My Impossible Girl
32 Fim de ciclo
Notas iniciais
P.O.V Matt
Eu contei a Clara sobre a mensagem que mandei para Danny, porque não queria que ela descobrisse por outra pessoa, isso acabaria com a confiança que ela tem em mim. E sei que está saturada desse assunto, então em um acordo silencioso, resolvemos não tocar mais nesse nome e focaremos nas provas finais e nos exames para as universidades.
Sempre soube que queria cursar Astronomia e Astrofísica, desde que me conheço por gente, sei que essa é minha vocação. Eu e meu irmão sempre tivemos planos de estudarmos juntos na universidade e tenho certeza de que isso se tornará realidade.
Minha única questão é ter que me afastar de Clara, eu não quero terminar com ela, mas sei que a precisarei deixar ir em algum momento. A conheço bem o suficiente para saber que, se ela entrar em uma faculdade no Brasil, ela vai se mudar para lá sem nem pensar duas vezes e não acho que isso seja errado.
Estaria mentindo se não dissesse que não quero que ela fique aqui comigo, mas aprendi há anos que quando se ama alguém, é preciso deixar essa pessoa ir, por mais dolorido que seja. Sei também que somos jovens demais para decidir sobre todos os pormenores do futuro e fazer planos, na verdade, planejar as coisas e não seguir o que foi planejado é uma característica de ambos.
Parece até que combinamos de sempre improvisar, porém é só mais uma das diversas coisas que temos em comum. Tenho certeza de que ela deve estar com as mesmas dúvidas que eu e que, se depender apenas dos nossos sentimentos, não vamos nos afastar tão cedo. Eu não sei como vou dizer isso a ela, entretanto as provas acabando, encerra também esse capítulo da nossa vida e precisamos nos preparar para o que vem a seguir.
Sei que sou novo demais para me preocupar com isso, só que é inevitável e fico tão ansioso, que já devo ter dado umas 30 voltas pelo meu quarto e levado as mãos ao cabelo e as arrastado pelo rosto mais umas 20 vezes. Puxar os cabelos e “arrastar” o rosto como se o arranhasse, são manias que tenho desde pequeno. Minha mente só para quando escuto John:
— Por Deus! Quer parar com isso? Faz meia hora que está andando para cá e para lá, não consigo me concentrar. – ele está com um livro aberto e tenho certeza de que não leu nem um parágrafo inteiro ainda.
—Desculpa, estou ansioso e estressado. – digo finalmente me sentando na cama e olhando para ele.
— Eu sei, eu te conheço desde que nasci. Você sabe que não há ninguém nesse mundo e nos outros, que sabe te ler tão bem quanto eu e a recíproca é verdadeira. Já que não vou conseguir mesmo engatar na leitura, me conta. O que está acontecendo que Matt Smith está mais inquieto que o normal?
— Uma série de possibilidades estão passando pela minha mente e todas terminam no cenário em que eu e a Clara nos separamos antes de começarmos a universidade. Eu não quero isso e sei que ela também não, mas não consigo deixar de pensar que talvez essa seja a melhor solução. – é a primeira vez que digo isso em voz alta.
— A situação é bem complicada, eu poderia usar meu relacionamento com a Rose como exemplo, todavia sei que vamos continuar morando muito perto um do outro e, honestamente, eu nem sei se ela quer fazer uma graduação. Só que seu caso é diferente, vocês dois têm ambições e sabem que é importante seguir o sonho de vocês, eu não vejo outra solução e, no fundo, sei que os dois sabem disso também. Apenas estão querendo adiar o inevitável e não os culpo por isso. – fala com uma sinceridade que nunca tinha visto antes e isso me dá mais certeza do que precisa ser feito.
Uma semana se passou desde que tive a conversa com meu irmão e que tomei a decisão que considero ser a mais difícil da minha vida, para não atrapalhar os estudos, achei melhor ter a conversa com ela depois que as provas passassem. Hoje é o último dia de aula e, com a certeza de que nos formamos e depois de ter tirado esse peso de cima dos nossos ombros, sei que preciso dizer o que sinto a ela.
Resolvi a convidar para almoçar comigo depois da aula na nossa lanchonete preferida e, ao chegarmos lá, pedimos um milkshake de chocolate grande para dividir e uma porção de fritas. Pensei muito no que John me disse e sei que só estamos adiando o inevitável, reúno toda coragem que há em mim e começo a conversa.
— Clara, eu sei que o que vou te falar agora não vai ser fácil. Acredite, eu perdi muitas noites de sono pensando nisso.
— Eu já sei o que você vai me dizer, porque queria te falar a mesma coisa quando as provas acabassem. – ela fala com os olhos marejados e toma um gole da bebida. Sei que o doce ajuda nesses momentos.
— Não queria ter que fazer isso, você não sabe o quanto eu tentei adiar essa conversa. – falo olhando para a mão, porque sou incapaz de olhar em seus olhos.
— Então é isso? Nós vamos mesmo terminar? – a última pergunta sai cortada, por conta das lágrimas e eu também estou chorando ao assentir com a cabeça.
— Você e eu sabemos que isso é o melhor a se fazer, mas não quer dizer que não vá doer. Porque, nesse momento, tá doendo pra caralho. – as lágrimas escorrem por minhas bochechas.
Ela não diz mais nada, não come a batata e dá um último gole antes de se levantar. Ela sai com as mãos nos olhos e sei que seu irmão a deve estar esperando no estacionamento para a levar para casa. De repente, eu também perdi a fome. Abaixo a cabeça, a coloco entre as mãos e choro tudo que tenho para chorar. Sei que vou lidar com essa dor por muito tempo e, talvez, ela nunca se cure totalmente.
Clara Oswald foi e sempre será minha garota impossível.
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