My Salvation

1 I - Desejos negros e inatingíveis


Notas iniciais
Hello, people! Esta é a minha primeira fanfic (sem ser uma original!)! Faz um tempo que eu estava querendo escrever uma fanfic de Miraculous Ladybug e finalmente tomei coragem! Ao assistir um amv (olha a situação da pessoa, tão viciada que fica vendo amv do desenho) ladynoir + adrinette, finalmente arranjei inspiração para escrever! E vou logo adiantando, estou animada! Não será a minha primeira fic de ML! Tenho muuuuuitas ideias pra oneshots (sobretudo adrinette, pq adrinette é amorzinho) e tenho planos de colocar t-o-d-a-s no papel.

Essa fic vai ser curtinha, com uns três ou quatro capítulos no máximo. Será contada pelo ponto de vista tanto do Adrien/Chat Noir como da Marinette/Ladybug. E bem, eu vou melar bastante isso aqui, uahsuahs, vai ser bem fluffy, e eu costumo exagerar muuuuuito nas minhas descrições (sou bem melosinha), então acho que vocês vão amar isso, pq eu sei que vocês gostam de melação uwu.

Enfim, espero que gostem da fic! Tenham uma ótima leitura!

My Salvation
Capítulo I — Desejos inatingíveis (negros)
POV — Adrien Agreste

Por quê...? Por que não? Por que raios...! Eu não deveria, nunca deveria ter pedido! Eu deveria saber. Deveria saber que ele nunca me atenderia.

Plagg observava tristemente o amigo estirado sobre a cama, afogando-se em desgosto. Sabia que em sua mente rondavam pensamentos de revolta, e a dor que consumia o seu peito deveria ser imensa. Mas que poderia fazer ele...? Que poderia fazer para apaziguar a dor do amigo, ou fazê-la cessar de vez? Não seria este apenas um desejo inatingível?

Desejos inatingíveis... Eles realmente têm sido um problema. Tantos sonhos, tantos medos, tantos desejos misturados juntos, fazendo borbulhar em um milhão de cores, como um caleidoscópio, os corações humanos. Sim, os corações humanos transbordam desejos coloridos; os desejos alegres, os desejos perversos e sombrios, os desejos inatingíveis. Bons e maus sonhos. Sonhos e pesadelos.

Era assim que estava o coração de Adrien Agreste.

Transbordando.

Transbordando o quê?

Desejos inatingíveis.

Eles costumam ser negros.

A cena passava vagarosamente na mente do rapaz. Cada quadro minuciosamente analisado, as reações, as lágrimas, o furor, a raiva...

Eu me tornei tudo o que você queria que eu fosse! Era o que você queria, certo? Então, por favor, deixe-me fazê-lo! Pai, é só isso que te peço! – Depois da sessão de fotos costumeira, Adrien finalmente havia tomado a decisão de dizer o que há muito tempo guardava em seu peito, o desgosto que lentamente o perfurava, como uma faca de dois gumes nas mãos de um verdadeiro sádico.

Eu só quero ser eu mesmo! Quero fazer as coisas que eu gosto, quero estar com os meus amigos, não quero que a minha rotina interfira nos meus estudos! Quero ir ao cinema sem ser abordado por várias fãs, não quero parecer perfeito na frente das câmeras! Não quero modelar, ter meu rosto estampado na maioria dos outdoors da cidade! Só quero ser eu mesmo!

E o que isso significa? – Gabriel permanecia sentado em sua cadeira, impassível, insensível. Não via seu filho tão triste e revoltado desde a partida da mãe dele, que machucara severamente e permanentemente os dois. Ela era o coração da casa. Quando ela foi embora, a mansão dos Agreste praticamente perdeu a vida. Ele a amava muito. Sua doçura, sua gentileza, sua elegância... Jamais encontraria mulher como aquela em toda a Paris e quiçá em todo o mundo. Ela era única para ele. Cada traço delicado de seu rosto, de sua personalidade meiga. O cabelo, as mãos, os lábios rosados, aqueles portadores do mais belo sorriso. E os olhos serenos... Os mesmos olhos de Adrien. Os mesmos olhos perfeitos e profundamente verdes que o fitavam com amargura e dor naquele instante.

Não parecia, mas para Gabriel Agreste, suportar toda aquela explosão súbita de raiva — para ele, ao menos – era complicado e amargo. Amava seu filho, porém era difícil para ele demonstrar esse amor do modo que Adrien desejava. E isso era outra coisa que amava em sua mulher. Ela era a ponte entre os dois, tão diferentes. Ela conseguia lidar com sua personalidade misteriosa e reservada, um pouco amargo também, mas Adrien, apesar de ser muito parecido com a mãe, não conseguia entender o grande espaço que existia entre os dois. E isso dificultava ainda mais a relação. Mrs. Agreste era o elo daquela família...

