My Little Sweet
2 Capítulo 2 - Uma difícil continuação
Notas iniciais
Certo, certo. Em primeiro lugar de tudo, gostaria de perdão a todos os leitores.
Sei que foi muita irresponsabilidade da nossa parte fazer algo assim com vocês, mas, novamente, queria dizer que ano passado foi um ano muito difícil.
Houve uma terrível briga na minha família, que foi motivo para que eu me mudasse de estado... Minha vida virou uma bagunça >-<'
Mas vocês já têm tantos problemas, né? Pra que ficar ouvindo/lendo os meus?
Bem, como já ocupei todo o espaço com as notas iniciais com essas desculpas esfarrapadas inúteis, desfrutem deste capítulo, que acabou ficando minúsculo...
Não esperei que ele me dissesse que tipo de “mal” era esse. Corri até a casa deles, a porta estava aberta, e fui o mais rápido que pude para o quarto dela, onde vi apenas Margharett deitada, pálida, tossindo muito, muito mesmo.
— M-Meg, o que houve?? — Ela olhou para mim e sorriu. Um sorriso triste, carregado de emoções. Eu não entendia o que aquilo queria dizer.
Sentei na beirada de sua cama, colocando minha mão em sua testa. Estava ardendo em febre.
— O que você está sentindo, hein? Está com febre. Vamos, me fala, nós vamos chamar o médico e tudo vai ficar bem e... — Nesse momento, ela segurou fortemente a minha mão, desenhando com a boca a palavra “não”.
“Não”... Mas o que é isso... Ah, não! Não, não, não, não e não! Isso não pode acontecer, não pode... Eu não aguentei. Deixe que algumas lágrimas rolassem por minha face, eu não queria aquilo! Nunca tinha presenciado a morte de alguém querido, de quem me tornei íntimo tão rapidamente... E não queria que fosse agora. Ela levou uma de suas mãos até minha face, limpando minhas lágrimas, mas... Por mais que eu tentasse, não conseguia contê-las.
— O-O que ela tem, Chris? — Daniel me perguntou, sentado ao meu lado, olhando preocupado para mim. Como... Como eu diria aquilo a ele?! Não, isso... Isso não está acontecendo, não está! Ela não pode morrer agora! E o Daniel? Como ele vai ficar?! Ela ainda tem que cuidar dele! Ela... Ela simplesmente não pode morrer agora!
Ela sorriu para o neto, segurando-lhe fortemente a mão. Daniel, que já estava chorando, pôs-se a chorar ainda mais.
— Você vai ficar bem, vovó! E-Eu sei que vai, e-eu e o Chris vamos chamar os médicos e... — Ela apertou a mão dele, fazendo-o olhar para ela, enquanto balança a cabeça em sinal negativo. — P-Por que não, vovó?? Por que não?!
Aquela cena... Aquela cena estava acabando comigo! Margharett não podia simplesmente pedir para que a deixássemos morrer, nós tínhamos que fazer alguma coisa e...
— Não! Não, Meg, a gente não vai fazer isso! Você não pode morrer, não pode! E-E o Daniel, como fica? Quem vai cuidar dele e... E eu?! Você não vê o quanto nós vamos sofrer se você for embora e... Não, Meg, isso está fora de cogitação! Daniel, me passa o celular! — Ela segurou a mão dele e a minha, com força, logo levando a minha mão em direção a dele e fazendo-me segurá-la. Sorriu novamente, puxando-me fracamente para mais perto de sua boca.
— Cuide bem do meu tesouro... — Disse, num sussurro quase inaudível, logo após repousando a cabeça no travesseiro fechando os olhos, com um sorriso fraco no rosto.
Eu fiquei chocado. Como... Como assim cuidar do tesouro dela?! Pelo o que eu saiba, ela sempre chama o Daniel de tesouro e... Ah, não! Não, isso não pode acontecer, não pode, não, pode! Eu segurei-a pelos ombros, levantando-a, mas seus olhos não se abriam.
— Meg! Meg, acorda, Meg! MEG! — Eu gritava, enquanto as lágrimas voltavam a minha face e uma dor enorme invadia-me o peito. Ela... Ela só está dormindo, não é? NÃO É?! — MEG, ACORDA, POR FAVOR! NÃO FAZ ISSO COM A GENTE! EU PRECISO DE VOCÊ, O DANIEL PRECISA DE VOCÊ E...
