My Last Breath

1 Holding my last breath...


Notas iniciais
De tudo que já escrevi, isso é o que mais me desconcerta.

Eu o abraçava, sentindo seu cheiro pela última vez. O abraçava apertado, sem querer deixa-lo, mesmo sabendo que não havia volta. O veneno, tão sutil e escolhido a dedo já corria pelas minhas veias, e logo completaria sua missão. Eu sabia que tinha pouco tempo. E ele também.

Eu ligara para ele para dizer pela última vez que o amava, sem saber que ele estava a caminho de minha casa. Eu era dele, e me deixava ser usada sempre que ele queria alguém para dividir a cama, mas não achava mais ninguém. Eu me rebaixara a isso, a ser sua última opção, a ser aquela a quem ele procurava quando não tinha mais nada para fazer. Eu sentia falta da época em que era sua única opção, quando ele me procurava porque queria ficar comigo, e não porque a falta de sexo era grande demais e não havia mais ninguém para resolver aquilo para ele. Mas eu fazia isso, porque eu o amava e depois que ele me deixou, me contento com qualquer coisa que puder obter, mesmo que sejam apenas algumas horas de sexo, onde ele sairia satisfeito da cama e seguiria em frente, sem saber que me deixava destruída atrás de si, sem saber que depois de me despedir mais um corte era acrescentado na pele já marcado de meus braços, sem saber que mais algumas dezenas de lágrimas eram acrescentadas à conta dos milhares desde que me deixara. Mas eu o amava, e isso me matou muito antes que eu decidisse terminar o serviço. Ele viera me procurar para mais uma de nossas tardes nojentas, sem saber que nunca mais experimentaria a sensação de me ter em seus braços.

Quando chegou e me encontrou deitada na cama, já enfraquecida, correu para meu lado e me abraçou, depositando meu corpo em seu colo. Eu dizia que estava tudo bem, que não ia doer nada. Seria como cair no sono mais uma vez. Nós dois sabíamos o que me esperava. Eu não aguentava mais a dor que me corroía por dentro há quatro anos. Ele disse que eu prometera não fazer nada disso, que eu prometera que não me mataria. Então eu o lembrei de que ele me prometera voltar em dois anos, e já haviam se passado quatro. Se ele não mantivera a dele, por que eu tinha que manter a minha?

Ali em seus braços, em meus últimos minutos, eu recordava tudo que havíamos passado. Todos os momentos maravilhosos, toda a felicidade que ele me trouxe. Lembrava-me da primeira vez que nos vimos, de nosso primeiro beijo, da primeira vez que ele me fez sua, de cada momento alegre e feliz que passamos um ao lado do outro. De nosso sonho de vivermos o resto de nossas ao lado um do outro, de como nosso filho seria maravilhoso, e nossa filha seria linda, e ruiva como o pai. Tínhamos tantos planos, e eu acreditava que eles iriam se concretizar.

Mas eu não suportei. Não suportei saber que nunca seria a mãe daquele menininho genioso de cabelos negros, e nem da garotinha delicada de cachos vermelhos. Não suportei ser a última opção, não suportei a perda da minha felicidade. Minha depressão vinha aumentando há quatro anos, e eu simplesmente não aguentava mais isso. Entristeceu-me saber que eu perderia tudo aquilo, mas o esquecimento era atraente demais. Venho definhando há anos, e isso termina hoje.

Eu sentirei falta de estar aqui, das sensações. Sinto falta do inverno, quando deitávamos na cama sob os cobertores para assistir filmes em tardes que sempre acabavam com nós dois dormindo nus nos braços um do outro. Sinto falta de estar ao lado dele, e sentirei até esquecer tudo.

Eu fitava seus olhos e sorria, mesmo que minha visão estivesse embaçada por causa das lágrimas. Dizia a ele que se lembrasse de mim, que pensasse em mim principalmente no inverno, minha estação favorita. Pedia que fosse à reserva florestal por mim, andar na neve como eu gostava de fazer. Mais uma lágrima rolou pelo meu rosto ao me dar conta de que nunca mais poderia andar ao lado dele na neve, sorrindo e brincando.

Ele não me respondia, mas eu sabia que estava me ouvindo. Suas lágrimas se misturavam com as minhas, o gosto salgado penetrando em minha boca, amarga pelo veneno que tomara. Eu planejara morrer sozinha, como estive durante esses quatro anos, mas poder estar em seus braços novamente não teve preço.

Eu senti tanta falta de estar em seus braços, de me sentir protegida ali. Quando ele terminou tudo, veio meu primeiro plano de suicido. Minha vida havia desmoronado ao meu redor em tão pouco tempo que me senti perdida. As brigas em casa, o ano perdido na escola, e o único com quem eu podia contar havia me deixado. Eu não via mais motivos. Eu planejara cuidadosamente, mas então ele veio com sua promessa de que era só um longo tempo, que iria arrumar sua vida e em dois anos voltaria para mim. Foi ai que começou essa coisa nojenta que fazíamos, onde ele me chamava e eu ia correndo para sua cama, para sair de sua casa destruída, me sentindo um lixo, a vadia mais baixa. Mas eu continuava. Não entendia por que, mas continuava com isso, mesmo que me machucasse demais.

Saber que toda a dor que eu sentia terminaria ali era realmente reconfortante e me fez dar mais um de meus sorrisos sem alegria. Há quatro anos eu não sorria verdadeiramente, há quatro anos a expressão de tristeza em meus olhos não me abandonava. Mas todos os sorrisos falsos e as dores reais demais terminariam logo.

Eu me lembro de que todas as noites eu pedia a todos os deuses que o trouxessem de volta para mim. Eu gritava seu nome em minha mente enquanto abafava meus soluços em meu travesseiro. Eu chorei cada noite desde que ele me deixou. Eu desejava estar ao seu lado, e começava a devanear, até cair na real e perceber que ele me deixara. E então as lágrimas recomeçavam. Comecei a me cortar mais ou menos um mês depois dele ter me deixado, na esperança de que a dor física abrandasse a outra dor. Não surtiu o efeito desejado, mas eu nunca mais parei. Quando sai de casa, há um ano, tive que morar sozinha. O plano era morar com ele, ter nossa casa, nossa vida. Eu não tinha amigos, ele sempre foi o único amigo verdadeiro que tive. Entrar em meu apartamento todas as noites e perceber que não havia ninguém ali me esperando doía de forma terrível. Mais uma das dores que não consigo mais suportar.

Eu sentia o tempo se esvaindo. Sabia que logo estaria acabado. Disse a ele que seria como dormir. Desejei-lhe boa noite o abracei, aninhando-me em seu colo da mesma forma que fazia quando dormia com ele. Disse que o amava e continuei a fitar seus olhos. Ele me chamava, dizia que me amava e implorava para que eu não o deixasse, mas minha visão já estava escurecendo...

Notas finais
Comentários são sempre aceitos, positivos e negativos.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!