My Holidays
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Pov's Oliver Queen
— Juro que se eu tiver que ir em mais uma reunião hoje, corto minha própria garganta — resmunguei, enquanto afrouxava sua gravata.
— Oliver, você está muito estressado, cara — ouvi a voz de Tommy ecoar pela minha sala e logo em seguida a porta do meu escritório ser fechada. — Que tal sairmos hoje a noite? — olhei-o ironicamente.
— Tommy, o único lugar que eu consigo ir hoje é pra minha cama — afundei minhas costas na cadeira e passei as mãos pelo meu rosto. Mesmo não vendo, sei que ele fez uma careta.— Além do mais, amanha terei de vir cedo para a empresa para receber os chineses — bufei.
Não sei a quantos meses que estou trabalhando direto, sem folgas. Uma vez ou outra no fim de semana, claro, mas Laurel não me deixa descansar, arrumando planos e passeios para nós dois.
Desde que me tornei o presidente da Q.C minha vida virou radicalmente. Me tornei noivo de Laurel por pressão de minha mãe, que disse que uma esposa é um elemento essencial para o C.E.O e para um Sr. Queen.
Como se eu quisesse ser tudo isso.
— Você anda trabalhando de mais.
— Eu sei — murmurei. — Desde que meu pai morreu as coisas andam mais complicadas para mim — minha voz saiu em um fio, mas logo tratei de manter firmeza. — Parece que todos querem que eu seja como ele.
— Você pretende fazer o que? — perguntou causando certa confusão em mim.
— Como assim? — respondi-o, com outra pergunta.
Tommy soltou um suspiro alvoroçado e se sentou á minha frente, sem deixar de me olhar.
— Você não é como o seu pai, Ollie. Sabe disso — assenti lentamente. — Tem que mudar isso. Você não é o mesmo de antes, não está feliz... Sua mãe não percebe isso porque não liga. Laurel, você coloca um sorriso falso quando está ao lado dela e pronto, ela também não percebe. Mas eu, Dig e Thea percebemos e estamos preocupados — confessou com certo pesar na voz, apenas soltei o ar que nem ao menos sabia que segurava.
— Não tem necessidade disso. Estou... Eu estou bem, Tommy — tentei convence-lo.
— Não minta, Oliver — aumentou o tom de voz oitavos, levantando-se brutalmente. — Não pra mim — acrescentou, olhando-me repreendedor. — Crescemos juntos, somos melhores amigos e eu sei bem quando você mente e quando você está feliz, Ollie — agora a voz dele estava mais calmo, porém ainda sim dava para perceber frustração em sua voz.
— O que você quer que eu diga, hein? — inqueri, começando novamente a me irritar. — O meu pai morreu e eu pensava que ele era a melhor pessoa do mundo; honesto e generoso. Afinal, ele sempre deu essa impressão quando ajudava aos necessitados e dizia todas aquelas palavras em frente a empresa... Mas ele era somente mais um bilionário ganancioso que traia minha mãe, extraia dinheiro da empresa e como se isso já não bastasse era um traficante — não controlava bem as minhas palavras. Eu estava furioso, frustrado, irritado, cansado. Ao dizer essas palavras meus ombros se relaxaram, como se eu tivesse tirado um peso das minhas costas. — O pior é que... ainda sim ele é o meu pai e eu sinto falta dele.
Tommy ficou um tempo em silencio e eu não sei se agradecia por isso ou o espancava por não dizer que estou ficando louco. Robert Queen era tudo o que eu queria ser e mesmo com todos esses defeitos imperdoáveis, quando vivo e quando o grande C.E.O da Queen Consolidated ele era um exemplo para mim.
Sempre soube que ele traia minha mãe e, sinceramente, não me importava com isso. Era assunto deles, não meu. E nunca me incomodou também, já que como pai ele sempre foi presente e amoroso. Eu o amava. Amo, ainda, na verdade. Mesmo depois de tudo.
Ele morreu á quatro meses. Estávamos em um iate, começou uma tempestade e afundamos... Antes de morrer meu pai me entregou, no meio do alvoroço, seu diário. E lá estava. Todas as confissões dele estavam lá. Os nomes dos amigos acionistas que ele se juntou para roubar desfalcar a empresa, o local onde ele possuía vários armazenamentos de drogas – que foi confiscado pela policia por um anônimo, não posso colocar as pessoas que amo expostas. Todos os crimes de Robert estavam escritos lá.
