Notas iniciais
Oi, amores. Como vocês estão? Acabo de trazer mais um capítulo fresquinho de MIS para vocês. Aproveitem. ;)

POV Bella Swan

Cheguei visivelmente transtornada ao meu apartamento. O fogo intenso que foi desencadeado pelos beijos de Edward ainda queimava sobre a minha pele. Acariciei o pescoço e fechei os olhos ao me lembrar da maneira que ele me agarrou contra a parede de seu escritório. Não havia dúvidas de que Edward era um amante fervoroso e, de certa forma, eu senti medo por conta da minha inexperiência. É claro que eu sabia tudo sobre sexo, mas apenas na teoria. Como ele reagiria se soubesse que eu não poderia superar as suas expectativas na relação sexual?

Certamente, apenas mulheres experientes deitaram em sua cama. Eu não era nenhuma deusa do sexo e não seria capaz de proporcionar o prazer que ele tinha direito. E por conta disso, ele poderia me trocar por outra em um passe de mágica. Tudo bem que não era justo esconder isso dele, mas as minhas inseguranças me induziam a acreditar que o melhor era enterrar esse assunto. Eu contaria para ele somente na ocasião que eu julgasse ser apropriada.

Remexi em minha bolsa e procurei pelos papéis que provavam a quitação de todas as dívidas deixadas pelos meus pais. Durante dois anos eu tive que pagar aos poucos a alta quantia. Antes de ir ao trabalho, eu havia arcado com a última parcela. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, eu me livrei do fardo que eu carregava.

Na vida, muitas dificuldades são impostas, e eu estava imensamente feliz por vencer mais um obstáculo em meio à caminhada. E aliada a essa vitória, eu estava tendo a oportunidade de ser amada novamente e de ter a chance de um recomeço. Sorri amplamente diante da minha nova realidade.

Entrei no banheiro e me preparei para um banho. Posicionei-me embaixo do chuveiro e a água escorreu pelo meu corpo, relaxando cada músculo. Fechei os olhos e deixei que a minha mente vagasse pelos últimos acontecimentos. Era difícil acreditar que eu estava sendo presenteada com tamanha felicidade. Parecia que eu iria acordar a qualquer momento e perceber que tudo não passou de um sonho.

Após o banho demorado, enrolei-me com um roupão. Peguei uma pequena toalha para enxugar os cabelos e fui para a cozinha. Apanhei todos os ingredientes necessários para o preparo de uma sopa de legumes. Às vezes, eu preferia algo mais leve para o jantar.

Sentei-me à ilha da cozinha com meu notebook em mãos. Elaborei um e-mail narrando os últimos episódios e enviei para o meu amigo Jacob. Ele precisava saber que eu estava bem e que a minha vida estava sendo direcionada para a sua melhor fase.

Eu continuava checando as mensagens importantes da caixa de entrada quando o toque estridente do meu celular rompeu o silêncio do apartamento. Corri para a sala e procurei pelo aparelho que estava dentro da minha bolsa. Joguei-me no sofá enquanto levava o celular ao ouvido.

— Fala, Jake!

— Eu estava conferindo os meus e-mails e quase caí para trás quando visualizei o seu. — Jacob riu. — Como assim? Quer dizer que você conseguiu fisgar o seu patrão?

— Na verdade, assim como eu, ele já nutria algo por mim há muito tempo. Apenas nenhum dos dois tinha coragem de se declarar. Em Toronto, ficamos muito próximos e nossos sentimentos vieram à tona. Ele me beijou e se declarou.

— Ainda bem que ele tomou uma atitude, Bells. Sei o quanto é reservada e você jamais teria coragem de expor os seus sentimentos.

A observação de Jacob era a mais pura verdade. Se dependesse de mim, Edward continuaria sendo apenas o meu chefe. Meus sentimentos permaneceriam enterrados e eu não estaria tendo essa conversa agora.

— Você tem toda razão. — Concordei. — Nunca que essa atitude partiria de mim.

— Conte-me mais sobre esse beijo. — Senti o tom de malícia em sua voz. — Foi só um beijinho singelo ou ele pegou você de jeito?

— Jacob! — Enrubesci mesmo que ele estivesse do outro lado da linha. — Não seja indiscreto!

