My Little Sweet

1 Capítulo 1 - Começo e explicação.


Notas iniciais
Etto... Faz tempo que eu não começo uma fic, mas vamos lá o/'
Gente, essa fic surgiu numa conversa em que as autoras estavam praticamente bêbadas de tanto sono ê-e' É sempre assim, quando eu e a Lah-chan nos juntamos SEMPRE DÁ SHOTA! E com uma boa dose de risadas... Mas sim!
Ah... Não tô inspirada pra dar os parabéns pra Littlefoot agora, quem sabe nas notas finais u.ú'
BOM CARNAVAL, GALERAAAA!! UHUU! PULEM BASTANTE!
Boa leitura o/
P.S.: Ninguém betou o cap por preguiça mesmo, qualquer erro, digam nos reviews o/

- Pois não? — Andei à porta assim que ouvi as batidas, deixando de lado minha fantástica leitura sobre algas e plânctons.

Qual não fora minha surpresa ao deparar-me com duas figuras, um tanto quanto inusitadas. Uma era uma velha senhora, já passando dos cinquenta, com fios grisalhos, muito bem presos em um coque, a face já com marcas evidentes da idade, um óculos fino e redondo caindo-lhe sobre os olhos e um sorriso dócil e meigo brincando nos lábios. Parecia ser uma boa senhora.

A outra figura, uma graça! Um menininho pequeno, baixinho, não dava mais do que cinco anos para a criança. Infantil, escondendo-se atrás do longo vestido da boa senhora, com os olhinhos dourados mirando-me discretamente, os cabelos loiros escuros bem penteados, parecendo um mini adulto, fofo, meigo e encantador. Ele me passava toda a inocência que uma criança tem que ter, mas hoje em dia... Parece que os valores foram todos invertidos!

- Ah, bom dia, meu jovem! É que nós somos os novos vizinhos, queríamos conhecer o local! Eu me chamo Margharett, e esse é o meu netinho, Daniel! Como se chama, querido?

- Ahn... A-Ah! Desculpa, eu me distraí um pouco! Eu sou Christopher, é um prazer, senhora! — Estendi a mão para ela, abrindo um enorme sorriso, que ela me retribuiu, apertando minha mão. — E você, garotinho? Por que está se escondendo de mim, hein? Eu não mordo... — Abaixei até ficar a sua altura, apoiando um joelho no chão, sorrindo e falando mansamente.

- D-Desculpa... — Ele saiu detrás da avó, ficando de frente para mim, mas fitando o chão, corado.

- Ah, ele é assim mesmo, querido! Daniel, onde estão seus modos, hm? — Ela disse, piscando para mim, mas o pequeno não percebeu que era brincadeira.

- D-Desculpa, vovó! O-Olá! É um prazer! Eu sou Daniel, e você é o Christopher! Oi! — Ele falava aquilo tudo muito rápido, tão meigo! Não pude deixar de rir daquela cena.

- Oi! Então, mocinho, quer entrar pra tomar uma xícara de de café? — Oops! Ele não deve tomar café... — Q-Quer dizer...

- Não, ele toma café!

- Mas café é amargo... — Ele falou, meio muxoxo. Parece que a cada segundo que passa eu me encanto ainda mais por esse menininho. Sempre gostei de crianças.

- Eu prometo fazer um bem docinho, tá bom? — Sorri para ele, estendendo minha mão, convidando-o a segurá-la. Ele demorou um pouco, mas logo a pegou e nós entramos em casa.

Minha casa é simples, moro sozinho a um ano e meio, vim estudar direito no exterior, por isso minha casa se resume a um cubículo aconchegante e bem decorado, com uma cozinha em tons pasteis, uma bancada de mármore, forno, fogão, geladeira, armários e todas essas coisas que cozinhas tem.

