My Little Secret
1 Capítulo 1
\"Ouvi um barulho ecoar entre a penumbra dos vãos que persistiam em seguir os passos de alguém que começava a adentrar em meu quarto.
- Filho, sinto-me na vontade de lhe contar uma história. — Meu pai encontrava-se defronte à ponte, visualizando-me.
- Papai! Conte... Conte! — Sentei-me mais para o lado da cama, dando espaço a ele, enquanto um sorriso angelical de criança começava a aparecer em minha face, eu balançava a cama em completa felicidade pelo que viria a acontecer.
Meu pai caminhou até mim com intensa paciência e pois se a sentar, carregou teus olhos a mim e lançou-me um sorriso.
- Meu filho, quando eu tinha a sua idade meu pai me contou isso e sinto na obrigação de fazer o mesmo. — Ele falou todo atencioso. — Minha mãe era uma moça de família rica, teus pais possuíam uma vasta fazenda, possuíam luxuosos carros, usavam roupas caríssimas feitas por costureiras bem conceituadas na cidade. Meu pai era um pérrapado, sua família não possuía nada além de uma pequena casa longe da sociedade, próxima de uma cidade quase inexistente. Em uma ida a New Jersey, meu pai viu a minha mãe pela primeira vez, de instância ele se interessou por ela, mas não era o mesmo, no ponto de vista por ela. Mais tarde, ele conseguiu um emprego na fazenda dela, o qual ele ordenhava as vacas. Mas seu único desejo era vê-la e ficar feliz por estar apenas perto daquela linda jovem. Em semanas ele conseguiu se aproximar dela, trocaram inúmeras conversas e ela foi descobrindo o quando ele era interessante. Por fim, eles se apaixonaram e os pais da moça não deixaram-a se casar com ele. Mas ele lutou, persistiu. Conseguiu convencer o pais da jovem que ele poderia, sim, ser um bom marido, mas ainda nada de se casar com ela. Poucos meses depois eles pensaram que minha mãe poderia engravidar e assim, seria obrigada a se casar com seu amado. Foi o que aconteceu, seus pais ficaram arrasados com a notícia, se casaram às pressas e eu nasci. — Ele esboçou um sorriso, emocionado com a história. — Só queria lhe dizer para lutar pela pessoa amada... Nunca desista, sim? — Ele beijou a minha testa, afastou-se de mim e seguiu ao seu quarto. Luzes foram apagadas...\"
Bip-bip. Bip-bip.
Luzes haviam pelo quarto todo, uma nova manhã se iniciava, enquanto meu despertador ainda estava a tocar. Lancei meus dedos diretamente aquela merda e o desliguei com a maior rapidez possível.
\"Esse sonho de novo, pela terceira vez seguida. Lembro-me claramente da minha idade e do meu pai me contando tudo isso... Sim, é uma bela história, até.\"
- Frank, meu lindo, o café já está na mesa, desça logo ou irá se atrasar. — Ecoou a voz de minha mãe sobre a casa inteirinha.
Em um pulo saí da cama, seguindo ao banheiro, jogando uma água gelada... \"Oush!\" Escovei meus dente, vesti-me com a primeira roupa que encontrava-se no armário e sentei-me na mesa.
- Eu sonhei novamente aquilo, mãe. — Peguei uma xícara de café, ao fixar meu olhar em minha mãe.
- Não é nada demais, querido. Acho que teve ser apenas a saudade, pois ele se foi a poucas semanas. — O tom de voz era mudado a cada palavra, em diminutivo.
- Sim, é possível. — Terminei o meu café e peguei minha mochila. — Até amanhã, hoje tem festinha na casa do Bob.
- Cuidado, meu bem.
Saí às pressas de casa, sentia que hoje poderia pegar o portão fechado. Apesar da escola ser apenas duas quadras.
- Frank! — Ray e o Bob me chamaram e assim, eu fui até eles.
- Hey. Ontem a Jamia ficou puta comigo porque eu não contei a ela que hoje estaria na sua casa, Bob. Eu não a entendo... Nunca. Ela quer ficar comigo, mas fica com essas besteirinhas de isso e aquilo. Demos um tempo pela terceira vez esse mês.
- É o que eu digo, mulheres sempre tem essas besteirinhas. Para quê? — Bob deixou uma risada escapar. — Falando em mulher... O Bert vai na festa de hoje.
- Puta que pariu, só para acabar com o meu dia mesmo. Aquele merda vai querer ficar dando em cima de mim.
- E terá gente nova, na turma. — Ray comentou em um tom animado. — Não vejo a hora da festa. Ainda faltam intensas horas.
