My Other Mom?
4 Telefonemas
04: Telefonemas
Okay. Eu DEFINITIVAMENTE tenho algum problema.
Como eu posso beijar uma menina que nunca vi antes? Tá, tipo, eu conheci ela HOJE. E é exatamente esse o problema.
Sei lá, eu meio que gostei dela. De verdade. Não é como as outras “namoradas” que eu tive. Eu realmente SINTO alguma coisa.
Argh. Argh, argh, argh.
Eu nunca fiquei tão confuso antes. Digo, por causa de uma GAROTA.
Ahn... Droga. Que eu faço?
-- Leroyzinho? – Ouvi a voz de Hill por trás da porta fechada.
-- Sim mãe?
-- Tudo bem? – SHIT. Esqueci que ela tava em casa, na hora que subi correndo pro meu quarto. – Aconteceu alguma coisa na escola hoje?
-- Não, nada.
-- Então vem almoçar. Tá pensando que vai fugir é?!
Eu ri e sai do quarto, em direção a cozinha. – O que você fez pro almoço?
-- Lasanha.
-- Meu preferido!
Ela sorriu pra mim e me serviu um pouco da massa que estava na travessa, colocando um pedaço enorme no meu prato. E fez o mesmo com ela, mas o pedaço era um pouco menor.
-- E como foi a aula hoje?
-- Boa, até. Teve uma menina... – interrompi um pouco, pra prestar atenção no sorriso malicioso dela. – NÃO É NADA DISSO!
-- Okay, okay. É que nós dois sabemos como você é. Mas continua.
-- COMO EU DIZIA... O nome dela é Eve. Acredita que ela achou que eu era gay?! Eu passo muito tempo com vocês duas, isso sim!
Hill me encarou com uma careta por alguns segundos. – HILLARY! NÃO SE ATREVA A... – mas não consegui terminar a frase. Ela fez o que eu não queria que ela fizesse, antes que eu pudesse falar qualquer coisa. --... Rir... Já era.
-- Qual o motivo da piada? – Mary disse, assim que ouviu nossas risadas.
-- Ah, oi amor. – Hill respondeu. – Uma garota disse que o Leroy é gay.
Ela tentou. Eu tenho certeza que tentou. Eu ACHO BOM ela ter tentado. Mas Mary começou a rir. Muito.
-- MARY!!
-- Desculpa Royzinho! Eu juro que não foi por querer. – Tinham lágrimas saindo dos olhos dela, de tanto que ria.
-- Não teve graça, e—
Okay, fui cortado. Aquele bip irritante da Mary começou a tocar, avisando que tinha trabalho. Ela leu e suspirou.
-- O dever me chama, amores. – disse, dando um beijo na minha cabeça e um nos lábios da Hill. Eca, nunca gostei de ver duas mulheres se beijando, acho que sou traumatizado.
-- MARIE!
-- Sim, Hill?
-- Me dá carona? A galeria é do lado do hospital.
Mary revirou os olhos. – Tá, tá, vamos logo. Roy, limpa a cozinha!
-- POR QUE EU?
-- Tá vendo mais alguém aqui?
-- Não, mas... – Eu não consegui terminar a frase, as duas saíram, fechando a porta na minha cara.
Suspirei e me levantei, indo arrumar a cozinha.
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Acordei de repente, e olhei o relógio, eram 6h da tarde. Nem percebi que tinha dormido depois de ajeitar as coisas lá em baixo. Suspirei e peguei meu celular, precisava falar com a Luuh. Procurei o numero dela na agenda, e liguei. Ela atendeu no primeiro toque.
-- Luuh?
-- Ahn, Roy. Como vai?
-- Bem, mas preciso falar com você...
-- Sobre o que aconteceu hoje?
-- É, eu...
-- Shh, quieto. Eu realmente não me importei, mas vou ficar bem chateada se foi só aquilo, okay?
-- Ah, então você não se importa se eu fizer de novo?
Eu ouvi ela rir do outro lado. – Se importa se eu te chamar de namorado?
-- Como eu ia me importar com isso? Só para de rir, já riram demais da minha cara hoje!
-- Okay, eu paro, namorado.
-- Hm, o telefone tá tocando lá embaixo, tenho que atender. Até amanhã, namorada. – disse, desligando o telefone e correndo pra atender o outro, na sala.
-- Alo? – falei, quando peguei o aparelho.
-- Ahn, por favor, posso falar com Mary McCarthy?
-- Ela não está, quem gostaria?
-- Hm, fale pra ela que Crisnelle ligou.
-- Okay. – respondi, mas não tinha mais ninguém na linha.
Crisnelle? Quem é Crisnelle? Onde eu já ouvi esse nome? De repente, uma lembrança me veio à cabeça. Um muro de pedra, que chamávamos de caverna...
OHSHIT, por que lembrar disso agora?!
Quer saber? Vou dormir que ganho mais! Mary e Hill vão demorar. Falando nisso, ainda não contei o trabalho delas né?
Bom, Mary é neurocirurgiã, formada em Harvard. Sim, HARVARD. Cacetada, a gente tá no Brasil, e mesmo ela sendo minha mãe, isso ainda me surpreende. Enfim, ela trabalha num hospital famoso e blábláblá. A Hill... Bom, ela é uma vagal. Ela é artista plástica. Não que não goste dos trabalhos dela, mas é que ela só trabalha com isso porque nunca terminou a escola. Ah... eu mereço! Uma mãe inteligente, e a outra um desastre.
Quer saber, amanhã tenho que pegar a Luuh, e acho que o dia vai ser cheio. Depois penso em quem é Crisnelle.
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