Tenho um sala até que bem grande, também em tons claros; com um sofá e uma poltrona, uma televisão — que eu quase nunca assistia, diga-se de passagem -,alguns quadros e estantes completamente lotadas de livros! Uma mesinha redonda de centro, tudo bem organizadinho, claro, quando possível... Tem vezes que eu chego na minha casa e não consigo dar dois passos sem ter o pé impedido por roupas sujas, jogos, livros, folhas, apostilas... É, eu não sou uma pessoa lá muito organizada! Mas ontem eu tinha tirado o dia para arrumar, por isso tava bem legal.

- Que casinha adorável, meu filho! Quem arruma pra você, hm? — A boa senhora me perguntou.

- Ah, eu mesmo... Vim morar aqui em Londres a um ano e meio pra estudar direito, moro sozinho... — Disse, sorrindo, enquanto começava a ligar a cafeteira.

- Ah, sério?? E não fica com saudades de casa??

- Um pouco, fico com muitas saudades de meus irmãos, dos meus amigos... Mas o pessoal daqui também é muito acolhedor! A vizinha que se mudou, que morava na casa de vocês, era muito gentil comigo, e o homem daqui do lado também! Sempre foram muito prestativos...

- Ah, que bom! Ainda não falei com eles, mas parecem serem ótimas pessoas! De onde você é, meu jovem?

- Dos Estados Unidos.

- Ah, é um lugar ótimo, não?

- Nem tanto, tem muita confusão... Mas eu gosto de lá! Ahn... Eu fiz café, desculpa, não costumo comprar chá, mas também tenho suco ou refrigerante...

- Ah, café está ótimo, obrigada! Nem precisava na verdade...

- Eu insisto! E você, rapazinho, fiz um especial pra você! — Eu queria dar chocolate pra ele, mas não tenho, não costumo comprar chocolate também; por isso fiz café com leite e leite condensado, o que na minha época de infância eu amava!

- O-Obrigado... — Ele pegou a xícara, de forma desajeitada e cuidadosa, logo soprando um pouco.

- Por nada! Então, por que se mudaram pra cá?

- Ah, nós morávamos por aqui mesmo! Só que era longe da escola dele, por isso mudamos pra cá! E o bairro é tão bom, sempre gostei daqui! — Pensei em perguntar sobre os pais dele, mas achei que seria muito abuso da minha parte.

- É bom! — O quê? Ahn... Há, que lindo! Só agora ele provara o café que dei para ele, que pelo visto, agradou muito!

- Ah, obrigado! Sempre que eu ia na casa das minhas vizinhas quando criança, elas me davam café com leite e leite condensado!

- É muito bom mesmo... — Ele olhava a xícara de cima a baixo, procurando a "fórmula", o "ingrediente secreto" daquilo. Há quanto tempo eu não vejo uma criança assim??

- Fico feliz que tenha gostado! Então, que série está fazendo, Daniel? — Perguntei, sentando ao lado dele no sofá.

- A-A primeira série...

- Ele pulou um ano!

- Sério?? Então deve ser um rapazinho bem inteligente, não? Já sabe ler??

- S-Sim!

- Ah, ele ama ler! Ama muito mesmo! Uma vez peguei ele lendo meus livros da Jane Austen, Orgulho e Preconceito, conhece?

- Conheço! É um romance belíssimo! — Na verdade, eu só li porque o professor de literatura pediu, mas realmente é uma boa história. — E você gostou?

- S-Sim! É-É muito bom! O texto é muito rico e cheio de detalhes, mas eu ainda não cheguei ao final...

- Ah, pois trate de chegar! Tenho certeza de que vai gostar do final!

Depois disso, ficamos conversando um bom tempo. Descobri que Daniel tinha sete anos, Margharett era aposentada, por isso passava meio que vinte e quatro horas por dia cuidando do neto! Fiquei pensando se ele não era meio mimado, mas não parecia ser...

Em um determinado momento, Daniel ficou olhando para minhas estantes, com os olhinhos brilhando.

- Quer ir lá ver? — Sugeri, ainda sorrindo.

- E-Eu posso?

- Claro! Fique à vontade, a casa é sua! Quer que eu te acompanhe? — Levantei e estendi uma mão para ele, que ficou olhando um tempo, antes de segurá-la e eu o guiei até as estantes.

