Notas iniciais
-> Essa estória faz parte de um projeto que está acontecendo no Tumblr.

My Little Family

Eu parei em frente a porta e a abri. Eu olhei por cima do ombro e vi a Sora gentilmente falando com o bebê em seus braços. Esses últimos dias foram uma loucura. Nós falamos muito sobre começar uma família ou não. Era algo que nós dois queríamos, mas ela sempre me dizia que não estava pronta. Então decidimos esperar até ambos sermos bem-sucedidos para tentarmos. Foi só no ano passado que ela veio me dizer que estava pronta para ser mãe. Nenhum de nós achou que daria certo na primeira vez que tentamos conceber. Eu ainda me lembro do dia que ela me disse que estava grávida. Ela tinha comprado um par de sapatinhos brancos e os colocou sobre a cama. Imagine a minha surpresa quando eu entrei e os vi. Ela então veio por trás de mim e balançou o teste da minha frente. Era incrível ver nosso bebê crescendo dentro da barriga dela. A única coisa que eu realmente não gostei foi a constante mudança de humor da Sora e o desejo por comidas incomuns.

Agora estou aqui, incerto do que vai acontecer daqui para frente ou como cuidar de um bebê.

“Yamato, você está bem?” Eu ouvi Sora perguntando atrás de mim. “Está perdido em seus pensamentos de novo?”

“Sinto muito, Sora. Eu só…” Eu dei de ombros. “Estava imaginando como as coisas serão agora em diante. Elas certamente irão mudar muito.”

“Bem, sim.” Ela disse, parando ao meu lado. “Ter um bebê é uma coisa séria. Eu não faço ideia do que fazer. Sinto que ela pode quebrar sempre que eu a seguro.”

“Eu sei. Sei que concordamos em começar uma família, mas não sei se estou pronto para isso.”

“Bem, agora é muito tarde.” Ela riu nervosamente. “Acho que é porque é nosso primeiro filho. Tenho medo de não poder fazer isso sozinha.”

“Eu acho que vai se sair muito bem.” Eu a olhei com um sorriso no rosto. “Além disso, era você quem costumava tomar conta de todos nós quando fomos ao Mundo Digital.”

“Não foi nenhum esforço de se fazer.” Ela deu de ombros e segurou nosso bebê mais forte. “Alguém tinha de manter Taichi no chão.”

Eu suspirei. Quase tinha esquecido o quão insensato ele costumava ser às vezes. Mas eu tinha de admitir que ele o fazia com a melhor das intenções.

Uma Brisa agradável passou por nós, fazendo Sora tremer levemente. “Acho melhor entrarmos. Não queremos que a Aiko já fique doente.”

Eu assenti e me afastei para deixá-la entrar primeiro.

Eu fechei a porta atrás de mim e fui acender as luzes. Sora tinha um olhar de total surpresa em seu rosto enquanto o resto das crianças e nossas famílias apareceram do nada e gritaram ‘Surpresa!’. Eu devo confessar que foi muito difícil esconder isso dela, mas definitivamente valeu a pena. Felizmente, Aiko não pareceu ouvir a gritaria, já que continuava dormindo pacificamente nos braços de sua mãe. Ela estava usando casaco e touca rosa e calças brancas de lã, e enrolada num cobertor vermelho. Dizem que cobertor vermelho tira o olho-gordo, e a Sora definitivamente não queria arriscar. Havia uma multidão ao nosso redor, já que todos queriam ver a Aiko. Eu vi a Sora se mexendo nervosamente, tentando sair do meio da multidão.

“Pessoal, por favor. Vocês podem ver a bebê, mas não todos de uma vez, tá bom?”

Ela me olhou e sussurrou um ‘obrigada’ enquanto ia se sentar no sofá. Mimi e Hikari foram as primeiras a se aproximar dela.

“Ah meu Deus, Sora!” Mimi guinchou. “Ela é o bebê mais lindo que já vi!”

“Ela é.” Ela olhou para sua bebê com uma sensação de orgulho preenchendo-a.

“Ela parece muito com o Yamato.” Hikari se inclinou e segurou suas mãozinhas suavemente.

“Não diga isso a ele. Seu ego vai ficar nas alturas.” Sora disse com um sorriso.

“Bem, não é como se ele não percebesse.” A parceira de Palmon disse. “Está bem claro.”

“Eu sei.”

“Ela já tem nome?”

“Sim, vamos chamá-la de Aiko.”

“Aiko?”

“Nós queríamos algo significativo para ambos, então Aiko pareceu a melhor escolha. A criança do amor.”

“Não imaginaria nada diferente vindo de vocês.” Hikari disse sorrindo. “Eu quero um bebê também.”

“Eu também.” Mimi assentiu. “Mas eu nem tenho um namorado ainda. O quão triste é isso?”

“Vocês duas são muito jovens.” Sora disse em tom reconfortante. “O homem perfeito vai aparecer antes que percebam.”