— VOVÓ! — O Daniel gritou, desesperadamente, se derramando em lágrimas. A minha situação não era muito diferente, mas... Talvez eu realmente tivesse que encarar isso. Eu não podia usar Daniel como desculpa para impedir que Meg finalmente descanse em paz. Não posso pedir que não morra apenas para cuidar do Daniel. Eu mesmo sei que tenho melhores condições para cuidar dele. Não posso usá-lo como desculpa para não perder uma amiga querida. Agora, por mais que seja difícil de suportar, eu entendo que ela cumpriu sua missão, e que eu devo continuá-la de hoje em diante. — E-Ela está bem, não está? — Daniel me encarava, com os olhinhos inchados e chorosos, como eu diria isso para ele?
— D-Daniel... — Manejei negativamente a cabeça e estendi meus braços em sua direção, que correu até mim, jogando-se em meus braços, pulando em meu pescoço e eu o abracei fortemente para que não caísse.
Eu sabia que aquilo para ele, e poderíamos ficar assim o dia todo, mas eu ainda tinha que explicar algumas coisas para ele...
— E-Ela foi para um lugar melhor, Dan... Ela cumpriu sua missão, ela fez tudo o que tinha que fazer e agora ela está descansando... E eu cuidarei de você, p-pode ficar tranquilo... E tenho certeza de que ela sempre estará aqui, com a gente... — Ele não falava nada, apenas soluçava, soluçava de maneira compulsiva e quase que ininterrupta, e me abraçava cada vez mais e mais forte, como se eu fosse sumir a qualquer momento. — Vamos pra casa, lá cuidaremos de tudo. — Dei um beijo demorado em sua testa e logo me levantei, carregando-o em meus braços e levando-o para minha casa.
Eu ainda não acredito que ela se fora, mas eu tenho certeza de que ela sempre estará olhando para nós.
~x~
Os dias que se seguiram foram insuportáveis. Tivemos que ligar para a agência funerária e marcar o velório, que foi trágico e doloroso para todos os presentes. No testamento, Meg deixava quase toda sua herança para Daniel, e me dava sua guarda na justiça. Ou seja, agora sou guardião legal dele e ele passou a morar comigo.
A casa dela foi vendida para uma família que ainda nem se mudou, e eu realmente não estava muito animado para saber quem era. Vou me adaptando aos poucos com Daniel em casa, já o alimento direito, o levo e o trago da escola sem problemas. Não vou mentir, foi como virar pai da noite para o dia, mas até que é mais fácil, já que eu já tenho certa amizade com ele... E cada vez mais eu tento ficar mais próximo dele, tratando-o com mais carinho possível, para que ele não se sinta um estranho comigo.
Mas Daniel mudou muito com a morte da avó. Era como se seus sentimentos tivessem acabado, tivessem sido levados com a morte de Meg. Ele amava demais a avó, e a recíproca era verdadeira. Tentava imaginar o quão difícil deveria ser para ele perder o seu ente mais próximo, sua companheira e amiga mais querida. Era difícil porque eu não tenho recordação nenhuma de alguma morte tão dolorosa para mim.
Achava uma injustiça. Uma injustiça uma criança tão boa e ingênua perder tudo na vida assim, de um dia para o outro, mas nenhum de nós pode prever ou impedir o inevitável, o que tinha que acontecer, aconteceu, não importa o quanto soframos ou questionemos.
Mas já fazia mais de um mês e Daniel ainda não se recuperara. Estava começando a ficar realmente preocupado com ele, e se ele nunca mais voltasse a ser a criança alegre de sempre? Eu queria fazer alguma coisa por ele, na verdade eu já vinha fazendo uma série de coisas para tentar animá-lo, mas todas as minhas tentativas fora em vão, mas nunca deixava de tentar qualquer coisa que pudesse lhe proporcionar um mínimo de felicidade.
— Dan, sou eu, posso entrar? – Bati na porta de seu novo "quarto", meu antigo escritório, que foi meio que teletransportado para o meu quarto, deixando-o uma coisa linda, para não dizer o contrário. A casa também sofrera muitas mudanças com a vinda de Daniel. Digamos que ela não está lá muito "arrumada", ok, tá tudo só entulho e não temos mais lugar pra guardar nada, cheia de livros e filmes por todo o lugar, apesar de nunca mais termos visto algum.
