My Home Away From Home

1 I always knew my home is where my love is


Harry sentia-se livre. O vento batia em seus cabelos rebeldes e deixava os fios ainda mais bagunçados. E ele ria com os braços abertos enquanto observava a cidade passar de maneira lenta pela sua visão.

Virou seu rosto em direção ao do namorado quando ouviu um click soar e fechou a expressão, levemente emburrado.

— Você não tirou uma foto minha, tirou? — perguntou, mordendo o lábio.

— Sim, eu tirei — respondeu Cedric, sorridente — Precisei eternizar a expressão no seu rosto, babe, você estava lindo — murmurou, atirando um beijo para Potter.

— Então quer dizer que não sou lindo sempre? — resmungou, fazendo um leve beicinho.

O castanho riu de forma divertida e enlaçou os braços pela cintura fina do outro, deixando um rastro de beijos pelo pescoço do rapaz. Estavam juntos em mais uma de suas inúmeras viagens e dessa vez o local escolhido era Veneza.

Cedric tinha planos de pedir Harry em casamento naquela cidade desde que colocou seus olhos no moreno pela primeira vez. Potter havia roubado seu coração e até hoje o mantinha com ele, guardado.

— Você é o homem mais lindo do mundo — murmurou, sentindo o mais baixo virar seu corpo até ter novamente a cidade em seu campo de visão.

Estavam namorando desde os dezesseis anos e no dia seguinte completariam oito anos juntos, o que fazia dessa a ocasião perfeita para Diggory mostrar da seu amor.

[...]

Estar em Veneza tornava as coisas mais fáceis para o castanho, já que a cidade era romântica e bonita por si só e Harry estava totalmente encantado com o lugar. Haviam passeado o dia todo, revezando entre fazer compras e desbravar alguns pontos turísticos, com pausa apenas para comer sorvete ou alguma outra bobagem. Era noite e o plano estava correndo como o esperado.

Harry estava totalmente alheio ao fato de estarem completando oito anos juntos, já que o moreno era péssimo com datas e só lembrava do dia seu próprio aniversário por ter nascido nele. O restaurante em que Cedric fez a reserva era aconchegante e encantador. O anel estava cuidadosamente colocado dentro do embrulho em seu bolso e o discurso estava na ponta de sua língua.

Ele só precisava arrastar o homem até lá.

O problema era que Potter realmente havia gostado de conversar com aquelas pequenas crianças, que estavam brincando com os pais no grande parque em que estavam caminhando.

— Doce.. nós precisamos ir, sim? Temos reserva em quinze minutos — murmurou, beijando a testa do moreno que bufou, acenando um adeus para as crianças — Não fique bravo, Sr. Potter, vai deixar linhas de expressão.

— Você é um idiota — resmungou, beijando a bochecha do outro enquanto seguiam até a scooter elétrica que tinham alugado.

O caminho até o restaurante foi silencioso e em menos de dez minutos ambos estavam na frente do local. Harry estava sorridente e Cedric nervoso, afinal... não é todo dia que você pede o amor de sua vida em casamento.

O garçom levou-os até uma mesa reservada e então deixou os cardápios sobre a madeira, dando tempo para que escolhessem algo de sua preferência.

O jantar ocorreu de forma descontraída mas Harry sentiu que algo estava errado com o namorado, e o cutucou de forma discreta por baixo da mesa, arqueando a sobrancelha quando o homem deu um pulo.

— O que aconteceu? Não me diga que atropelou alguém e fugiu — disse brincalhão, apoiando o rosto nas mãos — É sério amor, você está estranho.

— Harry... — murmurou Diggory, passando as mãos pelo cabelo. O homem a sua frente mordeu o lábio e por Deus, aquela poderia ser a visão mais linda do mundo.

— Você não me trouxe até a Itália pra terminar comigo, certo? — questionou, estreitando os olhos — Se trouxe...

— Claro que não! — respondeu o castanho, sem conseguir controlar o riso — Te trouxe aqui por outra coisa, bobinho.

— Hum, estou ouvindo — retrucou, ainda observando Cedric atentamente.

— Babe... nossa isso parecia mais fácil na minha cabeça — murmurou, respirando fundo antes de beber um gole d'água. — Babe.

— Amor você esqueceu como falar? — provocou Potter, sorrindo.

Cedric respirou fundo mais uma vez e então fechou os olhos, abrindo apenas para encarar Harry.

— Eu te amo, Harry. E eu amo como nunca pensei ser possível, pelo menos pra mim — começou, vendo o outro corar — Você é amor da minha vida e eu soube que ficaríamos juntos desde que coloquei meus olhos em você. A maneira como é corajoso, inteligente... mesmo que seja um pouco lento — brincou, recebendo um tapinha no braço — Amo cada um dos seus detalhes, cada coisinha sua.

— Eu te amo também, Ced — murmurou Harry, com um sorriso nos lábios.

— Ainda não terminei, doce — riu — Você me ajudou nos piores momentos e esteve comigo quando mais precisei, sempre ao meu lado, assim como estive com você. Passamos por muita coisa juntos, sempre tivemos um as costas do outro... você é meu melhor amigo e meu coração escolheu o seu para fazer morada. Eu te amo de uma maneira quase impossível de explicar em palavras, Harry. Você é a minha casa. E eu sei que casa é onde o meu amor está — murmurou, tirando do bolso o pequeno embrulho — Isso é seu.

O moreno suspirou trêmulo, pegando o pequeno pacote nas mãos. Abriu de maneira cuidadosa e então olhou espantado para o namorado. Abriu a caixinha de veludo vermelha e sorriu de forma radiante ao ver um par de alianças de ouro ali. Juntas.

— Você merece o mundo Harry, mas ainda não posso te dar ele então... você aceita o meu mundo? Você me permite tentar te alegrar nos piores dias, te fazer companhia e preparar seu café quente todas as manhãs? Você aceita casar comigo? — perguntou Cedric, sentindo seu peito explodir lentamente quando o outro não respondeu nada, apenas piscou e piscou outra vez.

Talvez ele fosse ser rejeitado. Talvez fosse cedo... ou talvez...

— EU ACEITO! — gritou o moreno, jogando seu corpo para frente. — EU ACEITO, EU ACEITO! EU TE AMO — gritou outra vez, lágrimas caindo livremente por seus olhos verdes — Você me faz tão feliz, Ced, tão completo...

— Você é a minha outra metade, futuro sr. Diggory — respondeu Cedric, levantando do seu lugar para caminhar até o noivo, puxando o mesmo para um beijo apaixonado.

E então aplausos foram ouvidos e os dois se separaram, dando de cara com os clientes do restaurante sorrindo, dando felicitações.

Cedric amava Harry e Harry amava Cedric, e ambos sabiam que casa muitas vezes não significa um local e sim uma pessoa.

Eles eram o lar um do outro.

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