My Hands Are Tied
3 Take me down to the paradise city
Notas iniciais
Chegando em casa, tomei um banho muito rápido e caí no sono, estava cansada. Acordei com uma ligação, era Dave.
-Oi Liz! Achei que não fosse atender. Como foi a noite ontem?
-Oi Dave! Me desculpe, estava dormindo. Na verdade não foi tão legal. Uma banda muito boa tocou, e o pessoal era muito gente boa, mas não me diverti muito sem você.
-Ninguém se diverte sem mim! Onde vai almoçar? Estava querendo sair com um amigo pra ir naquele restaurante novo, sabe? Pode ir? — disse em tom de brincadeira. Resolvi aceitar.
-Claro, posso sim! Me busca que vamos juntos então. Beijos.
Tomei um banho demorado e coloquei um shorts confortável e uma blusa larga, bem meu estilo. Resolvi deixar os cabelos soltos, não estava muito calor. Coloquei um tênis qualquer, mas estava um tanto surrado e percebi umas batidas na porta.
-Você está linda! — disse Jack. Não esperava vê-lo.
-Obrigada, o que está fazendo aqui?
-Olha, fiquei muito mal pelo que fiz ontem e resolvi me desculpar. Eu estava alterado, mas podemos compensar isso almoçando juntos hoje. Que tal?
-Desculpa, mano, mas já tenho um compromisso. Talvez outra hora, tá?
-Tudo bem. Depois a gente se fala. — disse, saindo e fechando a porta. Estava bravo, nunca aceitava um não como resposta, desde pequeno era teimoso daquela forma.
Depois de dez minutos vi o carro de Dave se aproximando, com dois meninos dentro. Corri apressada e entrei. Ele estava lindo, como sempre, meu moreno alto e magro vestia uma camiseta preta e jeans. Gostava dele simples daquela maneira. Não reconheci os caras, mas ele me apresentou, eram Kevin e Natan. Me cumprimentaram um tanto secos, e quando lá chegamos, ao descermos do carro Dave me deu um beijo apaixonado, e cambaleei. Não esperava que aquilo acontecesse.
-Tenho novidades, e sei que vai amar. — disse Dave, animadíssimo após nosso beijo.
-Quais, David! Não me deixe curiosa!
-Te conto depois do almoço. — disse ele, em um tom de brincadeira. Ficaria curiosa por muito tempo!
Comemos e Kevin e Natan mal se pronunciaram. Pareciam sérios, em um almoço muito formal, mas a situação não era aquela. Após pagarmos a conta e entrarmos no carro, Kevin disse:
-Dave, Elizabeth, nós vamos pegar um táxi, mas obrigado pelo almoço.
-Tudo bem. Tchau! — disse Dave.
Entramos no carro e ele me deu mais um beijo inesperado.
-Liz, eu ganhei uma promoção no emprego! — disse, muito animado. Que bom! Fiquei muito feliz por ele!
-Sério?! Não acredito! Que ótimo!
-Vamos nos mudar para Charlotte! — como assim nos mudar?!
-Como assim, Dave? Mas é na Carolina do Norte! É muito longe daqui! Você enlouqueceu?
-Calma, Liz! Imagine, em uma semana nós dois, em uma casa confortável, com um emprego ótimo... — realmente imaginar aquilo parecia maravilhoso, mas por seu tom de voz não parecia muito importado com nós, sim com ele.
-E vou deixar meu irmão e meu emprego para trás, Dave? Eu não posso!
-Lizzy! Tem que entender que seu irmão é um idiota que não tem futuro, e não quero que acabe como ele, entendeu?
-O que você disse? — falei, saindo do carro e batendo a porta. Andei algumas quadras a pé, mas ele me seguia.
-Lizzy! Entra aqui! Não disse por mal, por favor, entre aqui!
-Nunca mais insulte meu irmão, cretino. Vou a pé, e pare de me seguir! — depois disso ele disse algo como "vai se arrepender" e virou a esquina com o carro. Cheguei aliviada a minha casa e recebi uma ligação.
-Alô, aqui é Elizabeth Mitchell. Quem fala?
-Oi Elizabeth, aqui é William. Lembra de mim? — Como assim me lembrava? Como poderia esquecê-lo? O homem lindo e sedutor da festa do outro dia, com a voz mais linda que já ouvi?
-Oi! Claro. Como conseguiu meu número?
-Pedi para Jack ontem. É seu irmão, né? Não se parecem muito. — ele estava certo. Jack tinha cabelos castanhos claros e a pele branca como a minha, mas tinha olhos de um tom de preto profundo, não como os meus, que eram azuis.
-Ah, sim, é verdade. Mas por que me ligou?
-Te achei linda quando te vi ontem. Queria saber se podia vir até minha casa hoje para ouvirmos música, ou beber um pouco. Aceita meu convite? — Meu Deus! pensei. Como um homem daqueles se interessaria por mim? Estava quase viajando, quando ele me chamou a atenção. — Liz?
-Ah, sim, desculpe, estou meio avoada ultimamente. Claro que posso. Me busca ou eu vou aí?
-Não se preocupe, eu te busco. Não se importa de andar de moto, certo?
-Nem um pouco. Te espero então, lá pelas nove?
-Pra mim tudo bem. Passo aí então. Tchau!
-Tchau, Will.
Quando desliguei ainda me sentia nas nuvens. Ele me convidou pra sair? Isso era perfeito, maravilhoso. Sabia que ainda estava com Dave, mas depois de nossa briga não tinha muitas esperanças ainda. Era cedo, então ouvi um pouco de rádio e li um de meus livros preferidos enquanto esperava. Quando percebi eram oito e meia, e me arrumei apressadamente. Coloquei uma baby look preta dos ramones, um brinco não muito grande, um short, meu preferido, jeans, e um salto que me fazia sentir muito maior do que era. Depois de pentear deicadamente meus cabelos e passar lápis e rímel me sentia pronta para ir.
Oito e cinquenta vi uma Harley Davidson se aproximando de minha casa e uma luz um tanto ofuscante. A moto era simplesmente maravilhosa, e o cara em cima dela melhor ainda. Lá estava William, sem camisa, com muitas tatuagens a mostra, e com uma bandana nos enormes cabelos loiros, que o tornavam ainda mais atraente. Saí pela porta até a rua e ele sorriu e acenou. Era tudo mágico, ele era lindo.
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