My Little Robot-o

3 3 - Planejamento


N

a manhã seguinte ela apenas ordenou que ele não a seguisse pra não causar problemas e pediu que ele não saísse. No colégio, o dia foi puxado e cansativo. Prova atrás de prova e o nervosismo das notas de fim de ano chegando.

Voltou tão exausta que quase se esqueceu de ir procurar por Naito. Tomou banho, comeu e foi deitar para dormir. Por mais que quisesse ir vê-lo ela teve de se conter pra não levantar suspeita e brigas em casa. Ela refletiu sobre as qualidades de Naito, “queria alguém que fosse meu, mas, um alguém para partilhar minhas próprias memórias, sem ter que apagar a de outra pessoa”, pensou May, “Alguém que me ame assim do jeito complicado que eu sou, alguém com quem eu ande de mãos dadas”.

Por mais que o robô fosse perfeito, ela nunca gostara de ter coisas dos outros. Tampouco namorados, e por isso abriu mão de varias paixões para o bem de suas amizades. E por mais que ela gostasse de alguém ela o fazia em silencio, para não causar constrangimentos. “Eu já sou uma palhaça nata, não preciso fazer mais isso para causar mais vergonha para mim”.

A casa estava silenciosa, aproveitou isso para ir até o bloco vizinho para ver se Naito estava bem. Chegou lá ele estava em um canto, sentado dentro de sua caixa com os braços envolvendo os joelhos.

-Naito! ? !- ela rompeu o silencio no ambiente empoeirado.

-Estou carregando... -Ele percebeu que estava pouco visível com a escuridão da noite e acendeu um LED de seus olhos. — Consegue ver?

-Agora sim. Como foi seu dia hoje?

-Foi bom, e como foi na escola?

-Cansativo. Mas estou bem. Com um pouco de dor nas costas.

-Quer que eu lhe faça uma massagem com a técnica 17?-Ele exibiu as mãos.

-Melhor não, tenho que voltar logo antes que alguém dê por minha falta. Amanhã fica combinado o mesmo certo? E tome cuidado, eu vou passar uns dias sem vir aqui te ver por causa da escola e etc., mas se cuide, por favor. Logo que sair de férias, prometo te ajudar a encontrar a Riiko e o Gaku.

-Hai. Arigato May-Chan!-Ele sorriu, mas May não pode ver no escuro, mas ela sabia que tipo de sorriso era lembrando-se da serie. Era um belo sorriso para ser desperdiçado no breu.

-Me agradeça depois dos resultados, okay?Boa noite Naito.

-Boa noite, May-Chan.

Voltou para casa silenciosamente e ninguém percebeu sua saída. Melhor assim. Foi se deitar pensando sobre como ajudar Naito. Mas no momento, quem mais precisa de ajuda é ela mesma.

O fim de semana foi mais longo por conta de dois feriados que May passou na casa de sua avó. Ela pensara que Naito ficaria isolado, o que a deixou com remorso e logo que pudesse o visitaria. Era sua época de prova no colégio e isso a deixara bem nervosa e atarefada.

Por maior que fosse a vontade de ir ver Naito, ela teve que resistir, pois dia após dia ela tinha trabalhos de fim de ano e paginas de livros que cairiam nas provas. Meio de Novembro e um calor exaustivo, era sempre uma época em que sua escola ficava sem energia. Uma prova foi suspensa e os alunos foram dispensados. May volta para casa, com o sol queimando a nuca, e se dirige para o prédio vazio aproveitando o tempo livre para ver Naito. O chão do apartamento estava coberto de jornais e havia um forte cheiro de tinta.

-Naito? Onde você está?- Perguntava assustada.

-Aqui no quarto, May-Chan.

Ela entrou no quarto e viu Naito em pé, de frente para a parede que havia sido pintada. Perplexa, a garota só conseguiu sussurrar de forma irreconhecível “Nai... to”.

-Nee, May-Chan? Será que a Riiko ainda tem o mesmo sorriso?Será que ela iria sorrir se visse essa pintura?- Ele se questionava olhando para a parede onde ele pintou o retrato de Riiko cobrindo toda parede.

-Sem dúvida, Naito. Sem dúvida. –Ela se aproxima do robô lhe dando um amigável tapinha nas costas. Ele se virou para a garota e sorriu como de costume

- O que tem feito de bom?- Ela se sentou no chão coberto e se acomodava na parede seca.

-Estou trabalhando de pintor. O meu chefe me deu o que sobrou das tintas para que não fosse dinheiro perdido como ele disse.

- É bom que você vá trabalhando para quando nós formos encontrar a Riiko. Naito, mudando um pouco de assunto, o que eu faço se você tiver algum defeito?

-Nami Kiri-San deixou em minha caixa um dos computadores da Khronos.

-Já é alguma coisa, mas se eu não soubesse programar estaríamos ferrados no mínimo.

-May-Chan é muito inteligente. -O doce sorriso se pintou novamente no rosto de Naito.

Não havia como conter a curiosidade de ter em mãos um computador super avançado de um projeto como o 01. May pegou na caixa de Naito o computador móvel da Khronos da marca Acer. Ligou o aparelho que depois de alguns bipes começou a exibir a sua interface e uma silhueta do modelo 01. Aquilo não era pra ter sido apenas um seriado? Ela percebeu que uma porta usb móvel no aparelho e o levou ao receptor na orelha do robô. Uma janela de carregamento foi exibida. Todas as informações do sistema estavam sendo mostradas numa cascata de códigos que May só conseguira entender por conta de seu curso técnico de informática.

-Naito... Não há falha alguma em você... -ela disse isso com a intenção de tranqüilizá-lo, o que não era necessário, e ela com a face nitidamente perplexa.

-Yokatta deshou ne!-Ele disse com a afirmação da moça.

-Naito, — ela deixou de lado o computador, até então o seu atrativo, — Como vamos fazer para encontrar a Riiko? Por mais que eu tenha te dito que eu te ajudaria eu... Eu não poderei ir junto com você. Eu sou menor de idade ainda e eu não tenho como conseguir visto para outro país. Tampouco sem a permissão de meus pais.

-Não se preocupe May-Chan, darei um jeito de ir sozinho. — o Robô deu um caloroso abraço na menina que estava ao seu lado, sentada no chão.