— Pode… — Sua voz fraca ressoou do outro lado da porta. Entrei e vi meu rapazinho deitado de bruços em sua cama, com uma regata preta e uma bermuda marrom, lindo. Ok, eu realmente tenho que parar com isso. Sentei ao seu lado e passei a mão em seus cabelos dourados.
— Dan… Faz um tempão que você tá assim, eu tô ficando preocupado, poxa!
— Desculpa, Chris… Eu tô bem, sério, não tem com o que se preocupar…
— Tenho sim. Você fica dia todo no seu quarto, só sai pra ir pra escola e pra comer. Não conversa direito nem comigo e nem com ninguém. Os seus professores já me ligaram e perguntaram se tinha alguma coisa errada com você. Daniel, você tá mal, eu te conheço, eu sei Meg faz falta, ela era uma parte de você, eu entendo, mas ela com certeza não iria querer te ver assim, então, por favor, me fala o que tá acontecendo!
— C-Chris… Você já t-teve uma… — Ele hesitou por um momento, afundando-se mais na cama. – N-Namorada…? – ... Tipo, a gente tava falando sobre a avó dele e... O garoto solta essa pergunta absolutamente do nada. Como ele espera que eu responda?! Baixei o olhar, lembrando de Ann, com quem só estava para tentar esquecer daquele que a cada dia me fazia querê-lo ainda mais.
— V-Você ainda não respondeu a minha pergunta…
— R-Responda a minha primeiro… — Pensei em contestá-lo mais uma vez, mas vi que até suas orelhas estavam vermelhas dada a tamanha vergonha, e não pude negar o seu pedido. Soltei um suspiro pesado, para logo após respondê-lo.
— Sim… Eu já tive, na verdade, eu tenho uma. – Senti um aperto em meu peito ao falar aquilo para ele, mas de que adianta nutrir sentimentos por um garoto de doze anos que nem ao menos sabe direito o que é amor? – Por quê?
— N-Nada… Esquece… — Ele ficou meio sem jeito, como se ainda quisesse falar alguma coisa, mas desistisse logo depois. Deitei ao seu lado, olhando para o teto. Por muito tempo, fazer isso foi quase que impossível para mim, pois eu não me garantia de ficar tão perto dele, sabendo do meu amor doentio, sem fazer nada. Mas eu já superei… Quer dizer, já devia ter superado, né?
— Então… Você não vai mesmo responder a minha pergunta? – Virei-me para ele, acariciando seu cabelo.
— D-Depois… E-Eu queria ficar sozinho por um tempo… Tudo bem?
— Só se você falar que está tudo bem olhando nos meus olhos. – Peguei seu queixo e virei-o para mim. Aqueles olhos dourados, agora tingidos de um tom carmim, se encontraram com os meus, fixando-se neles.
— Chris… Eu não tô bem! – Ele se virou para mim, agarrando-se ao meu corpo e escondendo a cabeça em meu peito, finalmente deixando aquelas lágrimas desesperadas caírem. Retribuí o abraço, puxando-o ainda mais contra meu corpo. Eu ainda o queria, eu ainda o desejava; mas tinha plena consciência de que nenhum desses meus desejos iriam se concretizar.
- Eu não posso deixar você sozinho desse jeito. – Ele tratou de desfazer o abraço rapidamente, usando os braços agora livres para enxugar suas lágrimas.
— E-eu tô bem... Q-Quer dizer, nem tanto, m-mas eu vou ficar... – Sua voz ainda era meio chorosa, mas ele acenou com a cabeça positivamente, dando a entender que estaria bem sozinho.
Mas, de uma forma ou de outra, o Dan não poderia continuar assim. Eu tinha que fazer alguma coisa por ele. Pense, Chris, pense... Eu poderia ver algum filme com ele. Ok, falem, não é o melhor consolo para um menino que perdeu a avó, mas pelo menos era uma maneira de tentar distraí-lo da sua dor.
- Ok, vou te deixar sozinho um pouco. — Ele acenou com a cabeça novamente e deu um sorriso, que não precisaria nem lhe conhecer tão bem quanto eu para perceber que não era verdadeiro.
