My Lovely Nanny
4 Capítulo 4 - Atração
Notas iniciais
E ae pessoal, tudo bem? Bom, hoje foi o ultimo dia que minha bebe Maya-chan me deu de prazo para fazer esse capitulo, se não ela ia me jogar na casinha do cachorro qq Enfim, me arrastei pra fazer e finalmente terminei, espero que gostem. Capitulo de transição é meio chatinho, mas tentei fazer algo bom e com alguns detalhes interessantes, então eu espero que gostem!
Sem mais delongas: Boa Leitura!
Num apartamento simples, localizado em um bairro familiar, Abarai estava dormindo profundamente no quarto, virando um pouco na cama. Parecia difícil acordar o ruivo já que estava tão sonolento. Mas o celular começou a tocar sobre o criado mudo e o barulho irritante fez com que bufasse contra o travesseiro, erguendo a mão e alcançando o aparelho. Olhou para o visor com apenas um dos olhos, vendo que era uma mensagem de texto da operadora. Maldição, estava dormindo tão bem... Aproveitou para checar as horas e viu que já estava bem perto da hora do almoço, decidindo esquecer a preguiça e levantar.
Os cabelos vermelhos estavam bagunçados, dando um aspecto de “leão” a Renji quando ele entrou no banheiro e se olhou no espelho. Riu baixo e rouco, retirando a boxer que vestia e entrando direto embaixo do chuveiro, se lavando por inteiro. Depois do banho, escovou os dentes e terminou a higiene pessoal, indo se vestir. Não estava a fim de sair aquele dia, então pegou um camisetão com uma estampa de banda e uma bermuda pra vestir. Era fim de semana, não tinha que trabalhar.
Logo Abarai foi para a cozinha, olhando a geladeira e os armários, pensando no que fazer para almoçar. Ia se virar com o que tinha, então pegou um macarrão instantâneo e pôs água na panela para cozinhar. Se encostou no balcão enquanto via a água ferver, pensativo. O que será que Rukia e Byakuya estavam fazendo aquele dia? O ruivo não podia deixar de sentir curiosidade, mas sabia que provavelmente tinham saído e estavam aproveitando juntos. O Kuchiki finalmente conseguia dar toda a atenção para a filha e leva-la onde quisesse. Por isso, Rukia amava os fins de semana...
Provavelmente ela o fazia brincar de boneca assim como o obrigava durante a semana quando queria. Talvez saísse correndo pela casa brincando de pega-pega com o pai. Talvez fossem em algum parque, brincando juntos no balanço ou no escorregador. Ah, provavelmente comeriam lanche e algum doce bem gostoso de sobremesa. Poderiam andar de bicicleta juntos também... Podia imaginar o rosto do Kuchiki se contorcendo de preocupação caso sua pequena filha se machucasse, mesmo um simples ralado no joelho. Byakuya era um excelente pai, disso o ruivo não tinha duvidas...
Estava tão distraído em seus pensamentos que Renji quase deixou o ponto do macarrão passar. Praguejou alto, desligando o fogão e colocando o macarrão no prato. Abriu uma lata de atum pra acompanhar a massa e se sentou na pequena mesa que tinha, começando a comer. Morava sozinho e não recebia muitas visitas, apesar de ter muitos amigos. Geralmente saia com eles no fim de semana e agora que tinha um “emprego fixo” tinha dinheiro suficiente para pagar as contas e se divertir. Alias, recebia muito bem do Kuchiki, a primeira vez que recebeu o salario – dois dias atrás – teve que perguntar ao moreno se não tinha colocado a mais sem querer. Tudo o que recebeu foi um olhar severo de Byakuya, então não disse mais nada, agradecendo pelo outro ser tão generoso.
Alias, pouco a pouco Abarai conseguia aprender um pouco mais sobre o mais velho. Sabia que ele trabalhava em uma grande empresa e tinha um cargo importante. Era colega de trabalho de Zaraki-san, que justamente o havia indicado para ser babá de Rukia. Era viúvo há quatro anos, teve uma bela esposa que também tinha um ótimo trabalho. É muito apegado a filha e era a única que conhecia o lado gentil e amoroso do pai – se bem que o ruivo acabava vendo alguns desses momentos tão bonitos. Fora de casa, era um homem extremamente sério, perfeccionista, empenhado e rígido. Se o tivesse conhecido em outra situação, provavelmente nunca conseguiria lidar com alguém como ele...
