My Oath To You
32 Capítulo 32
Notas iniciais
Anne acordou com uma campainha estranha tocando uma, duas, e três vezes. Abriu os olhos e se deparou com uma cena no mínimo esplêndida, Samantha estava sentada no carpete e se recostava no sofá em uma posição não muito confortável e a menina de cachos com a cabeça em seu colo, ver duas pessoas no qual amava tanto juntas daquela maneira era comovente. Não iria acordar a morena só para atender a campainha, assim sendo, levantou do chão usando seus braços como apoio, seguiu até a porta até dar uma espiada pelo olho mágico e então abrir.
— Oi? — arrumou o cabelo enquanto olhava para a mulher.
— Samantha está? — perguntou a mulher incrédula.
— Ela está ocupada, quer deixar um recado? — respondeu a loira no mesmo nível da mulher.
— Apenas diga que Lola esteve aqui. — disse e ia saindo.
— Espera. — a loira fechou a porta do apartamento e se virou para a mulher.
— Sei bem quem você é, e também sei o que quer aqui. Quer "machucar" a Samantha com seu trabalho sujo? Estou certa? — usou as palavras da mulher naquela noite que Anne pretendia esquecer, mas não antes de resolver tudo.
— Eu vim apenas para agradecer. — deu uma pausa abaixando sua voz.
— E dizer que não estou mais trabalhando para... — a mulher rapidamente mudou sua postura novamente, o que fez a loira notar que aquilo talvez se tratasse de bipolaridade, abordada durante um semestre da faculdade.
— Você deve saber já que é tão próxima assim de Samantha.
— Sim, muito próxima. Avisarei que esteve aqui.
— Muito obrigada pelo seu tempo. — a mulher deu meia volta e entrou no elevador que se encontrava no local.
Anne ao voltar para dentro pensou sobre Samantha e Lola, não aconteceu nada entre elas aquela noite, era o que a morena disse, algo em sua cabeça apitava como um sinal que um professor dela dizia que todo médico deveria ter, era o que salvava a vida de alguém, instinto. Mas, agora o sinal era sobre uma dúvida, será que ela era mesmo o suficiente para Samantha e seus desejos? Pois aquela mulher que apareceu em sua porta poderia dizer que era, bom, seu físico era.
Respirou fundo até as portas do elevador fechar e voltou para o apartamento.
Samantha colocava a menina ainda adormecida no sofá, com o barulho da porta olhou para lá e um sorriso se abriu com a imagem da loira virando para fechar a porta atrás dela. Anne se aproximou da morena que estava com os cabelos bagunçados e seus olhos inchados o que a deixava mais sexy do que nunca. A morena a pegou pela cintura e apertou seus lábios com os dela e logo a soltou deixando a loira querendo mais daquele beijo.
— Bom dia. Como dormiu?
— Bom dia. Dormi bem para quem dormiu no carpete. — disse passando a mão no pescoço.
— Acho que estou com torcicolo.
— Senta aqui. — falou a loira apontando para o outro sofá.
— Por que?
— Vou te fazer uma massagem que aprendi em um dos meus vários cursos.
— Ok. — a morena aceitou e sentou.
— Existem pontos certos para massagens específicas. Então, os pontos para o pescoço são aqui. — apertou em cima do torcicolo e com a outra mão do outro lado do pescoço.
Anne massageava precisamente, mas ao mesmo tempo com toda a delicadeza. Samantha relaxava nas mãos da loira que apertava em lugares mais doloridos fazendo a morena reclamar da dor.
— Pronto, tome um remédio para dor muscular agora que logo estará você melhor.
— Muito melhor, obrigada. — falou passando a mão no pescoço.
— Só obrigada? Nada mais?
— Posso dar muito mais. — a morena disse e as palavras fizeram a loira corar imediatamente. Samantha deu a volta no sofá e selou seus lábios e a puxou para um beijo lento dessa vez não demorou muito para a loira sair do beijo, pois sabia se aquilo durasse mais Samantha nem ela poderiam aguentar a tamanha tentação acontecendo naquele mero beijo. Seus desejos a assustavam, nunca havia se sentido assim ao apenas beijar um de seus namorados, mas sentia com Samantha, e tudo com ela era o dobro, ás vezes, o triplo.
— Eu vou fazer o café e depois acordamos essa menininha.
— Ok. — disse sorrindo.
