My Redemption
3 Capítulo Dois — Casa e família.
Notas iniciais
Elena
Minha mãe já sabia de tudo, eu tinha acabado de ligar para ela. Ela disse que não adiantava eu fugir, John viria atrás de mim e de quem entrasse no caminho. Jeremy esperou o avião comigo e eu pedi que ele não dissesse para mamãe que sabia de alguma coisa, poderia ser pior para ele. Liguei uma música qualquer no meu celular e fiquei observando a vista até cair no sono.
— Por favor senhores passageiros, apertem os cintos. Iremos pousar.
Coloquei o cinto e esperei que pousássemos. Esperei o senhor ao meu lado levantar, coloquei minha bolsa no vão do braço e me levantei. Desci do avião e peguei minhas malas.
Avistei uma plaquinha escrito "Gilbert" e deduzi que o cara fosse o meu pai. Fui até ele e recebi um aconchegante e apertado abraço. Sorri.
— Alaric? —perguntei.
—Sim. —ele disse e beijou minha bochecha. —Como foi a viagem?
— Dormi. Muito.
— Sério? — assenti. — Perdeu a vista maravilhosa. Quando viajarmos com certeza não te deixarei dormir.
— Ai você vai ter de me aguentar de mal humor. —e era verdade, eu ficava muito mal-humorada quando estava com sono.
Ele pegou minha mala e eu carreguei a maleta e a bolsa. Colocou tudo no porta malas do seu carro — muito chique por sinal — abriu a pra mim e entrei. Ele nem parecia meu pai, era loiro, bonito e não devia ter mais de trinta anos.
— Desculpa a pergunta, mas você tem quantos anos? — pergunto encarando minhas pernas.
— Quarenta e um e não precisa se envergonhar. O que mais quer saber? — pergunta sorrindo.
— Você mora sozinho?
— Não. Lá em casa moram Damon, Tyler, Caroline e nossa governanta, porém ela vai para casa de quinze em quinze dias nos finais de semana.
— Uau. Muita gente. Mesmo.
— A casa é grande. Cuido de Damon desde seus quinze, hoje ele tem vinte e cinco. Os pais morreram em um acidente. Caroline desde os doze, ela tem sua idade. Sua mãe era uma amiga minha e morreu de câncer, o pai está preso. E Tyler é seu primo, ele tem 18. Sua tia também está presa e nem sabemos quem é o pai dele.
— Ah. — disse num sussurro.
— Carol está doida pra te conhecer. — Ok. E eu nem sabia quem ela era. Eu iria morar com esse monte de gente? Sério? Será que eu teria meu próprio quarto? Muita coisa para processar.
— Você tem namorada? — pergunto.
— Não.
— Hm.
O resto da viagem foi um verdadeiro silêncio. Fiquei tentada em perguntar o que era tão perigoso para que eu saísse do "conforto" de minha casa para vir parar aqui, mas calei a boca.
Meu pai me olhava constantemente e eu apenas encarava as janelas. Ele não puxou assunto, então eu também não o fiz. Chegamos e alguém abriu o portão. Não era uma casa, era uma mansão. Tentei não ficar de boca aberta enquanto meu pai pegava minhas coisas.
— Grande né? — perguntou me olhando.
— Muito. — respondi.
Estava ventando, então tentei manter meus cabelos arrumados, o que não estava dando muito certo. Passei a mão novamente por eles e entrei. Uma garota loira estava sentada no sofá e logo quando nos viu se levantou e veio correndo até nós. Olhei em volta. Haviam muitos quadros distribuídos pela casa. Meu pai ou seja lá quem havia decorado, tinha bom gosto.
— Ric. Elena. — a loira veio até nós e eu supus que ela fosse a tal Caroline. Ric, Alaric ou meu pai, a abraçou e beijou sua bochecha. — Os garotos já saíram. Damon disse que a polícia está feliz, o cara do carregamento é o mesmo que pegou a prefeita. Acho que eles não devem demorar.