Tirei um livro de lá, "Alice no País das Maravilhas", Lewis Carrol, um clássico!

- Conhece esse?

- Não...

- Ah, é muito bom! Tome, leia! Minha mãe lia muito pra mim quando eu era menor... — Entreguei o livro nas mãos dele, que o pegou e foi indo em direção à sala novamente, mas no meio do caminho se virou e correu até mim novamente.

- Obrigado, senhor! — Que... Que lindo!

- Ah, imagina! E não me chame se "senhor", tenho dezenove anos ainda! Sou um garoto! — Baguncei os cabelos dele, ao que ele corou bastante.

- T-Tá! — Ele foi para sala novamente, sentando-se ao lado da avó e começando a ler.

- Ah, ele vai gostar muito, tenho certeza! Então... Você é universitário, hm?

- Sim, estou cursando direito!

- É uma boa profissão!

- É mesmo...

- Bem, agora nós já vamos! Ainda temos que falar com os outros vizinho, né, querido?

- É... — Ele se levantou, indo até mim e me entregando o livro. — Obrigado por me emprestar...

- Mas já? Você ainda nem terminou de ler!! — Empurrei o livro de volta para ele.

- M-Mas é seu!

- Eu te empresto! — Levantei e sorri, começando a acompanhá-los a porta.

- M-M-Mas...

- Nananinanão! Eu insisto! Ah, senhora Margharett, se precisar de alguma ajuda é só me chamar, viu? Já terminaram a mudança? Se quiserem alguém pra ajudar a carregar as caixas, pintar a casa, ou em qualquer outra coisa eu tô aqui, viu? — Abri a porta, ao que os dois saíram e eu os acompanhei. — E você, rapazinho, trate de ser menos tímido, hein? — Sorri para ele, que corou bastante.

- T-Tá!

- Promete? — Não sei de onde veio isso, mas quis dizer.

- P-Prometo!

- Jura de mindinho? — Ok, eu tô começando a apelar...

- Hã?

- Nada, esquece! Tchau! Foi um prazer conhecer vocês! Voltem sempre!

Depois que eles saíram, fiquei pensando. A Margharett parecia ser tão bondosa e amável, e o Daniel... Adorei aquele garoto! Muito educado, inteligente, comportado... Fazia tempo que eu não via alguém assim!

Comecei bem o meu dia!

~x~

Passaram-se um mês desde que conheci os dois. Fui ajudar algumas vezes na casa deles, que era bem organizada!

Haviam vezes em que passava longas horas conversando com Margharett e sempre saia revigorado! Ela sempre me dava bons conselhos e me ajudava quando eu não sabia o que fazer, já que passei por um tempo de crise com um dos meus amigos, um dos meus melhores amigos, já que ele começou a se envolver com drogas... Bom, mas isso é outra história! O fato é que eu adorava conversar com ela! Sua experiência e vivência me ajudaram muito!

Já o Daniel... Continuava muito tímido, é verdade, mas ele até que se abria um pouco mais comigo, já conversávamos, já brincávamos... Uma vez ele até me pediu ajuda no dever de matemática! Suas aulas já começaram, é realmente um ótimo aluno! Ele ainda está lendo o livro que emprestei, parece estar gostando, e ele... Bom, podemos dizer que ele já é considerado um grande amigo!

Um dia, quando estava na faculdade, recebi um telefonema de um número desconhecido... Ainda bem que estava na hora da saída, por isso atendi.

- Alô?

- Christopher? Ah, ainda bem que você atendeu, querido! É a Margharett, bom... Antes de tudo, queria me desculpar por pedir o que vou pedir, e caso você não possa fazer, não hesite em me dizer, está bem?

- Claro, mas se estiver ao meu alcance, é lógico que eu faço!

