My Place

1 Capítulo único


Notas iniciais
Yo minna-san! Essa one-shot está sendo escrita a tempos...mas só consegui terminá-la agora. É uma ideia que tive caso o Utsuro tivesse sido derrotado no arco "Silver Soul". A fic vai focar na Kagura e no Sougo, e apesar de eu shippar muito eles, muito mesmo, resolvi não tratar sobre romance nessa oneshot. Mesmo assim, espero que gostem!

Os gritos de alegria ecoavam por toda Edo, a espada que Gintoki levantará significava a derrota de Utsuro, significava o triunfo da raça humana, triunfo dos samurais.

Kagura e Shinpachi correram em direção do samurai de cabelos prateados para lhe dar suporte, não que eles estivessem menos feridos, mas estavam em melhores condições do que o mais velho que agora lutava para se manter de pé. Logo, os outros começaram a se aproximar do trio, Otae, Catharine, Otose, Sachan, Tsukuyo, Kyubei, Sakamoto, Katsura, Gengai, que estava acompanhado dos recém-concertados, Tama e Kintoki, e o próprio Shinsengumi, em especial, Hijikata, Kondo e Sougo, que haviam feito uma entrada triunfal na guerra assim que souberam dos primeiros conflitos ocorridos em Edo.

Com toda essa comoção, os dois yorozuyas mais novos foram separados de seu chefe, que gritava desesperadamente pedindo por espaço. Shinpachi logo começou a gritar com as pessoas que o rodeavam, para a alegria de Gintoki, que comentou algo sobre o rapaz ter os melhores pares de óculos do universo, resultando em um Shimura desistindo de ajudar o samurai. Nesse meio tempo, Kagura apenas observava a cena se desenrolar com um pequeno sorriso nos lábios.

Os olhos azuis da yato estavam serenos, ver aquelas pessoas, todas igualmente importantes para ela, sorrindo novamente era algo que aquecia seu coração, entretanto...

Kagura desviou seu olhar para o chão, será que ainda havia espaço para amantos em Edo depois de tudo o que acontecerá? Ela tinha suas dúvidas.

A garota estava tão perdida em seus próprios pensamentos, que não percebeu os olhos vermelhos do capitão da primeira divisão do Shinsegumi recaírem sobre ela. A face continuava estoica com sempre, mas seus olhos demostravam certa preocupação pela falta de animação por parte de sua rival.

...

—Ahhh...antes de mandar todos aqueles amantos para o outro lado da galáxia, deveríamos te-los forçado a arrumar tudo o que destruíram...-reclamou Gintoki, que martelava a parede vagarosamente.

—Gin-san...-iniciou Shinpachi, que por sua vez ainda recolhia as partes que não poderiam ser aproveitadas para a reconstrução do Yorozuya, o que eram muitas-...você devia reclamar menos e martelar mais, ou vamos levar mais tempo do que o necessário para arrumar nosso local de trabalho e o bar da Otose-san.

—Por que temos que arrumar o bar daquela velha?!-exclamou o samurai de cabelos prateados batendo sua mão na parede, fazendo com que a parte que ele acabará de arrumar fosse ao chão mais uma vez.

Ambos os homens olharam para a parede caída e suspiraram...aquilo levaria um bom tempo para ser reconstruído.

—E onde a Kagura se meteu em um momento como esse?!-indagou o mais velho-Um par de mãos yato agora, seria de grande ajuda.

—Eh? A Kagura-chan disse que ia levar as coisas quebradas lá para fora e...-Shinpachi olhou para a pilha de escombros em um dos cantos nem tão destruído do prédio-...Kagura-chan...Não sei porque ainda tenho esperanças que um dia ela nos ajude com a limpeza...

...

Com seu guarda chuva a escondendo do sol, Kagura andava pelas ruas de Kabukichou sem rumo, ela apenas queria andar pelo local que ela considerava sua casa, mas o peso dos olhares das pessoas, que até então estavam concentradas em reconstruir suas casas e comércios, tornavam o passeio em algo no mínimo...desconfortável, o que a fazia se lembrar de algo similar acontecendo quando ela estava andando com Tama e Catharine, pouco antes da luta contra Utsuro começar.

