Notas iniciais
Bem, aí está o segundo capítulo~ Não pude me conter e postei logo. -q
Minha periodicidade nom será essa, fiquem sabendo. u3u
Obrigado pelos reviews~ (Okay, foram só dois, mas foram reviews e estou muito grata por eles *-* )
Eu só agora percebi que meus capítulos se chamam capítulos -q Vou dar um jeito nisso depois - provavelmente, depois de postar um bom número de capítulos~
Bem, é isso~ Espero que gostem~

Ouvi o barulho da porta e levantei meu olhar imediatamente. Entrou um senhor com uma vestimenta estranha. Era branca, fina e com uns botões feitos de um material diferente, dispostos em linha reta ao longo daquilo que vestia até um pouco abaixo da cintura. Embaixo, uma calça feita de um material grosso e azul escuro. O que diabo era aquilo que ele estava vestindo? Além do mais, possuía um aparelho estranho pendurado no pescoço. Encarei-o perplexo enquanto ele dava apressados passos em minha direção, mas, minha atenção logo foi desviada para outro canto.

Matthew. Cabisbaixo, entrou logo após o senhor e ficou ao lado da porta. Eram brilhantes as lágrimas que escorriam por seu rosto, agora bem inchado. Naquele momento, parei para observar — ele não era tão pequeno assim. Deveria ser, no máximo, dez centímetros mais baixo que eu. Ele também possuía cabelos realmente sedosos — dava para perceber a maciez de longe. Pergunto-me porque ele continuava a chorar.

— Sou o doutor Vincent, muito prazer. — disse o senhor, quando chegou perto da cama e estendeu a mão para mim, como se estivesse estabelecendo um acordo de paz momentâneo*. Sentei-me na cama e apertei sua mão.

— O que está vestindo, doutor? — não me contive. Precisava escandalosamente saber o que era aquilo. O doutor me encarou meio confuso.

— Uma blusa, uma calça jeans e um jaleco. — disse ele, enquanto minha face ia se tornando um tanto mais confusa. Eu nunca havia ouvido tais nomes. Jaleco? O que diabo era aquilo? Continuei a encará-lo confuso e ele ficou meio assustado. — Você... não sabe ao que estou me referindo? — perguntou.

— Não. — respondi, meio perplexo. Eu, por acaso, deveria saber? Impossível.

O doutor me encarou incrédulo e sentou na mesma poltrona que Matthew se sentara mais cedo. Folheou alguns papeis atentamente e suspirou, tirando os óculos e me encarando.

— Preciso te fazer algumas perguntas. — disse, com um tom de voz bem sério. Olhei discretamente de soslaio para Matthew, ele estava atento à nossa conversa. Voltei o olhar para o doutor e acenei positivamente com a cabeça, para que ele pudesse continuar. — Qual o seu nome?

— Francis Bonnefoy. — respondi, meio confuso, sem entender o porquê da pergunta.

— Certo. — disse, como um professor avaliando um aluno. Fiquei realmente confuso, com uma pontada de irritação. Não estava entendendo absolutamente nada. Isso me deixava inquieto, mas contive qualquer reação física. — Conhece Arthur Kirkland? — continuou, calmo.

Aquela pergunta corroeu cada célula sanguínea do meu corpo e não pude evitar uma expressão incomodada. Como assim se eu o conheço? Quanta indelicadeza. INFELIZMENTE O CONHEÇO. Aquele desgraçado acabou de passar exatos 116 anos lutando contra mim, por puro egoísmo. Aquele idiota inglês presunçoso! Nunca hei de perdoá-lo!

— Infelizmente. — tentei manter meu tom de voz calmo, enquanto respondia apenas o necessário, porém, uma pontada de ódio foi impossível de ser evitada.

— Certo. — disse, tranquilamente — Alfred F. Jones? O conhece?

— Não... Nunca ouvi falar de tal sujeito. — respondi indiferente. Não demorou muito até que a expressão dele fosse tomada por uma assombrosa confusão.

— Certeza? — perguntou, preocupado, enquanto eu ouvia pequenos soluços vindos na direção de Matthew.

— Certeza.

— Então, isso significa — engoliu em seco — que você também não conhece Matthew Williams... não é?

— Aquele garoto? — perguntei apontando para o garotinho que dissera se chamar Matthew. Eu sabia que aquilo o envergonharia, mas não tinha outra opção.

—Sim, ele. — confirmou, esperando atentamente minha resposta.

— O conheci esta manhã. — um sorriso simpático surgiu no canto da minha boca.

— Meu Deus. — suspirou ele, incrédulo. Fitou o teto por alguns segundos, depois baixou a cabeça, olhando para o garoto. — Matthew... por favor, poderia me dar licença por alguns minutos?

