My Red Dress
6 Everything You're Not
O tempo passou. Agora eu estava me apresentando pra uma multidão, perdendo contato com meus pais a cada dia por conta da agenda lotada, quase não vendo Shannon (essa é a parte boa, já que ele começou a beber descontroladamente e fumar, também não estava se cuidando mais). Meus fãs pedem pra eu deixa-lo. Se elas soubessem o quanto eu tenho medo. Essa já foi a décima nona vez que eu mudei meu cabelo. Max não deu sinal de vida, Fred está começando a fazer shows e estou muito orgulhosa dele. Agora estou com 17 anos, prestes a fazer 18. Já tenho 5 clipes e alguns premios. Um CD com milhões de cópias vendidas e outro CD pronto pra ser lançado.
Quando Shannon voltou pra casa, lembrei de quando o conheci. Ele estava com o mesmo tom fofo e romantico.
-Hoje quero te levar pra um lugar muito especial, que foi parte da minha infância.
-Vamos pra casa de campo da sua família? -o olhei assustada. Ele disse que nunca levou uma namorada lá, só a que realmente ele amaria.
-Sim! Coloque sua melhor roupa. De preferencia vermelha. -era a cor favorita dele, aceitei o convite. E eu tinha um vestido lindo vermelho, seria aquele mesmo que usaria.
Passei o dia inteiro no notebook. Li algumas noticias malvadas sobre Fred. E como eu viajo muito, li que eu estava traindo Shannon e tudo mais. Tomei banho, me arrumei, não demorei muito e já estava pronta, desci as escadas e ele estava com duas taças de vinho. Algo me disse pra eu não beber, mas ele insistiu. O gosto não lembrava muito de vinho, mas não quis comentar sobre.
-Vamos amor? -ele sorriu e fomos até o carro. Perguntei se ia demorar muito pra chegar e ele disse que em menos de 2 horas estariamos lá. Logo quando ele ligou o carro me deu uma vontade enorme de dormir, e foi assim que eu fiz. Só acordei no outro dia deitada numa cama imunda, num quartinho velho cheio de coisas quebradas. Entrei em desespero, oque Shannon fez comigo? Tentei gritar mas estava rouca, quase sem voz. Tentei me levantar mas estava presa, então comecei a tentar fazer bagulho.
-Bom dia meu amor. Dormiu bem? -Shannon entrava naquele nojo de quarto com uma faca. Fiquei mais desesperada. Apenas olhava pra ele. -AH! Que cabeça a minha né? Você está sem voz! -ele deu uma gargalhada. -Sua burrinha, querendo tomar meu sucesso. Jájá sua voz volta ao normal ok? Mas irá pensar muito bem a partir de hoje ao aceitar qualquer convite de shows. -ele se aproximou brincando com a faca, se sentou na cama e colocou o pano amarrado no meu punho um pouco acima do meu braço. E se pôs a mover a faca em cima de meu pulso. O sangue saia a cada movimento que ele fazia pressionando a lâmina afiada.
-Oque eu te fiz? -eu consegui falar em meio as lágrimas.
-Fingiu me amar. -ele parou com os cortes no braço esquerdo, desceu novamente com o pano que me amarrava, meu braço ardia e eu estava com ódio de Shannon, nunca dei motivo nenhum pra ele fazer isso comigo.
-Eu te amava. -eu disse observando ele se movendo na cama para terminar o trabalho no outro pulso. -Como você tem coragem de fazer isso comigo?
-Fiz a mesma pergunta para meu pai quando tinha 9 anos. -agora ele que chorava. -Ele disse que me amava e fez isso comigo. Então eu prometi fazer a mesma coisa com a garota que eu amaria.
-SEU MALUCO! -eu gritava, não estava mais sentindo nada. Apenas ódio por aquele ser humano que eu não reconhecia mais. O telefone começou a tocar, era o telefone dele. Depois de atender e permanecer calado a conversa inteira, ele saiu daquele pequeno quarto e foi embora, pude escutar o carro se distanciando. Eu chorava cada vez mais, gritava pedindo ajuda mas nada! Estava com raiva de mim, o quanto eu fui idiota, burra, não acreditei nas pessoas que realmente me amavam. Shannon quer me matar, ele me machucou, ele me destruiu, me tornou um monstro e agora quer me matar. Ou será que eu mesma fiz isso comigo? O que machuca mais é que eu vou embora sem falar com Max. Eu o amo tanto. As noticias vão ser horriveis, meus fãs vão ficar horrorizados. Sem entender nada. Eu precisava sair dali mas não sabia onde Shannon tinha colocado minha bolsa, onde estava meu celular, agora eu só tentaria me desamarrar daquela cama imunda. Cada movimento que eu fazia o pano se rasgava, era um pano velho então em poucos minutos aquilo estaria completamente rasgado. E eu consegui me soltar, fiquei olhando para meus pulsos e algumas lágrimas caiam em cima dos cortes. Vou desistir de tudo! Voltar pra casa dos meus pais, ficar com quem eu amo. Se ele quiser olhar pra mim ainda. Escutei uma música barulhenta, era rock pesado, era o toque do meu celular. Procurei por todo aquele pequeno quarto e consegui achar atrás do armário caindo aos pedaços. Bom lugar pra se esconder um celular hein Shannon. Na hora que fui atender, ele parou de tocar. Retornei e quase não reconheci a voz.
