My Sky Angel
2 Capítulo 1 - Hiccup
Notas iniciais
Tudo o que eu via era paisagens verdes. Paisagens verdes de Dufins. O Sol parecia brilhar mais do que as outras vezes. Talvez seja porque eu esteja mais animado. Estou em cima de uma árvore perto de casa: o meu sítio para relaxar, pode-se dizer o meu porto seguro. Sempre fui renegado por todos. Se eu não tivesse a pela esbranquiçada ninguém hesitaria em dizer que eu não era um anjo Lufhins. O meu cabelo castanho dá dúvidas a quem olha para mim. Sou chamado de Browny* pois não existe nenhum anjo da minha espécie de cabelo castanho. Os meus únicos amigos são Jack e Elsa Frost. São irmãos e, embora toda a gente pense que sim, eles não o são de sangue. Elsa também pode ser considerada uma Lufhins estranha: com uma mecha de cabelo castanha toda a gente olha com desprezo para ela. Quem nos salva é Jack, o popularismo dele faz com que ninguém nos enfrente. E aqui estou eu, escondido à face de todos onde ninguém pode-me criticar pelo que sou. Mas hoje tudo vai mudar. Hoje faço quinze anos, o dia mais importante para nós, anjos. Podemos abrir as nossas asas pela primeira vez e recebemos o nosso companheiro para toda a vida, um hiddick. Todos os dias nós somos preparados para este dia. Todas as nossas aulas reflectem para este dia. Um hiddick. Todos os anjos sonham com esse dia. Os hiddicks reflectem a nossa personalidade e o nosso humor. Se o nosso hiddick morre nós tornamo-nos Fallen Angels*. As nossas penas tornam-se negras assim como o nosso coração fica negro de tristeza, raiva e sentimentos negativos. Depois as asas caem, uma agonia intensa levando por vezes, na maioria dos casos, à morte. Só alguns conseguem sobreviver ao seu hiddick morto e as histórias que se contam é que eles se lamentam por não terem morrido. Eles já não são o que eram. Um Fallen Angel torna-se irreconhecível.
Mas a minha alegria estava nos picos mais altos que eu já alguma vez vira. Eu admirava a paisagem e pensava qual seria o hiddick que me iria escolher pois são os hiddicks que nos escolhem e não nós que os escolhemos.
– Haddock!
Eu conhecia muito bem aquele chamar, era Jack. Jack sempre teimava em me chamar Haddock, o meu apelido, pois dizia que era muito macho e era o que eu precisava para impressionar as garotas.
– Jack! – virei-me e gritei de volta – Elsie!
Elsa que acompanhava Jack, deitou-me a língua de fora. Eu sabia que ela detestava aquele diminutivo.
– Soluço – ela revidou com um sorriso trocista. Ela sabia que eu detestava que traduzissem o meu nome. – Porque estás em cima de uma árvore?
– A admirar a paisagem. Como é que me encontraram, já agora? – perguntei curioso.
– Digamos que temos olho para a coisa. – Jack falou divertido.
Desci da árvore e mostrei-lhe a língua. Elsa olhava pensativa para a floresta proibida. Diziam que era uma floresta cheia de torturas para os anjos e era a nossa fronteira com os Adnis.
– Que foi? – questionei.
– Nada. – e assim Elsa saiu do transe mas ainda dava alguns olhares para lá como se algo estivesse a chamá-la.
– Vamos andando? – Jack olhou para nós – Já está quase na hora.
– Vamos então. – Elsa dá uma última olhada para lá.Ela sempre foi muito reservada e eu sabia que não adiantaria tentar pescar alguma informação. – Então Hiccup pronto para o grande dia?
– Mais que pronto – exclamei com o coração a querer saltar do meu peito e, num timing perfeito, a corneta soou anunciando que estava na hora.
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