Notas iniciais
Primeiramente, devo avisar que eu não vou postar capítulos com muita frequência, pois prefiro capítulos mais longos e bem trabalhados... Bom, é só. Obrigada por lerem! :3

High School Vincent

12:45

Sala 01- Primeiro ano do ensino médio.

Muitas coisas acontecem na vida de pessoas que a julgam como chata, já percebeu? Para mim, a vida era só uma palavra para resumir o que estávamos fazendo naquele mundo horrível a qual amamos e chamamos de “Lar”.

Eles respondem: “Estamos vivendo!”, mas é uma grande mentira.

Não vivemos para viver. Vivemos para fazer coisas. Para mudar o rumo da história, para ter nossa família, envelhecer, e também para morrer no fim de tudo. Você pode dizer que isso significa “viver”, mas isso só significa ser uma pessoa normal na merda que é o mundo.

Nunca mudei esse pensamento, e acho que não vou mudar. Mas, por um tempo, tive que parar de pensar nisso e me preocupar mais em outras coisas, como o que fazer da vida.. Complicado, não acha?

Rabiscando em meu caderno durante o final da aula, notei o professor me olhando como se estivesse me metralhando. Levantei os olhos, e ele se virou para o quadro.
-Tsuka, responda para mim, onde fica isso? –Disse ele, apontando para a Grande muralha da China.

-Meu nome é Tsuki Hollwing. E eu acho que isso fica na... Alemanha. –Falei, sorrindo, e todos riram. –Brincadeira, é na China.

-Muito bom, pelo menos. Ganhou meio ponto por responder apenas uma vez. –Disse o velho gordo de olhos cinzas e cabelo grisalho quase careca, que se retirava da sala juntamente com alguns alunos.

Hoje eu teria uma aula a mais, um reforço que a direção me colocou. O Melhor de tudo, é que o Liu também faz esse curso. Soltei um sorrisinho quando um garoto alto, de olhos verdes entrou na sala que tinha sido expulso na aula anterior e olhou para mim. Ele seguiu para a carteira em minha frente, se virou, e mostrando a fileira de dentes perfeitos e começou a falar:
–E Ai, Lua? Como vão as coisas? -Disse ele, colocando uma mecha de meus cabelos roxos para trás de minha orelha. Sorri e senti meu rosto ficar vermelho.

–Estou bem, Liu. Minha tia falou comigo á algumas semanas, disse que iria para a minha casa... -Falei, fazendo uma careta, ele riu, e também ri sem jeito junto a ele. –Mas, e você? Seu irmão, ele...

–Está bem... ficou meio estranho enquanto ficou lá em casa, mas ficou bom. –Disse ele, sem jeito.

O Irmão de Liu... Eu não sei quem ele é. Só sei que ele é mais velho que o Liu, e só. Pelo o que ele disse, o irmão dele nessas semanas apareceu em casa com um braço quebrado – O Irmão do Liu é desses: Some, e quando acontece alguma coisa volta com o rabo entre as pernas.

Abaixei a cabeça quando notei que Liu não queria falar sobre isso. Então, para não deixar o silêncio dominar nossa conversa, comecei:

–Bom... estamos no intervalo... estaria afim de, sei lá... Comer uma pizza cuja a receita foi dividida em quatro vezes formando pizzas que não matam a fome de ninguém, do sabor calabresa, e uma latinha de Guaraná Antártica comigo no refeitório enquanto... bem, eu ia falar que seria um garçom que ia nos servir, mas na verdade vamos ter que, de todo o jeito, ficar na fila atrás de uma daquelas garotas que levam o dinheiro do lanche em moedas de 5 e 10 centavos, ou do gordo que levou dinheiro para comprar a lanchonete inteira. –Falei. Ele riu, acho que eu falei explicado de mais. É uma mania, levar tudo no Literal.

–Pois bem, senhora. Mas... eu não gostaria dessa bebida. Preferiria uma Água com essência de Noz de Cola juntamente a Gaz, Cafeína e Açúcar. –Falou, brincando.

–Seria uma honra, mas eu ainda gostaria de uma Água com Gaz, feito com Guaraná e Bem gelado.

–Esse papo ta tão nerd que meu professor de Ciências ta gostando.

–Amo isso. –Falei rindo, e nos dirigimos até a cantina.

Na nossa escola, o recreio – Sim, recreio. Foda-se. – É de 30 minutos... Então dá para fazer muita coisa. Eu e o Liu preferimos ficar no canto da quadra brincando no celular, e esquecer que a gente ainda tinha aulas.

