My Own Hell
3 III.
Notas iniciais
Nova Orleans, Lousiana. French Quarter.
–Stacey-
III.
– Jackson? Jackson!? — gritei, empurrando a porta com força. O lugar, antes dominado pelos vampiros e extremamente escuro, tinha ganhado mais brilho desde o casamento de Hayley e os lobisomens eram vistos entrando e saindo do lugar a qualquer hora.
Avistei Paul, que eu não via desde que me mudei para Califórnia e corri para encontrá~lo. Ele estava com os cabelos mais compridos e percebi que estava com um ligeiro machucado no pescoço; eu o conhecia bem o suficiente para saber que ele devia ter se metido em uma briga de cães. Ele sempre foi meio estressadinho.
– Stacey — ele disse, dando-me um abraço — Cara, quanto tempo. Você está bem?
– Sim — dei de ombros. Tirando o fato de que eu havia pego o primeiro avião depois que sai daquela estúpida festa em Huntington Beach, e que quando pousei no aeroporto, fui obrigada a usar minha velocidade sobrenatural e corri por entre as florestas para chegar no centro de Nova Orleans. Eu estava exausta — Preciso falar com Jackson. Ou Hayley. Na verdade, até o Klaus serve. Algum deles está por aí?
Paul arqueou suas grossas sobrancelhas para mim e riu, deve ter imaginado que eu tinha me metido em mais alguma situação embaraçosa e agora estava aqui para pedir à Jackson ou à Hayley que me aceitassem novamente na matilha. Se ele soubesse...
Depois de deixar Hope sozinha no banheiro, encontrei Brian e Devon e avisei que iria fazer uma viagem para resolver alguns assuntos da universidade. Mas a verdade era que peguei o primeiro avião que encontrei e passei a viagem toda pensando no que diria para Hayley.
Primeiramente, eu sabia que ela teria vontade de me socar se me visse entrando novamente no Quartel. Ela sempre dizia que eu era uma ingrata e que seu meus pais estivessem vivos, nem eles me aceitariam de volta à matilha depois de tudo que aprontei, mas eu não estava nem aí. Ela me perdoaria no momento em que eu falasse que tinha notícias de sua filha, e eu usaria isso ao meu favor.
Sem dizer nada, ele me guiou para o segundo andar, onde eu sabia que ficava o quarto de Hayley. Não a via há cinco anos, mas imagino que ela continuava a mesma coisa que antes, já que havia se tornado híbrida com o nascimento de Hope, e não envelhecia.
– Ei, Jackson — ele chamou, antes de abrir a porta — Tem alguém aqui querendo ver vocês.
Alguns segundos se passaram até ele apareceu na porta. Seus cabelos continuavam na altura dos ombros, e sua barba estava ligeiramente mal-feita; ele usava uma calça jeans, aqueles coturnos marrons que deixavam seus pés ainda maiores, e uma camisa xadrez vermelha sobre o peito nu.
– Stacey. — ele sorriu — A que devo essa honra?
Hayley apareceu depois, ao lado dele. Para mim eles sempre formaram um casal bonito, até porque ela era baixinha perto dele, e era como se ele pudesse protegê~la de qualquer coisa, apesar de eu saber que uma das coisas que ela realmente não precisava era de proteção. Quando me viu, abriu um sorriso tímido e fechou a camisola mais um pouco. Paul pediu licença e se retirou.
– Posso entrar? Tenho notícias que podem interessar — sorri, arqueando as sobrancelhas. Eles não pensaram nem duas vezes.
Nunca tinha estado no quarto de Hayley antes, mas imaginava que devia ser um dos melhores comôdos de todo o lugar, depois do de Klaus, afinal, ela era a Rainha Alfa, o mínimo que poderia ter era um quarto maravilhoso. E com varanda.
– Para começar, eu sei que não devia ter saído da matilha — olhei nos olhos claros de Jackson — E gostaria que me aceitassem de volta.
– E por que faríamos isso? Depois de tudo o que você aprontou, você nos fez um favor ao sair do bando. Como estava a Califórnia? Enjoou de todo aquele calor?
Jackson sabia ser bem irritante e grosso quando queria, mas eu não ia lhe dar o gosto de me ver brava. Depois de um bom tempo como lobisomem — ativei meus genes com onze anos -, eu já estava aprendendo a me controlar.
– Vocês vão me aceitar porque eu tenho informações sobre Hope — olhei para Hayley, que levantou a cabeça no segundo em que ouviu o nome da filha — Isso parece chantagem, eu sei, mas a verdade é que eu já estou cansada de andar por aí, quero voltar para o meu bando. E em troca da aceitação de vocês, eu posso lhes dar todas as informações que precisam.
