My Perfect Sin
2 Capítulo 1 - A Sombra Que Me Segue
Notas iniciais
Severus
Estava nervoso. Ela estava ali perto dele, tão perto que era possível sentir o aroma do perfume de flores que ela usava. Começou a estalar os dedos pra ver se conseguia se acalmar. Mas era difícil. Ali estava ela, linda como sempre com seus cabelos ruivos ondulando pela suas costas. Ele olhou de esguelha para ela que prestava atenção no que o professor Slughorn falava sobre um tal de clube. Severus não conseguia prestar atenção. Pela primeira vez na vida ele não estava dando a mínima para o que o professor estava tagarelando.
– Então quando marcarmos algumas reuniões não esqueçam de comparecer. É sempre bom se socializar com outras pessoas que também tem pela frente um futuro promissor. –ele se levantou devagar da cadeira e sorriu para os três alunos à sua frente. –Bom, acho que isso é tudo. Andem logo que eu não quero que se atrasem para o terceiro período por minha causa. –ele virou as costas e entrou no seu escritório que ficava anexo a sala de poções.
Severus observou o professor fechar a porta e sentiu seu coração acelerar. Virou-se rapidamente e viu que Lily já pegava suas coisas para sair da sala. Olhou em volta e não viu sinal da garota nova que estava com eles até um minuto atrás. Onde ela se meteu?
– Espera! Lily! –ele correu e segurou a manga da blusa dela. –Eu... Eu queria saber se-
– Me solta Snape. –ela disse ríspida o encarando. –Eu não tenho nada pra falar com você!
Ele sentiu um nó se formar em sua garganta. Nunca em toda sua vida Lily, a sua Lily, havia olhado pra ele daquela maneira. Os olhos verdes dela estavam gélidos e cheios de mágoa.
– Lily... Eu mandei cartas pra você durante todo o verão e você não me respondeu nenhuma... Eu já te disse desculpas mais de cem vezes! Por favor Lily! Você não pode simplesmente esquecer de tudo que passamos! –ele se exasperou.
– Esquecer de tudo que passamos? –ela arqueou uma sobrancelha. –Você quer dizer todas as desculpas que eu tive que dar para os meus amigos por conta das maldades que você faz com os nascidos-trouxas como eu? Todas as discussões que tivemos sobre como você está errado em relação aos seus amiguinhos da sonserina? Sobre como você estragou uma amizade que tínhamos a anos por conta de suas escolhas erradas? –ela estava praticamente gritando com ele nesse ponto.
– Lily, eu-
– Já.Chega.–ela o cortou mais uma vez. –Eu estou cansada das suas desculpas! Nunca mais me procure ou tente falar comigo. Porque caso não saiba eu segui em frente! Eu desisti de tentar de ajudar alguém que não quer ser ajudado. Cansei.
Ele ficou sem reação. Ela estava errada. Ele não estava fazendo nada de errado. Tudo aquilo era para um bem maior. E se ela tivesse escolhido ficar com ele, ela iria ter proteção. Jamais que ele deixaria alguém machuca-la. Mas obviamente era tarde demais. Então o que ele fez foi observar ela sair a passos largos da sala.
Severus suspirou alto e saiu da sala. Sabia que seu próximo período era Transfiguração, então ele não podia se atrasar. Assim que virou o corredor para subir as escadas quase trombou com alguém. Ele olhou furioso para a pessoa a sua frente e seu queixo quase caiu. Era a garota de cabelos brancos.
– Oi! –ela disse alegre.
– Desculpa. Eu estou sem tempo pra conversar com calouras. Se quer alguma informação da escola peça pra algum monitor. –disse ríspido e passando por ela sem nem olhar pra atrás.
Ouviu passos atrás de si.
– Ah, mas eu não preciso de informações. Na verdade eu estava indo pra aula. –rapidamente ela alcançou o seu ritmo e andava lado a lado com ele.
Ele andou mais alguns passou e parou furioso.
– Posso saber por que raios você está me seguindo? –disse entredentes.
Ela pareceu pensar um pouco.
– Acontece que eu não estou te seguindo. –ela deu um sorriso que não mostrava seus dentes e continuou olhando diretamente nos olhos dele.
Seu coração deu um salto. O que é isso? Ele olhou pra ela sem entender e arqueou as sobrancelhas em indagação.
– Você deixou cair isso aqui. –ela estendeu uma folha de pergaminho que Severus reconheceu como seu horário. –Temos as mesmas aulas. Exceto pela última que a sua é Runas Antigas e a minha Trato de Criaturas Mágicas. –ela apontou para o final do pergaminho que ele segurava.
– Tá. Mas isso não justifica você ficar me seguindo!
Ela rolou os olhos.
– Só que eu não sei como chegar até a sala de transfiguração! E se eu for sozinha vou me perder de novo. E pelo que eu ouvi a Prof. McGonnagall não é do tipo que aceita desculpas como, “sinto muito eu sou nova e me perdi.” –ela deu de ombros e um sorriso brotou em seus lábios novamente. –Então como você foi meu parceiro em poções hoje, eu achei que não seria de todo um mal ir com você pra próxima aula e... Quem sabe, sentarmos juntos de novo? –ela perguntou ainda sorrindo.
Severus estava embasbacado. Essa garota era meio maluca certo? Quem raios ela pensa que era pra achar que podia ter toda essa liberdade com ele? Ninguém. Exato. Ele virou as costas pra ela e continuou seu caminho até a sala. Obviamente que ela o seguiu.