— Qual é? Sou seu amigo e tenho que saber de todos os detalhes.

— Engraçadinho! Pode tirar o seu cavalinho da chuva porque esses detalhes eu não vou contar. Isso é algo exclusivamente meu e dele.

— Tudo bem, eu não vou insistir. — Ele deu uma risadinha. — Estou super contente com essa notícia, Bella. Fico imensamente feliz por você. Depois de tantos acontecimentos infelizes, você merece toda essa felicidade.

— Obrigada, amigo. Se eu levantei depois da queda, foi porque você sempre esteve ao meu lado.

— Eu me sinto mal às vezes. Eu prometi ao seu pai que cuidaria de você e nem estou ao seu lado. Nem no mesmo país estamos. Sou um péssimo amigo.

— Não, Jake. Você já fez muito por mim, teria feito até mais se eu tivesse permitido. Chegou a hora de seguir com a sua vida e se desprender da promessa que fez para o meu pai. Case com Leah, seja feliz e construa uma nova vida. É isso que eu desejo. — Sorri em meio às palavras. — E eu tenho quem cuide de mim agora.

— E eu espero que ele cuide bem mesmo. É Edward não é? — Indagou e eu confirmei. — Desejo que ele te faça feliz. Faço questão de conhecê-lo pessoalmente para ver se eu aprovo esse namoro. Se esse cara aprontar com você, pegarei o primeiro avião para Los Angeles e acertarei as contas com ele.

— Não é para tanto. Eu creio que isso nunca será necessário.

— Que assim seja. — Disse ele. — Fico extremamente aliviado que você tenha conseguido quitar as dívidas. — Proferiu mudando o rumo da conversa.

— Eu não falei para você que eu conseguiria sozinha? Eu sou uma mulher de palavra.

— E orgulhosa também. — Ele riu. — Teria efetuado essas prestações há muito tempo se tivesse aceitado a minha ajuda. — Ouvi quando ele estalou os dedos do outro lado da linha.

— Mas o que importa é que eu consegui.

— Meus parabéns! — Ele fez uma breve pausa. — Bem, a conversa estava muito agradável, mas eu preciso desligar. Tive que largar uma construção de plantas importantes para falar com você.

— Desculpe se eu atrapalhei o seu trabalho. — Murmurei.

— Está tudo bem, Bella. Além disso, Leah passou por aqui e atrapalhou bem mais do que você. — Ele riu alto.

— Nem quero saber o que aconteceu. — Gargalhei. — Tchau.

— Até mais, Bella. — Ele encerrou a ligação.

[...]

O chilrear dos pássaros indicava que mais um dia raiava. Levantei-me da cama e fui para o banheiro com uma alegria contagiante e um sorriso bobo no rosto. Daqui a algumas horas eu veria aqueles belíssimos olhos verdes e o sorriso maravilhoso que eu tanto idolatrava. Eu contava as horas para vê-lo novamente. Meu corpo e meu coração clamavam por Edward a todo o momento. Eu já não era mais dona dos meus sentimentos e nem das minhas vontades.

Após um revigorante banho, vesti-me com uma blusa branca e uma saia preta. Os scarpins complementaram o visual elegante. Fiz um coque frouxo nos cabelos e comecei a minha maquiagem. Depois de duas faixas suaves de blush, algumas camadas de máscara nos cílios e uma pincelada nos lábios com batom vermelho, eu estava pronta para mais um dia de trabalho.

Cheguei ao prédio empresarial da Cullen’s Advocacy e cumprimentei cordialmente os meus colegas de serviço. Corri em direção ao elevador que estava pronto para se locomover, mas uma mão impediu que as portas se fechassem por completo. Entrei no compartimento e só então percebi que estava diante de Emmett.

— Obrigada. — Sorri em agradecimento.

— Não há de quê. — Emmett me presenteou com o seu sorriso encantador. — Como vai, Bella? Ainda não cansou de trabalhar para o chato do meu irmão? — Ele riu.

— Não, não. O Sr. Cullen é um excelente patrão. Na verdade, todos da sua família são grandes profissionais e me tratam muito bem. — Proferi com sinceridade.

— Esse é um entre muitos atributos de um Cullen, boneca. — Ele ajustou a gravata e fez charme.

— Você não perde a oportunidade de fazer uma piada não é mesmo? — Dei um sopapo em seu ombro.

