Essa é a minha resposta para a pergunta que eu vivo fazendo a mim mesma: "O que eu vou fazer da minha vida?"

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Eu era uma pessoa que não tinha sonhos, não tinha um caminho certo neste mundo. Eu acreditava na sorte, e apenas com ela ia pelos caminhos da minha solidão. Havia tantas coisas que eu admirava,\"\" eu queria poder fazer todas elas e queria poder surpreender as pessoas com a arte de surpreender. Mas meu mundo era muito preto e branco para que eu pudesse pintá-lo, já que minhas mãos não eram hábeis para colorir um mundo de ilusões que eu criava em minha mente. Sem estas cores, eu me sentia sem ter por onde seguir, pois as cores estão em todos os lugares. Elas fazem parte da arte do pintor, elas fazem parte dos cenários dos atores dos teatros, fazem parte da maquiagem dos artistas de circo e fazem parte dos figurinos dos dançarinos. Em nada disso eu me encaixava. Eu via um quadro de um famoso pintor, nunca que eu iria conseguir mover um pincel com aquela sensibilidade nas pinceladas, reproduzindo todo um universo em camadas. Eu via os atores em cima do palco inspirados, falando como se aquele papel que representavam fizessem parte deles, enquanto eu mal me conhecia para conseguir tentar interpretar outro alguém. Eu via os artistas de circo se moverem tão astutos com sua face pintada, fazendo o mundo de uma criança, formando um sonho para ela. Eu via a bailarina ficar na ponta e sujar sua sapatilha, eu nunca nem conseguiria vestir uma em meus pés. Eu vi este mundo inteiro, desejando ser como eles, aprendendo a amar a arte das cores e da música com eles, sempre querendo me superar e surpreende-los. E \"\" que uma vez, eu peguei um livro e comecei a lê-lo. À medida que ia consumindo aquelas palavras para dentro de mim e sem mesmo ver o rosto ou as roupas que o autor usava, eu consegui ver a alma dele. Assim como eu via a do ator de Romeu, assim como eu via a do palhaço, assim como eu via a da bailarina ao fazerem as coisas que a vida lhes deu como o dom maior, eu vi que aquele poeta também tinha suas qualidades e seus talentos. Ele sabia fazer tudo junto. Pode ser que ele nunca tenha usado uma sapatilha ou ter colocado a peruca de um palhaço, mas só de ver o espetáculo em fazer aquelas coisas, ele se propôs a registrá-las da maneira mais inspiradora que pode. E nasceu algo em mim. Eu podia não saber fazer aquelas coisas, mas admirá-las eu sempre fiz. À medida que as fui descrevendo com minhas mãos, já machucadas\"\" de tanto tentar mostrar que eu também sabia fazer todas aquelas coisas, eu fui descobrindo um novo universo onde conseguia expressar tudo que sempre havia ficado preso em mim. Daquela forma, acabei me apaixonando pelo poeta que me fez ter o dom que hoje compartilho com os outros. Portanto, se um dia vocês se virem sem talento e habilidade diante o mundo, procure nas pessoas o seu talento, pois é triste não poder fazer tantas maravilhas, mas é mais triste ainda nunca ter tentado nenhuma delas e nunca ter procurado a essência delas.