“Você é muito sortuda em ter encontrado sua alma gêmea com tão pouca idade, Sora. Isso meio que me deixa com ciúme.”

“Acho que sou.” Ela sorriu calorosamente enquanto olhava para mim. Não pude evitar em sorrir de volta.

“É sério?” Mimi perguntou com descrença. “Ela não vai poder sair com outros homens, qual é a graça disso?”

“Mimi!” Hikari ficou muito chocada com sua amiga. “Bem, eu acho fofo.”

“Você não precisa sair com outros garotos depois que encontrou a pessoa certa. Eu certamente nunca senti a vontade de fazer isso. Nem o Yamato. Ou eu acho que não.” Ela suspirou e se virou para a Mimi. “Você gostaria de segurá-la? Já que você será a madrinha dela.”

“EU SEREI O QUE?” Mimi gritou tão alto que todos se viraram para olhá-la.

“Mimi, você vai acordar a Aiko!” Sora disse, cobrindo as orelhas de sua filha. “Você não quer que ela se assuste com você, quer?”

“Diabos, não!” Ela imediatamente abaixou a voz e se curvou sobre a bebê. “Desculpe ter te assustado, Aiko. Mas é culpa da sua mãe. Ela não deveria dizer algo assim tão de repente.”

“Como se você não fizesse ideia de que isso não fosse acontecer.” Ela mostrou a língua para ela.

“Respondendo sua pergunta, sim eu quero segurá-la.”

Sora gentilmente colocou Aiko nos braços da Mimi e a bebê sorriu para a morena, que instantaneamente fez um ‘awww’.

“Então, quem vai ser o padrinho?” Hikari perguntou.

Eu estava encostado na bancada, olhando minha bela esposa e minha preciosa filha quando meu irmão, Taichi, Koushiro e Jyou se juntaram a mim.

“Parabéns pelo bebê.” O especialista em computadores disse com um sorriso.

“Obrigado.” Eu sorri de volta.

“Então, como é ser pai?” Taichi me perguntou.

“É muito… surreal. É estranho pensar que realmente está acontecendo. Sua vida toda muda, tudo passa a ser sobre ela. Eu não sei como explicar. Tudo o que sei é que eu simplesmente amo a Aiko com todo o meu coração. Você entenderá quando for pai.”

Eu olhei para elas novamente e sorri quando vi a Sora sorrindo para mim. Mimi e Hikari estavam encantadas com a bebê, já que estavam brincando com ela e segurando suas mãozinhas minúsculas.

“Mas, cara… você vai ter de trocar fraldas.” Taichi sempre acha um jeito de arruinar o momento. “Quero dizer, é horrível.”

“Nada é tão fácil quanto parece.” Eu dei de ombros. “Eu sei muito bem que terei de fazer isso eventualmente. Eu não ligo, sabia de tudo isso quando nós a concebemos.”

“Se eu tivesse de fazer isso, eu iria vomitar.”

“É claro que iria.” Eu provoquei. “Você faria com mais facilidade do que qualquer um de nós.”

“Não é culpa minha se eu tenho estômago sensível.”

“É, crianças têm estômago sensível. Talvez você devesse procurar um médico, tipo um pediatra.”

Os rapazes começaram a rir e o Taichi cruzou os braços na frente do peito. “Cale a boca, Yamato.”

“Então, Aiko é um nome lindo.” Takeru mudou de assunto. “Quem escolheu?”

“Nós dois, na verdade.” Eu olhei para ele. “O significado de Aiko é o que nos fez escolhê-lo.”

“O que ele significa?”

“Criança do amor.”

“O que vai acontecer se vocês tiverem outro filho? Vão chamá-lo ou chamá-la de ‘criança da amizade’?”

“Cala a boca, Taichi.” Eu dei um tapa na cabeça dele e ri. “Não é hora de piadas.”

“Vá para o inferno, Yamato.” Ele esfregou o lugar onde eu tinha batido.

“Posso segurá-la, irmão?”

“Você está morrendo de vontade de conhecer sua sobrinha, não está?” Eu sorri calorosamente para o Takeru. “Claro que pode. Aliás, Sora e eu queríamos lhe perguntar se gostaria de ser o padrinho dela?”

“O que?! Sim, claro que gostaria!” Ele tinha um largo sorriso no rosto. “Está falando sério?”

“Por que não estaria? Você é meu irmão, sem chance de pedir para outra pessoa antes de você.”

“Caramba.” Ele mal podia acreditar em mim. “Muito obrigado.”

“Não por isso.”

Takeru e eu fomos até a Sora e as meninas e elas olharam para nós.

“Takeru quer conhecer sua sobrinha.”

“Certo, é claro.” Sora pulou levemente em seu assento e se virou para a Mimi. “Mimi, você se importaria?”

“Não, definitivamente não.” Ela se levantou e entregou a bebê. “Tenha cuidado.”