- Tudo bem... É que eu tenho que resolver um problema, eu recebi uma carta dizendo que minha aposentadoria ficaria inválida, não sei o porquê, mas eu tenho que ir resolver isso... Mas vai demorar, até porque eu ainda tenho que ir na casa de uma amiga minha, pegar uma encomenda e tenho que ajustar uma roupa... — Ah, esqueci de falar, mas, nas horas vagas, a dona Margharett é costureira. — Mas, querido, o Daniel sai do colégio daqui a meia hora! Eu não vou conseguir chegar aí nesse tempo, e nem tenho com quem deixá-lo!

- E... Você quer que eu fique com ele por esse tempo?

- Se fosse possível...

- Hm... — Fiquei analisando as coisas que teria que fazer quando chegasse em casa: estudar, estudar, estudar, estudar, comer alguma coisa, estudar, estudar, estudar... É, nada inadiável! — Tá, eu vou sim!

- Tem certeza? Eu não quero causar nenhum incômodo...

- Ah, imagina! Vai ser um prazer, ele estuda aqui perto, não é?

- É sim, já está na última aula!

- Ok, vou dar uma passada lá e depois levo ele pra casa, tchau! — Desliguei o celular, logo indo para a parada e logo pegando um ônibus, não, eu não tenho carro! Sei dirigir um pouco, mas não cheguei a tirar minha carteira, mas o transporte público daqui é ótimo.

Parei perto da escola, era grande e bonita, via algumas crianças correndo do lado de fora, alguns pais estacionando nas proximidades, uma cena que também me era estranha, mas logo vi um garotinho pequeno sentado no jardim, calado e sozinho, com um livro nas mãos.

- Daniel?

- C-Christopher? O-Oi! A vovó ligou dizendo que você viria me buscar... Oi! — Ele corou um pouco.

- Hm... E você não tem nenhum amiguinho por aqui?

- Eles já foram... — Droga, porque a merda de universidade fica do outro lado da cidade?!

- Ahn... Saquei... Podemos ir?

- Sim... — Ele guardou o livro, que era o que eu havia emprestado, e estendeu a mão para mim, levantando e começando a andar do meu lado, de mãos dadas.

Devemos ser uma cena bem incomum de ser ver. Eu, tamanho dezenove anos, e ele, de sete anos, caminhando com as mãos entrelaçadas, não me pergunte por que, mas estavam. Acho que ele geralmente andava assim com a avó dele, então achei melhor não perguntar nada... De qualquer forma, notei alguns olhares curiosos e até ofensivos para nós, mas ignorei, fomos andando enquanto eu perguntava como foi seu dia.

- Ah... Foi normal. Tivemos aula de matemática, ciências, artes e geografia...

- Hm... E qual foi a melhor?

- Artes!

- Sério, por quê?

- Porque fizemos um trabalho manual, de argila, foi muito divertido!

- Parece ter sido mesmo! Pelo seu sorriso... — Fato! Estava tão meigo. — Você devia sorrir mais, sabia? Seu sorriso é tão lindo...

- A-Ah... O-O-Obrigado... — Ele corou, eu já sabia, mas gostava de implicar.

- Ei, por que você tá todo suado, Daniel?

- Porque tivemos aula de educação física... Cansou muito... — Ele realmente parecia cansado, e estava suado e levemente sujo.

Chegamos em casa em poucos minutos, ora conversávamos, ora nos calávamos. Mas até que foi divertido, bem divertido.

- Daniel, pode ficar à vontade, tá? Se quiser tomar banho, eu acho bom, já que você tá todo suado e... Sujo.

- E-Eu quero, mas... Eu n-não trouxe roupa! E a única coisa que posso usar é a minha causa, já que eu sujei minha camisa com argila... — Ele fitava o chão, como se tivesse cometido um sacrilégio. Não pude deixar de rir.

- Tá, bobinho, pode ir tomar banho que depois eu dou um jeito nisso! — Entreguei a ele uma toalha branca que eu nunca usava por ser pequeno demais.

- M-M-Mas...

- Sem "mas"! Vá lá enquanto eu preparo alguma coisa... — Ele resolveu me obedecer, entrando no banheiro, logo eu ouvi o barulho de água caindo.

