My Irresistible Secretary
1 Remoendo o passado
Notas iniciais
POV Edward Cullen
O dia amanheceu com uma temperatura agradável. Acordei bem-disposto e suspirei de prazer com o raio de sol que banhava o meu rosto. Mas não podia me dar ao luxo de ficar me deliciando com o dia quando havia uma infinidade de papéis para serem analisados no meu escritório.
Desvencilhei-me do lençol e levantei da cama. O piso me causou um leve arrepio, este demonstrando o quanto a noite passada havia sido fria. Eu sinto falta de um corpo feminino para me aquecer em noites como essas, mas depois da minha decepção, nem quero mais saber de compromisso com mulher. E muito menos amar novamente.
Estava no meio da tarde quando resolvi que faria uma surpresa para a minha noiva. Como eu não tive um dia atribulado, isso me deu a liberdade de visitá-la antes do anoitecer.
Entrei no elevador e segui para a garagem da empresa, peguei as chaves do meu carro no bolso do paletó e tomei o rumo para o apartamento da minha amada, mas não antes de passar na floricultura e comprar um buquê de flores.
Ao chegar ao edifício, fui cumprimentado cordialmente pelo porteiro. Adentrei no elevador e escolhi o décimo andar. Cheguei ao corredor desejado e me dirigi à porta do apartamento. Percebi que ela estava aberta então não me dei ao trabalho de tocar a campainha, apenas entrei normalmente.
— Amor, cadê você?
Perscrutei toda a sala de estar e reparei que havia roupas da minha noiva espalhadas pelo chão, o que eu estranhei, pois ela tem uma fissura por limpeza e organização. Fui em direção ao quarto e a porta estava entreaberta.
Entrei no cômodo e a cena que eu vi fez o mundo desmoronar em segundos diante de mim. Meu coração foi golpeado de forma violenta naquele momento, eu não poderia explicar os sentimentos de tristeza e fúria que se apossaram de mim ao ver Tanya gemendo despudoradamente enquanto um sujeito possuía seu corpo com fervor.
— TANYA?! — vociferei.
Os mistos de surpresa e de medo eram evidentes nos dois pares de olhos que me fitavam. Tanya afastou-se rapidamente do sujeito enquanto o mesmo tentava se cobrir com o lençol. Larguei o buquê de flores e parti para cima do homem desferindo vários socos em sua face. De repente, larguei o sujeito de qualquer jeito no piso do quarto, não valia à pena sujar as minhas mãos por causa de uma mulher sem escrúpulos.
— Amor, eu posso explicar. Não é nada disso que você está pensando. — Tanya pousou as mãos sobre o meu peito.
Afastei-me rapidamente de seu toque. Seus toques e até mesmo a sua voz me causavam nojo agora.
— Como tem coragem de me chamar de ‘amor’ depois de eu ter visto você agindo feito uma vadia? — ela levou as mãos à boca, visivelmente surpreendida diante da ofensa. — Como você é patética, Tanya! — Sorri ironicamente. — Ainda solta uma dessas com a cena bem diante dos meus olhos? Assim você subestima a minha inteligência. Não precisa me explicar nada, sou perfeitamente capaz de entender.
— Meu amor, não faz assim. Acalme-se!
— Pare de me chamar de amor! Você não tem mais esse direito! Eu chego mais cedo para lhe fazer uma surpresa e quem acabou sendo surpreendido fui eu. Nós terminamos aqui.
— Por favor, Edward. Nós podemos conversar depois, não tome decisões precipitadas que você possa...
— Cala a boca, ordinária! Não existe mais 'nós'. E eu já tomei a minha decisão. Acabou!
— Não faça isso com o nosso amor, Edward.
Ela se ajoelhou aos meus pés e seus braços circundaram as minhas pernas. Tanya implorava e pedia para não deixá-la. Como podia ser tão baixa? Peguei em sua mão direita e tirei com força o anel de noivado de seu dedo anelar. Depois me lembraria de jogá-lo em um rio ou algo do tipo, mas com o anel ela não iria ficar.