— Tudo bem. Mostre o quarto para Elena e a ajude a arrumar tudo. Você sabe onde fica o depósito? — Caroline assentiu e anotou um endereço em um bloquinho que estava no sofá e meu pai saiu. Acenei e ele retribuiu.
Depósito? Carregamento? Pegou a prefeita? Eu definitivamente estava perdida.
— Vamos? — Caroline perguntou pegando a mala menor. Assenti subindo com a outra.
— Essa é a parte em que você me explica tudo. — falei quando entramos no quarto.
Ele era todo branco, uma cama queen size, um closet enorme e muitas outras coisas.
— Teu pai não te contou? — ela perguntou se sentando na cama. Fiz o mesmo.
— Acho que não.
— Bom... Sobre John, ele e sua mãe são sócios de um bordel, puteiro... Como preferir chamar e quando você completar dezoito, vai te por lá por bem ou por mal e quando fizer vinte, eles irão fazer o que sempre fazem: irão te matar por não servir mais, é o acordo deles com o dono. Você é a moeda de troca deles. A garotinha preciosa.
Então era isso? Era impossível de desconfiar dos dois. Mas até que Caroline podia estar certa. Nós mudávamos de casa constantemente e de cidade também, tudo isso por causa de mim. Eu nem era tão gostosa assim, ou desejável, eu era apenas eu.
— Minha mãe concorda com tudo isso?
— Claro. A ideia foi dela, pelo que seu pai contou. John gostava de apostar e fez uma aposta errada, o bordel era como um cassino também, então sua mãe disse que quando você completasse seus dezoito você poderia ir para lá e então eles viveriam em paz. Por isso teu pai nunca pode te visitar. De início, foi por puro ciúme do John, mas depois foi por isso. E sobre teu pai, acho que Damon prefere contar essas coisas. — ela riu e se levantou, pegando minha mala e abrindo na maior naturalidade. Pensei em impedi-la, porém, ela parecia querer me ajudar e eu claramente precisava de uma amiga.
Comecei a pensar em Jeremy e na minha mãe, o que me resultou em algumas lágrimas que Caroline logo fez questão de secar sem perguntar o porquê. Ela me abraçou e eu pude ver o quão animada ela era.
— Lena. Vem, me ajuda a arrumar tuas coisas. Pode ir ajeitando tudo do teu jeito que eu vou guardando as roupas. — assenti e peguei uma foto minha com o Jeremy de quando éramos mais novos.
Coloquei na escrivaninha que ficava perto da porta. Vi um notebook que deduzi ser meu e alguns livros em uma prateleira que eu pretendia aumentar. Caroline arrumava minhas roupas na maior facilidade e disse que eu precisava fazer compras para ficar ao “estilo Nova Iorque”.
Ficamos boas duas horas lá arrumando as coisas e conversando. Ela me contou sobre Tyler, o tal do meu primo que era meio que namorado dela. Ela gostava dele e ele sentia o mesmo, só era um babaca e fazia umas coisas que a magoava as vezes.
Vi da janela o carro de meu pai e mais um outro chegarem, descemos e esperamos na sala. Eu iria conhecer os garotos. Meu pai entrou primeiro e depois vi um cara que parecia que tinha escrito na testa: “sou gostoso, autoritário e super sexy”. Olhos azuis, cabelos meio bagunçados/meio arrumados e um sorriso pra lá de sedutor, pedi a Deus que ele não fosse o Tyler. O outro veio logo atrás, cabelos pretos e olhos escuros. Muito bonito também. Beijou Caroline, então deduzi que fosse o priminho.
— Você deve ser a Elena de que tanto falam. — o bonitão dos olhos azuis estendeu a mão para mim. Peguei na mão dele e esperei ele fazer a menção de soltar. —Sou Damon. — assenti e sorri para ele. Graças a Deus, pensei, não era namorado da Caroline nem meu primo.
— Então essa é minha prima? Beleza é de família. — Tyler disse e me abraçou. Meu pai riu e Damon murmurou um “ah, coitado”. Caroline estava com um sorriso de orelha a orelha. Pelo visto eu tinha mesmo encontrado minha família.
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