Liu é um rapaz bonito, esperto. Mas ele é dois anos mais velho que eu, e repetiu uma série duas vezes quando era mais novo. Ele tem os cabelos loiros lisos, mas que no momento estavam bagunçados. Aposto que ele nem tocou na escova de cabelo quando acordou. Os olhos verdes dele brilhavam junto com o Sol e me pareciam bem semelhantes com a cor da grama onde estávamos sentados conversando. Por minha sorte, na escola, usa o uniforme quando se quer. Ele usava uma camiseta de uma banda que eu não consegui identificar, mas deveria ser Green Day. Usava por cima um casaco até pesado, de estilo militar e o zíper só estava fechado até metade do seu tronco. Suas calças rasgadas e Vans meio acabados estavam formando uma combinação perfeita, principalmente por causa de quem estava vestindo-as.

Eu não acredito que esqueci de alguns detalhes que foram as primeiras coisas que eu vi: Ele tem um piercing na boca. A argola preta do lado direito da boca o dá um charme a mais naquela região. Juro que fico encarando aquilo durante a aula, imaginando se tem gosto de metal, ou se você não sente nada. Ele tem dois metros de altura. Não, mentira, ele tem 1,80, ou mais. Ele é bem, bem alto mesmo. Quando eu abraço ele, meio que minha cabeça fica na altura do peito dele. Tipo, não é meu ouvido que fica naquela altura, é a minha cabeça mesmo, entende? Eu tenho 1,47 de altura. Mas eu digo que tenho 1,50, só para arredondar... Altura, a gente arredonda para cima, e também, quem tem “1,47” de altura?

Notando que a conversa estava começando a ficar do tipo “Sim” “Hurum” “Tá” e “Claro”, abri meu bloco de notas no celular onde haviam algumas frases que eu havia escrito enquanto estava de madrugada encarando o teto. Comecei, então, a falar, e notei que Liu havia pausado o seu jogo para prestar atenção:

– “Vá para um lugar onde ninguém sabe o seu nome, e lá finja ser outra pessoa. Com sorte, ninguém que te conhecia vai aparecer por lá.” –Falei, e percebi ele me fitando.

–Hum.. Isso é bem a sua cara, sra. Tsuki. –Falou Liu, notei um tom de brincadeira em sua voz. –Mas não tanto.

Sorri. Ele percebeu que a frase não era minha... talvez ele realmente me conheça bem.

–“Final Feliz é o Escambau.” –Agora, foi a vez dele rir.

–Eu postei isso no Face.

–Sei disso... eu dou CtrlV nas suas frases.

–Você tem uma pasta só com prints meus que eu sei. –Disse ele, também abrindo as notas de seu celular; Ele também tinha essas frases originais. –Vamos, fale uma frase sua.

–“Um gato preto cruzando seu caminho significa que ele está indo a algum lugar.” –Falei, e ele caiu em risadas. Ele era fácil de alegrar, e o sorriso dele alegrava a qualquer um, até mesmo a mim.

Após o loiro que eu sempre irritava dizendo que era “Oxigenado”, voltar a respirar parcialmente, falou uma das suas:

–“Eu estou deixando falarem, acharem, especularem e pensarem. Se tem algo que a vida me ensinou é que nunca vou contentar todo mundo, mas se eu conseguir estar em paz comigo mesmo, já é o suficiente.” –Ao terminar de falar, ele voltou a ficar sério, olhando para a tela do celular, então, eu exclamei enquanto tudo estava silencioso:

–“O amor é importante, porra!” –E Então, nós dois rimos em conjunto.

A semana não estava tão boa; de acordo com as cartas que meus tios me mandavam –Sim, Cartas, pois geralmente vinham juntas com presentes e etc. –, as coisas não estavam muito bem. Despesas de mais... Eles moram na Rússia, e estou falando de meus tios por parte de pai.

Minha descendência eu considero bem bonita: Russos e Japoneses. Enquanto meu pai, Russo, fora para uma entrevista de trabalho no Japão, conheceu lá minha mãe, e os dois que acabaram tendo que trabalhar no mesmo setor, se conheceram e se casaram alguns anos após um longo, –e Clichê– namoro. E ai, eu nasci. Com uma estranha mutação que fizeram meus cabelos nascer com uma estranha cor de roxo. Meus olhos, Castanhos. E com a pele branca como papel. Pequena, e sem corpo. Uma criança perfeita para sofrer bullying, não acha?

Para explicar melhor, após uns exames, deram que a minha melanina “trocou” de lugar. Enquanto era para meus olhos nascerem roxos, e com cabelos castanhos, o contrário aconteceu. Sim, sou uma aberração, e, agora que cresci e tenho 15 anos, digo que eu pinto o cabelo, só para não ser tão estranha... não que mude tanto. Só os questionamentos que diminuem.