Olhei para o garoto, ele acenou positivamente com a cabeça e saiu, fechando a porta. Voltei a encarar o doutor, realmente confuso.

— Francis... você sofreu uma queda e, pelo o que percebo, as consequências são graves. — o tom de voz dele era tenso, procurando um pouco de tranquilidade.

— É. Eu estava bem fraco. A culpa nom foi minha, foi aquele idiota inglês que me causou isso. — respondi, um pouco irritado.

— Arthur? — a face dele foi tomada por um toque de confusão — O que ele tem a ver com isso?

— Bem... — suspirei — tem 116 anos que ele começou uma guerra comigo e só ontem ela acabou. — fitei o doutor, enquanto ele ficava mais assustado ainda.

— Você se refere aos séculos XIV e XV?

— É. Afinal de contas, é o século no qual a gente se encontra, nom é mesmo? — dei de ombros.

O doutor me encarou e um "não" abafado surgiu entre seus lábios. Como assim...? Nós não estávamos no século XV? Algo estava muito errado. Seria esse um pesadelo? Ele levantou e foi em silêncio até a porta, saindo logo em seguida. Baixei o olhar e, num movimento inquieto, pus ambas as mãos no rosto. Era estranho pensar em tudo a minha volta, eu realm-

Meus pensamentos foram interrompidos pelo barulho da porta se abrindo. Tirei as mãos do rosto para olhar em direção ao ruído — era Matthew. Ele, agora com um misterioso urso nos braços, fechou a porta e caminhou em direção à poltrona. Sentou-se e forçou um sorriso — as pálpebras do pequenino estavam tristemente inchadas.

— Está melhor? — perguntou, com uma pontada de angústia na voz e um rosado nas bochechas.

— Sim... Obrigada. — não pude evitar um sorriso. Ele era uma graça.

Ficamos em silêncio por algum tempo — não sei quanto, estava perdido demais no olhar dele. Era um tanto engraçado ver aquele garoto esguio e lembrar-se de uma criancinha. Não sei ao certo se era a pureza ou os cabelos macios, causando uma figura fofa. Talvez, as bochechas coradas ajudassem em algo. Ele baixou a cabeça, desviando o olhar para algum canto aleatório no chão. A voz dele era triste, mansa e macia — me lembrava a neve.

— Como foi seu dia de ontem? — perguntou baixinho, enquanto parecia abraçar um pouco mais forte o urso.

— Foi um tanto... cansativo, pode se dizer assim. — respondi indiferente. A face dele começou a se tornar inquieta, como se dissesse "estou tentando não chorar". Fiquei confuso e, segundos depois, me dei conta da situação. O meu dia de ontem não era o mesmo que o dia de ontem do Francis que ele conhecia. Abri a boca, mas Matthew foi mais rápido.

— Foi... feliz? — uma lágrima escorreu silenciosamente por sua bochecha. Sentei-me, agora com as pernas para fora da cama, e estendi a mão até alcançar suas bochechas, limpando a lágrima.

— Foi. Foi um dia de alívio. — sorri e estiquei minha cabeça, dando um pequeno beijo em sua testa. Afastei-me um pouco dele e o encarei. Um pequeno sorriso surgira em meio àquela angústia. Apoiei as mãos na ponta da cama. — e o seu? — perguntei, na tentativa de distraí-lo.

— Bem... e-

Matthew foi interrompido pelo barulho da porta. O doutor entrara novamente, a face tranquila, mas sua voz um tanto tensa.

— Matthew, eu preciso de um tempo sozinho com o Francis. Preciso conversar algumas coisas com ele. Vá procurar seu irmão para se distrair. Não sei ao certo se demorarei a te chamar de volta. — o achei meio rude com o garoto, mas nenhum deles pareceu se importar.

— T-Tá. — disse Matthew, levantando-se da poltrona e dando passos apressados em direção à porta, fechando-a depois de sair.

— Sua situação é bem mais grave do que pensei. — disse o doutor, realmente sério.

Estranhamente, eu não me importei com aquilo. Sentia-me num sonho — num pesadelo. Era tudo confuso demais, irritante demais. Eu teria pena de mim mesmo se estivesse me observando. Um homem tão experiente na pior das condições. Assustado, sem forças, quase à deriva e, o pior de tudo...

...sozinho.


Sempre soube que, um dia, essa palavra me assolaria — eu só tentei evitá-la.

Notas finais
*Na idade média, o aperto de mão era feito entre dois homens para se assegurarem de que estavam desarmados - um tratado de paz.
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Bem, é isso! Espero que tenham gostado~ >w<
Não sei ao certo se ficou melhor ou pior do que o 1º, mas enfim~ nenhum deles ficou suficiente pra mim -q
Só avisando: vai ser uma fic grande, eu acho. E, um spoilerzinho, futuramente, vai ter um UsUk e outros cute pairings de background *u*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.