My Little Fairy Tale
1 Unique.
Notas iniciais
Espero que gostem, eu me esforcei muito para fazê-la e confesso que ficou bastante diferente do meu modo habitual de escrita (quem lê Marion Blanchard entenderá).
Portanto, me perdoem os erros de gramática, eu realmente fiquei "perdida" com essa forma mais simples de escrita.
Boa leitura nekos :)
Sabe, a vida teve um jeito bem peculiar de me mostrar quem estava no controle. Ela me deu o que eu mais queria no momento que mais precisei, fez com que eu amasse cada pequeno centímetro daquilo e então, quando menos esperei, ela cobrou o preço. Eu tinha apenas dez anos quando minha mãe morreu.
Esse não foi um jeito agradável de começar, não é? Desculpem, permitam-me fazer isso corretamente: Me chamo Lucy Heartfilia, tenho vinte e quatro anos e moro em Magnólia, uma pacata e harmônica cidade a sudeste do reino de Fiore. Sou uma maga celestial e membro da Fairy Tail, uma famosa guilda de magos, e ai está a maior contradição da minha vida. Bom, deixe-me explicar...
Quando se é garota e está vivendo a infância, costumamos acreditar nas histórias de nossas mães, sobre lindas princesas enfeitiçadas vivendo aprisionadas em um castelo, esperando pelo valente príncipe que as salvará do feroz dragão... E da solidão. As noites tornam-se pequenas para tantos sonhos e desejos, grandes demais para caber em tão pequenos corpos. Tudo a partir daí se torna um lindo mundo mágico de espera. “Quando será que meu príncipe chegará?”, ou ainda: “Que tipo de declaração romântica ele me dirá?” são perguntas cujo ficam impregnadas na mente, nos afastando cada vez mais da realidade.
Elas, talvez, somente esquecem-se de nos lembrar que contos de fadas não são reais apenas porque nós queremos que sejam. É triste encarar os fatos, a decepção sentida é tão profunda quando descobrimos que não temos descendência nobre, que não estamos aprisionadas longe de nosso reino e por isso nunca conheceremos o príncipe. E então, o sonhado primeiro amor: doce, majestoso e inocente... Se transforma na mais pura e dolorosa sensação de agonia. Você quer se libertar da ilusão, quer ir para tão longe quanto puder, entretanto acaba correndo de volta como um dependente químico ao ver sua droga favorita.
Você não consegue se livrar dele, por mais que os anos avancem e a maturidade chegue. Mesmo confiante, se sentindo pronta para seguir em frente, seus pés ainda estarão pregados firmemente ao chão. Você sentirá seu coração implorar pelo desapego, vai sentir o breve gosto do regozijo na boca somente para instigá-la a partir e um enorme peso afundar sobre suas costas, então vai desejar uma cama para repousar. Essa cama nunca surgirá.
O primeiro amor não é algo que possa ser esquecido, mesmo que passe tanto tempo adormecido dentro de você a ponto de julgar não mais possui-lo. Bastará um simples gesto, algo que a faça lembrar-se do confortante calor, e ele baterá novamente a sua porta, reivindicando seu lugar de direito. Você tentará empurrá-lo de volta para baixo, afogá-lo no escondido mar escuro e sentirá ele como um pequeno pássaro pronto para abandonar o ninho. Porém, mais uma vez, nossas mães falharam miseravelmente ao não nos contar que, esse é um pássaro muito covarde e que ele jamais voará, porque tem medo de altura.
Você será para sempre ligada a ele, não importa que tenha tentado seguir em frente. Suas bochechas ainda irão corar ao lembrar da sensação morna e aconchegante de outrora. Vai ainda se pegar imaginando que poderia realmente ter sido uma princesa e tudo, magicamente, teria sido mais fácil, que seu “felizes para sempre” realmente duraria uma eternidade. Cruel? Sim.
Mas, assim como tantas outras garotas, eu não me importava com isso, eu apenas queria senti-lo, tão fundo quanto pudesse ir. Eu queria provar todos os sabores, enxergar todas as cores mesmo que a claridade fosse me cegar. Sim, eu deixava minha janela sempre aberta, pronta para receber meu galante príncipe quando ele viesse montado em seu alazão branco. Eu esperei por anos, incontáveis noites me vi caída no parapeito, adormecida pela demora. Tão tola! Eu esperava por algo que nunca viria.
