Notas iniciais
Não sei se alguém notou, mas eu tinha postado isso antes, de um jeito completamente diferente. Só que estava uma desgraça, destoou de tudo que eu queria fazer, culpem o fato de eu ter escrito aquilo de madrugada enquanto estava quase pra dormir. Então tomei vergonha na cara e refiz isso... Bom, aí está. Capítulo curto. E esperem BASTANTE pra algo entre Rei e Len acontecer. Este é mais apenas os pensamentos do Rei e uma rápida aparição da Rui.

"De: Len Kagamine

Já chegou em casa, Rei-kun?"

Rei jogou-se na cama e, afundando a cabeça sobre seu travesseiro, encarou o celular, que havia acabado de vibrar indicando uma nova mensagem. De Len, claro, como de costume, o que o fez corar e sorrir de leve.

Ainda que fosse uma coisa, para eles, usual, desde o início aquelas mensagens o faziam se sentir especial para Len. Sentir que se importava com ele (o que, no fundo, era uma verdade inegável) e o dava esperanças de que também, se fazia isso, talvez um dia pudesse ter sentimentos... Diferentes... Por ele. Dentro da cabeça de Rei, esses pensamentos mal passavam de sonhos distantes que faziam seu coração e seu rosto aquecerem de forma estranha e um tanto vergonhosa, afinal, nada disso parecia possível. Pelo contrário, para Rei, esses sentimentos latentes, esperanças, "sonhos" pareciam tão longe que nunca poderiam sequer sair de sua mente, nunca poderiam ser mais que sonhos, então esperava contentar-se em ter a Len perto.

Se estivessem perto um do outro, já seria o suficiente para manter uma linha de felicidade, ainda tênue, porém durante o tempo que o conhecera, significara muito mais que qualquer tentativa frustrada de outras pessoas de o fazerem sorrir e quebrar certa "seriedade".

Ao menos era o que esperava, até o dia de hoje. Rei havia acabado de se declarar, da forma e no momento mais inesperado para ele... Tudo que imaginaria era uma resposta assustada de Len, ou que nem sequer entendesse o que estava dizendo... Bom, independete do que rei especulara para caso isso de fato acontecesse, tudo que sabia era que ouvir um "Eu gosto de você" proferido da boca de Len o fizera derreter-se por completo em um estado de êxtase. Felicidade, sim, uma felicidade tão extrema que fazia-o se questionar quanto a se isso havia realmente acontecido.

Rei abraçou o travesseiro, puxando-o contra seu torax e afundo-o novamente contra o rosto, ainda vermelho, sentando-se na cama. Suspirou uma vez. Tentou acalmar a respiração acelerada, enquanto fitava o chão. Então o lindo garoto popular de quem todos gostavam e respeitavam... Havia se declarado para ele também?

Não entendia o motivo de ter sido justamente para ele... Havia garotas lindas na escola e estava na cara que gostavam de Len. Mas desde que conhecera a Rei, passava mais tempo com ele que com qualquer uma delas. Supunha que seria por querer "fazer o bem", para "enturmar" o garoto afastado. Mas... Olhando o presente, será que no fundo não estavam mesmo... Se aproximando demais? Rei gostava disso. Gostava de ser mais próximo a ele que os outros, seria egoísmo?

O fato de serem garotos o fez pensar que era, definitivamente, impossível terem uma relação mais profunda que a amizade. Dava um pouco de vergonha no começo admitir que se apaixonara por alguém, especialmente alguém do mesmo sexo. Era mais complicado, tinha um pouco de medo dos prováveis comentários que fariam. Nunca teve medo do que falariam quanto a ele, mas desta vez, não seria apenas sobre ele e sim sobre os dois... Len não ficaria chateado? Caso não ficasse, poderiam simplesmente um dia ignorar isso e... Ficar... Juntos?

De repente Rui entra e abre a porta lentamente, interrompendo seus intermináveis pensamentos, que certamente já duravam horas.

– R-Rei...?

– A-Ah, pode entrar, Rui — Disse tentando fazer uma expressão mais normal e soltando o travesseiro, porém ainda com o celular em mãos.

A garota de cabelos negros entrou e o observou por um instante. Sentou-se em uma cadeira e pareceu estranhar um pouco o modo como o irmão estava.

– Hmm... Por que essa cara?

– Que cara? — Fingiu não saber de que estava falando — Não estou fazendo "caras"...

– Ora Rei, você está vermelho!

Rei suspirou, abaixando a cabeça. Não sabia que ainda estava vermelho. Sentia que precisava arranjar um jeito de começar a controlar isso...

Rui tossiu, o encarando. Após alguns instantes sem obter resposta, sentou-se ao seu lado.

– Não confia em mim...?

– Não é isso — Refletiu, pensando no que deveria dizer.

– Por favor, não tem coragem de falar nem comigo?! — Pareceu se chatear.

Notou que o irmão ainda segurava o celular e uma ideia cresceu em sua mente.

– Rei, com quem estava falando no celular?

O garoto arregalou os olhos, surpreso que ela tivesse notado justamente isso.

– É verdade — ela continuou — Ultimamente você não larga disso!

– N-Não é ninguém em especial...

– Então posso ver? — Fez uma carinha fofa.

– Melhor não.

– Então eu estou certa, é algo em especial. Eu diria, alguém...

Ele o rosto para outro lado, visivelmente nervoso.

– Meu irmão está gostando de alguém? — Se aproximou.

Rei quase deu um pulo na cama nessa hora, enquanto Rui ria.

– Aaah sim! — Sorriu — As pessoas ficam estranhas quando se apaixonam mesmo. Mas VOCÊ? Rei! Nunca imaginei que fosse gostar de alguém... — Falava, fazendo seu irmão se encolher.

– Eu não disse que é isso...

– Vamos, eu conheço a sortuda?

"Terra, por que simplesmente não se abre e me engole?" Era o pensamento dele nesse momento. Rui pareceu notar e sorriu novamente, de leve.

– Tudo bem. Acho que não preciso me intrometer.

A garota deu um beijo na bochecha do outro e saiu do quarto, deixando-o sozinho com seus pensamentos, que desta vez ficavam mais confusos que antes.

Era irônico. Ridiculamente irônico!

"Se ela soubesse da verdadeira resposta..."


Notas finais
Mais assim que der. Por favor comentem, e desculpa o passado ter estado tão ruim XD
Espero que nem tenham lido.