O sinal tocou. Seguimos-nos à sala. Os primeiros horários passaram rapidamente, fui com muito desânimo ao refeitório, pois sabia que iria dar de cara com a Jamia e com toda certeza queria conversar. Os meus passos eram cada vez mais lentos...
- Frank, a gente precisa conversar... — Jamia surgiu ao meu lado.
Meus olhos arregalaram-se ao vê-la, ela parecia ter brotado do meu lado, tanto é que eu me assustei quando a vi.
- Eu não quero conversar com você, não temos mais nada e agora é definitivo. — Falei em um tom seco.
- Não, Frank. Eu te amo! Eu não queria ter feito aquilo... Me perdoe, por favor? Eu preciso de você. — Ela falou em um tom choroso, parecia estar realmente triste com o nosso término.
- Me desculpe, mas não dá. Eu não consigo mais, você briga por tudo, qualquer coisa que eu faça eu tenho que lhe dar satisfações e isso tudo matou tudo o que eu sentia por você.
- Não fale isso. Eu sei que você ainda me ama, que todo o tempo que a gente ficou junto não foi em vão... — Ela começou a aumentar o tom no meio do refeitório, possibilitando quase que a todos a ouvirem-na. — Sabe o que é isso? Seus amiguinhos bichas! Eles estão mudando sua cabeça!
- Cale a sua boca, sua vadia! Não fale assim de meus amigos, pouco te fodem o que eles são ou deixam de ser. Saia agora da minha frente e não me apareça jamais!
\"Jamia, eu ainda te mato.\" Preciso lembrar de escrever isso.
Cabulei os próximos horários, recusei-me a assistir aula por conta daquela merda demulher que acabou de foder com a minha vida. Aonde eu estava com a cabeça de inicar um namoro com ela? Tão ciumenta, tão grutenta, tão chiclete, tão chata e possessiva. Uh, ainda cheia de preconceitos contra meus amigos... Pena que eu a amei, mas por sorte isso já fôra esquecido e hoje uma festinha, no Bob. Acho que estou começando a criar falsas esperanças quanto àquela festa, só há bissexuais e nunca possuem mulheres. No fundo algo me dizia que alguém estava por vir e por mais estranho que possa parecer, o sonho que estava tendo parecia tentar me dizer algo sobre os próximos meses.
Ding-dong. Ding-dong. Ding-dong. (eu tocava, desesperadamente, a campainha da casa de Bob)
- O senhor sumido resolveu aparecer, Ray.
Ambos estavam colocando o resto das cervejas na geladeira, enquanto abriam as caixas de cigarro e jogavam sobre uma extensa mesa na sala. Possuíam no outro cômodo uma gaveta repleta de maconha, crack, êxtase (ecstasy), LSD e entre outras.
- Para que tanto? — Deixei uma risada me escapar, ao pegar um cigarro da mesa e acendê-lo lentamente.
- Só estamos nos preparando. Hoje teremos novas pessoas e como o Bert é um completo drogado, fomos obrigados a comprar uma quantidade suficientemente boa.
- Foi exagero. — Comentei. — Briguei com a Jamia novamente, acho que vocês já sabem do escândalo, ela cometou aos gritos sobre a sexualidade de vocês.
- Por isso nos olharam feio na saída. Sabia que tinha algo, mas... — Ray pegou uma garrafa de cerveja e se jogou no sofá, ligando assim a tevê logo após. — Não sei como você aguenta uma mulher. Não querendo generalizar, mas algumas são fúteis, medíocres.
- Algumas, sim. Não gosto de sentir barba ao beijar alguém, desculpe.
- Você não pode falar do que nunca provou, Frank. — Olhou-me rapidamente e assim, virou-se a tevê novamente.
- O que temos de almoço? — Mudei de assunto, assim.
- Pergunte ao Bob, ele é o dono da casa. Creio eu que... Macarronada, como sempre.
- Nem me culpem, é a única coisa que eu sei fazer. — Gritou ele da cozinha.
- Quer ajuda aí?
- Não, não!
Dentre 20 a 40 minutos depois conseguimos ir à cozinha nos alimentarmos, o almoço não estava ruim, o Bob não cozinha tão mal. E pelo menos estávamos nos alimentando. Ficamos assistindo tevê após isso, as horas passaram-se correndo.
18:18. \"Woah. Alguém pensando em mim. Eu e as supertições idiota...\"
A campainha ecoou sobre a casa. Ray e Bob estavam morgados no sofá, então eu era o único que fôra obrigado a levantar. Entreabri a porta, mantendo um sorriso nos lábios... Céus! Quem são... Quem é... Você?
- Olá.
Fim do capítulo 1.
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