Enquanto lavava a louça, Renji se perguntou por que o moreno não saia de sua mente. Não era de hoje que acabava pensando no mais velho por um longo tempo e isso era muito estranho para si. Quero dizer, admirava seu chefe e também gostava muito da pequena Rukia, era normal pensar neles, mas não tanto assim. Aliás, seus pensamentos estavam cada vez mais ligados no moreno do que na menina e nem sabia explicar o por que. O ruvio tentava se convencer a parar com isso e focar em coisas importantes, logo deixando tudo em ordem na cozinha e indo para a sala.
Abarai se jogou no sofá, curtindo seu momento de tranquilidade e ligou a TV, procurando algum canal para assistir. Deixou em um filme de ação que estava para começar, ficando com os olhos fixos no objeto. Em alguns minutos, viu o personagem aparecer vestido com um terno e sem perceber, seu pensamento já estava em outro lugar. Ah, ninguém conseguia ficar tão elegante e belo em um terno como Kuchiki... Como sempre ia trabalhar assim, o ruivo estava bem acostumado a vê-lo tão garboso nessas vestes. Aumentavam a imponência do mais velho e...
Renji balançou a cabeça, se recriminando mentalmente por estar pensando no outro de novo. Foi algo tão automático que demorou a perceber... Por que isso acontecia com tanta facilidade? Decidiu focar no filme novamente, isso ia parar. Tinha que parar. O filme prendia a atenção do rapaz até os comerciais começarem, fazendo-o se remexer inquieto no sofá. Uma propaganda em especial capturou sua atenção. Era uma simples propaganda de uma farmácia, mas quando o vídeo mostrou a sessão de curativos, não pode deixar de se lembrar daquele momento...
Byakuya tinha se machucado por sua causa, desviou sua atenção e por isso se cortou com a faca. Tinha corrido para ajuda-lo, lavando sua ferida e até colocou um dos band aids florais que tinha comprado pra Rukia. O moreno não pareceu se incomodar com isso, mas o contato que os dois tiveram demorou mais do que o necessário. Não queria solta-lo e o Kuchiki também não parecia fazer questão disso. A despedida, o aperto de mãos, a troca de olhares... Ficava perturbado quando aqueles belos olhos azuis se chocavam com os seus. Um misto de fascinação, respeito e curiosidade sempre o envolvia quando estava perto do moreno.
O filme voltou dos comerciais, mas Renji já não conseguia prestar atenção. Se acomodou de lado no sofá, decidido a entender o que se passava consigo quando o assunto era Kuchiki Byakuya. Não era uma admiração normal que sentia e sua curiosidade absurda poderia leva-lo a ser inconveniente. Sua vontade de ficar perto dele mais do que de Rukia também não era nada comum. Admitir tudo isso já era bem difícil para o ruivo, mas tinha que ser franco consigo mesmo. Parecia que o que o levava era uma irresistível... Atração.
Foi como se alguém tivesse acendido uma luz na mente confusa do ruivo e o tivesse feito enxergar a realidade. Atração... Era tão obvio, por que não tinha percebido antes? Estava realmente se sentindo atraído pelo Kuchiki, tudo fazia sentido agora. Não era novidade para Renji sentir atração por outro homem, o ruivo era bi e já teve suas experiências homossexuais, mas já fazia um tempo que isso não acontecia. E agora justamente estava sentindo isso pelo pai de Rukia, seu patrão. Isso ia ser muito complicado... E tinha certeza que não seria retribuído. Pelo menos estava um pouco mais aliviado ao entender o que se passava com seu coração agitado, podendo aproveitar o resto do dia.
... X ...
A porta da casa foi aberta e a pequena menina entrou correndo, rindo e girando contente. Parecia que ainda tinha muita energia, mesmo tendo passado o dia todo fora com seu pai. O Kuchiki entrou em casa logo atrás da menor, trancando a porta e deixando um longo suspiro cansado escapar. Realmente sua filha conseguia sugar todas as suas energias e mais um pouco! Tinha cumprido a promessa de levar a menina num parque para poder brincar, assim como andar de bicicleta e só comeram besteiras o tempo todo. Ainda teve que comprar um bambolê rosa que Rukia queria muito e agora via a filha tentar manter o brinquedo girando em sua cintura, mas logo caia.