— Vou preparar a mesa. — disse a morena e antes de sair roubou um selinho da loira que dessa vez ficou brava por ser surpreendida, mas durou até a morena dar um de seus sorrisos.
Anne deu a volta no sofá e foi até onde Bia dormia e acariciou seu rosto fazendo que ela resistisse e nem sequer tentou abrir seus pequenos olhos.
— Bia?
— Hm? — resmungou.
— Está na hora de acordar. — a garotinha então abriu os olhos com dificuldade e abraçou a loira que abriu um sorriso.
— Bom dia.
— Bom dia tia. Onde está a tia Samantha?
— Estou aqui Bia. — a morena gritou da cozinha.
— Adivinha o que estou preparando.
— Não sei. — falou para a loira.
— Sinta o cheiro. — respondeu.
A menina inspirou o ar para seus pulmões com os olhos fechados e quando reconheceu aquele cheiro delicioso pulou no sofá.
— Panquecas!
— Isso mesmo. — falou a morena.
— Venham!
Anne chegou na cozinha segurando a mão de Bia que olhava surpresa para a mesa cheia de gostosuras todas especialmente para elas. Samantha havia prendido o cabelo e sua bochecha estava suja de farinha, então a loira se aproximou para limpar a bagunça.
— Desastrada, olha só a pia, não precisava sujar tudo isso Sam.
— Precisa sim, não se esqueça que são as melhores panquecas de NYC. — falou e olhou confiante para a loira que riu.
As três comeram e já estava na hora de Samantha ir para o trabalho e Anne estudar o último dia para seu teste no dia seguinte, iria encerrar seu curso pré-vestibular pela internet e estudar muito, era o que planejava para o resto do dia, planejava também ver Samantha no fim do dia, mas era algo quase impossível, pois a morena iria passar muito tempo no depósito e escritório, imaginar ficar todo esse tempo longe dela a fazia se sentir mal, o quão importante ela tinha tornado em sua vida era algo inexplicável. Bia já havia almoçado e agora estava atenta em uma cena que amava em Mulan, um dos filmes favoritos da menina, imaginou que logo ela estaria adormecida e algumas horas iria embora.
TOC TOC
Anne deixou os livros de canto e se levantou para abrir a porta.
— Oi.
— Ah, oi Kevin.
— Como vai? Eu vim tirar uma dúvida para amanhã. Posso entrar?
— Sim, claro. — disse e deu espaço para que o rapaz entrasse.
O rapaz entrou e sentou-se no sofá, observou a menina no sofá quase adormecendo assistindo ao filme.
— Olá, você é a Bia certo?
— Sim, Bia Mulan.
— Ah claro. — o rapaz sorriu arrumando o óculos no nariz.
— Então qual era a dúvida?
— Sobre cálcio e ossos.
— Seja específico Kevin.
— Quanto de cálcio será necessário se meu paciente ter trinta anos e estiver com problemas de locomoção e forte dores?
— Fez os cálculos?
— Ainda não.
— Pois bem, vamos ver. — disse pegando o caderno e um lápis que estavam ao seu lado no sofá.
Kevin e Anne passaram a tarde fazendo pesquisas e a loira respondendo algumas dúvidas do rapaz que ela diria que nunca poderia se tornar um médico quando se conheciam no ensino médio por ser medroso e sem nenhum tipo de sonho, mas agora Kevin havia crescido e junto seu corpo também se desenvolveu, no entanto sempre sendo o mesmo desmantelado do ensino médio. O que sentia em relação a ele? Era uma grande amizade, já ele sentia muito mais do que isso.
— Kevin, vou arrumar a Bia, ela vai embora daqui a pouco.
— Esta bem, eu espero.
A loira sorriu e foi até a Bia que terminava de brincar com as bonecas. Mudou a roupa da menina e também arrumou sua mala.
— Não quero ir tia. — falou a menina com um bico.
— Não fique triste Bia, logo estará de volta. Sabe o que é? Amanhã tenho um exame muito importante e depois você já pode voltar é só pedir para o vovô e a vovó, está bem?
— Ok. — disse cabisbaixa.
— Não vou poder dizer tchau para a tia Samantha?
— Ela está trabalhando agora.
— Ah.
— Mas vá até meu quarto e pegue mais brinquedos na caixa grande.
— Você deixa?
— Claro Bia.
— Eba! — gritou e foi para o quarto.
— Ela é linda. — disse o rapaz que estava observando.
