Notas iniciais
obrigada por todo o carinho e espero que gostem :)

- O que? – Ele sussurrou, com a voz tão baixa que se eu não estivesse totalmente concentrada no que ele ia dizer, com certeza não teria ouvido.

- Eu... eu sou soropositiva Finn. Já nasci assim. Minha mãe tinha e passou pra mim. – Não conseguia olhar em seus olhos. Apenas encarava uma formiguinha que caminhava com uma folhinha nas costas pelo chão, bem ao lado do pé de Finn.

- Mas... como assim? C-como você não... Como você não me disse isso antes? – Reuni forças e o encarei. Seu rosto transmitia um misto de surpresa, confusão e indignação.

- E-eu não sabia como você iria reagir... e tin-tenho muito medo de te perder pra simplesmente correr o risco e- Ele me interrompeu.

- Então você simplesmente decidiu não me contar uma coisa dessa?! – Sua voz estava elevada, e a conversa estava começando a ir pro lado que eu temia.

- Tenta me entender Finn, eu não quero te perder. Nunca! Por favor, me entende. – Levei meu corpo pra mais perto dele e toquei seu braço com as minhas mãos e ele o tirou do meu alcance, como se meu toque fosse lhe causar dor. Olhei pra ele, chocada com sua reação e meu coração ficou 1000 vezes mais pesado: Ele me olhava com o olhar que eu sempre perdia noites de sono com medo de alguma vez vê-lo no rosto dele. Nojo. Finn tinha nojo de mim. Não consegui me segurar e as lágrimas começaram a descer descontroladamente em meu rosto.

- C-Como você pôde fazer isso comigo? – Sua voz desceu ao sussurro novamente e tudo que eu queria fazer era me jogar em seus braços.

- Me desculpa. Por favor. – O encarei, e ele que antes estava olhando para o nada, me olhou uma última vez, antes de se levantar e dar passos largos em direção à saída do parque. – Finn! FINN! Por favor! Finn! – Eu gritava com todas as forças que podia, mas seus passos continuavam na mesma velocidade e ele nem sequer olhou pra trás. Meus gritos aos poucos foram diminuindo e sendo substituídos por altos soluços.

Por um momento tudo que eu conseguia fazer era chorar, sentada na grama do parque. Aos poucos consegui me controlar pelo menos o suficiente para ir em direção ao meu carro. Entrei nele e o cheiro do perfume de Finn estava por toda parte. As lágrimas voltaram com força total. Ele nunca mais vai querer falar comigo. Ele nunca mais vai querer me ver. Acabou.

Essas frases pairavam sobre a minha cabeça enquanto eu molhava toda a parte da frente da minha blusa. Não estava em mínimas condições de dirigir. Peguei meu celular e apertei o botão 2 da minha discagem rápida, e o número que apareceu na tela foi o da única pessoa que eu sei que iria me ajudar agora. Não sei muito bem como consegui falar com Santana e explicar tudo, mas depois de cerca de 15 minutos ela já estava entrando no meu carro e me puxando pra um abraço forte. Era tudo que eu precisava. O ombro da minha melhor amiga. Ela não perguntou nada, só ficou lá, passando a mão em meus cabelos e dizendo que tudo iria ficar bem enquanto eu chorava as lágrimas que eu achava que já não tinham mais em meu corpo. Depois de um tempo que eu não sei quanto foi, nos soltamos e ela pegou a direção. Ela continuou em silêncio. E é isso que eu gosto na Santana sabe? Quando ela vê que uma coisa tá te magoando, ela não fica perguntando ou falando sobre o assunto. Mas senti como se devesse contar pra ela. Então fiz. Quando parei e olhei pra ela, estávamos parada em um sinal. Ela me olhou de volta, pegou a minha mão e disse:

- Olha, eu sei que deve estar sendo muito difícil, mas dá um tempo pra ele. Ele ainda está em choque. Se imagina no lugar dele.

Mas como assim? De que lado Santana está? Fiquei com vontade de estapear ela ali mesmo, mas pensando melhor, percebi que ela estava certa. Me imaginei no lugar de Finn, e eu provavelmente ficaria furiosa. Chegamos em casa fizemos algo pra comer, já que papai ficaria até mais tarde no trabalho hoje. Tentei pensar em outra coisa, e com todas as bobeiras que Santana estava fazendo só pra me fazer rir, algumas vezes até consegui. Mas quando meu pai chegou, não consegui esconder.

