My Sky Angel
24 Capítulo 22 - Jack
Notas iniciais
Decidimos que íamos visitar o ferreiro. Estávamos todos entusiasmados. Rapunzel simplesmente olhava para nós com uma cara estranha. Sorri-lhe e ela automaticamente sorriu-me de volta.
– Então, não estás entusiasmada? – perguntei.
– Somente acho que não vamos precisar disso – explicou – sabes? Para quê? Para nos divertirmos? Eu não sei.
Ouvi-a suspirar e dei um sorriso.
– Sabes, esgrimir, por exemplo, é muito divertido.
– A sério? – ela levantou as sobrancelhas desconfiada
– Eu depois mostro-te.- dei um sorriso confiante. Ela respondeu com sorriso tímido.
– Ei, pombinhos, chegamos! – Hiccup exclamou e Punzie corou até à raiz dos cabelos. Eu, por mais estranho que pareça senti o meu rosto a escaldar. Dei um sorriso debochado.
– Então Hiccup deixa-os em paz. – Elsa veio em meu socorro e piscou-me o olho. Eu ergui uma sobrancelha. Acho que nunca tinha visto a Elsa tão feliz. Ela olhou para o lado e corou. Cerrei os olhos tentando decifrar o que estava a acontecer com a minha maninha.
Entramos numa sala pequena onde um homem idoso de cabelos brancos e óculos redondos tentava encaixar duas pequenas peças.
– Deixem-me adivinhar? – a voz do homem era calma, profunda e suave – Estão aqui para o teste?
– Teste? – Hans perguntou.
– Sim, vocês sabem, descobrir a sua arma gêmea – ele fez aspas com os dedos.
– Sim nós estamos – Anna falou.
O homem aproximou-se de nós e olhou-nos por cima dos óculos.
– Hey – ele gritou – não mexas nisso.
Olhei para trás ainda a tempo de ver Hiccup a virar-se assustado por ter sido apanhado em flagrante. Ele mexia numas peças.
– Isto estava estragado. Eu estava a tentar compor. – ele justificou-se mostrando a pequena peça. Uma peça bastante estranha. Nunca descobriria o objetivo daquilo.
– Conseguiste? – o mais velho parecia surpreso. Aproximou-se e observou Hiccup como se estivesse a avaliar uma peça na montra. Sorriu. – Tens uns materiais no fundo. Faz o que o teu coração mandar.
Hiccup parecia surpreso. Ele estava a deixar o pequeno Haddock construir algo sozinho? Estávamos todos bastante admirados. O rapaz logo desapareceu pela portinha dos fundos.
– E vocês? – ele perguntou retoricamente e eu conti um “ e nós?” no mesmo tom.
– Alguns de nós já têm mais ao menos ideia da sua arma. – respondeu Anna– outros, nem por isso.
– Estejam à vontade para verem o que quiserem – disse o ferreiro com um sorriso no rosto, abrindo uma porta.
– Espere – exclamei eu parando – não nos vai ajudar?
– O coração é a escolha mais poderosa e acertada – ele respondeu-me com um sorriso no rosto.
Entramos numa sala gigantescamente grande cheia de todo o tipo de armas que conhecia e muitas mais. Havia também armaduras, desde a muito pequena de um castanho-ferrugento até gigantes douradas. Parecia que estávamos no paraíso da guerra, se é que isso existe.
Logo nos afastamos entrando naquele labirinto reluzente. Olhei para a única coisa que não era reluzente ali. Parecia um pedaço de madeira, era igualzinho ao meu cajado. Espera, aquele era o meu cajado. Notei a pequena falha que lá tinha, única como uma impressão digital. Logo peguei nele mas ele reagiu à minha pele. O cajado brilhou com uma cor prateada bastante incandescente. Quando parou de brilhar pensei que o cajado pudesse estar diferente mas ele estava exatamente igual. Rodopiei-o e toquei no chão. Foi aí que a diversão começou. A ponta enrolada recuou e aquilo ficou um varão reto com, logo de seguida, duas lâminas de ponta afiada.
