Notas iniciais
Oi, meus amores. Como estão? EU AMEI escrever esse capítulo e espero de todo o meu coração que vocês gostem. ♥ Aproveitem ;)

POV Edward Cullen

Bella saiu do meu escritório para cuidar dos assuntos relacionados à viagem e o sentimento de remorso se instalou no meu peito. Como eu pude tratá-la de maneira tão rude quando ela só estava sendo gentil comigo? Isso fez com que eu refletisse sobre o passado. Tanya nunca se preocupou em saber se eu havia ou não me alimentado para enfrentar um dia de obrigações, muito menos perguntava como havia sido o meu dia de trabalho. Nunca demonstrou nenhum interesse pela minha rotina, visto que nunca se importara comigo. Ao contrário de Isabella, que mesmo sendo apenas a minha secretária, sempre está a meu dispor e tenta me agradar de todas as maneiras possíveis. E hoje, ela me surpreendeu com sua preocupação em relação a mim. E como eu agradeço? Agindo feito um idiota por um motivo banal. O ciúme me enervou e fez com que eu a tratasse da maneira mais vil quando ela nem merecia.

Além do ciúme, o medo foi o segundo motivo do meu comportamento ignóbil. O medo de mergulhar novamente nas trevas do passado e o receio de que os fantasmas retornassem para me atormentar. Agi com estupidez na tentativa frágil de não me render aos meus sentimentos e para fazer com que Bella quisesse se afastar da companhia insuportável que eu me tornaria. Todavia, eu fui fraco e não consegui continuar com aquela farsa, não depois de ver a tristeza estampada em seus lindos olhos. E saber que eu fui o causador daquela situação, fez com que eu me arrependesse amargamente dos meus atos. Naquele momento, eu entendi o lixo de homem que eu era. Lembrei-me com pesar de alguns minutos atrás, quando ela entrara no meu escritório como um bichinho acuado que estava prestes a ser atacado por uma fera selvagem, que no caso, era o seu estúpido chefe.

Depois de tantas dúvidas rondando a minha mente, tomei uma decisão definitiva. Eu estava disposto a me arriscar, mesmo que isso significasse a possibilidade de sofrer novamente.

[...]

Ao anoitecer do dia seguinte, depois de retornar do trabalho, arrumei o que faltava em minhas malas com a ajuda de Elizabeth. O voo para Toronto estava marcado para essa noite. Saquei o celular do bolso da minha calça social e disquei para o número da minha secretária. Ela atendeu no segundo toque.

— Alô? — A voz melodiosa aqueceu o meu peito.

— Isabella, sou eu. Não gostaria que eu lhe buscasse para irmos juntos para o aeroporto? — Agora era a minha vez de ser gentil e me redimir do dia anterior.

— Não, senhor. Não é necessário. Uma pessoa me levará. Não se preocupe.

— Tudo bem então. Até logo!

— Até logo, senhor. — Ela desligou.

Baixei a cabeça melancolicamente e apertei o celular com tanta força que os meus dedos protestaram. Uma pessoa iria levá-la... Suspirei com pesar, só podia ser aquele mesmo sujeitinho.

[...]

Estava no balcão fazendo o check-in quando um cheiro familiar adentrou as minhas narinas. Sorri docemente e o meu coração se agitou no peito.

— Sr. Cullen? — Ela tocou o meu ombro levemente e me virei em sua direção.

Fiquei deslumbrado com tamanha visão. Ela estava divinamente vestida em um sobretudo vermelho que marcava bem a delgada cintura. As pernas torneadas estavam cobertas pelo fino tecido da meia-calça escura e as botas de cano alto eram as responsáveis pelo ar de poder e sensualidade.

— Você está linda e bem agasalhada. — Sorri calorosamente.

— Obrigada. — Em questão de segundos, a tonalidade de seu rosto era a mesma do sobretudo. — Os voos à noite tendem a ser mais frios, então já estou devidamente preparada. — Ah, minha doce Isabella... Eu mesmo gostaria de aquecê-la.

— Quer ajuda com a mala para fazer o check-in? — Ofereci.

— Sim, por favor. — Ela sorriu.

Aquele sorriso ainda iria me desmontar inteiro.

[...]

Bella sentou-se à janela do avião e eu me acomodei no assento ao seu lado. A comissária de bordo fez a demonstração dos procedimentos de segurança e deu as últimas instruções antes da decolagem. O avião levantou voo e Bella deitou a cabeça no encosto do assento reclinável fechando os olhos. Percebi o momento em que ela suspirou e suas mãos apertaram com demasiada força os braços da poltrona.