Levantei-me, retribuindo o sorriso e voltei para o meu quarto. Saí revirando toda a estante de filmes que eu tinha, procurando algum mais recente. Aleatoriamente, peguei "Nós temos que falar sobre Kevin". Hm, melhor não.
Ok, talvez fosse melhor eu olhar os títulos antes de pegá-los. Achei um normal (bem, pelo menos eu acho): "Hotel Transilvânia". Não reclamem! É mais instrutivo para uma criança de 12 anos do que os outros que eu tinha lá. E, não, eu não tenho nenhum tipo de fetiche estranho por filmes infantis!
Fiz novamente o mesmo caminho e bati na porta. Já estava ficando repetitivo.
- C-Chris? — Com sua voz ainda trêmula, era fácil perceber que estava tentando esconder o choro. Abri a porta lentamente e deparei-me uma vez mais com aquela figura abatida. Seus olhos, agora vermelhos (provavelmente de tanto serem esfregados numa tentativa falha de esconder que estava chorando), já não tinham o mesmo brilho de antes e me encaravam de forma triste e depressiva.
- Hm... Eu pensei que talvez a gente pudesse ver um filme... Juntos... Pode ser? — Mas o quê? Isso não era para ser uma pergunta! Demonstre mais confiança, idiota! Mostrei a capa do DVD, como se isso, de alguma forma, fosse convencê-lo a assistir comigo.
- Ahn... — Ele me olhou, confuso, mas logo sorriu meio triste e acenou a cabeça. – P-Pode ser... – Com isso, tratei de colocar o disco no aparelho de DVD, que tínhamos instalado recentemente em seu quarto, juntamente com a televisão, sentando-me na cama, aconchegando-me ao seu lado.
Passou-se um tempo do filme – pelo qual acabei passando a me interessar um pouco depois de começar – e percebi que Daniel estava mais perdido em seus pensamentos do que prestando atenção na televisão à sua frente. Bem, acho que é normal ele ficar assim, né? Ele realmente pode ter coisas mais importantes sobre as quais pensar do que ficar vidrado, tipo certos estudantes de direito em seus plenos vinte e três anos, em um filme infantil como aquele.
Estávamos quase no final do filme quando olhei novamente para o Dan, só para checar se, sei lá, algum alien o tinha abduzido enquanto eu estava ocupado demais prestando atenção na capa do Conde Drácula. Mas o que diabos tinha acontecido neste período em que eu estava vendo o filme?!
- D-Daniel? — Ele estava… Chorando? E eu não tinha nem percebido? Que tipo de ser humano eu sou?!
- Chris! – Ele me olhou com uma expressão tão desolada, suas lágrimas caindo desesperadamente. Será que eu tinha feito alguma coisa errada? Passei a mão esquerda ao redor de seu ombro e usei a direita para segurar seu rosto de frente para mim. Ele tinha que falar dessa vez.
- O que foi que aconteceu, Daniel? – Ditei firme, segurando seu rosto em minhas mãos, encarando fixamente seus olhos cor de mel.
Daniel ficou calado, encarando-me com aqueles olhos chorosos e vermelhos. Aproximou gradativamente seu rosto do meu, fechando os olhos, o rosto rubro e com a entreaberta. O que aquele menino pretendia com aquilo...? Ele realmente não vê o que está fazendo?! Ele estava tão perto que podia até sentir sua respiração quente contra meu rosto e... Merda, Christopher, porque você não faz nada pra afastar ele?!
Notas finais
Por favor, desculpem qualquer erro. A culpa é da Ange que não betou direito u.u *apanha* #TeAmoAnge
Nossa... Esse título merece um troféu "Ai, como sou criativa" e-e' Desculpem-me por isto ._.
Littlefoot, sua linda! Feliz aniversário! Desculpe o capítulo não ter ficado lá grande coisas, você merece muito mais >3<'
Que Deus lhe dê felicidade, limonada, saúde, amigos, paz, áçucar, tempero e tudo que há de bom o/
Ok, eu não sou boa nessas coisas de falar, mas espero que meus sentimentos tenham todos sido transmitidos a você!
Um beijo para todos e, por favor, continuem acompanhando a história, se não for pedir demais ._.
Esperamos reviews :3
Até o próximo capítulo o/
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