Assim que chegou na sala notou que a professora não estava na mesma. Estranho. A velha bruxa nunca se atrasava. Sentiu então alguém bater contra sua costas e olhou pra trás furioso já sabendo quem iria encontrar.
– Desculpa. –ela deu um sorriu envergonhada e passando a mão no nariz. –Você parou do nada e eu estava distraída.
Ele bufou e caminhou até a primeira carteira da sala. E não para a sua surpresa a branquela se sentou ao seu lado ainda esfregando o nariz com as duas mãos. Severus olhou pra ela com uma cara de desinteresse. Garota inconveniente. Aproveitou e começou a tirar o livro de transfiguração da sua bolsa quando uma bolinha de papel atingiu sua carteira. Ele olhou em volta e recebeu um olhar de Mulciber que estava no fundo da sala. Rapidamente abriu o bilhete.
“ O que raios a garota transferida tá fazendo do seu lado Snape??”
Severus se virou e com uma careta estampada no rosto e deu de ombros. Mulciber riu e voltou a conversar com a garota, Avery, que estava ao seu lado.
Não demorou muito e a professora McGonnagall finalmente entrou na sala.
– Muito bem todos, eu quero silêncio. –disse ríspida e pousou seu olhar sob a garota ao seu lado. –Ah, senhorita Raywind. Seja bem vinda a Hogwarts! Espero que goste daqui.
– Obrigada professora! Tenho certeza que eu vou gostar! –ela disse no seu doce sotaque francês.
E bem nessa hora ele resolveu olhar pra ela. Seu coração pulou. Maldito sorriso e maldito sotaque francês. Ele bufou. Deviam ser os hormônios e era só isso. Afinal a única garota bonita nessa escola para ele era Lily e mais ninguém. Essa garota nova não chegava nem aos pés da ruiva. Chegava? Ele olhou de esguelha para ela. Estupidamente bonita. Droga.
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No restante das aulas ocorreu tudo bem. Mais nenhuma atitude inconveniente vindo da branquela. Exceto por insuportavelmente ela se sentar com ele em todas as aulas que eles tiveram até que ela o deixou para ir pra sua última aula. Já estava na hora do jantar e Severus andava calmamente pelos corredores. Assim que chegou no salão se sentou em um canto isolado da mesa. Não estava afim de conversar com ninguém. E então sentiu alguém deslizar para o lado dele. Olhou para o lado e sentiu a raiva borbulhar dentro de si. Será que ela não vai me deixar em paz?!
– O que quer? –perguntou ríspido.
– Que você me passe aquele pedaço de pudim. –ela apontou com a sua mão pequena e magra para um pudim de leite que estava inalcançável para ela.
Ele rolou os olhos e sem saber o motivo assim o fez. Cortou um grande pedaço de pudim e entregou a garota ao seu lado. Severus observou enquanto ela saboreava o doce.
– Você não jantou.
– Uh? –ela olhou pra ele ainda com a colher na boca.
– Eu disse que você não jantou. –ele olhou sério pra ela. –Vai fazer mal se só se entupir de doce.
– Ah está tudo bem. Pular o jantar de vez em quando não faz mal. –ela deu uma piscadela que fez o coração dele dar outro salto.
Mas que inferno!
Ele virou-se para o seu prato de comida sem nenhuma vontade de comer, mas mesmo assim forçou uma garfada. Sentiu os olhos dela sob si.
– Você ficou curioso com a cor do meu cabelo. –ela sorria pra ele.
Maldito sorriso.
– Não eu não fiquei.
– Eu não fiz uma pergunta. Foi uma afirmação. –ela riu de um jeito sapeca. –Meu cabelo natural é preto como o seu. Por isso das minhas sobrancelhas serem negras. –ela apontou para ela arqueando-as. –Acontece que quando eu tinha uns seis anos de idade eu entrei no laboratório de experiências particular do meu pai e-
– Laboratório? –ele se permitiu ficar curioso com a informação.
– Sim! O meu pai gosta de ficar misturando ingredientes pra fazer novas poções. –ela deu de ombros. –Bem, o laboratório ficava sempre fechado, e justo no meu aniversário ele esqueceu aberto por estar ocupado com a minha mãe acertando detalhes da minha festa. Então eu entrei e tomei uma poção que estava em cima da mesa de trabalho. A cor era vermelha e o gosto era ótimo! Eu não achei que fosse fazer mal. –ela mexeu em uma mecha do seu cabelo volumoso. –A última coisa que eu me lembro é de eu acordando no hospital e minha mãe chorando aliviada por eu estar viva. O médicos conseguiram me salvar, mas depois de uns dias o efeito colateral apareceu. Em uma bela manhã de sol, eu acordei e meus cabelos estavam brancos como uma manhã de neve. –ela deu uma risada nervosa.
Severus olhava pra ela sem reação. Ele queria rir. Que criança burra! Pensou. Ninguém toma uma poção que não faz a mínima ideia do que se trata. Ele o olhou pra ela e viu ela bocejar lentamente.
– Bom, toda essa história me deu sono. –ela deu um sorriso preguiçoso pra ele. –Até amanhã Severus.
Sua bochecha queimava. Como ela pode fazer isso? Ela mal o conhecia! Chamava ele pelo primeiro nome e ainda beijava o seu rosto?! Qual raios era o problema mental dessa garota? Ele olhou petrificado para as costas da garota que se afastava a cada passo que dava para fora do grande salão. Sentiu seu rosto arder e seu coração bater em um ritmo ridiculamente rápido.
Ah, mas ela me paga!
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