Sorri vendo e apreciando a beleza. Fingi um ou dois ataques. O cajado assentava-me bem nas mãos como se eu tivesse nascido para aquilo ou a arma ter sido feita à minha medida. Rodopiei novamente o bastão e ele regressou à sua posição de pau enrolado. Caminhei observando as outras coisas mas sem tanto interesse. Parecia que aquela arma tinha escolhido o meu coração e não quisesse partilha-lo com mais nenhuma. E, o meu coração, submisso, aceitava sem reclamar.
Andei por ali até encontrar Elsa. Ela olhava fixamente para algo mas eu não tinha ângulo suficiente.
– Então maninha? – perguntei.
Ela deu um pulo para trás com uma cara assustada como se tivesse sido apanhada em flagrante.
– Jack – ela sussurrou tentando desviar o embaraço – o que estás aqui a fazer?
– Eu? Observando – respondi simplesmente – e tu já achaste o que querias? O que o teu coração queria, segundo o ferreiro?
– Mais ao menos, suponho que sim – ela suspirou com um pequeno sorriso.
– Então o que é?
– Como? – ela perguntou surpresa. Pareceu raciocinar um pouco e disse – Não, não achei.
– Pois – eu disse sorrindo — então vamos procurar!
Andamos observando os tipos de armas. Os olhos de Elsa brilhavam, ela estava feliz. Ela suspirou. Tínhamos andado bastante até e Elsa ainda não fazia ideia do que queria. O seu olhar rondava de um lado para o outro admirando cada pedaço. De repente o seu olhar estacou e ela ficou assim, estática a olhar para um ponto fixo.
– Elsa? – perguntei e quando ela não me respondeu comecei a ficar ligeiramente assustado.
Ela começou a andar como se estivesse num transe. Caminhava para um cinto azul munido de facas de arremesso. O cinto estava adornado com cristais de gelo.
Ela pegou nele e os cristais começaram a brilhar e nas bainhas apareceram desenhos a retratar corujas. Por mais estranho que pareça conseguia ver a cara da minha irmã ali, como se tivesse sido feito para ela.
– Uau – eu exclamei e ela sorriu para mim.
– Uau – ela repetiu, colocou-o, tirou de lá uma faca e rodopiou-a na mão mas ela saltou indo embater num canto qualquer.
Ela murmurou um “upsi” e começamos a rirmo-nos até crescerem lágrimas nos olhos.
– Então – ela falou quando recuperamos o fôlego – vamos?
Acenei coma a cabeça e lá fomos. Quando chegamos, somente Merida estava lá com um arco adornado com contornos vermelho-fogo e verde-vivo. Trazia uma aljava com flechas também. Os outros demoraram mas finalmente chegaram: Hans e Kristoff traziam uma espada, Hans uma espada larga e Kristoff uma bastarda*, Anna tinha um cinto igual ao de Elsa embora o de Anna fosse dourado com alguns desenhos que eu ainda não decifrara. Rapunzel trazia uma espada curta*.
Só faltava mesmo Hiccup. Ficamos à espera na porta de onde ele tinha entrado mas nem sinal dele. Ninguém queria entrar pois queríamos dar-lhe espaço. A certa altura ouvimos um estrondo e eu abri a porta e entrei.
– Haddock, estás bem? – perguntei e ouvi um gemido.
Hiccup estava enterrado em papéis e ferramentas e sei lá mais o quê. Mas passado o susto ele levantou-se e exclamou todo contente.
– Acabei! – na sua mão estava uma besta toda trabalhada e com uma pitada de Hiccup.
Rimo-nos todos e fomos em direção à saída acenando ao ferreiro como uma despedida. Estávamos prontos para o nosso primeiro teste.
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