Bom, nesse curto período e convivência com ele, aprendi que crianças precisam de comida! Apesar de ele não comer quase nada, acho que seria bom fazer algo para ele... Fiz o óbvio, leite com biscoitos, sim, eu tenho biscoitos em casa! Às vezes eu fico com fome e sem paciência pra fazer nada, por isso compro biscoitos!

Algum tempo depois ele saiu do banheiro, enrolado na toalha pequena, que ficava até que bem em seu corpo. Os cabelos loiros escuros grudados na testa, alguns pingos caindo do seu corpinho pequeno, e ele saiu correndo para o meu quarto, onde tinha deixado sua mochila.

Ri daquela cena, ele era tão inocente, mas não demorou muito ele saiu do quarto, ainda com a toalha enrolada em seu corpo , cobrindo-lhe o tórax.

- Er... C-Christopher, v-você teria alguma camisa para me emprestar? — Perguntou, olhando fixamente para o chão.

- Ah, claro, desculpa, eu esqueci! — Sorri e o puxei pela mão para dentro do meu quarto, logo abrindo meu armário.

Bom... Eu tenho quase um e oitenta, e ele... Ele não deve ter um e quarenta! Bem... Peguei uma camisa que ficava extremamente curta e apertada em mim, de mangas compridas, algodão,que deveria ser bem comportada, se não me sufocasse até espremer minhas células.

- Tome, vai ficar grande, mas é a menor que tenho... — Estendi a camisa para ele, que a pegou e logo em seguida a vestiu.

Ok... Isso foi uma coisa bem engraçada! A camisa ficou um vestido nele! Muito engraçado, e muit fofo também!

- Christopher... Ficou enorme!

- Eu sei, Daniel! M-Mas é a menor que eu tenho... — Ok, eu já não estava mais controlando o riso!

- Christopher! — Ele me repreendeu?? Sério mesmo?? UAU, EU SOU O MÁXIMO! I-Isso quer dizer que... Ele já não é mais tímido! HÁ, EU SOU DEMAIS!

Comecei a rir, uma risada alta, estava tão feliz! Ok, eu tô parecendo um retardado mental, mas eu não consigo me controlar!

- T-Tá, Daniel! — Eu parei de rir um pouco e notei a cara extremamente fofa que ele fez para mim. Um misto de culpa e ressentimento, misturado com vergonha. Estava tão fofo! — Ei, eu não fiquei com raiva, bobo!

- N-Não?

- Claro que não! Por que eu ficaria, hm? — Sim, eu tava fazendo isso só pra provocar.

- Porque eu... Porque... Porque...

- Viu? Não tem motivo pra eu ficar com raiva!

- É...

- Então vem, vem jantar comigo! — Eu fiz lasanha, é massa, ele gosta de massa.

Sentamos e comemos juntos, graças a Deus eu sei cozinhar! Modéstia a parte, tava muito bom! Depois disso, eu me sentei na minha poltrona, como eu a amava! Nos dias de preguiça (ou seja, quase todos), eu me sentava nela e ficava lá o dia todo, mas dessa vez eu estava estudando, de verdade, enquanto ele estava deitado no chão, de barriga para baixo, com uma perna balançando e fazendo as tarefas.

- Christopher... Tá muito ocupado? — Ele perguntou, olhando para mim. Ah, quem precisa se formar mesmo?!

- Ah, não, não! O que foi? Algum problema no dever?

- Sim, de biologia....

— Mostra aqui. — Ele se levantou e me entregou o livro, mostrando o problema.

— Hm... Entendo... — Puta que pariu, vocês não vão acreditar mas eu não sabia resolver aquela questão! Fala sério, eu mal lembro da aula de ontem! — Err... Daniel, você não quer pegar um livro que eu tenho lá no meu quarto, hein? É uma enciclopédia, da minha sobrinha, quem sabe te ajude... — Eu poderia ir lá buscar, mas não queria que ele visse eu batendo aquele livro enorme de direito institucional na minha cabeça.