Eu rezava para que meu amado aparecesse o quanto antes, que fosse capaz de me tomar daquela escuridão amedrontadora. Os anos não tardaram a passar, impassíveis ao meu aguardo. Comecei a pensar que ou ele havia se perdido no caminho, ou algo em mim estava errado. Se culpar é tão mais fácil, não é? Toda essa demora acumulada em mim, junto ao insuportável convívio com meu pai, me levou a fugir de casa quando eu tinha apenas dezesseis. A melhor decisão da minha vida.
Não fui capaz de contar as vezes em que meu pai fora atrás de mim, no entanto, nenhuma delas por saudade ou preocupação. Um ano depois, na cidade portuária de Hargeon, conheci Natsu, um garoto literalmente explosivo, ele estava acompanhado de Happy, um exceed azul, seu fiel amigo. Ele, o garoto do estranho cabelo rosa, fora o responsável por levar-me até a Fairy Tail, a guilda dos meus sonhos. Eu não poderia ser mais grata a ele por isso!
Os primeiros meses foram tão difíceis. Não por falta de carinho e aconchego por parte de meus nakamas, isso nunca! Eu apenas sentia falta de casa, do cheiro de minha mãe nas cobertas roubadas na calada da noite... Eu não havia trago nada comigo que me recordasse dela, além das minhas chaves celestiais. Então, depois de quase um ano, voltei a escrever cartas para ela, um velho hábito adquirido nas inúmeras noites de espera na companhia das estrelas. Esse deveria ser um segredo meu, porém quando pela terceira vez aquele dia, Natsu adentrou em meu apartamento pela janela aberta ao lado da cama, eu fora descoberta. Natsu nunca foi um exemplo claro de raciocínio lógico, pelo menos não fora de alguma batalha, o que tornou bastante complicado o entendimento do meu singelo hobbie.
Contudo, essa não seria a primeira e última vez cujo fui pega no flagra por ele, que havia incorporado permanentemente a inconveniente mania de invadir minha casa, sempre pela janela, diga-se de passagem. Não preciso citar que perdi as contas de quantas foram, nos mais diversos e inoportunos horários. Minha geladeira vivia vazia, minha cama era proclamada sua e nem mesmo minha gaveta de calcinhas estava segura. Eu não sabia ainda, mas eu não mais conseguiria viver sem toda aquela algazarra provocada pelo rosado.
Passamos pelos mais improváveis problemas, vivemos as mais loucas aventuras, sempre juntos. Nossas alegrias e tristezas eram compartilhadas como se por uma pequena e invisível corrente elétrica. Eu chorava suas lágrimas e ele se alimentava dos meus sorrisos. Natsu nunca mais me deixou sozinha. Eu era tão feliz ao seu lado que fora capaz de esquecer-me do tempo, da minha infindável e adormecida espera.
Mas as coisas não são como nós queremos que sejam, pelo menos não para sempre. Eu não sei como aconteceu, mas quando dei por mim, a ausência mesmo que momentânea do garoto me fazia tremer, quase agonizar. Eu me tornei dependente de seus olhos, de seu sempre contagiante sorriso. Eu tive medo de estar doente e passei a evitá-lo, trancando precisamente minha janela, como se isso fosse capaz de mantê-lo afastado de mim, da minha incerteza.
Por Kami, eu estava apavorada! Era perturbador estar em sua presença e até mesmo pensar nele. Eu me sentia febril e estranhamente meu coração dava saltos em meu peito, na melhor das hipóteses torcia para que as borboletas não iniciassem uma revoada pelo estômago. Rezei para que mama me ajudasse a encontrar uma solução para tudo aquilo e, como se atendendo ao meu pedido, a resposta me fora entregue a mãos beijadas. Em determinado dia de limpeza, acabei derrubando a caixa cujo armazenava as inúmeras cartas, por alguma razão desconhecida, um dos envelopes estava sem o lacre. O peguei no intuito de guardá-lo corretamente, quando algumas palavras me chamaram a atenção.
O papel estava amassado e alguns cantos exibiam manchas escuras, evidenciando que eu havia chorado sobre. Era uma das cartas mais antigas, datava de pouco mais de um ano após o falecimento da minha mãe e nela eu relatava a proximidade do inverno, do meu temor em fechar a janela e o príncipe encantado pensar que eu não mais estaria ali. Uma corrente elétrica fluiu por todo meu corpo quando me dei conta do que estava acontecendo comigo.