-Alô? Socorro Fred! Vem me buscar por favor. SOCORRO! -eu dizia aos prantos abrindo a porta e encarando uma estrada deserta. E possivelmente interditada.
-Não é o Fred.
-Então quem é? Pelo amor de Deus, seja quem for, me ajuda! Socorro, eu fui sequestrada pelo meu ex... ídolo. -a pessoa desligou quando o telefone começou a chiar. O que restou foi rezar para quem atendeu me busque, que rastreie onde estou, por favor! Quando torci os dois dedos, meus pulsos sangraram mais ainda. Era muito sangue que eu tinha perdido e estava perdendo, fiquei com medo de morrer, mas se eu morresse, Shannon não poderia fazer mais nada. Então fiquei com medo de amor. Não vou mais amar ninguém! Cantei a música mais conhecida de Shan. Só pra mim, não ouvia minha voz. Me desliguei de pensamentos, meus olhos turvos, escurecendo a cada melodia alcançada... e desmaiei. Acordei numa cama de hospital.
-O pesadelo acabou? -abri os olhos com dificuldade. Estava cheia de aparelhos conectados a mim, todo corpo, meus braços principalmente. Aquelas agulhas me espetando e um cheiro de comida ruim. -Fred...
-Não é o Fred, novamente. Não fala nada, fique calma. Tá tudo bem. -era o dono do sorriso mais lindo do mundo.
-MAX? -estiquei meus braços e levantei rápido da cama mas estava sem forças então cai novamente.
-Pequena, calma! Não fala nada, você está fraca. -ele deu um beijo na minha testa.
-Como você me achou? -peguei folego, suspirei. -E eu estou bem, agora estou muito bem. -dei um sorriso e pisquei lentamente.- Eu consigo falar.
-Fred estava saindo da minha casa e esqueceu o celular lá, ele deve estar pegando o avião agora, vindo pra cá. Ele iria começar uma turnê, ai soube oque tinha acontecido com você e cancelou tudo. -ele colocou sua mão sobre a minha.
-Que bom que você acordou! -o médico entrou no quarto sorridente.- Você é um milagre, sabia? -não entendi oque ele disse fiz uma cara estranha. -Durante seu desmaio, você parou de respirar. Foi quando a gente chegou e tentou te reanimar. Seu caso foi grave. Perdeu muito sangue, está fraca. Por isso não faça esforço nem fale muito.
-Obrigada. -suspirei novamente.
-Agradeça a ele. -o médico apontou para Max.- Antes que gaste energia perguntando isso, você só será liberada semana que vem. Shannon já está preso e seus fãs sabem de tudo e estão aqui embaixo.
-Alguns querem até subir. -Max sorria.
-Por favor. Posso vê-los?
-Doutor, ela não cala a boca! Impossivel manda-la ficar quieta. -Max falou, logo olhou pra mim e sorrimos ao mesmo tempo.
-São muitos que estão aqui embaixo. Você quando vê-los, vai querer conversar, e isso só fará você ficar mais tempo aqui. Combinamos assim... Se amanhã você estiver bem, eu chamo alguns para subir ok? -ele sorriu e eu concordei balançando a cabeça.
-Agora descanse. Eu vou ficar contigo até o fim. -Max sorria e beijou minha testa de novo.- Amanhã vamos conversar sobre tudo. Ah, e eu li sua carta.
-Eu... eu... -tentei falar mas fui interrompida por ele.
-Te amo, minha princesa. -sorrimos ao mesmo tempo e nos comunicamos pelo olhar. Enquanto dormiamos, ele não deixava de segurar minha mão. Mesmo várias enfermeiras entrando no quarto para me dar medicamentos na veia consegui dormir bem. Fui acordada no outro dia com uma visita inesperada. Era Shannon e dois policiais. Ele estava com as algemas e todo machucado. Principalmente sua cara. Estava todo roxo de hematomas. Os policiais me explicaram o porque daquilo, ele foi encontrado na rua cercado por uma gangue que o batia. Impossivel não rir, dei uma gargalhada altíssima e até o policiais me acompanharam. Não consegui fazer contato visual com ele.
-Posso falar com você? -aquela voz ridicula soou.
-Contanto que não se aproxime de mim. -falei olhando pra parede. Minhas forças estavam recuperadas. Estava com um pouco de preguiça, os medicamentos davam preguiça, sono e alguns vontade de fazer xixi. Ainda recebia soro, mas não quanto ontem. Já não tinha tantas agulhas no meu braço e os cortes estavam se fechando rápido por causa da quantidade de curativos que estavam fazendo desde ontem. Estou me recuperando tão rápido que talvez seja liberada até mais cedo do prazo.
-Me desculpe. Eu te amo, e quero você comigo. Pra sempre.
-Eu quero um cavalheiro que me trate como uma rainha, nesse caso princesa. -olhei para Max.- Eu preciso de respeito, preciso de amor. Nada mais entre isso. Eu não vou jogar isso pra você, se você não puder ver. Porque não vale, não me merece. E agora eu já fui. Já fui sua.
-Oque você quer? -ele me olhava sério.
-Tudo o que eu quero é tudo o que você não é. -meus olhos se encheram de lágrimas e os policiais o levaram embora.
-Minha linda, está tudo bem agora. -Max me abraçou, aquele abraço... que saudade! Me sentia segura, ele passava uma positividade, me deixava tão leve.
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