— Você não merece este anel, já que acabou de me provar que não honrou e nem foi fiel ao nosso compromisso. Meus familiares sempre tiveram razão quando foram contra o nosso relacionamento. Eles sempre estiveram certos quando falavam que você não prestava e que não era mulher para mim.
— Edward, eu te amo. Por favor...
— Chega de fazer cena, não seja cínica! A sua hipocrisia é quase palpável. Nunca houve amor, pois a sua postura de alguns minutos atrás me provou isso. Acabou tudo entre nós! Eu só não torço o seu pescoço pelo fato de ser uma mulher. Ao contrário de você, eu tenho princípios e jamais me rebaixaria ao seu nível. Adeus, Tanya!
Afastei as suas mãos do meu corpo e larguei-a no chão. Saí e bati a porta de seu apartamento com força atrás de mim, deixando Tanya com suas lágrimas dissimuladas para trás. As únicas lágrimas verdadeiras eram as que escorriam pelo meu rosto agora.
Superar a dor da traição não foi uma tarefa fácil, mas o tempo foi o melhor remédio. Eu era muito jovem na época, eu estava tão apaixonado que nem me importei com a idade. Apenas queria me casar com a pessoa que eu julguei ser a certa. Lembro-me de passar horas e horas rodando de carro pela cidade naquele dia, o anel de noivado eu atirei em um riacho. Eu poderia ter vendido, mas não queria nem o dinheiro que viesse daquele maldito anel. Balancei a cabeça para espantar tais pensamentos, não fazia sentido remoer o passado.
Fiz a minha higiene matinal e tomei um café reforçado preparado por Elizabeth, ela era como a minha segunda mãe. Levantei-me da cadeira e dei beijos estalados em suas bochechas enrugadas.
— Tchau, Beth. Não tenho hora para chegar, terei um dia atribulado hoje. O café estava maravilhoso como sempre. Tenha um bom dia.
— Tudo para lhe agradar, meu anjo. — ela deu um largo sorriso, este destacando ainda mais as suas rugas ressecadas. — Espero que tenha um excelente dia de trabalho, filho.
[...]
Estava mergulhado em vários papéis e meus dedos corriam freneticamente pelos botões do meu notebook. Isso tudo é exaustivo demais, acho que começarei a pensar mais na proposta de Alice, eu realmente estava precisando de uma secretária.
Batidas na porta dispersaram os meus pensamentos. Eu nem precisava perguntar de quem se tratava, pois eu reconheceria aquelas batidas de pluma de longe.
— Entre!
Alice entrou em minha sala graciosamente com os seus passos leves e cadenciados.
— Edward, eu vim lhe avisar do jantar de hoje à noite na casa dos nossos pais. Mamãe acabou de me ligar.
— Por que ela não ligou diretamente para mim? Por acaso ela quer aprontar algo, baixinha?
— Ela não está aprontando nada, apenas quer reunir a família. Deve estar com saudade dos filhos. Quanto ao caso de ela não ter falado diretamente com você, ela sabe o quanto sou persuasiva e consequentemente tenho mais chance de convencê-lo. — ela sorriu de modo matreiro.
Balancei a cabeça e ri por conta de seu comentário.
— Você sabe que a mamãe tem esperanças de ver você acompanhado em algum desses jantares, não é? — Alice indagou.
Era o sonho de Esme, minha mãe tinha a esperança de que algum dia eu apresentaria uma moça decente para a família.
— Isso a nossa mãe não verá mais, Allie. — Alice fez uma careta. — E então, que horas será o jantar?
— Às sete horas, este horário está bom para você?
— Eu não sei, eu ainda tenho muito trabalho por aqui. Tenho que resolver todas essas papeladas. — Gesticulei para os papéis em minha mesa.
— Isso eu não tolero, Edward! Você vai mesmo fazer uma desfeita com a mamãe? — Seu olhar era reprovador. — Está vendo como você precisa de uma secretária?
— Alice, eu posso trabalhar muito bem sozinho. E já conversamos sobre isso diversas vezes.
— Sim, mas eu não disse que iria desistir. Isso tudo é cansativo para você! Não seja teimoso! Você precisa da assistência de alguém. — Ela falou em um tom quase suplicante.
