado. Não gostava de perder.
– Eu tinha tudo controlado. Tens que controlar a tua respiração – aconselhou-me.
Respondi-lhe com um suspiro revoltado e mirei. Inspirei e, quando expirei, premi o gatilho. Ficara ao lado da seta de Merida dentro da bolinha vermelha.
– Tens boa pontaria – elogiou-me e quando olhei estava ao meu lado.
Sorri com o elogio ficando orgulhoso por dentro.
– Devias experimentar o arco – referiu e reparei que era algo em que ela tinha muito orgulho.
Ofereceu-me o arco e eu peguei nele engatilhando uma flecha. Tentei mirar e ia soltar a flecha quando fui parado por uma repreensão de Merida.
– Tens que esticar bem a corda – disse – até à bochecha.
Estiquei o braço e estiquei a corda até à bochecha. Merida pôs-se atrás de mim corrigindo-me a postura. O seu braço segurava no meu e o seu corpo estava junto a mim. Consegui sentir a sua respiração no meu pescoço. Os seus cabelos ruivos faziam-me cócegas na pele descoberta do pescoço. Ela subiu um pouco mais o meu braço e senti-a a controlar a respiração. Também o fiz fazendo com que a tivéssemos sincronizada. Inspiramos e soltei a flecha quando expiramos. Exatamente no centro.
– Obri… — virei-me mas fiz com que os nossos rostos ficassem próximos.
Senti o tempo a parar. Podia sentir as batidas do seu coração. Aceleradas e sincronizadas com as minhas. Ela tinha um cabelo na cara e eu, inconscientemente, pu-lo atrás da sua orelha.
Ouvi passos mas pareciam a quilómetros de distância.
– Minha pequena flor de laranjeira — sussurrei antes de Merida se virar fazendo-me reparar na Elsa e em Hans a chegar.
– Estão a treinar? – ele perguntou e nós assentimos.
– A… – aclarei a garganta já que a minha voz falhara miseravelmente – A Merida estava a ensinar-me a disparar um arco.
– E como te saíste? – Elsa perguntou sorrindo.
– Muito bem – a minha parceira respondeu por mim – ele tem um dom natural.
– Porque é que os vossos hiddicks estão a brilhar? – Hans perguntou fazendo-me olhar para o lado.
Thootless e Angus dormiam enroscados e brilhavam ligeiramente. Sem saber o porquê corei fazendo Merida seguir o meu exemplo.
– Não faço ideia – respondeu ligeiramente preocupada mas a sua voz tornou-se distante e ela sussurrou – Flor de laranjeira.
Automaticamente engasguei-me com saliva fazendo Elsa dar-me pequenas palmadinhas nas costas. Fora algo que me viera à cabeça na altura e Merida tinha ouvido. Lembrei-me do seu significado: pureza, inocência, amor eterno. Algo que eu assemelhava a Merida. Uma flor encantadora e bela para uma rapariga encantadora e com beleza incomparável.
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