— Está tudo bem? — Perguntei com certa preocupação.

— Está sim, senhor. Fico um pouco receosa durante a decolagem e o pouso, não há nada com que se preocupar.

— Está com medo? Tudo bem, não precisa esconder de mim.

— Um pouquinho. — Ela confessou e sorriu amarelo.

A maior parte do voo foi pacífica e sem turbulências. Olhei para a minha secretária e me surpreendi ao vê-la dormindo tão serenamente. Ela devia estar cansada. Não resisti ao impulso de acariciar o seu lindo rosto e afastei algumas mechas de cabelo. Mesmo vestida em roupas quentes, percebi que sua pele estava fria sob o meu toque. Acenei para uma comissária.

— Gostaria de algo, senhor? — Perguntou.

— Traga-me um cobertor, por favor.

— Certo, senhor. Vou providenciar isso agora mesmo. Com licença. — Disse polidamente.

Voltei a olhar para Isabella e ela continuava ressonando tranquila. Ela era tão linda dormindo que eu nunca me cansaria de contemplar. Parecia um anjo, o meu anjo. Estava tão preso aos meus pensamentos que nem percebi o momento em que a comissária de bordo regressou.

— Aqui está, senhor. — Entregou-me um grosso cobertor azul-escuro.

— Obrigado.

Ela assentiu e retirou-se.

Cobri o diminuto corpo de Bella com a manta e ela se agitou. Sua cabeça pendeu para o meu lado e pousou sobre o meu ombro. Seu braço direito caiu lentamente por cima do meu que estava sobre o apoio do assento. Inconscientemente, ela se aconchegou em mim. Sorri enternecido diante da cena.

Depois de algumas horas, a tripulação informou que estávamos próximo ao aeroporto canadense e pediu para que os passageiros colocassem os cintos. Bella acordou com o aviso e ficou sem jeito quando percebeu que estava dormindo sobre o meu ombro. Fingi que também tinha acabado de acordar e que não percebi o que havia acontecido, eu não queria que ela ficasse desconcertada. Agradeci mentalmente pelo seu ato de inconsciência, pois graças a ele, eu tive a chance de tê-la perto de mim.

Ela fitou o cobertor e olhou interrogativamente para mim.

— Você estava com frio. — Disse sorrindo.

Ela corou mais uma vez naquela noite.

[...]

Era madrugada quando contratei os serviços de um motorista para que ele nos levasse até o hotel. Bella e eu ficamos em silêncio por toda a viagem até chegarmos ao destino desejado. Assim que chegamos à fachada do hotel, um bellboy veio em nosso auxílio para nos ajudar com as malas. Acertei as contas com o motorista e logo depois adentrei o hall de entrada com Bella em meu encalço. Apresentei-me na recepção do hotel e registrei a nossa entrada. Depois de vários procedimentos de praxe, um funcionário se encarregou de nos apresentar as nossas respectivas acomodações e entregou as chaves das mesmas. Em seguida, as nossas bagagens também foram entregues.

— Isabella, nós chegamos tarde da madrugada e sei que deve estar cansada da viagem. Mas precisaremos ir bem cedo à filial, precisamente às 8h. — Disse enquanto ainda estávamos no corredor.

— Não se preocupe. Estarei bem-disposta no horário estabelecido, senhor. Além disso, não estou cansada. Visto que dormi durante toda a viagem. — Ela riu e baixou a cabeça um pouco envergonhada.

— Bella, mais uma coisa. Não hesite em pedir qualquer coisa do serviço de quarto. É tudo por minha conta.

— Tudo bem. Até logo, senhor. — Sorriu e virou-se para entrar no quarto ao lado do meu.

Suspirei pesadamente. Até quando eu vou conseguir resistir a essa mulher? Entrei em minha suíte e fui logo retirando os sapatos e desabotoando a camisa branca. Passei as mãos nos cabelos impacientemente e joguei-me frustrado na espaçosa cama. Como eu conseguiria dormir sabendo que a mulher que eu amo estava separada de mim apenas por uma extensa parede? Fiquei enlouquecido só de imaginar que ela poderia estar enroscada entre os lençóis da cama com pouca roupa ou completamente nua. Gemi com o rumo que os meus pensamentos estavam tomando. Eu precisaria de um banho frio urgentemente.