- Boa noite meninas, eu trouxe comida. Mil desculpas pelo atraso, mas tava atolado de trabalho.

- Tudo bem Sr. Berry, já preparamos algo. – Santana apontou para as panelas que estavam no fogão.

- Ai, que bom. – O silêncio ficou entre nós, e parece que papai adivinhou. Não consegui mais me segurar e caí no choro, pela terceira vez hoje. Seus braços já estavam ao meu redor quando eu relembrava de tudo que aconteceu e dizia pra ele, aos soluços.

- Shhh, tudo vai ficar bem princesa, vai sim. – Papai me dizia.

Naquela noite, eu e Santana fomos dormir mais tarde. Ficamos conversando sobre as provas que estavam chegando, o que eu sabia que era só uma tentativa da Santie de me distrair. Depois de me revirar por muito tempo na cama, consegui dormir um pouco. Acordei com o barulho maldito do despertador.

- Um dia eu ainda quebro essa droga. – Ouvi Santana resmungar antes de dar um belo tapa no despertador. Me levantei e ela também, e logo senti sua mão em meu braço. – Rach, se você quiser, não precisa ir pra escola hoje. Eu pego o material pra você.

- Não Sant, brigada. Mas de qualquer maneira algum dia eu terei de enfrenta-lo. É melhor que eu faça isso de uma vez.

Ela assentiu, me dando um sorriso fraco. Nos arrumamos e saímos. Ao chegar no estacionamento da escola, não encontrei Finn no lugar onde ele sempre me esperava. Não pensei que ele iria estar lá, mas mesmo assim isso me machucou. Seguimos para as nossas aulas. Não vi Finn pelos corredores, e nem na nossa aula em comum de hoje. Provavelmente ele nem veio pra escola. Talvez seja melhor.

6º período: Glee Club. Ok, isso pode ser bom. Talvez cantar um pouco possa me fazer bem. Encontrei com Santie no caminho pra sala. Ela entrelaçou o seu braço no meu e seguimos pra porta vermelha que já era tão familiar. Assim que demos o primeiro passo dentro da sala, meus pés ficaram presos no chão. Finn estava lá. E parece que Santana também percebeu, pois também parou subitamente. Por um momento apenas nos encaramos, e de repente ele olhou pro outro lado. Santana começou a me arrastar pro outro lado da sala, onde sentamos e só então percebi que estava tremendo.

Mr. Shue adentrou na sala e começou a falar sobre a proximidade das Sectionals e sobre as músicas que iríamos cantar. De repente sinto todos os olhares em mim e percebo o que fiz. Eu estava com a mão pra cima e permitindo a permissão do Mr. Shue pra cantar uma canção. Ele permite e me dirijo pro meio da sala, onde vejo a cara de Santana, que me olhava com aquela cara de “o que diabos você está fazendo?”

- Eu queria cantar essa música pra uma pessoa muito especial na minha vida e que eu magoei muito. – Encarei Finn, e ele me olhou de volta com um olhar que não consegui decifrar. Fui em direção dos membros da banda e disse o nome da música, antes de voltar ao centro da sala.

Yesterday

All my troubles seemed so far away

Now it looks as though they're here to stay

Oh, I believe in yesterday

Suddenly

I'm not half the girl I used to be

There's a shadow hanging over me

Oh, yesterday came suddenly

Why he had to go I don't know

He wouldn't say

I said something wrong now I long

For yesterday

Encarei Finn novamente, e seus olhos continuavam em mim.

Yesterday

Love was such an easy game to play

Now I need a place to hide away

Oh, I believe in yesterday

Why he had to go I don't know

He wouldn't say

I said something wrong now I long

For yesterday

Yesterday

Love was such an easy game to play

Now I need a place to hide away

Oh, I believe in yesterday

Uh Uh, Uh-Uh Uh

A sala toda aplaudiu, mas a única pessoa que tinha a minha atenção simplesmente se levantou e saiu da sala.

Notas finais
reviews? *-* please? *-*