— Vai contra a minha natureza se eu não fizer. — Ele gargalhou.

Balancei a cabeça negativamente e dei uma risada.

As portas se abriram e ele gesticulou para que eu seguisse em frente.

— Primeiro as damas. — Expôs seus dentes brancos em um sorriso e as duas covinhas tornaram-se evidentes.

Saímos do elevador e seguimos juntos pelo extenso corredor.

— Bem, é aqui que nos despedimos. — Discorreu. — Espero que tenha um maravilhoso dia de trabalho, Bella.

— Igualmente. — Sorri alegremente.

Segui em direção ao meu posto de trabalho.

Acomodei-me na cadeira giratória e organizei todos os documentos que estavam sobre a mesa. Apanhei algumas pastas que precisariam ser levadas para o Edward. Entrei em sua sala com o pensamento de que ela estaria vazia, mas pelo contrário, meu homem já estava ali em toda a sua glória e totalmente concentrado em seu notebook. O terno azul-marinho era majestoso e lhe caía perfeitamente.

Ele ergueu o rosto e cruzou as mãos sob o queixo másculo. O seu olhar intenso me deixou de pernas bambas. E o sorriso que eu ansiei desde os primeiros minutos do dia, cresceu em seus lábios.

— Ora, ora. Já está por aqui, doutor? Que eu me lembre, não é do seu feitio chegar antes de mim.

— O fato é que eu não resisto à ansiedade de ver a minha namorada e acabo chegando cedo demais.

— Fico muito contente em saber que eu tenho esse efeito sobre você. — Empinei o queixo de modo presunçoso.

— Sei que eu sou meio suspeito para dizer. — Levantou-se de sua cadeira e veio em minha direção. — Mas você está fascinante hoje.

— Hum, obrigada.

Ele continuou perscrutando o meu rosto, os olhos demorando em minha boca.

— Por mais sensual que os seus lábios estejam com esse batom vermelho, eu não aprovei. — Ele fez uma careta.

— E por que não? — Questionei.

— Aparecer com a boca suja de batom levantaria algumas suspeitas sobre nós dois.

— A ideia é exatamente essa. Você vai pensar duas vezes antes de me agarrar. É a única maneira de você se controlar.

— Não fique tão segura de seu plano, não é um batom que irá me impedir. Mas eu vou facilitar as coisas para você. Voltarei para a minha mesa e daremos início ao nosso trabalho. Tudo bem? — Ele falou enquanto se acomodava em seu assento.

— Assim eu espero. — Assenti.

Coloquei Edward a par de todos os seus compromissos do dia. Depois de repassar toda a sua agenda, regressei para a minha mesa.

Passei o resto da manhã elaborando planilhas e passando dados importantes para o computador. Juntei todos os documentos pendentes que exigiam a assinatura de Edward e os levei para a sua sala.

— Aqui estão os relatórios que você me pediu e os papéis que precisam ser assinados.

— Obrigado, querida. — Edward agradeceu enquanto apanhava a pasta de arquivos que eu lhe oferecia.

— Você vai precisar de mais alguma coisa antes que eu saia para o almoço? — Indaguei.

— Não. Eu também estou de saída. — Levantou-se de sua cadeira.

Peguei o paletó que estava sobre o sofá no canto da sala e o posicionei de modo que Edward pudesse vesti-lo. Ele ficou de costas e rapidamente enfiou os braços por dentro das mangas. Virou de frente para mim e descansou as mãos em minha cintura enquanto eu dobrava o lenço no bolso do paletó.

— Queria tanto que você almoçasse comigo. — Fiz um biquinho.

— Eu também. Mas infelizmente eu tenho um almoço marcado com uma cliente.

— E essa sua cliente? Ela é bonita? — Perguntei curiosa.

— Você está com ciúmes? — Ele sorriu.

— Estou apenas cuidando do que é meu. — Alisei as lapelas de seu paletó.

— Definitivamente você está com ciúmes. — Ele se divertiu com a situação. — Se lhe serve de consolo, ela já é uma senhora de idade.

— Nem as mulheres mais velhas estão imunes ao seu charme e fascínio. — Rebati.

— Deixe que elas apreciem. Mas tem algo que só você tem direito e as outras não. — Ele afagou o meu rosto.

