“Aquela tarde de outono me deu o sabor da eternidade...”

Um vento gelado cortava meu rosto e os meus lábios se entristeciam. Sentada na pequena escadinha que levava à varanda de uma casa antiga em tons de marrom e beije, ficava a contemplar o cenário a minha frente: um campo de flores alaranjadas caídas no chão, árvores sem flor e uma imensidão azul que se estendia pela abóbada celeste, como se fosse me engolir aos poucos, conforme passasse os segundos.
No outro lado daquele pequeno campo, havia outra casa, porém mais bela e visivelmente reformada, onde estava acontecendo uma festa de amigos, da qual eu faço parte. Vestida de um vestido branco com detalhes em preto, eu deveria estar naquela festa dançando com meu par.
-O meu par... –Murmurei.
-Ele está esperando por você.
-Hm?!
Virei meu rosto em um súbito susto e deparei-me com um rapaz de pé vestido com um terno riscado como se fosse de giz, segurando uma rosa na mão direita desleixadamente.
-Eu não acho... Que ele vai sentir minha falta...
-Mentira.
-Hã?
-Está procurando por você feito um louco. Quem sabe se, mas só talvez... Quem sabe se ele te conhecesse tão bem quanto eu, ele iria se importar com o fato de você não querer dançar com ele? Ele viria até aqui e sentaria no seu lado... –Ele sentou-se ao meu lado. –Colocaria uma flor na sua mão... –Ele pegou a minha mão e pousou a rosa que segurava na palma dela. –E diria que... Se não fosse por saber que você sempre procura o lugar mais seguro, não teria te deixado daquele jeito naquela noite chuvosa?
Meu coração começou a acelerar e várias memórias vieram a minha mente, mas não, não tem piedade para certas coisas...
Pousei a rosa no degrau da escadinha e sai andando pelo campo, enquanto ouvia os passos dele atrás de mim.
De repente, parei de andar e senti-o fazer o mesmo atrás de mim.
-Com certeza, eu nunca tinha gostado de alguém antes... Mas só de segurar na sua mão naqueles dias, eu me sentia completa, me sentia feliz. O tempo parava e era tão bom

ver as estações do ano passando pela janela sem me preocupar. Porque tinha um garoto na cidade que me dizia “eu vou te amar para sempre”, e eu me pergunto agora, para que “para sempre” vai servir quando tudo estiver morto?
Antes que pudesse terminar de dizer “morto”, senti braços me agarrarem por detrás, e meu corpo se encostar ao dele. Seu rosto se apoiava em meu ombro ao abaixar a cabeça e seus braços aqueciam os meus.
-Pode ser que “para sempre” não exista... Mas eu vou te proteger, não importa como. E não é o que você está pensando... Você prefere entrar por aquela porta e dançar com um cara por quem você nunca vai sentir nada... Só porque os outros querem que você fique com ele?
-Por qual porta você quer que eu entre então?
Ele segurou minha mão e me puxou de volta em direção a casa antiga, forçou a maçaneta da porta e ao entrar, pediu para que eu me sentasse.
-Quero que escute... –Christofer pegou um violino e ao posicioná-lo, começou a tocá-lo com precisa perfeição. Caminhei em sua direção e tirei o instrumento de sua mão, posicionando calmamente no chão.
-Conheço esta música. –Sorri.
Ele sorriu também e estendeu a mão para mim. Concedi a minha e dançamos até anoitecer, até a última vela acesa se apagar. ~☆~
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