Fiquei totalmente arrasado.
No começo eu só senti uma grande dor e um grande desapontamento, mas depois uma raiva foi surgindo e se misturando com todos aqueles sentimentos. Mas a fúria se destacou. Teria despejado toda essa informação para Moira, minha mãe, Thea, minha irmã e toda a imprensa se na última folha daquele pequeno caderno não tivesse um recado pra mim.
Ele estava se desculpando comigo e se despedindo também. Aquela carta parecia ter sido escrita a um tempo, isso me deixava na duvida se ele pretendia me entregar. Ou se ele sabia que iria morrer. A questão é que ele me fez lembrar que apesar dos erros que cometeu, passamos bons momentos juntos e eu não sou a melhor pessoa para julga-lo.
— Ollie? — a voz de Tommy me fez voltar a realidade. O olhei ainda desconcertado pelos meus pensamentos e meu amigo estava com o cenho erguido. — Ouviu o que eu disse?
— Me desculpe. Pode repetir? — pedi sem nenhum interesse, enquanto começava a mexer em alguns papeis para levar pra casa.
— Que tal Vegas? — questionou de repente, me assustando. O olhei sem entender. — Preciso ir até lá, resolver alguns assuntos do meu pai... Vai ser somente um final de semana. Vem comigo para se afastar de Moira, Laurel e da QC e esfriar a cabeça.
Soltei uma risada incrédula e sarcástica.
— Ta maluco? — perguntei e ele deu de ombros. — Eu sou o presidente da Queen Consolidated, não posso simplesmente sumir assim... — Tommy me interrompeu.
— Você pode por alguém no seu lugar por enquanto — sugeriu, mas neguei. — Vamos lá, Queen! Vai ser divertido. Vegas! Festas, cassinos, champagne e mulheres — seus olhos se iluminaram na ultima parte.
Sua proposta era tentadora, devo admitir. Mas ainda sim não me parecia uma boa ideia.
— Diga que sim e eu arrumo tudo, inclusive um substituto para ocupar o seu lugar — insistiu, tentando esconder um sorriso desafiador que nascia em seus lábios. — Pense que será como umas pequenas ferias — riu humoradamente, fazendo-me revirar os olhos.
Antes de meu pai morrer eu não tinha compromisso com nada. Exeto com Laurel, que era minha "namorada". Eu a traia descaradamente e todos sabiam disso, menos ela. Não me arrependo do que fiz com ela no passado, afinal foi divertido minhas noites em claro. Contudo, também não me orgulho do que fiz.
Laurel sempre foi uma pessoa complicada de lidar. Eu, ela e Tommy crescemos juntos e eu sempre soube que ela tinha uma paixãozinha por mim. Ela e praticamente todas as mulheres e garotas de Star City. Quando tínhamos por volta dos quinze anos, Laurel tinha ido visitar a avó e a irmã e quando voltou estava aos pranto dizendo que havia brigado com ela. Ela nunca nos contou o motivo de terem brigado, mas sei que não se falam até hoje. Mas foi naquela mesma noite em que começamos a namorar.
Essa foi uma das loucuras que cometi. Assim como sei que foi uma grande loucura eu ter dito sim ao Tommy, agora.
X x X
Já era noite e o voo pra qual Merlyn tinha marcado era para daqui menos de duas horas. Estava no meu quarto, relendo mais uma vez as palavras do meu. Tentava dizer a mim mesmo que ele se arrependia de ter feito tanto mal aos outros, e que eu não era como ele, porém não soava muito convicto comigo mesmo.
Ouvi a porta atrás de mim ser a aberta e rapidamente – e discretamente – guardei o diário e me virei, sorrindo levemente ao ver Laurel Lance.
— Encontrei sua mãe lá em baixo e ela me disse que está indo viajar — disse, fazendo uma careta.
— Tommy pediu para acompanha-lo — expliquei calmamente. — Além do mais acho que vai ser bom para mim — deixei escapar, sem ao menos perceber.
— Por que acha isso? — perguntou curiosa.
— Porque... — soltei o ar violentamente e caminhei até a cama, sentando-me de frente pra ela. — …Preciso rever alguns conceitos sobre a minha vida — confessei. Parecia estar falando mais para mim do que pra ela.
— Eu estou no meio desses seus conceitos? — perguntou, sentando ao meu lado.