E quem uniria aqueles dois novamente?

Talvez o pouco dela que havia neles dois...

O que isso significa? S-significa que não quero mais ser modelo! – Adrien gaguejava, mais por conta do bolo que subia por sua garganta – que nada mais era do que a amargura que lhe sufocava – do que por nervoso. Era a primeira vez que falava assim com seu pai... Como Adrien.

Certa vez, também gritara com ele quando era Chat Noir. A teimosia do seu pai já era inconcebível e intragável, imagine tolerável. Quando Simon Mandou ordenou ao seu exército que invadisse a mansão dos Agreste e, Chat Noir, preocupado com seu pai, ordenou que ele saísse e se escondesse, Mr. Agreste rejeitando as ordens que o herói preocupadamente lhe dirigira, fez com que Chat explodisse.

Ele parecia um pouco com Chat Noir...

Era porque esse seu lado falava mais alto naquele instante.

Mr. Agreste respirou fundo. E repetiu para Adrien o que sempre dissera em todas as vezes em que tocava no assunto, e também o que dissera para Nino quando este implorara por uma festa de aniversário para Adrien.

Você sabe muito bem minha resposta, Adrien, é não.— Respondeu, seco.

Mas... – O garoto interrompeu, os olhos arregalados, as mãos tremendo, o rosto vermelho e o coração cheio de tristeza. Gabriel aumentou o tom de voz ao dizer:

Eu sou seu pai, e sei o que é melhor para você. E enquanto você morar aqui, nessa casa, obedecerá às minhas ordens. – Silenciou. Adrien já se debulhava em lágrimas, o corpo todo tremia de revolta. Não conseguia responder. O bolo ainda continuava em sua garganta, sufocando-o. Rangeu os dentes, virou o rosto cansado, cerrando o punho. Mr. Agreste prosseguiu calmamente. — Creio que não haja mais nada que possamos discutir sobre esse assunto. Vá já para o seu quarto.

Adrien levantou a cabeça, impulsionando o corpo para frente e bradou a resposta final, o último grito de desespero e solidão, empurrando para fora a amargura toda presa em sua garganta:

Por que você nunca me escuta?! – Bradou alto, forte, o que assustou Gabriel e Nathalie, que estava atrás da porta do escritório, ouvindo tudo. Adrien bateu os pés fortemente no chão, saindo do escritório e batendo a porta. Não olhou para Nathalie, não queria que ela o visse daquele jeito, fraco e inútil. Mas ela olhou para ele. Importava-se muito com o garoto para não gritar o seu nome antes de ele começar a subir as escadas e fechar-se no quarto.

Nathalie! – Gabriel a chamou para dentro do escritório. Ela virou-se, triste, a cabeça baixa e os membros moles. Sua postura firme havia sido abalada pela reação de Adrien.

Sim, senhor Agreste?

Certifique-se de que Adrien não sairá do quarto esta noite. Tranque as janelas e a porta – ordenou ele.

Nathalie arregalou os olhos, assustada.

Senhor, tem certeza de que isso realmente é necessário? O garoto não iria fugir... – contestou ela, um pouco receosa.

Tenho certeza do que faço, Nathalie, e é melhor que você não conteste. Conheço bem o suficiente o meu filho para saber do que ele é capaz. É muito parecido com a mãe... — A última parte disse num sussurro, para que Nathalie não ouvisse, todavia ela entendeu, mas não comentou.

— Sim, senhor Agreste. – Assentiu ela e saiu da sala, cabisbaixa. Quando a mulher saiu, e ele já não podia mais ouvir os seus passos ecoando no corredor, levantou-se da poltrona macia, e aproximou-se do quadro de sua querida esposa. Baixou a cabeça. E desabou.

Gabriel Agreste, o mais impassível homem de Paris, encostou-se no quadro da mulher e chorou amargamente.

Como posso... Como posso eu perder duas pessoas de uma vez só?

Ele é a única parte que tenho de você.

Achou que já estava na hora de dormir. Limpou os olhos, saiu do escritório, subiu as escadas.

Teve pesadelos.