Droga! Não suportava quando ela me olhava assim, ela sempre conseguia me convencer com as suas artimanhas.
— Está bem, você venceu. Hoje mais cedo eu estive pensando nisso, eu realmente estou precisando de uma secretária.
Alice deu gritinhos e começou a bater palminhas. Parecia uma criança que acabara de ganhar o seu brinquedo dos sonhos.
— Ah! Que ótimo! Irei providenciar uma secretária o mais rápido possível!
Ela deixara a sala com um sorriso de orelha a orelha.
Alice era sempre Alice.
POV Bella Swan
Podia sentir mãos afagando o meu rosto e o meu corpo sendo sacudido.
— Querida? Está na hora de acordar.
— Hummm... Deixe-me dormir mais um pouco, mamãe. — Respondi.
— Não, meu bem. Esqueceu que temos que ir à fazenda da vovó Swan hoje?
— Ah! É mesmo! Irei me arrumar.
— Tudo bem, meu amor. Eu estarei à sua espera para tomarmos café.
Pulei da cama e tomei um bom banho. Vesti o meu vestido florido, calcei as minhas sapatilhas e peguei a minha boneca.
Desci as escadas e encontrei Renée e Charlie na mesa tomando o café-da-manhã.
— Bom dia, filha. — disse o meu pai.
Subi no colo de Charlie e ele me deu um beijo no rosto.
— Dormiu bem, criança? — ele perguntara.
— Sim, papai. — apertei seu pescoço em um abraço.
Terminamos o café-da-manhã e nos dirigimos para o carro. Iríamos visitar a vovó Swan. Meu pai se acomodou no volante, minha mãe no banco do carona e eu no banco de trás. O meu pai estava feliz e falava alegremente sobre o porquinho que havia nascido, o qual ele iria me mostrar na fazenda.
De repente, toda a diversão da viagem foi dissipada quando um caminhão desgovernado invadiu a pista contrária e veio em nossa direção. Charlie tentou desviar, mas já era tarde demais. Apenas esperei pelo impacto que viria. Com o baque, o carro capotou várias vezes na estrada, eu podia ouvir os gritos desesperados de minha mãe. Algo se chocou contra a minha cabeça e pude sentir o gosto de sangue em minha boca. Meu pai não colocara o cinto de segurança e, por conta disso, pude ver o seu corpo sendo lançado violentamente para fora do carro. O pânico me invadiu.
Levantei-me abruptamente aos arquejos. Estava suada e lágrimas deslizavam pelo meu rosto. Era comum pesadelo como esses me assaltarem durante o sono, principalmente na madrugada. A morte dos meus pais continuava viva em minha memória, ambos faleceram há dois anos em um acidente de carro. Eu apenas não compreendia o fato de aparecer pequena na maioria desses pesadelos, pois eu não era mais criança quando a tragédia aconteceu. Talvez seja porque uma criança se sente indefesa, e foi exatamente como eu me senti diante da situação.
Olhei no relógio do criado-mudo, seis horas da manhã. Empurrei as cobertas e me dirigi ao banheiro. Uma boa ducha foi o suficiente para relaxar os meus músculos que estavam tensos por conta do pesadelo. Saí do boxe e me enrolei na toalha. Fui à cozinha e tomei um café rápido, para logo depois escovar os meus dentes ligeiramente.
Escolhi roupas para o trabalho e joguei-as na cama. Um conjunto de blazer e saia de cor vinho e os meus scarpins que não podiam faltar. Retirei a toalha e observei o meu corpo no reflexo do espelho, eu estava em boa forma. Não posso negar que eu sou uma mulher atraente no aspecto físico. Meu rosto em formato de coração com feições delicadas faz contraste com os cabelos mognos que caem em cascatas até a cintura. Eu não tenho os seios pequenos e nem grandes, mas sim, na medida certa para o padrão do meu corpo. A curva da cintura era acentuada e os quadris avantajados complementavam as belas pernas torneadas. Todos esses atributos físicos foram herdados de Renée, eu era a cópia fiel da minha mãe.