[...]

Acordei animado na manhã seguinte. Levantei-me da cama e abri as persianas que cobriam as amplas janelas de vidro. Cruzei a porta dupla que dava acesso à sacada e fiquei maravilhado com o sol resplandecente sobre a linda cidade e com a visão privilegiada do Lago Ontário. Não era a primeira vez que eu estava em Toronto, mas a beleza da cidade nunca deixaria de me surpreender.

Tomei um banho revigorante e fiz toda a minha higiene matinal. Vesti-me cuidadosamente com meu terno risca de giz cinza. Havia esquecido um pequeno detalhe, Elizabeth não estava aqui para me ajudar com a gravata e eu nunca consegui fazer um nó decente. Peguei a minha pasta de couro e saí do quarto. Bati na porta ao lado.

— Isabella?

— Um momento, senhor.

Não demorou muito e logo ela apareceu elegantemente vestida em um tailleur azul-escuro, este acompanhado de uma bolsa de couro e scarpins pretos. Os cabelos mognos presos em um coque firme e o rosto coberto por uma maquiagem suave. Ela fechou a porta atrás de si.

— Já estou pronta.

— Está muito elegante, Srta. Swan. — Pelo jeito eu teria que tomar cuidado com os homens que se aproximassem dela.

— Eu não posso falar o mesmo do senhor. — Ela riu e seus olhos fitaram o defeituoso nó da gravata. — Quer ajuda? — Ela gesticulou para a gravata escura.

— Por favor. — Sorri em resposta.

— Que vergonha, Sr. Cullen. Veste esse tipo de traje há anos e mesmo assim nunca aprendeu a fazer um nó decente em uma simples gravata? — Ela riu.

Fiquei envergonhado diante de seu comentário. O imponente Edward Cullen estava se sentindo embaraçado diante de uma mulher? As coisas realmente mudaram por aqui. Eu não me reconhecia mais. O que essa mulher estava fazendo comigo?

As mãos ágeis fizeram o nó com habilidade e rapidez. Ela ajeitou a gola da camisa e também aproveitou a deixa para dobrar e ajustar o lenço de linho branco no bolso do paletó.

— Prontinho. — Ela sorriu e alisou as lapelas do paletó. — Nem é tão complicado assim, senhor.

— Obrigado, Srta. Swan. — Abotoei e fechei o paletó.

— E se eu não estivesse aqui? A quem o senhor iria recorrer?

— Ao primeiro que estivesse disposto a ajudar.

Rimos juntos e uma funcionária que aparentava ter bastante idade, chamou a nossa atenção:

— Vocês formam um belo casal. — Disse sincera. — Estão juntos há muito tempo?

Olhei para a Bella e a mesma enrubesceu e baixou a cabeça. Fiquei internamente feliz com o comentário. Virei em direção à senhora.

— Somos apenas colegas de trabalho. — Respondi.

— Perdão, menino. Isso é o que acontece com uma velha bisbilhoteira. Que vergonha! Eu pensei que... — Ela tentava se desculpar, mas eu interrompi.

— Está tudo bem, senhora. — Sorri. — Estou tentando conquistá-la. — Sussurrei a última frase o suficiente para que ela lesse os meus lábios e dei uma piscadela. Ela sorriu amplamente em resposta.

— Desculpe pelo ocorrido. Bom dia. — Disfarçou e seguiu seu caminho.

Retornei minha atenção para a Bella que continuava desconcertada com a situação.

— Gostaria de me acompanhar em um café-da-manhã?

— Desculpe, senhor. Mas terei que recusar tal pedido. Eu pedi serviço de quarto e já fiz o meu desjejum. Mas se quiser, eu posso esperá-lo.

— Não, tudo bem. Já podemos ir. E a senhorita não vai poder recusar um almoço depois. — Sorri calorosamente.

— Tem certeza de que não vai comer nada mesmo? — E mais uma vez, a sua preocupação com o meu bem-estar era evidente. Essa mulher era um anjo mesmo.

— Eu vou sobreviver. — Respondi com um sorriso brincando nos lábios. — Vamos? Um carro da empresa está à nossa espera.

Ela assentiu e pousei a mão na base de suas costas, guiando-a. Não era necessário que eu fizesse isso, mas eu não resistia e não perdia a oportunidade de tocá-la.

[...]

Chegamos à filial da Cullen's Advocacy e Bella parecia maravilhada com o ambiente em sua volta. Observava atenta e minuciosamente cada detalhe das dependências do prédio empresarial.