Antes que pergunte o que aconteceu com meus pais, eu falo: Foram mortos por um Killer. O que eu mais odeio e que é mais aclamado pelas Fangirls: Jeff the Killer.

Ô filhinho da puta...

Isso aconteceu quando eu tinha “apenas” 6 anos.. 9 nos atrás. Tinha voltado da excursão da escola, e precisava mostrar para os meus pais o jarro de argila típico que uma criança de 6 anos que mora “No mundo da lua” sabia fazer: Torto, sem lógica e idiotamente colorido nos tons que meu pai e minha mãe mais amavam: Verde e Vermelho. Ao entrar no quarto onde eles, supostamente, estariam dormindo, alguém escorrega em uma poça de água, quebrando o jarro. Até ela perceber que não era água, e, claro, o que mais? Sangue. Não só ali, como em todo o quarto. Jatos de sangue que foram disparados em todas as direções, ou jogados de propósito, e o corpo de um homem de idade adulta, cabelos negros e olhos claros de pele clara um pouco queimada, junto a o corpo de uma mulher magra, com cabelos negros longos e olhos piscina que agora estavam fechados, estavam completamente destripados jogados na cama.

Depois de gritar e cair em lágrimas, a tia –Materna– da criança brota e, desesperadamente, liga para a polícia da sala. Eu estava quase desmaiando perto do corpo dos meus pais quando alguma coisa ou alguém saiu de debaixo da cama, e após me segurar para eu realmente não me “estabacar” no chão, foi para a sala. A minha tia também morreu naquele dia, e a polícia não demorou muito para chegar. Acordei um pouco quando várias pessoas entraram no quarto, e as enfermeiras tentavam me fazer acordar de verdade, sem sucesso, e eu desmaiei. Só acordei no hospital, e por queda de preção, desmaiei novamente após me darem a notícia que minha família por parte de mãe havia sido assassinada na mesma noite, exceto por mim.

Meus tios paternos não eram muito vistos por mim, mas eu morei com eles na Rússia até meus 12 anos, quando voltei a América para morar sozinha. Acho que o Jeff –Provavelmente a pessoa que saíra de debaixo da cama– iria voltar ainda para me matar, mas a polícia chegou e ele teve que fugir. Ou eu era uma presa fácil de mais e ele queria que eu sofresse pelo resto da minha vida. Conseguiu.

A semana está ainda pior porque não se teve mais assassinatos dele faz alguns dias, isso significa que ele pode, realmente, estar em qualquer lugar. Liu não gosta de falar sobre ele, mas ele parece saber boas informações sobre ele que não quer contar a ninguém.. Vadio Loiro Oxigenado.

Antes de decidirmos começar a cantar “Amanhã é 23”, do Kid Abelha –Que, para mim, é uma das únicas musicas que me faz chorar–, o sinal toca. Um terrível som agudo demorando alguns segundos que pareciam eternos para mim ecoavam em minha cabeça. Era irritante e, se algum dia minha escola marcar algum momento para explodir tudo o que a gente não gosta, eu pouparia a escola e só explodiria aquele sinal velho que infelizmente nunca deu problema. Arg..

Tivemos, então, que voltar para a sala. A aula agora era de Matemática, e como AMAMOS matemática, fizemos questão de ser expulsos da sala.

Era até legal, pois a gente meio que dava desculpa e saia da escola. Depois voltávamos para não levar falta.. –Sim, eu imitava a letra da professora muito bem.

E depois muitas aulas chatas, o fim do dia. O melhor momento do dia inteiro. Decidi que hoje iria para casa sozinha, facilitando a vida e a audição de muitos motoristas de ônibus escutando as merdas que eu e o Liu falamos. Cheguei em casa até cedo, pois decidi pegar um taxi –Mais caro, mas mais rápido.

A minha rua é até estranha. No fim de uma rua que, seguida reta, daria em um cruzamento, entrando em uma rua de terra com dois caminhos distintos: Um para direita, e um para esquerda. É a parte do extremo-norte, então as árvores só ficam bonitas na primavera. Agora, no outono, estavam magras e esqueléticas. As únicas pessoas da rua estavam andando sozinhas, e outras estavam de bicicleta na rua parcialmente molhada da chuva ainda da noite anterior.

Minha casa é uma daquelas que seus tios compraram para você só para você se sentir realmente sozinha. Gigante e solitária, já que era a única daquela altura. Uma árvore na frente do muro médio, sem quase nenhuma folha, e a grade enferrujada na frente, mostravam uma casa também bem cuidada, e luxuosa. Tudo o que uma garota de 15 anos típica da América gostaria. Só que eu sou da Rússia, então não é o que eu quero. Se eu pudesse, moraria com meus tios. Mas eles são uns sacos, foi mal.