—Volte para seu planeta, amanto!-gritou de repente um homem.

—O que uma amanto ainda está fazendo aqui em Edo?!-gritou outro.

A ruiva cerrou os olhos e continuou a andar tentando o máximo possível ignorar os gritos e ofensas que provinham das pessoas ao seu redor. Ela tinha plena consciência que aquilo ocorreria cedo ou tarde, afinal, querendo ou não, ela ainda era uma yato, uma amanto, e até um dia atrás, os amantos estavam tentando destruir o país daquelas pessoas.

De repente, algo lhe atingiu a cabeça com força, fazendo com que a garota gritasse de dor, parasse e finalmente olhasse para o chão, a procura do que lhe atingirá.

Uma lata de refrigerante, constatou.

Uma veia saltou sua testa. Agora ela estava irritada.

—Ei! Quem jogou isso?!-gritou. Ela até entendia o motivo dos amantos agora serem mais desprezados do que nunca, mas não havia ela ajudado Edo a se livrar daqueles que apenas queriam destruir o país dos samurais?

Então por que descontar nela?

—Saia de Edo!-gritou uma mulher de uma das janelas de um prédio, que logo em seguida jogou um vaso de flores em Kagura, que por sua vez desviou.

—Errou!-gritou a garota mostrando a língua para a mulher, que fez menção de arremessar outro objeto.

Não demorou muito para que as outras pessoas que estavam ali perto começassem a jogar outras coisas na ruiva, que passou a desviar e destruir os objetos lançados em sua direção.

—Parem seus idiotas!-gritou a yato irritada-Eu nunca faria mal a vocês!

—Mentira!-gritou um homem, atirando uma pedra, que foi facilmente desviada por Kagura.

—Se fosse mentira eu não teria ajudado a proteger Edo!-defendeu-se a garota-Eu amo Edo tanto quanto vocês!

Houve um silêncio por alguns segundos, antes de um homem começar a dar risada, e ser seguido pelos outros.

Outra veia saltou a testa de Kagura.

—O que eu disse que é tão engraçado?!-exclamou-Perderam o juízo perante as lindas palavras da rainha de Kabukichou?!-terminou rindo e fazendo pose.

—Rainha de Kabukichou?-disse uma mulher ironicamente-Você não passa de uma estranha aqui, uma andarilha, uma invasora, qualquer coisa, menos uma rainha.

—Se ama tanto assim Edo, vá embora!-gritou alguém em meio à multidão que se formará ao redor da amanto. Quando aquilo teria acontecido?

—Edo não é seu lugar!-gritaram as pessoas.

Os olhos azuis de Kagura se arregalaram diante daquela frase proferida por tantos ao mesmo tempo. Ela já sabia que uma hora ou outra os cidadãos diriam aquilo, mas em algum lugar de seu coração ela ainda tinha esperanças de que aquela frase não se tornasse realidade.

Naqueles poucos segundos de distração, alguém em meio à multidão aproveitou para lançar uma pedra em direção de Kagura, que não teve tempo de desviar, o que resultou em um corte no meio de sua testa.

—Argh!-gritou a garota colocando as mãos na testa-Isso doeu! Quem foi o imbecil que jogou essa pedra?!!!

—Ah...fui eu.-disse alguém saindo de trás de outros civis, que por sua vez arregalavam os olhos e abriam espaço para tal pessoa passar.

O novo uniforme preto com detalhes em amarelo, a espada de cabo vermelho presa no quadril, os cabelos castanhos claros, o rosto estoico com aqueles olhos vermelhos sangue, poderiam ser reconhecidos de longe pela yato, que por sua vez pegou a pedra e a arremessou de volta em direção do policial, que em um movimento rápido, tirou a katana da bainha, e cortou a pedra ao meio.

—Você quer morrer Sádico?-perguntou Kagura estralando os dedos.

—Se eu quisesse teria deixado a pedra que você lançou me atingir, já que ela parecia mais um projétil de arma do que uma pedra.-falou Sougo finalmente parando de frente para garota, mantendo uma distância segura de 3 metros.

Uma terceira veia de irritação saltou na testa da ruiva, se havia alguém que conseguia tirá-la do sério com apenas uma frase era Okita Sougo.