Alguns minutos se passaram enquanto Hayley e Jackson se olharam, decidindo o que fariam. Eu realmente havia sido sincera quando falei que não queria mais ficar rodando os Estados Unidos, mas a realidade era que eu havia cruzado meu caminho com um vampiro que não saia do meu pé, e mesmo que as rixas entre as espécies tenham acabado em Nova Orleans quando houve o casamento dos Alfas, muitos lobisomens e vampiros ainda não se davam bem. No momento, eu precisava de proteção e sabia que só encontraria isso se voltasse para o meu bando.
– Você a encontrou a onde? — perguntou Hayley, quebrando o silêncio.
Então contei que há dois anos — o tempo em que eu estava fugindo do vampiro — acabei ficando para morar em uma cidade litorânea da Califórnia, Huntington Beach, perto de Los Angeles. Como eu precisava de dinheiro para viver, comecei a trabalhar como garçonete em um restaurante japonês, e foi lá que eu vi Hope pela primeira vez.
Ela estava com aquela amiga que não desgrudava de jeito nenhum, a de cabelos loiros. Quando fui entregar os pedidos em sua mesa, reparei que ela usava uma pulseira de diamantes com seu nome gravado. Era a mesma pulseira que ela estava usando na guerra de 2015, quando Klaus e Hayley a perderam. Depois disso, usei minha audição para tentar escutar sobre o que ela estavam falando, e era exatamente o que eu imagina: bruxas.
Contei para Hayley que comecei a me passar por universitária e fiz amizade com o irmão mais velho do melhor amigo de Hope, Dean. Chega a ser meio idiota a quantidade de tempo para ela finalmente me notar e ver a marca de nascença, visto que sempre nos encontrávamos nas mesmas festas e nos mesmos lugares.
– E como ela é? — disse Hayley, que estava sentada em sua cama. Jackson tinha saído para chamar Klaus, ele gostaria de escutar a história inteira.
Eles apareceram antes mesmo que eu pudesse explicar sobre a garota. Klaus, que quando me viu, me olhou de cima para baixo, me cumprimentou com um "olá", e me feze estremecer apenas escutando seu sotaque. Sempre senti um pouco de medo dele e admito que era uma das coisas que eu não sentia saudades.
– Klaus — disse Hayley, levantando~se da cama rapidamente ~ Ela tem notícias sobre a Hope.
Ele pousou os olhos sobre mim e passou um tempo analisando toda a situação. Lembro que no ínicio da gravidez de Hayley, ele sequer tinha interesse em continuar com a criança; depois que ela nasceu e foi levada por Rebekah, lembro de vê~lo desolado e triste pelos cantos, morrendo de saudades. Mas nada foi pior do que quando ela sumiu, com dois anos. Era como se o Quartel tivesse entrado em um profundo e demorado luto.
– Ela pratica bruxaria. Já a segui milhares de vezes pelas matas, não sei como, mas ela sabe alguns feitiços, a maioria são facéis, mas ela é inteligente. Seu pai adotivo — falei, tomando cuidado com as palavras, não sabia se Klaus ficaria satisfeito de escutar que tinha outros pais — estuda ocultismo. Descobri isso depois de passar um dia inteiro observando pela janela da casa, ele ajuda ela a praticar feitiços.
"Ela me reconheceu quando viu a marca de nascença... Quando cheguei na cidade, havia um boato de uma garota que fora morta num baile do colégio, tenho certeza de que foi pela Hope. Conheci uns amigos dos pais dela, eles me disseram que ela era rabugenta e vivia brava, pelo menos até os quinze anos, acho que foi nessa época que ela ativou. No começo eu estranhei, não sabia que lobisomens poderiam possuir o dom da magia também, mas a maldição não prejudicou sua mágica."
– Ela é uma tríbrida ~ disse Jackson
– Mas ela tem sangue de vampiro, o que significa que se ela morrer, seus dons acabam — disse Klaus
– Então vamos cuidar para mantê-la viva — disse Hayley — Onde ela está agora?
– Acho que ela nunca saiu da Califórnia durante sua vida toda, com certeza está em Huntington Beach agora.
Hayley e Jackson trocaram olhares rápidos, e em segundos, a vi arrumando uma mochila.
– Nós vamos para lá — disse ela
Klaus, que estava silencioso e com os olhos pousados no chão, passou as mãos pelos cabelos claros e murmurou alguma coisa que eu não consegui entender. Hayley assentiu para ele, e então ele saiu, nos deixando sozinhos. Imaginei que ele precisava de um tempo para assimilar todas as notícias sobre a filha dele.
– Eu... Eu posso voltar para a matilha? — quebrei o silêncio, nem sabia porque ainda estava dentro daquele quarto — Eu vou me comportar, prometo.
– Você pode ficar por aí se quiser — disse Jackson — Mas vamos ver isso quando Hope estiver sã e salva junto com a gente.
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