Ele assentiu com a cabeça, logo indo para o meu quarto, enquanto eu me preparava para me bater até a morte quando... Um grito? Um grito de criança?! Mas que merda aconteceu com ele?!

- Daniel, o que...

- WAAH! A PORTA ABRIU SOZINHA! — Ele veio correndo até mim, como se fugisse de um monstro pronto para devorá-lo, pulou em meu colo e se escondeu em meu peito. — E-Eu vi um filme em que os espíritos abriam portas... E-E eles eram do mal, Christopher!

- D-Daniel... — Eu realmente não sabia o que dizer! Sinceramente, minha irmã mais nova tem nove anos, e nunca foi do tipo “menininha indefesa”, sempre se virou muito bem sozinha, por isso nunca tive contato com crianças meio... “Dependente”? “Frágeis”? Ah, o que eu faço?!

Num impulso, abracei aquele pequeno corpo em meus braços, jogando o livro de duas toneladas em um lugar qualquer e o aconchegando ainda mais em meu peito. Sentia sua respiração pesada, seu coração muito acelerado e... Quem diabos deixou esse menino assistir esse filme?!

- Daniel... Por que você viu esse filme, hein?

- P-Porque passou na televisão...

- E a sua avó deixou você ver?!

- E-Ela tava dormindo...

- E se você ficou com medo, por que continuou assistindo?

- P-Porque eu não sabia que ia ficar com medo... — Ele falou, se encolhendo ainda mais. AH, droga, não tem como discutir com ele!

- Ah, Daniel... Olha, foi só o vento, tá bom? Não foi nada demais, não precisa ficar com medo! — Tentei parecer confiante, e acho que me saí muito bem, obrigado, mas também acho que não cheguei a convencê-lo... — Hm... Eu vou fazer um chocolate quente, tá bom? — É, essa era minha saída para tudo. Está estressado? Coma! Está feliz? Coma! Está com medo de que espíritos malignos te matem? COMA MAIS! E uma coisa doce, de preferência.

- N-Não! Por favor, não me deixa aqui sozinho! Os espíritos vão me matar! — Ele agarrou minha camisa, quase chorando. Ain, quem é que consegue resistir a essa carinha?!

- Mas, Daniel, eu já disse que não tem nada lá... Quer ver? — Eu tentei me levantar, mas ele não saiu do meu colo, por isso me sentei de novo.

- NÃO! — Claro, Christopher, porque qualquer criança de sete anos E MEIO de idade vai acreditar no que você fala, seu imbecil!

Decidi que não iria mais discutir com ele. Daniel tinha sete anos, e eu dezenove! É claro que ele não vai me ouvir! Eu tenho que tentar entender o lado dele também, certo? Afinal... Eu mesmo morria de medo de zumbis na idade dele...

Ficamos calados por um bom tempo, ele ainda em meu colo e eu ainda abraçando-o. Ele era tão frágil, tão calmo, tão pequeno, tão dependente de mim agora... Eu não posso deixá-lo assim, desamparado!

- Ei, Daniel... Quer ver um filme comigo? — Perguntei, assim que ele se acalmou um pouco.

- Q-Que filme?

- “Viagem ao Centro da Terra”, é um clássico! — Ok, não era, mas o que eu podia fazer?! — Tenho certeza de que você vai gostar! — Sorri, pelo menos isso era verdade. Dei um beijo na testa dele. Por quê? Porque eu gosto dele, é um bom garoto! — Eu vou lá buscar o filme, tá bom?

- Não! Por favor...

- Vem comigo! — Levantei, ainda com ele em meus braços. Porra, será que esse garoto tá se alimentando direito? Cara, ele é muito leve! Mas se bem que, quem sou eu pra julgar peso de crianças?! Bom, deixando de lado isso, eu o coloquei nas costas, passando seus bracinhos em volta de meu pescoço, me abaixando, começando a correr em direção ao meu quarto – o que foi uma tremenda burrice, levando em conta que o meu quarto é praticamente do lado da sala e eu quase deixei o menino cair, mas sim.