—Seu...-iniciou Kagura, que foi interrompida pelo capitão do Shinsegumi.

—Aliás China, o que você fez agora? Roubou aquele seu salgadinho nojento de alguém?

—Do que você está falando?

O rapaz apenas apontou para a multidão que os cercava, o que fez Kagura finalmente lembrar que até alguns instantes atrás ela estava discutindo com todas aquelas pessoas, que por sinal, encaravam a interação dela com o policial, no mínimo esperando que ele a expulsasse de Edo, ou a prendesse.

—Ei! Eu sou a vitima aqui!-exclamou apontando seu dedo indicador para o próprio rosto-Você não consegue nem perceber isso, seu idiota?! Se quiser eu pego o Shinpachi para você usar!

Antes que Sougo pudesse revidar verbalmente aos comentários da yato, os civis que ainda formavam uma roda ao redor dos dois voltaram a gritar.

—O Shinsengumi está aqui! Eles vão tirar essa amanto daqui!-gritou alguém, mas pela voz, um senhor.

Sougo arqueou sua sobrancelha direita ao ouvir tal comentário e olhou para a multidão que voltava a se agitar e gritar.

—Saia daqui amanto ou o Shinsengumi irá mandá-la embora a força!

—Não temos mais nada a temer agora que o Shinsegumi voltou!

—Não queremos amantos andando por Edo mais! Vá embora, ou o Shinsegumi irá acabar com você!

Os gritos continuavam e Kagura fechou os olhos e cerrou os punhos com força o bastante para suas unhas perfurarem a pele da palma das mãos para deixar o sangue escorrer. Ela precisava se acalmar, afinal, ela compreendia o motivo daquelas pessoas odiarem os amantos, ela entendia o porquê dela ser vista como vilã mesmo tendo lutado o tempo todo contra sua própria raça, ela entendia o porquê daquelas pessoas confiarem tanto no Shinsengumi, ela entendia tudo aquilo, mas mesmo assim...

Uma lágrima escorreu pelo rosto pálido da yato.

...mas mesmo assim, ela não conseguia mais suportar aquela dor em seu peito, dor que até então ela havia transformado em irritação. Ser rejeitada pelas pessoas que ela lutou tanto para proteger, pessoas que ela considerava seus semelhantes, pessoas que até então a tratavam como uma simples garota, simplesmente como Kagura...

Aquilo tudo era doloroso.

De repente, algo lhe acertou a cabeça, fazendo com que a garota abrisse os olhos. A primeira coisa que viu foi um uniforme preto parado a sua frente, o objeto sobre sua cabeça era a katana de seu rival, entretanto, era o lado sem corte que encostava em sua cabeça. Os olhos azuis de Kagura olharam um pouco para cima, encontrando com os orbes vermelhos de Sougo, que continuava com a expressão estoica de sempre, mas ela pode perceber algo diferente brilhando naquele mar vermelho. Preocupação? Não! Aquele era Okita Sougo, capitão da primeira divisão do Shinsegumi, o maior sádico que ela conhecia...depois dela é claro! Então...pena...? Era mais possível, mas no fundo aquele Do-S devia estar é rindo de sua cara.

—Deve estar se divertindo com essa cena, Sádico.-comentou Kagura limpando as lágrimas que ela estava segurando para não cair-Afinal, sádicos gostam de ver os outros sofrerem.

—Se o motivo de você estar sendo apedrejada...

—Foi você quem jogou a pedra!-gritou a ruiva indignada.

—Como eu estava dizendo...-pigarreou Sougo-...se fosse eu a estar fazendo esse “bullying” com você, eu estaria mais satisfeito, mas...

—Vá em frente então!-exclamou a yato interrompendo o policial mais uma vez-Não é como se eu não aguentasse mais um!

Uma veia de irritação saltou na testa do Okita, que bateu com mais força na cabeça da adolescente que gritou de dor e colocou as mãos sobre a cabeça.

—Quantas vezes pretende me interromper China?!-gritou Okita irritado.

—Quantas forem necessárias!!!-gritou tentando desferir um soco no rapaz que por sua vez desviou.

Os olhos de Sougo se estreitaram levemente, como aquela garota conseguia tirá-lo do sério tão rápido?