{...}

Nathalie já havia trancado a porta e as janelas do quarto de Adrien, evitando que ele fugisse para as ruas para misturar-se com as sombras de Paris como Chat Noir. A única opção que ele tinha era deitar-se sobre a cama e chorar amargamente tudo o que sentia. Pensou em ligar para Nino, porém estava tarde, e não queria perturbá-lo agora com algo que possivelmente iria irritá-lo. Já bastava que ele sofresse, não queria que Nino corresse o risco de ser akumatizado outra vez por conta dele.

Poderia parecer algo bobo para alguns o motivo da discussão deles dois, mas era que Adrien realmente sentia-se sozinho. Perdera a mãe muito novo, tinha uma relação difícil com o pai. A carreira de modelo o cansava, a mesmice, as fotos, os autógrafos, as fãs enlouquecidas. Nada disso era o que queria, mas o fazia. Primeiro, achava que era por respeito ao seu pai. Depois, descobriu que era porque realmente era dócil e submisso às vontades dele, que era naturalmente teimoso e arrogante. Por isso o fazia, e por conta desse mesmo motivo, não tinha como escapar de sua sina.

Adrien era o cúmulo da perfeição. O garoto mais desejado de Paris, um dos melhores e mais famosos modelos da cidade, filho do conceituado estilista Gabriel Agreste. Apesar de ter tudo o que podia ter, nada disso era o que desejava. E isso já seria o suficiente para fazer-se infeliz. Todavia, isso somado a toda a sua solidão, a superproteção de seu pai, a saudade da mãe, a sua falta de liberdade, a falta de amor, de amigos, de um sentido na vida, fez de Adrien Agreste, o garoto mais perfeito de Paris, o garoto mais infeliz.

Por isso amava ser Chat Noir. Salvar Paris dava à sua vida um sentido. Ele podia ser quem realmente era, não mais o garoto perfeito moldado pelo pai, mas o garoto divertido, cheio de piadas sem nexo, um pouco ousado, mas gentil, bondoso e amigo. Era esse lado seu que ele queria mostrar ao mundo. O lado do gato negro.

Queria ter todos os amigos que queria ter, queria descobrir as coisas por si só, queria maravilhar-se com o mundo e não apenas vê-lo através de uma janela. Porém, acima de tudo, queria ser amado. Por isso amava ser Chat Noir. Ele era aclamado pelo povo de Paris não por ser Adrien Agreste, mas por ser Chat Noir, o corajoso e maneiro gato negro, o maior super-herói de Paris!

Ser amado por Paris por sua verdadeira personalidade, ter a noite na palma de suas mãos era incrível, porém, a melhor parte de ser Chat Noir não era ser livre, e disso ele sabia.

A melhor parte de ser Chat Noir era Ladybug.

Estar com ela era a melhor coisa do seu dia. Ver seu sorriso, olhar no profundo dos seus olhos, sentir seu perfume quando a seguia pelos ares, segurar-lhe quando ela caía, vê-la revirar os olhos ou fazer biquinho quando ele a cantava, ouvir o doce som de sua voz, vê-la voar velozmente com seu yo-yo pela Paris, purificando akumas, salvando as pessoas. E depois ela olhava para ele gentilmente, punha a mão na cintura e lançava um sorriso de lado. Quase sempre era assim, e ele adorava isso! Adorava a sua coragem, a sua gentileza, o quanto ela conseguia ser forte e tão linda... Adorava a delicadeza de seus movimentos, a sua bravura em lutar. Jurou, desde o primeiro dia que se descobriu apaixonado por ela, protegê-la em todos os instantes com a sua própria vida.

Ao pensar em Ladybug, Adrien pode esquecer um pouco da sua dor. Ah sim, ela era a melhor parte do seu dia, sua salvação dos dias de horror.

My lady, por que você não está aqui agora?

Pensava em como seria tê-la ao seu lado, abraçá-la, mexer em seus cabelos, apertar suas bochechas oh, meu Deus, ela é tão linda!, e beijá-la. Ah, como adoraria tê-la em seus braços, ou melhor ainda, como ele desejava estar nos braços de sua lady naquele momento de amargura! Tinha certeza de que apenas um sorriso, ou melhor ainda, apenas um olhar seu poderia apaziguar qualquer dor, qualquer medo e dissipar qualquer treva que apertasse seu coração. Sim, a doçura de sua lady poderia apartar qualquer medo seu, e finalmente ele seria livre! Estaria livre para com ela voar pela Paris, ele como Chat Noir, com Ladybug em seus braços, ele seria invencível! Nem Gabriel Agreste, nem as fãs malucas, nem Nathalie, nem Hawk Moth poderiam pará-lo, desde que estivesse com sua lady em seus braços!

My lady, como eu te quero aqui agora!

My lady, por que você não vem pra mim? Estou tão só...