Vesti-me rapidamente e fiz um coque elegante nos cabelos, fiz uma leve maquiagem que deu o toque final. Peguei minha bolsa e o dinheiro para o táxi. Nos dias de hoje eu até já teria um carro, mas não pude comprar por conta de tantas dívidas que os meus pais deixaram para pagar. Tranquei a porta do apartamento e preparei-me para mais um dia de trabalho como secretária.
[...]
Cheguei ao estabelecimento do meu trabalho e percebi uma grande aglomeração de funcionários e alguns entrando no auditório. Dirigi-me a Angela que estava organizando alguns documentos em sua mesa, ela ocupava o mesmo cargo que o meu.
— Angela, o que está havendo?
— Eu não sei Bella. O Sr. Marshall está presente e realizará uma reunião de última hora com todos os funcionários. Daqui a meia hora. — ela respondeu perplexa enquanto olhava as horas em seu relógio de pulso.
— Qual seria o motivo? Apenas algo importantíssimo traria o dono da empresa até aqui. — Concluí.
— Eu estou com um pressentimento ruim sobre essa reunião. — Angela afagou o peito.
— Talvez você esteja certa, Angela. — Jessica aproximou-se e teceu um comentário.
— Como assim, Jess? — indaguei.
— Eu ouvi parte de uma conversa do meu chefinho com o Sr. Marshall. E pelo o que eu entendi a situação da empresa não é das melhores. — Era de se esperar que Jessica ouvisse a conversa, nunca vi pessoa tão curiosa e fofoqueira.
— Céus! — Arfei um tanto surpresa.
Se realmente fosse verdade, nunca imaginaria que a Marshall Foundation chegaria a este ponto.
Meia hora se passou e todos os funcionários estavam em seus devidos lugares à espera da reunião.
Sr. Marshall chegou e fez um pequeno teste com o microfone.
— Bom dia, senhores! — Seu bom dia foi respondido em eco. — Primeiramente eu queria pedir desculpas pela reunião de última hora. — ele fez uma pausa. — Tenho um assunto delicado para tratar com os senhores.
Os funcionários estavam visivelmente apreensivos.
— Todos aqui são excelentes funcionários e sempre ganharam seus salários por reconhecimento e por mérito. E a partir de hoje, deverão demonstrar esses dotes em outro estabelecimento. Eu e minha família estamos tendo problemas pessoais e infelizmente estes problemas estão afetando a empresa. É com muita tristeza e pesar que eu anuncio que a Marshall Foundation não está em seus melhores dias. A situação é crítica e a empresa encontra-se no vermelho.
Todos arregalaram os olhos assustados, inclusive eu. Muitos emitiram um 'O' com a boca que fez eco no recinto.
— Infelizmente eu tive que tomar a decisão de demiti-los, pois daqui para frente, não teremos mais como pagar o salário dos senhores. Compareçam ao R.H para tratarem da demissão. Irei conceder uma boa quantia pelos últimos serviços prestados, e assim ninguém sairá prejudicado. Desculpem-me. Bom dia. — Sr. Marshall retirou-se do palanque com a tristeza evidente em suas feições.
— Terei que procurar um novo emprego imediatamente. — Angela se pronunciou e Jessica balançou a cabeça em forma de confirmação.
— Não se preocupem. Temos um ótimo currículo e conseguiremos um novo emprego em breve. — Disse convicta de minhas palavras.
Retirei-me do auditório para logo tratar da minha demissão.
Após receber o meu cheque no R.H, cruzei com o Sr. Marshall em um dos corredores.
— É uma excelente funcionária, Srta. Swan. Tenho certeza que conseguirá um novo emprego em breve.
— Obrigada, senhor. — respondi de maneira lisonjeada por conta de suas palavras.
Peguei parte do que recebi da minha demissão e aproveitei para fazer compras de novos terninhos e tailleurs, preparando-me para um futuro que eu acredito que não esteja muito longe. Nunca se sabe quando surgirá uma oportunidade para um novo emprego.
Entrei na próxima loja e a surpresa tomou conta de mim quando eu a vi, eu reconheceria aquela pessoa em qualquer lugar. Depois de tantos anos, eu não acreditava no que os meus olhos me mostravam.
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