My Medicine

3 2 - Huntington Beach Reformatory


Notas iniciais
Olá ^^
Desculpem a demora, fui consumida pela preguiça. Se é que alguém ainda lê aqui, né.
Reviews, por favor? :3

As algemas nos meus pulsos encostavam nas marcas e machucavam. Quando eu tocava nelas para tentar afastá-las das minhas cicatrizes, o policial sentado ao meu lado no banco traseiro da viatura me olhava feio e pigarreava.

Foi a hora mais torturante da minha vida. Estar trancada naquele carro com dois policiais mal encarados me olhando como se eu fosse uma marginal que tinha assaltado uma velhinha na rua me fez sentir saudades da cela escura e nojenta.

Olhar a rua correndo pelo vidro do carro parecia tão surreal. Tudo continuava tão igual, mas ao mesmo tempo, era tão diferente pra mim.

Respirei fundo quando o carro parou em frente a um colégio com muros altos e cercas elétricas ao redor. Parecia mais uma prisão. E de certa forma... era.

Esperei que o idiota desse a volta pelo carro para abrir a porta para mim, já que aparentemente o que dirigia não se dignaria a levantar e abandonar suas rosquinhas cobertas de açúcar sozinhas no carro.

Enquanto ele saía do carro, vi um estilete abandonado aos meus pés. Sem pensar me abaixei para pegá-lo e o joguei dentro dos meus coturnos quando senti que a porta se abria.

— O que está fazendo?- Ele perguntou, desconfiado.

— Amarrando o cadarço.- Respondi. Ele apenas pigarreou e puxou meu braço com certa violência.

Perguntei-me mesmo se ali seria uma escola. Não era o primeiro dia de aula? Porque não havia alunos entrando, conversando e rindo, como nas escolas normais?

Recebi a resposta enquanto era arrastada até a recepção daquele lugar. Huntington Beach Reformatory, ou simplesmente HBR. Havia alguns alunos sentados em bancos, sem conversar, mas demonstrando ostentação e impaciência. Adultos trajando uniformes azul-marinho, com expressões fechadas e irritadas, estavam posicionados ao lado de duas caixas enormes.

Senti a mesma sensação que sempre se apossava de mim nos primeiros dias de aula, a ansiedade e a vontade de sumir. Todos os olhos do lugar voltaram-se para mim. Encarei cada um dos alunos sentados nos bancos. Um garoto moreno, com olhos e cabelos negros arrepiados, com os braços cobertos de tatuagens me analisou de cima e baixo e deu um sorriso malicioso. Desviei os olhos rapidamente quando o policial deu um puxão mais forte no meu braço.

Paramos em frente a um dos funcionários, que pareceu tentar enxergar minha alma quando me olhou. O policial entregou uma ficha com os meus dados para ele. Enquanto lia, observei que os alunos nos bancos estavam algemados e aguardavam sua vez, e uma garota que acabara de ter seus pulsos libertos passava por um detector de metais. Meu coração disparou de medo, já que eu havia escondido o estilete dentro do coturno.

O funcionário puxou meu braço e analisou as marcas antes de enfiar uma chave e abrir a algema. Relutei quando o policial me soltou e foi susbtituído pelo funcionário, que sentindo minha relutância, puxou meu braço com tanta força que quase caí.

Mas para minha grande surpresa e alívio, ele me puxou para uma porta ao lado do detector de metais. Talvez ele soubesse que eu tinha acabado de sair da prisão de segurança máxima, e acompanhada de dois policiais, obviamente eu não teria acesso a nenhum tipo de objeto perigoso.

Enganado. Muito enganado.

Ele me arrastou até uma sala branca, com vários adolescentes sentados como na recepção, mas esses não tinham algema e estavam em menor número.

Fui empurrada e caí sentada em uma cadeira ao lado de um garoto folgado, que sentava com as pernas muito abertas. Mesmo quando sentei, ele não moveu nem um músculo, o que me fez ter que sentar com as pernas juntas e virada para o outro lado.

Quando o funcionário abriu a porta para sair da sala, uma mulher gorda e com um enorme sorriso de escárnio entrou, e por alguma razão, todos na sala sentaram-se melhor e fingiram uma expressão séria e obviamente falsa.

— Ora, ora!- A mulher abriu os braços teatralmente.- Mas olhe quantos alunos altamente perigosos temos esse ano! 15! No ano passado foram 10! Mas vocês se multiplicam como ratos mesmo, não é?- Ela deu um tapa forte, brincando, nas costas de um garoto muito magro, com cabelos loiros em cachinhos lindos, que usava uma camiseta regata branca que mostrava suas tatuagens nos braços. Ele mordeu o lábio inferior reprimindo uma exclamação e fechou os punhos, controlando a raiva.

— Vejamos, vejamos.- Ela foi até a mesa de professor, mas não se sentou. Pegou as fichas que estavam sobre elas e analisou-as.- Andrew Dennis Biersack, mas conhecido pelos amigos marginais como Andy Six. Apresente-se, por favor.

Um garoto com cabelos longos, negros e repicados, com roupas totalmente pretas, apresentou-se, como se já estivesse acostumado aquilo.

— E aí, senhora Welch.- Ele cumprimentou. Tinha a voz grossa com um tom entediado. Sua voz era muito linda e provocou arrepios em minha nuca.

— Ah, mas que coisa, hein. Segundo ano aqui, senhor Andrew, não se cansa?- Ela fez um gesto e o garoto estendeu os braços. Pensei que fosse ser algemado, mas ela pegou um pacote dentro de uma das duas caixas grandes ao lado da mesa com duas coisas vermelhas que pareciam pulseiras. Abriu o pacote e prendeu as pulseiras nos pulsos dele.

Ele ergueu as sobrancelhas com indiferença ao olhar as pulseiras. A sra. Welch enfiou a mão na outra caixa e pegou um pacote maior, preto. Parecia roupa.

— Deve servir. Vá para o pátio.

O garoto pegou o pacote, e deu as costas para sair. Eu era a pessoa que estava mais próxima da porta, e quando ele passou por mim, diminuiu o passo e me encarou com aqueles incríveis olhos azuis e deu o sorriso mais lindo que eu já havia recebido em toda a minha vida.

Notas finais
REVIEWS? :3
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.