Devia haver algo errado! Natsu não era nem de longe o rapaz ideal para um romance, pelo menos não com sua falta de modos e toda sua inocência para o assunto. Mas, ora essa! Quem era eu para falar sobre isso, afinal? Mal conseguia compreender a dimensão de meus próprios sentimentos e julgava-o? Que pessoa horrível eu havia me tornado? Não era digna de voltar a vê-lo, pelo menos não enquanto estivesse feia daquela forma, com sentimentos tão conflituosos.
É óbvio que ele percebera e não ficara nada satisfeito com meu súbito afastamento, porém eu não conseguia ao menos olhar-lhe nos olhos. Foi então, no começo do outono, que pudemos compreender o tamanho de nossos laços. Estávamos em meu apartamento, sozinhos e frente a frente, entretanto as respostas para suas inúmeras perguntas ficavam engasgadas, eu era fraca no fim das contas. Mesmo diante de todo seu desespero, de todo seu medo de ter feito algo errado, eu ainda permanecia calada, covardemente enclausurada na minha redoma de vidro. A situação fugiu de controle, contudo, na hora em que tentei me retirar. Ele agarrou-me pelos braços, com força desnecessária, e me puxou em sua direção, pega de surpresa acabei virando muito rápido, chocando nossos corpos quase violentamente. Eu estava completamente ruborizada.
A suavidade de seu toque me acalentava como a mais doce melodia primaveril, muito embora o calor de sua pele me lembrasse o verão. Então, quando eu pensei que perderia tom por tom até viver imersa no cinza-fosco, uma explosão cintilante de cores incidiu dentro de mim. Não sei quando ele finalmente tomou ciência de nossa constrangedora posição, somente fui capaz de sentir minha respiração sucumbir a sua. Toda sua selvageria durante as batalhas parecia apenas um sonho distante diante a cálidez daquele singelo toque. Um breve roçar de narizes que abrira caminho para um íntimo encostar de lábios.
O momento fora eternizado, não pela duração, mas pela importância. Nos afastamos extremamente corados e incertos do que dizer. Foram incontáveis minutos desviando os olhares para todas as direções cabíveis, menos para ele, até que como se nada tivesse acontecido, Natsu sorriu pra mim. O mais lindo de todos os sorrisos. Suas palavras seguintes abriram um enorme buraco aos meus pés e eu me vi flutuando enquanto uma corrente elétrica estranhamente gentil percorria desde meu pé até o último dos fios de cabelos.
“— Ne, Luce. Você quer ser minha parceira para toda vida?”
Eu poderia não saber tudo sobre garotos ou dragon slayers, ou até mesmo sobre garotos dragon slayers, mas eu sabia o que aquilo significava. Lembro que fora impossível conter as lágrimas presas em meus olhos e isso apavorou Natsu, que pensava ter dito algo de errado. Não me contive e, mesmo chorando, eu ria de suas feições perturbadas. Passou-se tanto tempo desde esse primeiro beijo até que o segundo acontecesse... Mesmo assim eu ainda podia sentir o gosto dele em mim: pimenta e morango. Era estranhamente bom.
Então, a vida agiu novamente. Após levar minha mãe, me deixando perecer nas sombras de cores mórbidas, ela me atirou sua mais bela paleta de cores e trouxe Natsu ao meu encontro. Eu deveria agradecê-la por tentar compensar meu vazio, mostrando que não importasse quantas vezes eu tivesse pressa, as coisas só aconteceriam quando ela desejasse.
Natsu, mesmo sendo o completo oposto do cavalheiro que idealizei, me fazia tão bem que me sentia capaz de sufocar a qualquer momento devido tanta felicidade. Ele era perfeito com todos os seus defeitos! Não importava que ele não fosse nem de longe o príncipe gentil dos meus sonhos, nem que possuísse um gato azul no lugar do belo alazão branco. Eu não tinha motivos para reclamar, finalmente havia encontrado meu tão desejado primeiro amor.
E eu estaria eternamente satisfeita enquanto tivesse meu espalhafatoso dragão.
Notas finais
Deixem alguns reviews falando sobre o que acharam, eu ficaria extremamente feliz em respondê-los :)
Ah, deixarei aqui o link da minha longfic Marion Blanchard, caso alguém se interesse em ler (Ela é SasuSaku, mas de uma forma beem incomum): http://fanfiction.com.br/historia/296791/Marion_Blanchard/
Arigatou mais uma vez..
Ja ne ~♥
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