“Tá bom.” Ele esticou os braços enquanto Mimi a colocava neles.

“Não é justo.” Hikari protestou. “Eu ainda não a segurei.”

“Você pode ser a próxima.” Ele disse enquanto a olhava. “Taichi quer vê-la também.”

“Tudo bem.” Ela se levantou. “Mas eu vou segurar a Aiko primeiro.”

Eu ouvi meu irmão falando suavemente com ela e momentaneamente a vi arregalar os olhos e sorrir.

“O Takeru está encantado com sua sobrinha, não está?” Sora perguntou enquanto parava perto de mim. “Mal posso esperar para ver como ele vai ficar quando se tornar pai.”

“Eu só espero que ele encontre uma mulher incrível para ser sua esposa.” Eu suspirei. “Sinceramente, eu tinha tanta certeza que ele e a Hikari virariam um casal em algum momento.”

“Eu acho que todos tínhamos. Você consegue imaginar o quão surtado o Taichi ficaria com isso? Seu irmão e a irmãzinha dele? A irmãzinha preciosa dele?”

Não tive como não rir quando a Sora enfatizou a palavra ‘preciosa’. Mas ela estava certa. Ele iria surtar.

“Felizmente para nós, não temos de testemunhar isso.”

“É.”

“O que foi?” Eu olhei para ela.

“Só estou cansada. Eu preciso deitar e dormir por 24 horas.”

“Você sabe que é impossível agora, certo? Você terá sorte de conseguir dormir por três horas sem ser acordada pela Aiko.”

“Ugh, não me lembre.” Ela fechou a cara. “Por que homens não têm seios também? Ajudaria muito.”

“Não mesmo.” Eu ri. “Seria muito estranho.”

“Você é um covarde, Yama.” Sora disse de brincadeira. “Falando sério agora. Eu acho que é hora de todos irem embora.”

“Sabe que isso é uma coisa grosseira de se fazer, não sabe?”

“É verdade. Mas eu dei a luz dois dias atrás. Acho que posso ser um pouco grosseira nesse momento.”

Eu dei de ombros. “Vou ver o que posso fazer.”

Nossas famílias foram os últimos a irem embora, quase uma hora depois. Sora já estava largada no sofá, visivelmente cansada e irritada. Eu olhei para ela e suspirei, pensando que ela não tinha tentado esconder seu desconforto. Ela fez um esforço para levantar e deu seu melhor sorriso quando eles se despediram.

“Você tem certeza que vai ficar bem?” A Sra. Takenouchi lhe perguntou.

“Sim, mãe. Eu preciso fazer isso sozinha.”

“Tá bom. Mas não hesite em me ligar se precisar de algo.”

“Pode deixar. Obrigada.”

“Cuide bem da minha filha, Yamato.”

“Deixe comigo, Sra. Takenouchi.” Eu sorri. “Você não precisa se preocupar.”

“Eu sei.”

“Bem, boa noite.”

“Boa noite, pai.” Eu disse enquanto o abraçava.

“Eu te ligarei pela manhã para ver como está a bebê.”

“Nossa, muito obrigada, mãe.” Eu disse ironicamente.

“Você me conhece, eu me preocupo demais.”

“Sim, eu sei.” Eu cobri meu rosto com a mão.

“Vamos, Natsuko.” Meu pai disse. “Está tarde e eles devem estar cansados.”

“Tá bom, tá bom.”

Ela me deu um beijo na bochecha e depois saiu com meu pai. Eu saí e os observei entrando no elevador e depois entrei novamente e tranquei a porta.

Eu fui até o quarto da bebê e me encostei ao batente, observando maravilhado minha esposa e minha filha. Sora estava colocando Aiko em seu berço quando suavemente cantava uma canção de ninar. Ela não tinha exatamente uma boa voz, mas algo nisso me deixou completamente orgulhoso. Ela ficou parada mesmo depois de colocar a bebê para dormir, passando os dedos na ponta do móvel.

“Alguma coisa errada?” Eu vim por trás dela e coloquei meus braços ao redor da cintura dela, fazendo-a pular.

“Há quanto tempo está aqui?”

“Não muito, acho que há uns cinco minutos.” Eu dei de ombros. “No que está pensando?”

“Estou pensando em quão louco tudo é. Quero dizer, somos pais. Pais. Eu não sei o que fazer.”

“Nem eu. Mas nunca sabemos de tudo. Estamos aqui para aprender. Sabíamos exatamente o que teríamos de enfrentar quando decidimos começar uma família. Estou disposto a aprender tudo sobre como criar um filho com você.” Eu descansei minha cabeça no ombro dela. “Vai ser difícil no começo, mas vamos conseguir nos adaptar eventualmente. Vamos ajudar um ao outro.”

Sora não disse nada, só se inclinou sobre mim enquanto nós olhávamos a bebê dormindo pacificamente no berço por um tempo. Eu sabia que seríamos ótimos pais.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!