Naqueles segundos que eles travaram uma guerra de olhares, os gritos da multidão se intensificaram de maneira que os dois rivais fossem obrigados a prestarem atenção aos seus arredores. Por fim, Kagura suspirou e encarou o rival que parecia estar ponderando alguma coisa em sua mente distorcida.

—Ei! Sádico!-chamou a ruiva, fazendo com que o rapaz a encarasse-Agora que você e os outros ladrões de impostos voltaram, acho que não precisam mais de mim para proteger Edo.

Os olhos vermelhos de Sougo se arregalaram. O que aquela garota estava falado?

—Eu forcei minha entrada aqui em Edo, forcei minha entrada na vida de todos...e egoistamente fiquei. Agora, acho que está mais do que na hora de voltar para o lugar de onde eu provavelmente não deveria ter saído.

—Ei China...você...

E mais uma vez o grito da multidão ecoou por aquela rua de Kabukichou.

—Vocês ouviram?! A amanto disse que vai embora!!!

—Já estava mais do que na hora!!!

—Isso mesmo! Vá embora sua amanto!!!

—Vá embora am...

O grito das pessoas foi cessado quando a espada de Sougo foi fincada no chão pelo mesmo, que encarou a multidão com seus olhos cor de sangue transbordando irritação.

—Ei...se vocês não tiverem nada melhor para fazer eu posso arranjar alguma coisa...como por exemplo...varrer as celas da cadeia...para sempre?

E em apenas um instante, portas e janelas foram fechadas, e as pessoas que estavam ali na rua desapareceram, a rua estava deserta, exceto pelas figuras de Kagura e Sougo.

Vermelho e azul se encontraram, onde o azul exigia uma resposta para o que acabará de acontecer, e após alguns segundos se encarando, Kagura suspirou e quebrou contato visual, crente de que não conseguiria uma resposta por parte do rapaz. Ela o deu as costas, algo que não faria normalmente, afinal, essa poderia ser uma abertura para um ataque, entretanto, as circunstâncias no momento eram outras, e ela, já tinha muito com o que lidar...a última coisa que ela precisava agora era de um sádico querendo comprar briga.

—Onde pensa que está indo, China?-indagou Sougo retirando a ponta da espada do chão para apontá-la na direção da amanto que parou de andar-Nós temos contas para acertar.

—Bem, isso pode ficar para uma próxima.-respondeu Kagura sem se virar para encarar o rival-No momento tenho outras coisas para resolver.

—Como por exemplo o que, China?-perguntou Okita ironicamente-O seu passaporte?

—Hum...não é uma má ideia...

Ao ouvir tal resposta, Sougo baixou sua espada e continuou a encarar a amanto que ainda estava de costas para ele, para a garota não ter reagido de modo violento à suas palavras, aquilo significava que ela realmente estava incomodada com a situação.

—Agora eu preciso...

—Kagura!

Os olhos azuis da amanto se arregalaram, e ela virou-se para encarar o capitão do primeiro esquadrão do Shinsegumi, que a olhava nos olhos seriamente.

—Você...você me chamou de...

—Kagura.-repetiu, o que fez as bochechas da yato ficarem levemente rosas.

—Ahhhh!!!-gritou a garota com o rosto vermelho de vergonha-Pare de falar meu nome! Ele soa muito mal saindo da sua boca fedida, Sádico!!! E como você sabe o meu nome???

—Ao contrário de você, depois de mais de 600 capítulos de mangá, eu decorei o nome dos personagens, isso inclui o seu por sinal. Bem...agora que tenho sua atenção...-um sorriso de canto surgiu nos lábios de Sougo, o que irritou a mais nova-...acho que podemos acertar algumas contas.

—Será que você não entendeu o que eu disse antes?!-exclamou a yato ainda com as bochechas vermelhas-Eu não...

Antes que ela pudesse terminar sua frase, Sougo avançou em sua direção, pronto para desferir um ataque que causaria grandes danos a sua oponente, que por sua vez, instintivamente colocou o guarda-chuva roxo entre ela e a katana do rival. Com a força concedida a sua raça, Kagura forçou o rapaz para trás, que deu uma mortal para trás antes de voltar a atacar a garota com uma sequência de golpes, todos bloqueados.