O local é mais agradável por dentro; De entrada, a sala de estar, grande. Em um canto, perto da escada que dá tanto ao 1º quanto ao 2º andar, um armário onde eu colocava roupas do tipo casacos, botas, algumas malas de viagem e etc. Mais adentro, ainda no térreo, a cozinha Americana era junta a sala de jantar, que era separada da sala por uma parede com uma abertura em seu meio, como janela. Joguei a mochila cinza simples no sofá em L que ficava de um lado da sala, e fui em direção a cozinha que tinha, no balcão, várias cartas jogadas. A Janela estava fechada, e quando eu sai de manhã, eu tinha certeza que tinha deixado aquilo ali empilhado. Peguei algumas cartas.

–Eu já paguei essas contas, deveria ter jogado isso tudo fora. –Falei mais para as paredes do que para mim mesma.

No total, são 5 suites na casa. Apenas um quarto eu uso, literalmente, como porão. Entrei na primeira suíte, a que eu geralmente usava. Tirei o Uniforme, ficando só de roupa de baixo. Peguei a toalha em cima da cama desarrumada, e entrei no banheiro. Que comece o ciclo de sempre: Tirar o resto das roupas, soltar o cabelo amarrado, tirar um pouco do lápis preto e colocar a música no celular no volume máximo. Enquanto tocava uma música em inglês, me sentei em baixo do chuveiro, e cantei junto. De olhos fechados, engolia a letra da música como legumes.


“Ultimamente, eu tenho, eu tenho perdido o sono;

Sonhando com as coisas que poderíamos ser.

Mas, Baby, eu tenho me esforçado.

Sentado, não mais contando dinheiro,

Contaremos Estrelas.”


Claro, Liu veio em minha mente. Me imagino deitada na grama ao seu lado, segurando a sua mão e tentando contar estrelas. Noto um sorriso se formar em meu rosto, que foi espantado para longe com o barulho de algo caindo na cozinha na parte de baixo.

Terminei em segundos o meu banho, e fui, ao mesmo tempo que colocava uma roupa, descendo até a cozinha. Estava tudo em ordem.

E isso que era estranho.

As cartas agora estavam organizadas, e as cadeiras da mesa, que eu não havia citado, estavam agora arrumadas. Olhei em volta, e a janela agora entreaberta me assustava um pouco com o barulho do vento. Ainda estava cedo, do tipo, 6 horas. Mas estava escurecendo.

Escutei um barulho, agora vindo da sala, e corri até o local. Estava tudo normal, exceto pela TV ligada em um canal sem sinal fazendo um chiado horrível. Fui até o controle e mudei de canal, começando a abertura de um de meus seriados favoritos: Dr. House. Hoje teria um ep. Especial, foi sorte eu ter mudado para esse canal. Sorri, e me sentei no sofá. Abracei a almofada, e, como uma típica retardada, cantei a abertura com as silabas “pam” e “tam”.

Enquanto ainda olhava por cima dos ombros a janela atrás de mim, notei uma movimentação, e como uma boa curiosa, fui em cima. Era uma borboleta um pouco perdida pela luz da TV. Coloquei-a na mão, olhando seus tons de Roxo e Castanho, lembrando a mim mesma, e a soltei em meio a noite. Em poucos segundos de voo, ela desapareceu na escuridão, por ser pequena e muito jovem.

Me virei ao escutar o barulho do mesmo canal antigo sendo colocado, e me arrepiei a notar que a TV desligara sozinha. Olhei para o lado, a porta do armário encostada, balançando um pouco. Novamente, fui em cima, agora mais lentamente, já que minhas mãos tremiam. Ao encostar na maçaneta, fui empurrada contra o chão; Não entendi inicialmente, meus olhos fecharam com o impacto. Mas, ao abrir os olhos, a figura monstruosa sorria para mim.

Seus olhos negros, seu sorriso rasgado, sua pele branca, até um pouco de sangue escorrendo de sua boca, me fazia palpitar de fúria. Ele apertava a minha boca com força, para que eu não gritasse, e conseguia, pois só conseguia soltar alguns gemidos de dor abafados.

–Você cresceu, garotinha. –Disse Jeff the Killer, e fiquei com uma vontade imensa de morrer.

Após ele me soltar parcialmente –Ele ainda segurava em meus pulsos com força–, ele me deixou falar.

–Eu. Vou. Te. Matar. –Balbuciei, encarando a seu rosto infernal. Ele pareceu sorrir tanto com a boca quanto com os olhos.

–Sei disso. –Falou, e colocou um pano molhado sobre minha boca, me fazendo desmaiar.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.