- Otou-san, eu não consigo... – resmungou a menina com um bico fofo no rosto.
- É mais difícil do que parece, Rukia. Nem eu sei o truque. – consolou a filha, se sentando no sofá.
- Mas eu quero girar mais! – a pequena tirava o brinquedo, olhando-o em mãos – Otou-san, tenta você.
- O que?! – Byakuya ergueu uma sobrancelha, encarando a mais nova com um olhar incrédulo – Estou muito cansado pra isso, Rukia... E também não tenho mais idade pra isso.
- Ah, por favor... Eu sei que você consegue Otou-san! – a menina ia insistir e muito pra isso, queria ver seu pai brincando com o bambolê.
O Kuchiki se recusou o máximo que pode, mas sua filha sempre conseguia convence-lo de fazer qualquer coisa, até algo tão absurdo e vergonhoso como isso. Ainda bem que estavam sozinhos... Não queria nem imaginar a cara de Renji se estivesse ali naquele momento enquanto passava o bambolê pelo corpo e fazia-o girar, tentando mantê-lo girando ao fazer movimentos com a cintura. Podia ouvir a risada rouca e baixa do ruivo, o assistindo ao lado de Rukia, que estava batendo palmas.
O brinquedo logo foi ao chão e o devolveu rapidamente a menor antes que pedisse para que ele fizesse de novo, mandando-a ir tomar banho. Apesar da manha, Rukia aceitou e correu escada acima, guardando o bambolê no quarto antes de ir para o banheiro. Byakuya voltou a sentar no sofá, aproveitando para descansar um pouco naquele momento. O rosto risonho de Abarai voltou a sua mente e ficou pensando no porque de ter pensado nele naquele momento.
Estava acostumado á presença do rapaz, então no fim de semana quando ficava em casa, sua filha sempre dizia que queria que o ruivo estivesse com eles para brincar também e de certa forma, também sentia falta do outro por ali. Renji havia se encaixado harmoniosamente em sua rotina, mesmo que não tivessem muito tempo para conversar. Os cumprimentos e as poucas palavras trocadas – de manha antes de ir para o trabalho e a noite quando chegava em casa – criaram uma conexão entre os dois, inevitavelmente. Aprendeu a confiar no mais novo, mesmo que seu visual tenha causado um impacto negativo na primeira vez em que se viram.
Renji não era feio, de forma alguma. Mas todas aquelas tatuagens e o cabelo ruivo tão comprido deixaram o “certinho” Kuchiki desconfiado. Sabia que não era bom julgar ninguém pela aparência, mas foi inevitável. Agora a figura exótica do rapaz era aceita e até apreciada pelo moreno. Os dois eram tão diferentes e mesmo assim, pareciam se entender sem maiores problemas. O ruivo era dedicado e cuidava de sua filha com tanto carinho e empenho que não poderia deixar de gostar do outro.
Sim, gostava dele por que ele era uma ótima babá para sua filha. Era isso. Simplesmente isso e nada mais. Byakuya parecia querer convencer a si mesmo disso, era um homem adulto e maduro, mas não estava sendo sincero consigo mesmo. Nem conseguia admitir que Abarai estava surgindo em seus pensamentos muito mais do que gostaria e nem que a sensação do toque do mais novo foi tão agradável. Lembrar daquele dia em que feriu o dedo na cozinha e foi cuidado pelo ruivo tantas vezes parecia um crime!
Onde estava com a cabeça? Como poderia se importar tanto com um momento, um único toque? A gentileza e a preocupação estampadas nos olhos castanhos do maior realmente causaram algum efeito em seu coração endurecido? Sua mão foi automaticamente sobre o pulso que Renji segurou e se lembrou do calor que sentiu com esse mínimo contato. Não conseguia acreditar que estava ficando mexido por causa de um simples rapaz que nada em comum tinha com ele.