Peguei o filme da estante – que é reservada só para filmes –, dois cobertores grossos e voltei para a sala, logo aproveitando que o Daniel estava nas minhas costas pra só sentá-lo no sofá, jogando também os cobertorres, e ir colocar o filme.

- Eu vou ali fazer pipoca e já volto, tá? Se quiser, pode vir comigo... — Ele assentiu com a cabeça, enquanto eu pegava o saco de pipocas e colocava no micro-ondas e colocava a água pra ferver, vou fazer chocolate quente, tá frio, é um delícia e faz tempo que eu não tomo!

A pipoca terminou de estourar enquanto eu ainda estava terminando o chocolate. Tirei do micro-ondas, essa já vinha com manteiga e... Sabor yakissoba?! É cada coisa que inventam hoje em dia... Bom, tomara que ele goste! Terminei o chocolate e voltei para sala, bem na hora em que o filme ia começar.

- Vem, senta aqui. — O chamei, enquanto meio que forrava o chão com um dos cobertores, me sentava por cima dele, com Daniel ao meu lado, e colocava o outro por cima de nós. Cara... ISSO É TÃO MANEIRO!! — Eu sempre fazia isso com os meus irmãos... — Sorri para ele, abraçando-o, aconchegando-o em meu peito, que corou muito.

Daniel era tão... Tão... Arg, chega! Eu não posso descrever uma coisa que vai além dos meus padrões! De qualquer forma, eu não entendo! Tem algo nele que me atraí, como um instinto protetor, ou algo parecido... Será o tal instinto paterno que a minha mãe falou?! Ironia, eu nunca quis ter filhos tão cedo! Mas se for... Até que não seria ruim... Eu teria muito orgulho de ter um filho como Daniel, mas... É, não.

Eu ficava olhando para ele, enquanto ele estava vidrado no filme, tomando seu chocolate, sabia que ele iria gostar! Era tão fofo... O-O Daniel, e não o filme, ok? Uma hora ele começou a fechar os olhinhos, para logo depois abri-los com força, tentando lutar contra o sono! Até iria falar alguma coisa, mas nem foi preciso. Ele resolveu esse “dilema” sozinho, deixando que, por fim, o sono o vencesse.

- Boa noite... — Cochichei bem baixinho, já sabendo que ele estava dormindo.

- Boa... Noite... — Ele ainda estava acordado? Ou eu o acordei?! Ah, Chris, seu idiota! Como pôde fazer isso, cara?! Ahn, eu vou me matar! Mas... Ele dormiu de novo, ufa!

Depois que ele dormiu, eu ainda terminei de ver o filme. Sinceramente, não lembro de nada, pois já estava meio bêbado de sono... Além de que, já tinha visto esse filme.

Fiquei pensando em Daniel... Como ele conseguia? Como ele conseguia prender minha atenção de uma maneira tão... De uma maneira tão... Presa! Ok, essa foi péssima, mas... Eu não consigo descrever! Eu o conheço há um mês e ele sempre chamou minha atenção, sempre me surpreendeu e sempre teve o meu carinho. Mas por quê? Acho que eu nunca parei pra pensar nisso... Bom, também não vai ser agora porque eu não estou em condições apropriadas para isso! Tchau, coleguinhas! Até uma próxima vez!

~x~

Pois é, né... “Instinto paterno”... Doce ilusão.

Oi, galerinha, aqui quem fala é o Chris de novo, só que mais velho. O tempo passou, é, ninguém escapa.... Para ser exato, passaram-se quatro anos. Eu já tenho vinte e três e o Dan (sim, eu chamo ele assim agora, tá?) tem doze. É, o tempo passa rápido, né?

Pois é, algumas coisas mudaram, outras não... Eu e a dona Margharett continuamos amigos, muito amigos, apesar de ela estar passando por um período um tanto quanto “complicado” da vida dela... Ela tá mal, tá bem doente. Diabete, pressão alta, fadiga... Sinto pela dela, mas sei que ela vai conseguir superar!