— O quê?

Ele levou a minha mão direita para junto de seu peito.

— O meu coração, baby. Ele pertence a você. — Seus lábios se curvaram em um sorriso sedutor.

Enlacei sua cintura e apertei o rosto contra o seu peito. Ele retribuiu o abraço e plantou um beijo na minha testa.

— Eu ficaria para sempre com você em meus braços. Mas trabalho é trabalho e eu preciso ir. — Afastou-se. — E como eu não posso beijar essa linda boca, vou me contentar com essas belas mãos. Por enquanto. — Ele sorriu enquanto beijava cada uma de minhas mãos.

[...]

Alice me acompanhou no almoço e conversamos horas a fio. Ela parecia desconfiada de que estava rolando algo entre o seu irmão e eu. E nesse momento, tentava me arrancar alguma informação que pudesse confirmar as suas suspeitas.

— Bella, aconteceu algo entre você e o Edward na viagem que vocês fizeram para o Canadá? — A curiosidade ardia por trás de seus olhos.

— Não, Allie. — Menti. — Por quê?

— Eu não sei. Vocês voltaram estranhos. Eu sinto uma aura diferente. — Ela esfregou a testa.

— Tudo o que ocorreu em Toronto foi muito trabalho e nada mais. Sua mente que está fantasiando demais. — Tentei desconversar.

— Será mesmo? — Ela pareceu duvidar. — Bem, se vocês estão escondendo algo, saiba que não conseguirão por muito tempo.

— Suas compras compulsivas devem estar afetando o seu cérebro, Alice. — Balancei a cabeça negativamente enquanto levava o meu copo de suco aos lábios.

Ela parou de insistir, mas a semente de desconfiança continuava germinando em sua mente.

[...]

Em meio à tarde, meus dedos percorriam freneticamente os botões do notebook enquanto eu arquivava alguns documentos. Foram poucas as incumbências destinadas a mim, eu já estava a um passo de finalizar o meu trabalho por hoje. Depois de concluir as últimas atividades, uma ideia brincou em minha mente.

Dirigi-me até a sala de Edward e abri a porta vagarosamente. Ele estava de costas, as mãos descansando nos bolsos enquanto apreciava a paisagem através das amplas janelas de vidro. Era uma postura firme, a qual demonstrava todo o seu poder e imponência. Ele percebeu a minha presença quando os meus saltos bateram contra o piso.

— Posso saber o que a senhorita faz aqui em meio ao expediente? — Ele ajustou os botões do paletó antes de sentar em sua cadeira.

— Eu já terminei todo o meu trabalho. Então não há nenhum problema em dar uma escapada do meu expediente. — Dei uma piscadela. — Ou o senhor gostaria que eu retornasse para o meu posto?

— Não, eu prefiro que fique. — Ele sorriu.

Contornei a mesa e posicionei-me atrás dele. Desci as mãos por seus ombros e senti que o seu corpo relaxou com os meus toques. Ele acariciou a minha mão direita.

Afastei-me dele e cruzei os braços enquanto me escorava em sua mesa.

— Na verdade, estou aqui porque gostaria de lhe fazer um convite.

— É mesmo? — Ele me lançou um olhar curioso. — Que tipo de convite?

— O que você acha de jantar no meu apartamento hoje à noite?

— Eu adoraria. — Ele sorriu largamente.

— Ótimo! — Sorri toda contente. — Eu já estou saindo para poder preparar tudo. Vejo você às sete.

Eu estava prestes a deixar o seu escritório quando a sua mão rodeou o meu pulso esquerdo, impedindo-me.

— Ei! Aonde pensa que vai sem me dar um beijo?

Edward se inclinou em minha direção, mas cobri a sua boca. Eu estava louca por um beijo tanto quanto ele, mas alguém tinha que ser prudente no local de trabalho. E esse alguém era eu.

— Lembre-se de manter discrição em relação a nós dois. Prometo que irei te recompensar com muitos beijos no meu apartamento. — Sorri e arqueei as sobrancelhas sugestivamente.

— Pode ter a certeza que eu vou cobrar. E com juros. — Ele riu.

— Não se preocupe. Vou adorar pagar cada centavo dessa dívida. — Soprei um beijo antes de me retirar de sua sala.

[...]