—Qual é o seu problema?!-gritou a ruiva atirando em direção do policial, que desvia ou cortava as balas na metade.

—Eu que devia estar perguntando isso.-respondeu o Okita cortando o último projétil que foi atirado-Desde quando você liga para o que as pessoas dizem sobre você ou sobre o que você deve fazer?

Kagura estreitou os olhos e se colocou em posição de luta.

—E desde quando você liga para as coisas que eu faço?

—Uma pergunta válida, mas no momento estamos falando sobre você.

Uma veia de irritação saltou na testa da yato, que por sua vez avançou em direção do rapaz, pronta para desferir um soco no rosto do mesmo. Okita, percebendo o que estava para acontecer, pulou para trás e continuou a falar.

—Você mesma disse que veio para a Terra por vontade própria, que ficou porque simplesmente quis, e que se envolveu com todos por simples egoísmo. E agora vai embora porque alguns idiotas estão mandando? Eu esperava mais de você, China.

—Estou indo embora porque quero!!!

—Não me venha com essa merda agora, China!!!-gritou irritado, fazendo com que a garota arregalasse os olhos. Era a primeira vez que ele levanta sua voz para gritar com ela daquele jeito-Você não é do tipo que ouve o que os outros falam sobre você! Você simplesmente segue em frente fazendo o que bem entende.

—Você não me conhece direito para saber dessas coisas!!!-exclamou levantado seu guarda chuva para deferir um golpe no policial, que apenas colocou sua espada entre eles.

—Você é um livro aberto.-disse o mais velho competindo com a força da yato-Seu jeito simples de viver diz muito sobre você.

—Cala boca!!!-disse ela colocando mais pressão no guarda chuva-Um sádico como você jamais entenderia o que estou passando! Você não sabe como é ser rejeitado pela sociedade!

—Tem certeza?-indagou o rapaz forçando sua espada no guarda chuva da yato que também insistia em continuar disputando em força-O Shinsegumi foi caçado pelo governo a ponto de sermos expulsos de Edo. Se isso não é ser rejeitado, não sei o que é.

Kagura por fim pulou para trás, e a espada de Sougo cortou o ar.

—Não é a mesma coisa...o governo estava atrás de você por que vocês queriam salvar o chefe gorila de vocês...

—E as pessoas de Edo estão atrás de você porque você é uma amanto. Óbvio que são coisas diferentes China. A pedra te acertou tão forte na cabeça que você perdeu mais alguns neurônios?

Sougo precisou desviar de dois tiros por seu último comentário.

—O único idiota que eu estou vendo é você por não entender as entrelinhas da minha comparação! O que eu quero dizer é que vocês foram atacados apenas pelo governo...

—Não que seja pouca coisa...-comentou o policial, que foi completamente ignorado.

—...agora que outro vai se instituir, vocês não tem mais com o que se preocupar. Já a sociedade, as pessoas aqui de Edo não mudaram, elas continuam me vendo como uma amanto que a qualquer momento pode querer destruir a vida delas. Esse não é mais meu lugar.

Houve alguns instantes de silêncio, e Kagura finalmente achou que seu rival havia entendido o que ela queria dizer. Bem...achou...

—E...?

—Você estava pelo menos me ouvindo seu idiota?!-gritou Kagura apontando seu guarda chuva na direção do Okita-Além de idiota agora é surdo?!

—A única idiota que eu estou vendo é você.-falou o rapaz devolvendo as palavras anteriores da garota-E em primeiro lugar, quem são essas pessoas de Edo que você estava falando? Esses idiotas que estavam jogando latas e pedras em você?

—Você que jogou a pedra!

—Eu joguei e acertei por sinal.-concordou Sougo antes de voltar a sua fala original-Enfim, essas pessoas são só alguns cidadãos de Edo, existem muitos outros, que por sinal, lutaram lado a lado com você. E fique feliz que esses não mudaram de opinião sobre você.

Os olhos azuis da yato se arregalaram, as palavras daquele que mais da metade do tempo ela tinha vontade de matar, haviam lhe acertado em cheio, como se tivesse levado um soco no rosto.

O maldito Sádico estava certo.