— É um belíssimo edifício. — Bella disse deslumbrada. — A filial é tão refinada quanto à própria matriz.

— E bem dirigida também. Gostaria que conhecesse a diretora.

— Diretora? — Bella esboçou surpresa em suas feições.

— Sim, a empresa é administrada por uma mulher.

— Interessante. — Sorriu. — Muitas empresas tendem a discriminar as mulheres e jamais colocariam uma mulher em um cargo de alta responsabilidade.

— A Cullen's Advocacy é diferenciada, Bella. Sempre zelamos pelo bem-estar de todos os nossos funcionários e acreditamos no potencial de cada um deles independente da cor, raça ou sexo. E essa diretora tem grande competência no que faz.

— Sinto um orgulho imensurável por fazer parte desse meio, senhor. — Disse ela com um brilho no olhar.

Seguimos a nossa caminhada e eu era recepcionado por vários funcionários ao longo do trajeto. Entramos no elevador e escolhi o andar da sala de presidência. Chegamos ao andar desejado e percorremos o extenso corredor até a mesa da secretária. Fomos atendidos e pedi que me anunciasse. Ela deu um rápido telefonema e logo depois autorizou a nossa entrada. Abriu a porta para que entrássemos no escritório e se retirou.

— Edward! — Anna levantou de seu assento alisando o terninho vermelho. — A que devo a honra, querido? — Veio em minha direção e me abraçou. — Cada dia que passa fica mais bonito. Nem parece mais aquele menino que corria de Esme por toda a sala de estar.

— Bobagem! Você que continua linda. Parece que rejuvenesce a cada dia.

Mesmo com a meia-idade, Anna parecia bastante jovem para a idade que tinha. Os cabelos loiros continuavam resplandecentes sem um único fio branco e as rugas eram quase imperceptíveis.

Ela observou Bella por um momento e parecia encantada.

— Nossa! E quem é essa belíssima mulher?

— Essa é Isabella Swan, minha secretária. E Bella, essa é Anna Jackman, a diretora-presidente da filial.

Ambas apertaram as mãos e se cumprimentaram cordialmente.

— É um prazer conhecê-la, querida. — Anna disse de maneira amistosa.

— O prazer é meu, Sra. Jackman. O Sr. Cullen me falou maravilhas sobre a sua competência como dirigente. — Bella disse sorridente.

— Edward sempre muito gentil. — Ela sorriu pra mim e desviou sua atenção para a Bella novamente. — Por favor, me chame de Anna. Sinto-me mais velha do que já sou quando me tratam de maneira tão formal. — Ela riu.

Anna colocou os seus óculos e foi até a sua mesa para pegar uma pasta de arquivos.

— Sentem-se, por favor. — Ela gesticulou para as duas poltronas de couro no canto de seu escritório e sentou-se à nossa frente. — E Carlisle? Não veio?

— Carlisle está muito ocupado com os assuntos relacionados à matriz. Por isso ele me encarregou de vir em seu lugar. — Respondi enquanto me acomodava confortavelmente na poltrona.

— Esses são os relatórios das últimas atividades que realizamos na empresa. — Anna disse polidamente e me entregou alguns documentos. — Seu pai nasceu para o ramo de direito e trabalha bem no que faz. A prova disso são os bons frutos que estamos colhendo. Muitos advogados nos procuram para se juntar a nós.

Bella sorriu e olhou para mim querendo demonstrar todo o orgulho que sentia da empresa e da minha família.

— Além disso, andei fazendo algumas pesquisas e descobri que todas as filiais estão crescendo em um ritmo acelerado. Elas estão tendo um incrível desempenho e são tão importantes quanto a própria matriz.

— Eu acompanhei todo o esforço do meu pai, Anna. — Disse emocionado. — Sei o quanto ele merece todo esse prestígio e sucesso.

— Sei disso tanto quanto você. — Ela sorriu. — Precisaremos realizar uma reunião amanhã e colocar em pauta os assuntos mais importantes. Marque com a minha secretária depois e escolha o horário que mais lhe convém.

Assenti e continuamos a nossa conversa. Bella se mostrou interessada e estava muito participativa. Anna gostara de Bella e ambas se deram muito bem.

[...]

— Estou impressionada! — Bella dissera. — Nunca imaginei que a Cullen's Advocacy era uma empresa tão vasta no ramo de direito. O sucesso é tão grande que chega a ser palpável. São quantas filiais no total?