Se levantou, subindo as escadas e vendo que a filha já estava no quarto, lendo um livro de princesas e vestindo seu pijama de coelhinho. Já estava tarde, então desejou boa noite para Rukia ali da porta e foi para o banheiro, relaxar embaixo da água morna. Foi um dia muito cansativo, apesar de divertido. Adorava passar cada segundo ao lado da menor, com certeza era seu tesouro, a coisa mais importante que tinha. Tesouro esse que entregava todos os dias nas cuidadosas mãos de Abarai.
Durante o banho, Byakuya se lembrou de que Rukia havia dito umas três vezes naquele dia que queria que o ruivo estivesse com eles. Sem duvida a menina já estava muito apegada ao rapaz, muito mais do que jamais ficou de uma babá. Toda a dedicação e esforço do mais novo era reconhecida pelo moreno, mas... Se pensasse bem, o que sabia sobre Renji? Não que tivesse muito tempo para perguntar, mas o rapaz lhe despertava curiosidade. Onde morava? Como vivia? Com quem vivia? Coisas tão pequenas e banais instigavam Kuchiki a querer conhecer mais o rapaz, mesmo que não fosse realmente necessário ou mesmo pertinente.
Quando foi para o quarto e deitou em sua confortável cama, o mais velho já estava com as ideias bem mais organizadas na cabeça e só faltava admitir o obvio. Mas o moreno era muito teimoso, fora que não conseguia acreditar que realmente estava sentindo alguma coisa, depois de tantos anos ignorando seu coração esquecido num canto. E havia outros fatores a se preocupar: Renji era homem, mais novo e totalmente diferente de si. Não tinha como isso dar certo, não sabia nem como podia estar tão... Atraído pelo ruivo. Admitir isso para si mesmo já era bem difícil e não pretendia deixar que isso fosse descoberto. Dormiu um pouco mais calmo, mesmo com o rosto do maior em seus pensamentos.
... X ...
Na manha seguinte, Rukia já estava de pé terminando o café da manha enquanto via seu pai ajeitar a gravata. Aquele dia a menina não teria aula, estavam concertando o encanamento da escola e os alunos foram dispensados. Como de costume, o moreno olhava para o relógio mais de uma vez, preocupado com um possível atraso. Mas como sempre, Renji era pontual e não deixava o Kuchiki na mão. A pequena levantou da mesa com um salto ao ouvir a campainha, disparando para a porta e sabendo quem era.
- Bom dia Renji! – a menina cumprimentou assim que viu o ruivo, sorrindo.
- Bom dia, minha pequenina! – o ruivo cumprimentou amorosamente, se inclinando para beijar o topo da cabeça da menina.
- Bom dia Abarai... – Byakuya também o cumprimentou, se sentindo um pouco estranho ao olhar o rapaz depois de ter admitido a atração que sentia.
- Bom dia Kuchiki-san... Não se preocupe, vou cuidar bem da Rukia. – o maior se sentia da mesma forma que o outro, mordendo o lábio inferior.
O moreno assentiu, sabendo que ele sempre cuidaria bem de sua filha. Se despediu da menor como sempre: um beijo e um abraço apertado. Em seguida pegou a maleta e caminhou para a porta, passando rente ao mais novo, sentindo os ombros se encostarem. Um simples toque já o deixava tenso... Mal sabia que causava o mesmo efeito em Renji. Estava praticamente fora de casa, indo em direção da garagem quando ouviu a voz rouca e alta do ruivo.
- Kuchiki-san! – virou o rosto para ver o rapaz, que sorriu um tanto sem jeito – Bom trabalho... Se cuide.
O mais velho ficou um tanto sem ação, observando o rosto sorridente de Renji, que agora bagunçava os cabelos ruivos, se sentindo tonto por ter falado algo desnecessário. Mas apenas queria falar um pouco mais com ele... Queria que aquela conexão que tinham fosse maior, mesmo que aos pouquinhos. O maior só não esperava receber um pequeno sorriso que apareceu no canto dos lábios de Byakuya como resposta e um simples “obrigado” que fez seu coração tamborilar mais alto no peito. O menor partiu para o trabalho e o outro entrou em casa, pronto para mais um dia ao lado da pequena Kuchiki, mas agora com uma motivação bem maior.
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