—Que cara é essa China?-perguntou Sougo com um sorriso de deboche estampando nos lábios-Até parece que eu te dei um soco bem dado.

Entretanto, Kagura não retrucou, sua mente processava as palavras do policial, que por sua vez começou a se aproximar da garota.

Porque ela tinha se esquecido que ali em Edo também haviam pessoas que a amavam? Como ela pode se esquecer daqueles que a apoiaram até então? Ah...a resposta era simples...as pessoas haviam olhado para ela como em seu planeta natal, haviam a olhado como se ela fosse uma intrusa, e o instinto de fugir dali dominou sua mente, fazendo-a se esquecer que ao contrário de seu planeta natal, ali em Edo haviam pessoas que se importavam com ela e que a esperavam voltar para casa.

Gintoki a esperava no Yorozuya.

Shinpachi e Otae a esperavam no dojo.

Otose, Catharine e Tama a esperavam no bar.

Tsukuyo, Hinowa e Seita a esperavam em Yoshiwara.

Kyubei a esperava no dojo dos Yagyuu.

Sa-chan a esperava...em algum lugar.

O velho Gengai e Kintoki a esperava na oficina.

Katsura e Elizabeth a esperavam em seus esconderijos.

—China.

A voz do Okita fez com que Kagura inclinasse a cabeça levemente para trás para poder encarar os olhos vermelhos do rapaz. Quando ele havia se aproximado?

—Eu só vou dizer isso uma vez, então é melhor você ter limpado essas suas orelhas direito.

Ela estreitou seus olhos azuis como gesto de irritação, mas ela não o atacou como teria feito em qualquer outro momento.

—Eu também só vou dizer isso uma vez, então é bom você não ter ficado surdo mesmo.

Orbes vermelhos e azuis travaram uma breve guerra até que Sougo suspirou e voltou a falar.

—Não importa o que as pessoas digam, Edo agora é sua casa.-disse o policial quebrando contato visual, sua mão esquerda acariciava sua nuca, enquanto a direita segurava a katana-Apesar de toda merda que você faz, acho que muitas pessoas estão te esperando. E isso inclui o Shinsegumi.

O Shinsegumi a esperava. Mayora, Gorila e até mesmo o maldito Sádico a esperavam.

Um sorriso apareceu nos lábios da garota, o que fez o mais velho imediatamente se defender.

—Eu nunca mais vou dizer isso, então tomara que você tenha entendido China.

—Eu ouvi, não se preocupe Sádico.

—Bem, já que você entendeu, eu vou indo. Nosso acerto de contas pode ficar para quando arrumarem esse lugar, ai poderemos quebrar tudo de novo. E não estou a fim de encontrar com o Hijibaka-san em algum lugar, tenho certeza que ele vai me forçar a trabalhar.

Sougo começou a se afastar, murmurando onde ele devia ir para evitar Hijikata, deixando uma Kagura um tanto hesitante para trás.

—Ei!-gritou a ruiva por fim, o que chamou a atenção do rapaz, que por sua vez parou e arqueou sua sobrancelha.

—O que quer agora China?

Ela só diria aquilo uma vez.

—O...obrigada Sougo!

A expressão de surpresa no rosto de Okita Sougo era impagável, nunca a yato imaginou que viveria para ver aquilo, e por essa razão, ela riu, gargalhou até sua barriga começar a doer.

—Eu realmente acho que estou ficando surdo agora...eu ouvi direito?-indagou ele ainda um tanto em choque.

—Eu não sei o que você ouviu, mas eu me recuso a repetir!-exclamou a ruiva mostrando a língua para o policial, que imediatamente começou a fuzilá-la com o olhar-Bem, te vejo por ai Sádico! Tenho que voltar para casa!

Sorrisos apareceram levemente nos rostos dos rivais, que apenas acenaram um para o outro antes de darem suas costas para seguirem por seus caminhos, em direção aos lugares que pertenciam.

Notas finais
Foi meio difícil escrever a conversa dos dois porque...bem...estamos falado da Kagura e do Sougo...não sei até onde eles conseguem manter uma conversa civilizada.kkk Tomara que eles não tenham ficado muito OOC.^^'' Espero que tenham gostado da oneshot! Kissus
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!