Preciso de você.

Mas ele não a tinha ali. E provavelmente não a teria. Ela não o amava. Ladybug o via apenas como um bom amigo, mas não como um amante. Mais uma vez, a dor lhe abateu forte, e Adrien se viu novamente sobre a cama debulhando-se em lágrimas... Sou rejeitado até mesmo pela única garota que já amei... Sou um inútil!

Plagg deitou-se seu lado, colhia as lágrimas do amigo, e com ele sofria amargamente. Queria poder transformá-lo em Chat Noir, mas as janelas estavam trancadas, Adrien estava preso novamente. Não aguentava ver Adrien destruir-se daquele jeito. Tinha de fazer algo... Tinha de salvar Adrien.

— Adrien...? – Plagg disse baixinho.

— O que foi, Plagg? – Adrien respondeu, seco. – Não quero conversar agora. – Plagg baixou a cabeça, mas logo animou-se ao ter uma ideia. Voou para uma das gavetas do armário de Adrien, abriu-a e puxou um papel: rosa e em formato de coração. Então, pôs-se a ler:

Seus olhos são verdes como a sorte, e eu te olho me perguntando
“Qual é seu pensamento, seu sonho mais forte?”
Sim, eu serei sua namorada, e nosso amor será verdadeiro,
Juntos pela eternidade, deixará meu coração inteiro.

Adrien suspirou. Plagg observava-o em silêncio. Depois de alguns instantes, disse:

— Ela te ama, Adrien. Você não está só – disse Plagg, com um sorriso tímido. Adrien olhou-o, e então sorriu.

— Obrigado. – Pulou da cama e agarrou Plagg, dando nele um abraço apertado. Plagg esguichava e se debatia em seus braços até sair voando. Adrien ria. Se vendo libertado dos abraços do amigo, exclamou:

— Bleh, tá bom, tá bom, chega! Chega de amor! – Tremeu. – Olha só, você sabe que vai ficar me devendo muuuuuuuito camembert por conta disso, né? – Plagg aproximou-se do rosto de Adrien, que gargalhava com a reação do kwami.

— Tá legal – respondeu o garoto. – Pode deixar, o camembert é todo seu.

— Viva! – gritou o kwami, tendo seus gritos abafados por Adrien quando ele o agarrou novamente, tapando sua boca.

— Shh, Plagg! Vão te ouvir! – esbravejou Adrien, cerrando as sobrancelhas.

— Argh, boa noite, Adrien! – Plagg saiu voando novamente dos braços de Adrien, murmurando: Amor, amor... Chega de amor! Garoto grudento! Plagg tremeu. – Camembeeeeeert! — Se espreguiçou, e então deitou no travesseiro do garoto, sonhando com o queijo que receberia.

Adrien estava cansado, tendo decidido também dormir. Teria um longo dia quando amanhecesse. Sessões de foto, também teria aula de chinês.

Ao lembrar-se da aula de chinês, subitamente lembrou-se também de Marinette, sua amiga, e seu tio avô, que havia vencido a competição do hotel Le Grand Paris, da deliciosa sopa da Marinette. Lembrou-se do modo com que ela envergonhou-se toda quando ele apareceu
à porta de sua casa, apresentando-se como o seu tradutor de mandarim. Fora divertido ajudá-la, Marinette era uma garota com um coração de ouro. Um pouco tímida, era certo, mas era legal! E ele gostava da sua simpatia. Pensou que provavelmente poderia ter dado uma chance a ela se não existisse Ladybug. Sua lady...

Não, não! Não podia pensar em um mundo sem a sua lady! Como poderia, afinal? Ela era tudo para ele! Sua amada, a sua liberdade, o seu mundo todo!

My lady... Ah, my lady! Você é a minha salvação.

Notas finais
Yaaaaaaaaaay, e é isso aí. Chegamos ao fim do capítulo! O que acharam? Não sei quando postarei o próximo capítulo, mas posso afirmar que o próximo será da Marinette! Não vejo muitas pessoas adentrando profundamente na mente da Marinette (isso soa estranho), e digo isso, explorando-a como a fantástica personagem que ela é, apesar de ela ser quase tão complexa quanto Adrien. Vou trabalhar muito na cumplicidade e na complexidade dos dois, como bem cabe à Ladybug e ao Chat Noir. ^-^

O amv que citei nas notas iniciais inspirou o nome da fanfic, e é o seguinte: https://www.youtube.com/watch?v=LbBZDY52-dY
Enfim, espero que tenham gostado do capítulo! Até a próxima, e obrigada por ler!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.