Notas iniciais
Bem... A ideia dessa fic surgiu há algum pouco tempo e só agora eu tive coragem e terminei o primeiro capítulo dela~ Eu realmente gosto da ideia, mas não me agrada o fato de eu não conseguir aplicá-la direito~
Esse é o primeiro capítulo da minha primeiríssima fic, então, me perdoem a falta de habilidade. Tomara que eu consiga me acostumar e... é isso! Espero que gostem~
Boa leitura >w

Uma taça de vinho — Isso era tudo do que eu precisava. Eu idealizava pequenos passos em direção à cozinha, porém, mal conseguia me mover. Eu perdi a sustentação nos joelhos e já não aguentava mais ficar em pé. Aquele idiota inglês... quanta presunção. Isso comprometeu tudo aquilo que demorei séculos para construir. Tantos mortos, tanta crueldade. Mal sabia como eu resistira àqueles cem anos. Muito menos como me encontrava vivo. Estar ajoelhado no chão quase sem força era um tanto estranho. O frio tomava conta do meu corpo — e, junto à ele, o medo.

É, o grande francês esnobe também sente medo.

Naquele momento, eu não possuía nada. Nem amigos, nem forças e nem orgulho. Só me restava temer o desaparecimento... algo que importunava minha alma a cada fração de segundo. Algum tempo se passou e finalmente despenquei de corpo inteiro no chão — não aguentava mais. O impacto deve ter me machucado em algum lugar, porém eu apenas me atentava em arranjar uma forma de alcançar alguma das poucas garrafas de vinho que se encontravam naquele cômodo, refletindo um vermelho-sangue que gritava por mim. Eu poderia jurar que aquilo valia bem mais do que minha própria existência. Arrastei-me sem cautela alguma até meu móvel favorito. Era uma pequena estante de madeira escura e, nas portas, havia vidro. Um vidro cintilante — quase mágico. Dane-se o material. O que realmente importava era o que estava sendo exposto. Os melhores vinhos de toda a minha história. Meu corpo trêmulo rastejava em direção àquela tentação. “Venha”, gritavam para mim. E então meus braços se jogaram num movimento brusco de desespero. Apenas uma gota me faria morrer tranquilamente.

Alcancei a garrafa. Um alívio, uma salvação. Rolei até que minhas costas ficassem contra o chão e me pus à uma frenética tentativa de tirar a rolha daquilo. Obviamente, sem sucesso. Perdi a paciência e quebrei o bico da garrafa — um susto veio ao meu rosto. Uma parte — mesmo que pequena — daquele gracioso líquido vermelho caiu no tapete. “Que desperdício”, pensei. Porém, ignorei o acontecido e ergui a garrafa, inclinando-a cuidadosamente para que o vinho acertasse em cheio minha boca. Fechei os olhos, esperando, até que finalmente senti. Era realmente a coisa mais incrível do mundo. Vinho, como podia ser tão satisfatório e divino? Uma textura fina com um gosto indescritível. Cada gota que encostava em minha língua forçava minha mão a inclinar mais a garrafa. Até que, então, a primeira garrafa se foi. Não era suficiente. Estendi minha mão, pegando mais uma, abrindo-a do mesmo jeito grosseiro. Duas, três, cinco, dez, vinte garrafas. Todos os melhores vinhos escorreram por minha garganta. Fechei os olhos com satisfação, soltando um sorriso irônico. Pensamentos obscuros me invadiram.

“Minha vida já não faz mais sentido. Não há nada que me queira ou se preocupe comigo. Estou sozinho e meu mais fiel companheiro — o vinho — já está dentro de mim. Do que mais preciso? Minha missão está completa — apesar de falha. Esse é meu leito de morte.”

Uma lágrima escorreu por meu rosto, percorrendo um caminho cruel e doloroso. Sofri cada segundo, até que meu corpo finalmente adormeceu.

~

"Francis... FRANCIS! Você acordou!"

Abri meus olhos lentamente e encarei o pequeno garoto que me fitava com o rosto cheio de lágrimas, porém, com um sorriso aliviado.

Ele tinha um belo olhar — um azul escuro cintilante, tão lindo e puro que chegava a se confundir com um singelo tom de violeta. Seus olhos se escondiam atrás de um simples óculos e seu nariz era fino e um pouquinho arredondado na ponta. Ele era... realmente fofo. Pergunto-me como ele sabia meu nome.

Perdi-me um pouco no olhar do garoto, até que movi meu olhar para o quarto. Parecia um albergue, com móveis de madeira escura feitos aparentemente à mão. Um ambiente confortável. Mas... era tudo muito inovador. Alguns quadros dispostos nas paredes eram realmente diferentes. Eu não conseguia reconhecer o material e nem mesmo as técnicas que foram utilizadas. Apesar de ver pequenas influências greco-romanas, era algo bem distante. Onde eu estava?

Confuso, voltei a encarar o garoto e o sorriso dele havia desaparecido.

— F-Francis...? — perguntou, meio assustado, com uma voz doce e macia.

— Onde... eu estou? — perguntei à ele, realmente confuso, e o garoto se sentou numa pequena poltrona ao lado da cama na qual me encontrava, me encarando com uma face incrédula. O fitei até que lágrimas silenciosas começaram a escorrer por seu rosto. Abri a boca para consolá-lo, porém não sabia bem o que dizer — Desculpa... — isso foi tudo o que saiu da minha boca, enquanto baixava o olhar. Eu não sabia por que estava me desculpando, porém, me senti culpado. Eu tinha certeza de que havia sido responsável pelas lágrimas que escorriam pelas preciosas bochechas daquele garotinho.

— E-Eu vou chamar o médico... — disse, com a voz distorcida pelo choro, enquanto se levantava e ia até a porta, parando em frente à ela. Limpou o rosto cheio de lágrimas e baixou a cabeça, completando sua frase com a voz baixinha — e, a propósito... meu nome é Matthew. — e saiu sem olhar pra trás.

Eu não sabia o que realmente havia acontecido e nem porque o garotinho chorava. “Matthew” — a palavra ecoava em minha mente. Era um nome de certa forma familiar. Pensei um pouco e minha cabeça começou a doer.

— Matthieu... — sussurrei para mim mesmo, falhando um pouco na hora de pronunciar, pensando em como era familiar para mim, enquanto a dor aumentava gradativamente.

“Não... Nunca ouvi tal nome.”, tive certeza. Misteriosamente, a dor diminuiu — cessando completamente em pequenos segundos. Bufei realmente incomodado com a situação e fechei meus olhos, enquanto cruzava os braços. Estar ali sem entender absolutamente nada era torturante para minha mente — não fazia sentido algum. Acordar repentinamente numa cama, rodeado de uma mobília bastante desconhecida e acabar magoando um garotinho que eu nem ao menos conhecia...

Aquele garotinho... Será que ele iria voltar? É difícil alguém voltar por mim. Às vezes, voltam pela minha economia, por meus navios, minhas riquezas, ou até, pelo Rei, mas... por mim? Seria complicado acreditar. Abri meus olhos, um pouco triste, sem expectativas alguma.

— Matthieu...— repeti, com certa melancolia.

Será que ele... realmente voltaria? Não me restava nada, senão esperar.

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Notas finais
Chegou até aqui~? Parabéns pela façanha!
Eu realmente quero que muita gente goste da minha fic, mas acredito que apenas algumas poucas pessoas gostarão... isso, se todo mundo aguentar minha não-habilidade de escrita durante o 1º capítulo todo~ -q
Enfim, é isso, só posto continuação se quiserem u3u