— Sim, ela é muito esperta.
— Espero que quando crescer não roube meu cargo.
Anne riu forçadamente da piada mal contada e infeliz feita pelo rapaz, se ele não fosse embora logo ela ficaria louca ou iria expulsá-lo, ele era um tanto irritante, mas sabia tudo sobre a vírus o que Anne não estava muito por dentro, então resolveu aproveitar mais um pouco disso.
— Me explica as estruturas? — pediu a loira.
— Claro, então é...
Anne no meio do estudo deixou que Samantha dominasse seus pensamentos por um momento, estava cansada de vírus e bactérias, então com Samantha na cabeça apenas concordava com que Kevin dizia.
— Acho que é isso. — terminou o rapaz.
— Entendi.
— Anne posso ir até a cozinha pegar água?
— Claro, vai lá. — disse a loira que foi até o quarto ver a Bia.
A menina brincava distraidamente com as bonecas e pelúcias. Uma cena encantadora.
— Bia logo seus avós estarão aqui, está pronta.
— Sim tia.
A loira sorriu e foi para a cozinha encontrar o rapaz. Ao chegar lá, um cheiro estranho entrou pela suas narinas e perturbou sua visão.
— O quê?... O que você está fazendo Kevin? — gritou a loira.
— Maconha, nunca viu?
— Vá embora. Tem uma criança aqui, seu estúpido.
— Eu te amo Anne.
— Sai daqui. — a loira se aproximou para tirá-lo de sua casa.
— Não, eu me segurei a tarde inteira e agora preciso te beijar. — falou e apertou o braço da loira.
— Vamos Kevin, você não ta falando coisa com coisa.
— Preciso disso para estudar, você não vai passar sem isso. — disse erguendo a droga.
Anne pegou e jogou a droga dentro da pia.
— Vai ter que ser a força então. — disse pegando no braço da loira forte e deixando marcas avermelhadas no local.
— Me solta Kevin. Kevin a puxava para si e Anne fazia o que podia para se afastar.
— O que está acontecendo aqui.
— Sam. — os olhos de Anne pediam ajuda para que a ajudasse sair dos braços de Kevin.
— Solta ela. — a morena disse tirando Anne de seus braços com facilidade.
— Claro você. — disse o rapaz nervoso por causa da droga.
— Você quer Anne para você, mas saiba que sei o que está acontecendo entre vocês e o pai dela nunca irá aceitar.
— Cala a boca. Se você não sair agora eu vou te tirar! — a morena falou séria e com sua voz firme.
— Eu vou, mas ela é minha. — falou o rapaz arrumando o óculos no nariz.
— Veremos. — respondeu a morena superior. Samantha seguiu o rapaz até a porta e a trancou. Anne veio em sua direção e a abraçou.
— O que aconteceu? — falou a menina assustada.
— Nada Bia, vou te levar bolinhos no quarto daqui a pouco.
— São de chocolate? Tia Samantha!
— Sim são. — Anne respondeu enquanto a menina abraçava a morena e voltava para o quarto.
Anne voltou a abraçar a morena forte, e a morena ficou naquela posição até a loira estar melhor para falar. Anne não podia imaginar o que teria acontecido se ela não tivesse chegado.
— Obrigada.
— Ele não fez mais nada? O cheiro estava forte.
— Você notou? Ele nunca mais entra aqui.
— Você tem que tomar cuidado Anne.
— Eu não sabia que...
— Está tudo bem agora. Se abraçaram mais uma vez e então a loira saiu do abraço.
— Lola foi te visitar essa manhã, desculpe por só avisar agora.
— O que ela queria?
— Disse que parou de trabalhar para a Verônica.
— Ah, que ótimo.
— Gosta dela?
— O que?
— Perguntei se gosta dela.
— Não tenho um sentimento concreto sobre ela.
— Hm. Ficaram em um silêncio, e logo Samantha se pronunciou.
— Eu te amo. Eu nunca oficializei meu pedido de namoro então eu trouxe uma coisa. — a morena disse e abriu sua bolsa e tirou uma caixinha de veludo azul e abriu. Ali havia duas alianças em prata, eram lindas e brilhavam mais que a lua naquela noite.
— Anne Hale. Quer namorar comigo?
A loira estava vermelha por inteira, poderia chorar ali mesmo, ela era uma mulher incrível.
— Eu te amo Samantha Klein, eu aceito.
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