Olhei para ela de relance, abri a boca mas fechei ao perceber que não sabia bem o que dizer. Então simplesmente concordei, vendo-a abaixar a cabeça com os lábios em uma linha reta.
— Laurel... — comecei, mas ela me interrompeu.
— Tudo bem — suspirou, virando-se para mim. — Você não tem certeza que quer casar, é isso? — perguntou. Não estava entendendo essas perguntas, Laurel nunca foi de se importar ou de reparar, isso estava estranho. Mesmo assim, assenti, querendo saber até onde ela iria. — Eu entendo, afinal você está passando por momentos complicados durante esses tempos. Por isso eu acho... eu acho melhor darmos um tempo — falou deixando-me completamente surpreso.
— O que?
— Você irá viajar, com Tommy e ele me disse que vocês ficaram algumas semanas lá... — a interrompi rapidamente.
— Não. Espera! São só três dias — falei entre dentes.
— Oliver, acha mesmo que Tommy iria para Las Vegas para ficar três dias? — soltou uma risada e eu cerrei os punhos. Vou matar aquele filho da puta. — Enfim, use esse tempo para pensar que eu farei o mesmo. Quando você voltar, terei minha resposta — sorriu.
— Também está com dúvidas sobre o casamento?
— Um pouco. Mas nada que alguns dias no spar não me faça resolver — disse sorrindo e eu ri brevemente.
Antes que eu pudesse responde-la, alguém bate na porta e em seguida entra. Me levantei, assim que encarei a figura sorridente e animada de Tommy.
— Algumas semanas é, Merlyn? — cruzei os braços, sério.
— Isso é somente um detalhe, Queen — me direcionou uma piscadela e voltou a sorrir como uma criança.
X x X
Já era de madrugada quando chegamos em Vegas. Pensei que iriamos ficar em um hotel, mas Tommy disse que o pai dele nos emprestou um de seus apartamentos. Assim que chegamos cada um foi para um quarto e curtiu o resto da noite, dormindo.
Quando acordei, ele não estava lá. Assim como havia me dito em Star City, foi resolver algumas coisas para o pai dele, e tenho certeza que só foi cedo assim para depois sair por aí procurando mulheres para se divertir com ele.
Abri os armários da cozinha e vi que os mesmo estavam vazios, suspirei irritado e peguei meu celular juntamente com minha carteira. Abri a porta do apartamento e minha atenção foi rapidamente para uma loira que parecia apressada de mais, pois resmungava algo indecifrável por mim enquanto tentava trancar a porta. Assim que conseguiu, se virou e assim pode vê-la melhor.
E, Deus, ela é linda.
Seus olhos azuis queimaram assim que encontraram os meus e tenho certeza que tive o mesmo efeito. Meus olhos desviram lentamente de seus olhos até seus lábios cobertos por um batom vermelho, blusa também vermelha e uma saia azul que vai pouco mais acima dos joelhos, dando a visão perfeita de suas pernas. Voltei a olhar em seus olhos, tentando esconder o sorriso malicioso que teimava em nascer em meus lábios.
— Olá — depois de algum tempo em silêncio, ela me cumprimentou.
— Oi — sorri, maneando com a cabeça.
— Nunca vi você aqui — comentou. — Se mudou á pouco tempo?
— É.. É — foi apenas o que consegui pronunciar, assentindo. Droga. — Oliver... Oliver Queen — estiquei minha mão para cumprimenta-la de forma decente.
— Felicity... Felicity Smoak — imitou o meu gesto, com um sorriso, pegando em minha mão.
Meu corpo reagiu com o toque dela, fazendo-me morder o interior da minha bochecha. Olhei para nossas mãos subindo meu olhar até seu rosto, vendo-a corar. Pelo visto não foi somente eu que senti isso.
Mas que merda é essa? Eu estou mesmo me excitado com um aperto de mão? Isso só pode ser brincadeira.
— Bom... eu... eu tenho que... eu vo-vou — balbuciou nervosa, puxando sua mão rapidamente, e respirando fundo. — Eu vou embora agora — anunciou, olhando para o elevador no fim do corredor. Assenti e a mesma passou por mim rapidamente.
A vi partir e fitei seus olhos mais uma vez antes da porta do elevador se fechar por completo.
A visão da imensidão azul que são os seus olhos ficaram presas em minha mente, tanto que nem ao menos sei quanto tempo fiquei parado ali.
A única certeza que eu tinha naquele momento era que essas seriam as melhores ferias das minha vida.
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