My Redemption
1 Prólogo
Elena
Acordo com as batidas na porta. Sete e meia da manhã. Merda, tenho meia hora para me arrumar e chegar na escola.
— Lena, você vai se atrasar. — Jamie, minha empregada gritou.
Jamie entrou e foi arrumar minha cama, entrei no banheiro, lavei o rosto, escovei os dentes e tentei inutilmente arrumar os cabelos — muito teimosos, não posso deixar de acrescentar — e então prendi-os em um rabo de cavalo, Jamie me entregou uma blusa de manga comprida em um tom meio rosa meio bege e uma calça jeans. Calcei minha sapatilha preta e depositei um beijo molhado em sua bochecha. A agradeci, peguei minha bolsa e desci correndo.
— Bom dia mãe. John. — John era meu padrasto, desde antes de eu nascer minha mãe havia se casado com ele. Eu não conhecia meu pai, minha mãe disse que ele nunca quis saber de mim. Ela havia engravidado dele quando foi para Nova Iorque fazer um curso de algo que não me lembro, mas ela largou tudo quando descobriu que estava grávida. John não gostava muito de mim, dizia que eu era uma lembrança de meu pai dentro daquela casa, sempre que ele dizia aquilo eu o ignorava completamente, afinal, ele pagava minha escola e as coisas que eu precisasse.
— Bom dia, querida. — minha mãe disse sorrindo. — Ela te desejou bom dia, John. — minha mãe o repreendeu.
— Hm. — resmungou enquanto lia o jornal. Sempre assim, porém eu não me abalava fácil, dezessete anos de convivência com alguém resulta nisso, ficar imune a tudo que essa pessoa faz para te ver desconfortável dentro de sua própria casa.
— Eu te levo, filha. Você vai se atrasar se for andando, ou pegar o ônibus. Vamos. Pegue algo para comer no caminho. — Assenti e peguei duas torradas.
[...]
— Elena, o que houve com você? — Bonnie perguntou. — Você nem é de se atrasar.
— Dormi tarde ontem. Vamos entrar antes que a gente perca o primeiro horário. Tchau Stefan. — abracei Stefan. Ele não era do mesmo ano que nós. Um a mais.
— Tchau Lena, tchau Bon. — Bonnie acenou e me puxou pelo pulso.
Bonnie e Stefan eram meus dois únicos amigos. E eu me sentia eu mesma perto deles. Como eu queria poder ter minha mãe para mim apenas uma vez na semana, passear com ela e essas coisas que mães e filhas fazem, ela sempre foi distante por causa de John, ele nunca aceitou que eu o chamasse de “pai”, porque ele disse que meu pai era alguém que ele nunca na vida dele queria ser. Eu nunca entendi isso, mas também nunca tive curiosidade de saber do meu pai, porque pelo minha mãe dizia, ele não queria saber de mim.
— Lena, você tá aérea, aconteceu alguma coisa? — Bonnie perguntou.
— Não, só tô pensando, sabe? Sobre meu pai e essas coisas de família. — ri sem humor. Bonnie me lançou um olhar triste e afagou meus cabelos. Tudo o que eu precisava.
As aulas pelo incrível que pareça passaram num piscar de olhos, eu iria para a casa da Bonnie, mas minha mãe me ligou e disse que era para eu almoçar em casa. Pedi que Stefan me levasse, já que ele morava por perto. Ele era adotado, seu sobrenome mesmo era Salvatore, porém depois que foi adotado passou a ser Stefan Pierce. Ele tinha um irmão, mas ele não deu tanta sorte, Stefan não acreditava muito, mas a polícia dizia que seu irmão mais velho havia morrido no acidente. Stefan ficou órfão aos sete anos e perdeu seu irmão de quinze.
Entrei em casa e vi a pessoa da minha família que eu mais amava nesse mundo. Jeremy. Meu irmão mais novo que estudava em um internato na Austrália.
— Jer! — corri para abraça-lo. — O que faz aqui? Era pra você estar em aula mocinho, faltam cinco meses para terminarem as aulas.
— Oi, Lena. — ele me apertou mais ainda no abraço. — O que eu faço aqui? Fui expulso do internato.
— Meu Deus, Jeremy! Como?
— Não vem ao caso. — ele disse encarando o chão.
— Você foi pego fazendo...
— Sim. Não precisa terminar a frase. Três vezes.
Minha mãe olhava para nós com uma expressão divertida no rosto, fazia tempo que eu não via ela assim.
— Seu irmão resolveu me avisar que foi expulso quando já havia chegado no aeroporto. Olha só.
— Mas será um prazer tê-lo em casa novamente, maninho. — falei sorrindo. — Seu pai só vai querer de matar.
— Eu espero que ele diga: “Orgulho do papai”. Mas ai é sonhar demais. — gargalhei.
Esperamos John chegar para almoçar. Depois de ele ter brigado muito com Jeremy, almoçamos e fiquei conversando com Jeremy quase o dia inteiro. Como eu sentia falta daquele sorriso e das piadinhas muito sem graças dele. Disse que ele podia não ser o “orgulho do papai” mas com certeza era o orgulho da irmã. Eu, ele, Bonnie e Stefan fomos ao cinema, o que resultou em sermos expulsos de lá por falar muito. Bonnie estava visivelmente encantada em como Jeremy tinha crescido e ficado musculoso e bonito. Eu ria constantemente da cara de boba apaixonada dela.
Fomos para casa e eu fiz algo que não fazia há muito tempo. Dormi bem. Pelo meu irmão, pela minha mãe estar feliz e também porque eu estava feliz.
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