Estávamos jantando em um restaurante cinco estrelas do hotel. A conversa com Anna perdurou por horas e Bella quis fazer um tour pela empresa, ela estava bastante interessada em conhecer a nossa filial em Toronto. E quando percebemos o dia já havia sido findado.

— São quatro no total. — Respondi. — Cada uma em um país diferente. As demais estão situadas na França, Itália e Inglaterra. Quando escolhi você para o cargo de secretária, eu pensei logo nas filiais da França e Itália exatamente pelo fato de você ser fluente em francês e italiano. Na verdade, até hoje eu fico admirado. Como pode ser fluente em três línguas sendo tão nova?

Ela sorriu orgulhosa de si mesma.

— Sempre tive grande interesse por línguas estrangeiras. Lembro que às vezes eu até brincava com alguns sotaques quando eu era criança. — Ela riu. — Depois de convencer o meu pai, fui matriculada em uma escola de idiomas.

Fiquei imaginando o quanto o seu pai deveria ser uma massa de modelar em suas mãos. Certamente, Bella era uma criança adorável e persuasiva.

Terminamos o nosso jantar e subimos para o andar dos nossos respectivos quartos. Pedi para que Bella me acompanhasse até a minha suíte. Entramos e ela sentou-se no divã que estava situado na extremidade da cama. Ela estava à vontade e já havia até desfeito o coque que prendia seus lindos cabelos. Retirei da minha maleta de couro uma pasta de arquivos e entreguei à Bella.

— Bella, aqui estão algumas anotações e documentos importantes. Quero que faça uma análise e elabore uma pauta para a reunião de amanhã à tarde. Você consegue fazer isso antes do horário da reunião?

— Não se preocupe. Essa pauta estará em suas mãos o mais rápido possível, senhor. — Disse em seu tom profissional.

E era esse o problema. Eu já estava cansado dessa relação estritamente profissional. Eu queria ser mais que um chefe. Eu queria ser seu amor, seu amigo e seu amante.

Ela estava disposta a deixar o quarto e, naquele momento, eu percebi que não podia mais adiar a situação. Eu não sabia se Bella sentia algo por mim, mas eu estava prestes a descobrir.

— Bella? — Chamei antes que ela abrisse a porta.

— Deseja mais alguma coisa, senhor? — Virou-se em minha direção.

— Sim, eu desejo. Eu desejo algo que você está me negando há muito tempo.

— E o que seria, senhor? — Olhou-me confusa.

— Isso.

Enlacei sua cintura e abruptamente puxei o seu corpo de encontro ao meu. Ela arfou e a pequenina mão esquerda pousou sobre o meu peito quando os nossos corpos se chocaram. Migrei minha mão direita para o seu rosto e fiz uma suave carícia. Fitei seus olhos por um momento antes de encarar a boca convidativa. Acariciei seus lábios cerrados com a ponta do dedo em um pedido mudo para prosseguir, em resposta, ela os entreabriu esperando pelo meu beijo. Minha boca desceu sobre a dela e quando nossos lábios finalmente se encontraram, eu me vi perdido em meio a um turbilhão de sensações.

Ela jogou os braços em volta do meu pescoço e ouvi o baque da pasta de arquivos caindo no chão e sendo completamente esquecida. Nada mais importava naquele momento. Nossas línguas se enroscavam e se acariciavam. Eu devastava cada canto de sua deliciosa boca. Suas mãos acariciaram a minha nuca e seus dedos subiram puxando levemente alguns fios de cabelo. Ela me puxava possessivamente em sua direção e não queria deixar nenhum espaço entre os nossos corpos. Meus dedos adentraram os seus cabelos e intensifiquei o beijo.

Era como ir ao paraíso sem ao menos ter morrido. Nada se comparava ao prazer de desfrutar da maciez dos lábios de Bella. Fui diminuindo o ritmo e puxei levemente o seu lábio inferior.

Colei nossas testas e ambas as respirações estavam ofegantes. Prendi seu rosto entre as minhas mãos e lentamente pressionei os nossos lábios mais uma vez. Encarei aquela imensidão de chocolate que eram os seus olhos. Palavras não precisaram ser ditas, a resposta estava no brilho e na intensidade do seu olhar, ela esperara por aquele momento assim como eu esperei.

Notas finais
Gostaram? Eu espero que sim. *-----* Bjs da Lê.