Preparei as refeições e organizei a sala de jantar com grande requinte. Suspirei de satisfação diante do meu feito. O ambiente estava com um toque romântico à espera de nós dois. Depois de tudo preparado, era vez de cuidar de mim mesma.

Após um relaxante banho, cuidei da minha pele com um creme hidratante de amêndoas. Optei por deixar os cabelos soltos. Eu já percebi o quanto Edward gosta dos meus cabelos livres, principalmente para enroscar as mãos na hora de me beijar. Sorri internamente diante da afirmação.

Enquanto fazia a minha maquiagem, observei o meu reflexo no espelho do banheiro e a exultação era evidente nas minhas feições. E o dono de toda essa felicidade chegaria em alguns minutos. Segui em direção ao quarto para me vestir.

Sobre a cama, encontrava-se um lindo vestido vermelho, o qual eu fiz questão de escolher especialmente para essa noite. Vesti-me cuidadosamente, deixando o tecido escorregar pela minha pele e moldar-se ao meu corpo. O meu colo estava atraente e muito bonito por conta do decote em ‘V’. A cintura estava acentuada, destacando ainda mais a minha beleza e delicadeza feminina. Os sapatos e alguns acessórios deram o toque final à produção. Eu estava sensual na medida certa.

Na sala de estar, liguei o aparelho de som e logo uma melodia suave preencheu o ambiente. Enquanto organizava algumas almofadas no sofá, logo a campainha soou. Um amplo sorriso brotou em meus lábios e praticamente corri até a entrada.

Abri a porta para receber o meu homem que, com toda a sua beleza, era a perfeita personificação de Apolo. Seu peito másculo estava bem delineado pelo tecido lilás da camisa social. A calça cinza valorizava perfeitamente as pernas firmes e longas.

Gesticulei para que ele entrasse. Ele deu alguns passos para dentro do apartamento e fechei a porta.

— O apartamento não é luxuoso como deve ser o seu. Mas é aconchegante. Fique à vontade.

— Eu não me importo. Além disso, eu não consigo reparar algo que não seja você. — Ele me inspecionou de cima a baixo. — Céus! Você está deslumbrante! — Ele segurou a minha mão e me girou.

— Obrigada. — Baixei o rosto e enrubesci por alguns segundos.

— Eu trouxe um vinho tinto para acompanhar o prato. — Ele disse enquanto erguia uma garrafa de vinho francês. — Você gosta? Ou preferia o branco?

— É perfeito. — Sorri.

Fomos até a sala de jantar e coloquei a bebida para gelar.

— O que temos para o jantar? — Ele inspirou mais profundamente. — O cheiro está maravilhoso.

— Eu acabei me esquecendo de perguntar alguma receita que você goste. Então tomei a liberdade de cozinhar algo que eu aprecio. Eu fiz ravióli de carne ao molho bolonhesa. Você gosta? — Indaguei meio receosa.

— Eu adoro uma boa massa. E não se preocupe, teremos muito tempo para descobrir os gostos um do outro. — Ele sorriu afetuosamente.

Edward puxou uma cadeira para que eu me acomodasse e agradeci por seu ato de cavalheirismo. Ele se sentou à minha frente. Logo me prontifiquei para elaborar um prato e servi-lo.

Ele deu algumas garfadas na massa e levou até a sua boca. Fechou os olhos como se quisesse se concentrar no sabor. Meus olhos observavam a cena com curiosidade e a expectativa me consumia por dentro. Ele limpou a boca com o guardanapo vermelho e sorriu largamente. Era um bom sinal.

— Você é uma namorada adorável, uma excelente profissional e acabei de descobrir que é uma cozinheira formidável. — Ele riu. — Quais os dotes você ainda esconde, mulher?

— Eu tenho uma lista bem vasta. — Respondi de maneira presunçosa.

— É? Estou bastante empolgado para descobrir cada item dessa lista.

Depois de degustarmos do ravióli acompanhado do bom vinho francês, servi uma taça de mousse de chocolate com frutas vermelhas para o Edward.

— Eu vou ficar mal-acostumado com todo esse tratamento vip. — Ele falou enquanto saboreava o doce.

— Eu só estou garantindo que você volte.