Ah, eu descobri o porquê de o Dan morar com a avó. É uma história meio ridícula, claro, não querendo desmerecer a gravidade da situação, nunca, mas os pais dele foram completos imbecis ao fazer isso! Ou melhor, uns filhos da puta mesmo!

Tudo começou porque quando Dan nasceu, a mãe dele era muito jovem, o pai dele também, mas passou, eles se casaram – forçados, mas se casaram –, conseguiram um emprego e tinham uma certa estabilidade, mas... Com o tempo, a mãe do Dan achou um cara que ela gostou muito, muito, muito, muito... Bem, já deu pra imaginar o tamanho do chifre, né? Pois então... O pai do Dan ficou puto da vida com ela, por isso ele saiu de casa e levou todo o dinheiro consigo, e a mãe do Dan, imbecil do jeito que foi, simplesmente fugiu! Abandonou o Dan na porta da casa da mãe e foi embora! Sem deixar nenhum pista, nenhuma carta, nada! Agora me falem, o que é um despreparamento, né?

Aff... É triste, viu? Saber que um menino brilhante como ele foi rejeitado pelos pais... Mais triste ainda do que isso é saber que tem um maníaco apaixonado por ele...

Pois é, eu não sei quando essa loucura tomou conta de mim, eu não sei! Só sei que com o passar dos anos eu percebi que todo esse carinho, todo essa proteção que eu nutro pelo Dan é paixão! P-A-I-X-Ã-O! Vocês não sabem o quão difícil pra mim foi lidar com isso... Eu só posso ser um doente! Qualquer pessoa que sente atração sexual por crianças é doente! Ok, ele já não é mais tão criança assim, mas... Arg, eu tenho nojo de mim mesmo! Eu sou um doente... Um doente apaixonado...

Mas eu consegui me tratar. Consegui reprimir tudo isso e meio que “segurar” esse sentimento. Claro, ainda o trato com muito carinho, com certeza, mas... Eu sempre tento ao máximo expelir esse sentimento doentio de mim! Fiz acompanhamento psicológico e tudo, por isso, sei que não vou “estuprar” o garoto sem mais nem menos, eu sei e vou me controlar!

Até arranjei uma namorada, uma linda namorada! O nome dela é Ann, ela é francesa e bem... Ela é muito bonita, sem contar que sempre foi minha amiga, minha companheira... Acho que eu devo seguir minha vida ao seu lado, afinal, me prender a amores impossíveis e doentios não vão me ajudar em nada...

Bom, acho que já deu pra resumir bem como ficou a minha vida depois de tudo, né? Pois bem, vamos continuar: estava eu, sentado em minha querida poltrona, quando a minha porta – que eu me acostumei a deixar destrancada para o caso de Daniel querer entrar – repentinamente abre e uma criança loira de olhos claros entra correndo, puxando-me pelo braço.

— C-CHRIS, VOCÊ TEM QUE ME AJUDAR! — Ele estava chorando? Como assim?!

— O que aconteceu, Dan??

— A-A v-vovó... E-Ela tá passando mal!

Notas finais
Galerinha, espero que tenham gostado! Já que eu terminei esse cap praticamente no grito, e ainda tenho que escrever minhas outras fics (que tão atrasadas a séculos, gomen ><), mas espero que tenham gostado o/
Reviews?
Para Littlefoot:
Uhuu! Agora a inspiração veio! Ninguém me segura, ninguém me segura!
Amooooor!
Minha querida, sabes que eu te adoro, né? Meus parabéns! Muita saúde, paz, alegria, amor, CARNAVAL e tudo isso aí que tu já sabes de cor e salteado XD' E mais uma vez obrigada, obrigada por sempre me ouvir, me apoiar (menos na fic do trem u.ú), me ajudar, me alegrar e por tudo o que você fez e continuar fazendo por mim! AMO VOCÊ ♥
#FAILFAILFAIL
Espero que tenha gostado, amore o/