My Queen
1 Capítulo Único: Minha rainha
Notas iniciais
MY QUEEN
Capítulo Único
Era um mundo cruel. Um mundo onde as pessoas sofriam demais e derramavam lágrimas demais. As pessoas esperam que não haja mais esperança, mas há. Levi nunca perdeu as esperanças, sempre achou que teria um jeito de salvar a humanidade.
Isso até toda a sua equipe morrer em missão.
Sentia-se assombrado. A culpa pendendo em seus ombros. Ele não era um homem de mostrar suas fraquezas, mas parecia que cada ação estava carregada de lembranças. As memórias de seus amigos vinham com força total, especialmente quando estava sozinho.
Entrou no quarto perfeitamente arrumado e seu olhar foi automaticamente para os lençóis devidamente limpos e passados em cima da cama. Como aquilo tinha parado ali? Tinha certeza que não tinha sido ele a fazer aquilo. Geralmente quem fazia isso era... Petra.
Engoliu em seco e fechou os olhos. Caminhou devagar na direção da cama e desabou, os cotovelos apoiados nos joelhos, enquanto as mãos tampavam o rosto, que no momento, possuía uma expressão sombria.
Qual era o seu maldito problema?
Ao invés de ficar se lamentando, de ficar se martirizando, deveria estar fazendo algo para que as mortes dos seus companheiros não fossem em vão. Ainda assim... Estava ali, choramingando como uma criança, pensando como as coisas poderiam ter sido diferentes se tivesse deixado Eren enfrentar a titã fêmea. Acreditava tanto neles, tanto.
Porém, não fora o suficiente.
Isso estava o matando. Querendo ou não, estava perdendo as esperanças. Será mesmo que o mundo teria salvação? A humanidade realmente podia lutar contra os titãs? Isso não era apenas uma babaquice, uma mera ilusão das pessoas? Será mesmo que ainda valia a pena lutar?
— Sabia que você estaria desse jeito patético.
Era Hanji, ele reconheceu sua voz. Levantou os olhos para ela, uma pergunta implícita em seus olhos cinzentos.
— Eu já estava aqui — explicou. — Lavei seus lençóis, sei que era Petra que fazia isso, assim como sei que por mais que você seja um idiota obcecado por limpeza, não queria fazer isso, porque lembraria ela. Então eu fiz — emendou.
— Não precisava... Você é ocupada — murmurou em um fio de voz, evitando olhá-la nos olhos. Hanji era especialmente boa em lê-lo, porque de todas as pessoas, com certeza era uma das que mais o conhecia. — E você mal arruma suas coisas, porque diabos iria arrumar as minhas? — perguntou carrancudo.
— Você não precisa fazer isso — disse com sua voz grave, mas sem aquele tom alegre que era característico. — Não precisa sofrer sozinho — continuou, andando a passos lentos até ele, que continuava sentado na cama, dessa vez olhando-a nos olhos. — Nós todos somos humanos, sabe?
— Não sei do que você está falando — negou, desviando o olhar.
Hanji soltou um suspiro e deixou um sorriso escapar. Terminou de cruzar os poucos metros que os separavam e ainda de pé, passou os braços em torno do pescoço dele, puxando-o em direção ao seu busto.
— Quero dizer que todos temos sentimentos. Você não precisa ser durão o tempo inteiro — murmurou, os dedos entre os cabelos castanhos e lisos. — Você tem a mim, se você quiser chorar, eu vou estar aqui com você, Levi. Não posso e nem quero substituir os seus companheiros, mas meu amor eu posso te dar, é a única coisa que posso te dar.
Os braços dele também a envolveram, apertando-a ainda mais. Sentindo o cheiro limpo... Concluiu que ela tinha tomado banho em seu banheiro e por isso não tinha a visto quando entrou. Eles tinham um relacionamento estranho, mas Levi gostava assim. Não precisavam ficar trocando carinhos em público, juras de amor o tempo inteiro. Tudo que precisavam, eram um do outro.
As poucas vezes que disseram que amavam um ao outro seria o suficiente.
Em que raios ele estava pensando? Perder as esperanças? Desistir? Por que ele faria isso quando ainda tinha a mulher que amava?
— Obrigado — agradeceu baixinho com os olhos fechados, sentindo o carinho único em seus cabelos.
— Não precisa agradecer, eu falo sério.
— Não vou deixar que você morra, Hanji. Escute bem, porque essa vai ser a primeira e a última vez que falarei isso. — Afastou-a, fazendo com que olhasse diretamente nos seus olhos, levantou e sem cortar o contato visual, continuou: — Você é minha rainha. Eu vou continuar lutando, por nós, pela humanidade.
— Eu sei que vai, eu sei...
— Quero que nossos filhos vivam em um mundo bonito e não em um mundo cruel como esse.
— Filhos? — perguntou com as sobrancelhas arqueadas.
— Você não quer? — replicou, o humor habitual retomando ao seu tom de voz.
— Eu não disse isso. — Sorriu maliciosamente.
Ela abaixou o suficiente para que seus lábios se encostassem. Beijaram-se calmamente, os lábios dele explorando os já conhecidos com maestria, dando tanto prazer com aquele simples ato. Uma das coisas que ambos tinham aprendido naquele mundo, era que cada ato, por mais singelo, por mais pequeno que fosse, valia muito.
Empurrou-a devagar na direção da cama, tirou os óculos do rosto feminino e acariciou levemente. Os olhos grandes e castanhos encararam ele, o cabelo solto esparramado no travesseiro dele.
Levi gostou dessa visão.
— Você não acha que é um pouco cedo para isso? — referiu-se ao fato de começarem o processo de fazer filhos.
— Foda-se.
No fim, ele sabia que nada poderia substituir a perda dos seus companheiros. Eles estariam em sua memória para sempre e ninguém podia mudar isso. Mas continuaria lutando, para que nada tivesse sido em vão, para que todos os sacrifícios valessem a pena. Continuaria lutando por Hanji, por eles.
O amor pode salvar alguém?
Sim.
O amor pode dar esperanças a alguém?
Sim.
Porque Hanji tinha dado tudo isso a ele. E ela era a sua rainha.
A rainha do seu mundo.
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