— Ah, é claro que eu vou voltar! Mas não por causa da sua culinária, eu voltarei por você. — Ele depositou a taça na mesinha de centro e esticou o corpo no sofá. — Vem cá. — Ele abriu os braços para me receber.

Corri toda sorridente em sua direção. Sentei-me entre as suas pernas e os braços fortes rodearam a minha cintura. Colei as costas em seu peito e descansei a cabeça em seu ombro.

— Está feliz? — Ele indagou.

— Muito! — Sorri. — Parece até um sonho, sabe? Faz tanto tempo que eu não me sentia assim. Meu último momento de felicidade deve ter sido em um fim de semana na fazenda.

— Fazenda? — Ele parecia confuso.

— Sim, a fazenda que foi o motivo da minha alegria. Mas também foi a causa da desgraça e da morte dos meus pais. — Falei com pesar.

— Quer falar sobre isso? Se você não se importar, é claro.

— Eu não me importo. Você já me falou de seu passado. Então é justo que eu também fale um pouco do meu.

— Quando você quiser. — Ele me encorajou.

— Quando eu morava no Arizona, o meu pai tomou posse da fazenda que a minha avó deixou quando morreu. Eu adorava cavalgar, alimentar os animais, tomar banho na cachoeira... Eu amava ter aquele contato íntimo com a natureza. — As lembranças alegres dançavam em minha mente. — Bem, essa era a parte boa.

— E a ruim?

— A fazenda era bastante remunerada por conta das plantações e das criações de gado que o meu pai batalhava para expandir a cada dia. Mas depois de alguns anos, o rendimento caiu e tudo o que restou foram dívidas. Meu pai fez vários empréstimos para tentar reerguer a propriedade, mas de nada adiantou. As dívidas apenas cresceram e se tornaram uma grande bola de neve. — Fechei os olhos tentando conter as lágrimas que já davam sinal de vida. — Depois do acidente que vitimou os meus pais, as respostas sobre os problemas da fazenda foram apresentadas. Em seus últimos minutos de vida no hospital, o meu pai me explicou tudo. — Respirei fundo. — Minha mãe estava viciada em jogos de cassino, ela desviava o dinheiro dos lucros da fazenda para uma conta particular. Era desse jeito que ela sustentava o vício. O meu pai descobriu tudo quando teve conhecimento dos papéis dessa conta. E também quando achou algumas fichas de poker na bolsa da minha mãe. Ele a confrontou e ela confessou a verdade. Os dois discutiram enquanto estavam no carro. E qualquer um sabe que discussão e direção não combinam. E dessa maneira aconteceu a tragédia que ceifou as vidas de Renée e Charlie.

— Eu sinto muito, meu bem. — Edward me abraçou mais forte e senti um beijo no topo da minha cabeça.

— As incontáveis dívidas sobraram para mim. Eu tive que arcar com os prejuízos da fazenda durante dois anos. Eu vendi a propriedade por um mísero preço. Ela ficou em ruínas e não tinha a menor condição para uma oferta alta. — Falei de maneira infeliz.

— Qual era o valor dessas dívidas?

— Em torno de duzentos mil dólares.

— Meu Deus! — Ele exclamou visivelmente espantado. — Você já terminou de pagar? Se ainda não, eu posso ajudá-la.

— Não precisa. Elas já foram quitadas.

— Mas como? — Ele parecia incrédulo. — É um valor alto. E com certeza você tem outras prioridades, como por exemplo, cuidar de seu conforto e bem-estar.

— Eu sou uma secretária trilíngue, Edward. Eu tenho um excelente salário e consegui pagar aos poucos. Eu apenas tive que abdicar dos caprichos e do conforto que o dinheiro oferece. — Virei o meu rosto para encará-lo e sorri. — Eu estou bem agora. Sem esse fardo, eu vou estabilizar a minha vida novamente.

— Você é uma mulher admirável! — Seus olhos brilharam. — Todas essas lutas refletem a sua capacidade e mostram o quanto é uma mulher forte, determinada e independente. — Ele deu um selinho em meus lábios. — Minha pequena guerreira.

Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas curtindo a companhia um do outro. Até que Edward recomeçou a conversa.

— Alice me falou que você veio para Los Angeles há pouco mais de um ano. Você ainda morava no Arizona?

— Sim. Eu vim para Los Angeles quando Jacob recebeu de uma construtora uma proposta de trabalho. Como eu não tinha mais nada que me prendesse no Arizona, eu resolvi acompanhá-lo. E também foi uma chance para recomeçar a minha vida. Assim que cheguei à cidade, consegui trabalho na Marshall Foundation. Mas agora... — Girei o meu corpo para ficar de frente para ele. — Eu trabalho para você.

Ele acariciou o meu rosto e colocou uma mecha de cabelo atrás da minha orelha.

— Por que não fomos apresentados quando eu também morava no Arizona? — Ele inquiriu. — Eu queria tanto ter te conhecido antes. Sinto vontade de esganar aquela baixinha da minha irmã por ter me privado disso. — Ele gargalhou. — Tudo seria diferente se você tivesse entrado na minha vida antes daquela maldita mulher.

— Tudo acontece na hora certa, Edward. Todos os acontecimentos do passado foram premeditados e me trouxeram para você. A adolescência é um período conturbado e cheio de descobrimentos que poderiam afetar a nossa relação. Se tivéssemos nos conhecido naquela época, talvez eu nem estivesse em seus braços agora. Acho que tudo isso é obra do destino. — Afaguei o seu rosto.

— Acho que você tem razão. — Ele sorriu e ergueu o corpo para se sentar. — Sabe de uma coisa?

— O quê?

— Estou louco pela recompensa que você me prometeu no escritório. — Ele disse de forma matreira enquanto acariciava os meus lábios.

— É? — Fiquei de joelhos em cima do sofá. — Eu costumo ser bem generosa quando se trata de recompensas. — Pisquei.

It’s Gonna Be Love

Enlacei o seu pescoço e suas mãos se apossaram da minha cintura. Seus olhos verdes carregavam um brilho incomum. Acariciei a barba por fazer antes de aproximar as nossas bocas. Em instantes, seus lábios se moldaram aos meus lentamente. Era um beijo diferente, sua boca tomava a minha de maneira afetuosa. Ele estava demonstrando os seus sentimentos através daquele beijo. Sua língua se enroscava vagarosamente com a minha. Corri as minhas mãos por suas costas, abraçando-o de maneira terna. Uma de suas mãos subiu e envolveu os meus cabelos. Como eu adorava os arrepios que essa carícia me causava. Seus toques, seus beijos, suas carícias... Edward era capaz de me deixar completamente fora de órbita.

Ele cessou o beijo e continuava me fitando daquela maneira que me tirava o chão. Ele me venerava como se eu fosse o seu bem mais precioso. Repousei a mão em seu peito, onde o seu coração batia em um ritmo frenético.

— Bella, eu não sei explicar com palavras tudo o que eu sinto. Esse sentimento me arrebatou de uma maneira que não tem escapatória. É algo tão forte que me apavora. Acho que isso é amor. — Um lindo sorriso surgiu em seus lábios. — Você pode pensar que é cedo para dizer essas palavras, mas eu não tenho dúvidas. Eu nunca estive tão certo em toda a minha vida. Eu te amo, amor. Eu te amo desde a primeira vez que eu te vi.

Era como se o mundo tivesse parado de girar naquele momento. Aquelas três palavrinhas aqueceu o meu peito e agitou o meu coração.

— Eu me sinto da mesma forma. — Acariciei a sua nuca e puxei alguns fios de cabelo. — O meu coração grita por você a todo o momento. E quando você está longe de mim, eu sinto um grande vazio aqui dentro. Eu tenho tanto medo de te perder. Eu já perdi duas pessoas que eu amo, eu não suportaria passar por isso novamente. — Meus olhos foram preenchidos pelas lágrimas.

— Shhh... — Ele prendeu o meu rosto entre as suas mãos. — Você não vai me perder. Eu te amo!

— Eu também te amo, Edward! — Atirei-me em seus braços outra vez, buscando incessantemente pelo calor de seu abraço.

E aquela belíssima noite foi responsável por reverenciar o intenso e inexplicável sentimento que era o nosso amor.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não deixem de comentar, favoritar, recomendar... Enfim, façam uma autora feliz. Para quem ainda não sabe, eu postei uma one-shot chamada Love Me Again. Não esqueçam de dar uma passadinha por lá. Conto com a presença de vocês. ;) Bjs da Lê ♥